<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641</id><updated>2012-01-05T04:39:49.876-08:00</updated><title type='text'>ON THE RUN</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>64</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-7478823970866915509</id><published>2011-12-25T18:36:00.000-08:00</published><updated>2011-12-25T18:40:24.380-08:00</updated><title type='text'>NATAL</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-1apaTiPlQZ0/Tvfd7zznMXI/AAAAAAAAAoc/OMEWl7dHrpI/s1600/250px-Spas_vsederzhitel_sinay.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 166px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-1apaTiPlQZ0/Tvfd7zznMXI/AAAAAAAAAoc/OMEWl7dHrpI/s320/250px-Spas_vsederzhitel_sinay.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690260673794617714" /&gt;&lt;/a&gt;Não tenho fé no divino.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Acredito que o Homem criou deus à sua imagem e semelhança, não o inverso. Justamente por isso, acredito no Ser Humano. Este poder de forjar uma fonte que tudo sabe, que tudo pode e está ao redor, pode ser transformado na capacidade de mudança que tanto nos é necessária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atribui-se a Jesus divindade e, portanto, infalibilidade. Por quê? Qual o mérito em não errar? Foi esta a lição perversa que teria nos deixado? Sinceramente, desacredito.  Perfeição é para o deus que inventamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus, o filho de Maria e José, foi capaz de fazer milhões escutarem, olharem ao redor, questionarem e fazerem a revolução. Ensinou que as diferenças devem ser aceitas, as coisas – tangíveis ou etéreas – compartilhadas, que o outro, mesmo quando errado, deve ser perdoado. Entretanto, perdoar não significa omitir-se. Afinal, não foi Jesus que, num momento de ira, expulsou os vendilhões do templo?&lt;br /&gt;Ele enxergou seu lado sombrio, caiu em tentação, refletiu, refez-se, pôs-se de pé e seguiu adiante, amando a todos como a si próprio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andamos nos embrutecendo. Sucumbimos diante do ideal de acúmulo e exploração. Somos culturalmente programados para reter, manter e disputar. Deixamos para trás, em algum momento, lições básicas ensinadas por Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, contudo, a meu ver, possibilidades. Não criamos deus? Ora, pois, aprendamos com o filho da nossa cria: questionemos, amemos, perdoemos, sejamos mais humanos, pois ser mais humano é tornar-se mais divino...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                           Revisado por Nídia Lubisco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-7478823970866915509?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/7478823970866915509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=7478823970866915509' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/7478823970866915509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/7478823970866915509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/12/natal.html' title='NATAL'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-1apaTiPlQZ0/Tvfd7zznMXI/AAAAAAAAAoc/OMEWl7dHrpI/s72-c/250px-Spas_vsederzhitel_sinay.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-6269848679461845622</id><published>2011-09-05T04:31:00.001-07:00</published><updated>2011-09-05T04:35:22.131-07:00</updated><title type='text'>ÀS LÁGRIMAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-l3qs4wokfGA/TmSzKjVXHRI/AAAAAAAAAn4/U4tIXaxJzK0/s1600/images.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 262px; height: 193px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-l3qs4wokfGA/TmSzKjVXHRI/AAAAAAAAAn4/U4tIXaxJzK0/s320/images.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5648836826494344466" /&gt;&lt;/a&gt;Este blog foi feito pra publicações exclusivamente minhas. Mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Lubi, meu irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Lembro que quando eu era criança tudo o que mais queria nessa vida era ter um irmãozinho. Aliás, um irmãozinho, não. O que eu queria era um irmãozão. Nas minhas fantasias de criança, o irmão que me fazia falta nunca era um bebê chorão menor do que eu e sim um menino que seria sempre um pouquinho mais que eu: mais velho, mais sábio, mais popular, mais conhecido. Muito estranho isso, mas quando criança eu trocaria, sem hesitar, qualquer situação em que eu fosse o centro das atenções pela chance de poder dizer: “O quê? Você conhece fulaninho? Ele é meu irmão.” Eu desejava aquilo com tamanha intensidade que minha cabecinha avoada de criança nem se tocava do óbvio que era a impossibilidade daquele sonho. Eu já estava aqui no mundo, ter um irmão mais velho só poderia virar realidade em outra vida.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       O tempo foi passando e com ele aquela fantasia foi dando lugar a outras. &lt;br /&gt;Agora queria era passar no vestibular, conseguir juntar dinheiro pra fazer um intercâmbio, comprar um carro, arrumar um namorado legal, comprar uma casa, conseguir aquele emprego bala, ganhar na loto, ter uma ilha. À medida que a gente vai crescendo, nossos sonhos vão ficando mais materiais, mais práticos e comigo não foi diferente. Uns sonhos foram se realizando rápido, outros de forma mais trabalhosa e outros foram mudando ou terminaram sendo completamente substituidos. No geral, me considero uma pessoa de sorte por quase sempre conseguir alcançar minhas metas, meus objetivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Mas realizar sonhos leva tempo e dá trabalho. Por isso eu estudei muito, troquei de universidade, trabalhei aqui e acolá, trabalhei por merreca, fiz amigos, perdi amigos, fiz cursos, viajei, galinhei bastante - porque ninguém é de ferro -, me apaixonei, chorei, dei muita risada, caí, levantei, quis mandar tudo pra puta que pariu, virei zen, fiz yoga, perdi a paciência, a recuperei e, durante todo esse tempo (mais ou menos a partir do momento em que eu comecei a deixar de lado o desejo de ter um irmão mais velho para dar preferência a outras fantasias), uma pessoa esteve presente acompanhando tudo isso. Olhando pra trás, lembro exatamente do nosso primeiro contato: eu estava anotando alguma coisa num caderno, apoiado na minha mão, de pé, em frente à sala de aula, antes de o professor chegar. Ele estava encostado na parede, bem ao lado do papel que eu queria ler. Tentei ignorar sua presença, mas ele não é o tipo de pessoa que alguém consiga ou queira ignorar. Era um adolescente lindo, alto, com cabelos longos e brilhantes de dar inveja a qualquer menina, seus olhos eram super meigos, era muito, mas muito charmoso mesmo e como era cheiroso! Simpático como ele só, começou a brincar comigo, tentando me atrapalhar com minhas notas. Dei risada e senti meu coração se aquecer. Mal sabia eu que meu sonho de menina estava se realizando. Naquele exato instante, estava nascendo para mim meu irmão mais velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Desde então, Lubi, meu irmão esteve presente em minha vida em todos os momentos. Nas fases ruins ele me ouve, aconselha, oferece outra perspectiva da situação. Quando eu passo dos limites, meu irmão me dá umas chamadas pra real também. Coisas de irmão mais velho. Assim como todo bom irmãozão, ele sempre foi um grande modelo pra mim e é em grande parte responsável pela minha formação como ser humano. Sem ele, muitos de meus melhores momentos de vida nem teriam acontecido. Entre as tantas coisas que ele fez por mim, está o despertar do meu interesse por questões sociais e políticas, a ampliação do meu universo musical e ter me apresentado ao meu marido, o primeiro grande amor de minha vida. Faltaria espaço aqui pra contar quantas vezes ele aguentou minhas bebedeiras e me levou sem nem um arranhão sequer de volta pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Meu irmão e eu já tivemos momentos super próximos de quase sermos um só, ao ponto de algumas pessoas nos chamarem Cris&amp;Lubi, e outros, mais distantes, de meses sem saber um do outro. Hoje em dia eu sei que aquela melancolia que insistia em me acompanhar apesar de eu estar bem, vinha do fato de estar distante de meu irmão. Porque naqueles momentos de distância não se passava um dia sem que eu pensasse nele. Lembrava dele em festas, quando via algo que eu sabia que ele ia gostar, queria fazer comentários que eu sabia que só ele iria entender. Como é comum entre irmãos, já brigamos também. Mas a gente sempre aprende com nossos conflitos e, ao final de cada briga, nosso elo se torna cada vez mais forte. Mas não gosto de brigar com meu irmão. Quando isso acontece, a dor é tão grande que parece até que briquei comigo mesma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	O meu maior pesadelo de mulher adulta é o medo de acordar um dia e me achar sozinha no mundo. Sem filhos, sem marido e sem ninguém com quem dar os últimos passos de minha vida. Pesadelo bizarro, eu sei, mas que recentemente parou de me atordoar, sabe por quê? Esta semana eu estava caindo e meu irmãozão mais uma vez me segurou. Dono de uma sabedoria incrível, mandou eu chorar direito e me disse todas as coisas que eu precisava ouvir. Cada palavra era uma carícia em minha alma. No final, ele completou: haja o que houver, seja quando e onde for, aconteça o que acontecer, pode me chamar que eu vou na mesma hora te socorrer, como você precisar. Senti novamente meu coração se aquecer. Olhei fundo nos seus olhos, que ainda carregam toda a doçura da adolescência, mas com um fator a mais que é a segurança e a maturidade do homem que ele se tornou. Acreditei completamente nas palavras dele. Tenho certeza de que nossa amizade e  nosso elo de irmãos são eternos e de que eu nunca vou precisar passar por nada sozinha, se não quiser. Fui relembrada do porque a vida vale à pena e passei a noite agradecendo a papai do céu por me ter concedido o desejo impossível de criança de ter um irmão mais velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-6269848679461845622?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/6269848679461845622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=6269848679461845622' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/6269848679461845622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/6269848679461845622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/09/as-lagrimas.html' title='ÀS LÁGRIMAS'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-l3qs4wokfGA/TmSzKjVXHRI/AAAAAAAAAn4/U4tIXaxJzK0/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-7948132400894519222</id><published>2011-08-25T07:10:00.000-07:00</published><updated>2011-08-28T22:47:42.645-07:00</updated><title type='text'>PSICOPATA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-A4KC3qGrLp4/TlZYA9VFc_I/AAAAAAAAAns/wh0BKkwKloI/s1600/vaca_louca.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 231px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-A4KC3qGrLp4/TlZYA9VFc_I/AAAAAAAAAns/wh0BKkwKloI/s320/vaca_louca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5644795956441740274" /&gt;&lt;/a&gt;Como minha memória anda me traindo, resolvi contar essa história antes que caia no esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moro no mesmo endereço há 23 anos. Se bem que há uma lacuna referente  à  época que fui casado. Mas, com o divórcio, filho pródigo que sou, retornei ao lar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nilton, que exerce a função de coordenar os porteiros e funcionários responsáveis pela limpeza do prédio de 12 andares com quatro apartamentos de três quarto por piso, me conhece desde que me mudei pra cá ainda meninote. Nestes anos todos, desenvolvemos uma relação de afeto e confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros funcionários - Alan, O Perguntador; Firmino, O Tá-Tudo-beleza; Raimundo, O Filósofo; Chico, O Fênix e Timóteo, O Dialeto - são espetaculares e nos adoramos mutuamente.  Um dos meus passatempos prediletos é, nas minhas horas vagas, descer e conversar com quem estiver na portaria no momento. Sempre aprendo algo com a sabedoria popular – aquela que não se aprende na escola – ou me divirto muito com as histórias da vizinhança, afinal, todo mundo tem seu lado Dona Fifi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem verdade que muitas destas conversas são momentos de terapia para eles que me contam as agruras do serviço cotidiano. Sempre, sempre mesmo, solidarizo-me com toda a sinceridade que tenho. Talvez por isso, gostem tanto de mim ao ponto de, ao invés de me chamarem de Lubisco, usem Duda. E, deixo claro que, somente eles têm esta permissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, desci para fumar um cigarro e prosear um pouquinho. Chegando ao playground, encontrei Nilton na guarita enquanto Firmino e Alan, o mais jovem de todos, lavavam o piso do térreo.  É um trabalho brutal, pois a área é enorme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo aquilo, lembrei-me, milagrosamente - devido a minha condição atual, já referida lá em cima – de uma cena que testemunhei há duas semanas: Nilton estava na portaria quando uma moradora louca, mãe de um garoto de uns 10 anos e já atormentado pelas insanidades maternas, chegou esbravejando, com sua grosseria peculiar, pois seu amado rebento só chegava em casa com “os pés pretos de sujeira”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nilton tentou argumentar, ponderadamente , que o pátio era varrido todos os dias e lavado uma vez por semana. Mas a louca, como é chamada por todos os condôminos que sabem da  existência daquele ser desequilibrado, não se deu por satisfeita. Prometeu fazer uma reclamação formal ao síndico pedindo o desligamento de todos os empregados imediatamente, bateu a porta e andou, pisando fime seu sapato com estampa de oncinha, até o elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teoria unânime que corre à boca pequena – bem, não tão pequena assim – é que, a ela, falta uma boa trepada. Ok, concordo que seja uma teoria levemente machista, mas garanto que, neste caso específico, concordo plenamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há poucos minutos, quando ainda estava lá em baixo divertindo três deles com algumas histórias engraçadas - modéstia à parte, sou bom nisso - relembramos o rompante da psicopata. Foi, então, que recebi uma de trabalho. A primeira relativa a um tipo de serviço ao qual não estou acostumado a prestar, visto que minha escolha profissional foi de ser pobre, digo, professor de inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Duda, você tem algum tempinho livre?&lt;br /&gt;- Hum... não exatamente. Mas diga aí o que é pra ver se posso ajudar.&lt;br /&gt;- Man, se puder vai ser bala!&lt;br /&gt;- Massa.&lt;br /&gt;- Tá a fim de ganhar uma grana extra?&lt;br /&gt;- Oxe, claro! Na hora. Manda.&lt;br /&gt;- Você cobraria quando pra dar uma madeirada na doida?&lt;br /&gt;- Uma o quê?&lt;br /&gt;- Madeirada, porra.&lt;br /&gt;- Madeirada? Tá Louco, véi!?&lt;br /&gt;- Não, man! Passar a pica.&lt;br /&gt;- Ah! Um milhão... acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto não foi revisado&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-7948132400894519222?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/7948132400894519222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=7948132400894519222' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/7948132400894519222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/7948132400894519222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/08/psicopata.html' title='PSICOPATA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-A4KC3qGrLp4/TlZYA9VFc_I/AAAAAAAAAns/wh0BKkwKloI/s72-c/vaca_louca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-5375584351520316808</id><published>2011-08-19T11:51:00.000-07:00</published><updated>2011-08-20T07:43:25.446-07:00</updated><title type='text'>PASSAGEIRA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kXbYv9O6XMQ/Tk6ws8vWalI/AAAAAAAAAnk/ayLdVkDL50Y/s1600/chuva_na_janela_e_vela_saudade_2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 303px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-kXbYv9O6XMQ/Tk6ws8vWalI/AAAAAAAAAnk/ayLdVkDL50Y/s320/chuva_na_janela_e_vela_saudade_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5642641669407271506" /&gt;&lt;/a&gt;Quando nasceu, não chovia nem fazia sol. Era um fim de tarde morno, com algumas nuvens acinzentadas, daquelas que só fazem o dia abafado e nostálgico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos e parentes a visitaram mesmo antes de ela ser retirada, via cesariana, do útero. Aguardaram ansiosamente na cafeteria do hospital - eram, ali, todos, de sangue ou de coração, tios e tias - até que a notícia no nascimento chegou: Julia nasceu.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora profundamente amada, seu primeiro choro foi de melancolia. A mesma melancolia que seria alimentada por toda sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou dizendo que era infeliz, mas, na escola primária ainda, durante o intervalo, enquanto seus colegas brincavam de esconde-esconde, ela permanecia na sala, sozinha, entre seus livros, diário e alguns desenhos em preto e branco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua adolescência foi um passeio no parque. Por ser bonita, atraía muito os meninos, mas isso não a mobilizava, tampouco envaidecia. Beijou quando quis beijar, namorou assim que sentiu querer estar com Vitor logo depois que ele ia embora. Aceitou seu pedido sem titubear. Ainda assim, não compartilhou, apesar de sorrir sinceramente, a explosão de felicidade dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitava os minutos na companhia do namorado e as saídas ao cinema, cafés, festas de amigos e, seu favorito, assistir o amanhecer de dias nublados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira transa foi cercada de afeto, carinho, cumplicidade e pouco prazer. Na realidade, naquela noite, Julia dormiu sorrindo abraçada por Vitor. Não sonhou e acordou sendo beijada dos pés à cabeça, o que a fez sentir aquele friozinho na barriga, a respiração acelerar, sua calcinha umedecer... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram, aos poucos, se descobrindo e aproveitando as novidades. O primeiro gozo veio acompanhado de um quase inaudível gemido. Julia gostou e aprendeu como prolongar o prazer e conduzir o sexo sem que Vitor percebesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com pouco mais de 24 meses na mesma relação, Vitor, então com 18 anos, sentiu necessidade de andar livre, vivenciar outras experiências e conhecer novas pessoas... principalmente, conhecer novas pessoas. Aparentemente, para Julia, sem motivo qualquer, pois tudo estava como sempre fora. Vitor, na primeira segunda-feira daquele mês de junho, terminou tudo com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu certo pesar pelos momentos bons do dia-a-dia que desapareceriam, mas não se entristeceu. Na mesma noite, dormiu mais cedo, pois, diante das novas circunstâncias, não iria ao cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prestou vestibular pra psicologia e passou de primeira numa colocação intermediária. Jamais abandonou ou repetiu nenhuma matéria, apesar de ter ido para prova final de algumas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a vida acadêmica, se engajou em pesquisa comportamental e, mesmo antes de formar-se, decidiu que trabalharia com recursos humanos. No campus, fez algumas amizades e, debaixo da mangueira, numa primavera, fumou maconha pela primeira vez e só sentiu fome, muita fome. Comeu quatro pastéis acompanhados por meio litro de Coca-Cola. Fumou mais algumas vezes, mas ao perceber que não gostava de ficar chapada, parou, apesar de não deixar o hábito de fumar um Malboro Light com café, após a terceira aula da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi pedindo o isqueiro emprestado pra alimentar o hábito que conheceu Tom, estudante de Ciências Sociais, que, por acaso, naquele dia, tomava um café, pois acordara atrasado e não se alimentara antes de correr para a universidade. Conversaram trivialidades pela hora seguinte. Julia se divertiu com o senso de humor do rapaz e, sem dizer nada, desejou que ele aparecesse novamente. Três semanas depois, já esquecido, Tom surgiu com o isqueiro aceso em punho, arrancando um sorriso daquele rosto de pele escura e olhos levemente puxados que se fechavam toda vez que sorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julia verdadeiramente gostava da companhia de Tom, da maneira que ele a beijava, cuidava, a tocava e se dedicava ao prazer dela no sexo. Sem programarem muito, com o passar dos dias, perceberam que estar junto era melhor que separado e alugaram um apartamento de dois quartos num prédio antigo, mas bem cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do volume de trabalho, sempre tomavam café da manhã e jantavam juntos, assim tinham a oportunidade de conversar sobre os acontecimentos do dia, além de alimentar a cumplicidade que permeava os nove anos de relacionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito eventualmente, entre uma atividade e outra, Júlia pensava na própria vida e percebia que era, dentro do que ouvia dizer por aí, feliz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma grávida exemplar que, cuidadosamente e cheia de afeto, preparou tudinho  para a chegada de um guri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia marcado, chegaram cedo ao hospital. Julia, ao contrário do futuro papai, estava tranquila e serena. Seguiu todos os procedimentos sem reclamar, foi simpática com as enfermeiras e receptiva com os parentes e amigos mais próximos que compareceram para testemunhar aquele momento tão sublime na vida de um casal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Julia partiu para sala a de cirurgia, Tom a beijou amorosamente na testa, este que fora o último beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                  Este texto foi revisado por Mariana Paiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-5375584351520316808?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/5375584351520316808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=5375584351520316808' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5375584351520316808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5375584351520316808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/08/passageira.html' title='PASSAGEIRA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-kXbYv9O6XMQ/Tk6ws8vWalI/AAAAAAAAAnk/ayLdVkDL50Y/s72-c/chuva_na_janela_e_vela_saudade_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-9047671968032135643</id><published>2011-08-08T06:29:00.000-07:00</published><updated>2011-08-08T06:32:58.483-07:00</updated><title type='text'>GULOSEIMA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-S7BfqopL3-E/Tj_kyMDjaVI/AAAAAAAAAnY/xSoGzWfpeU0/s1600/ShrekWallpaper800%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-S7BfqopL3-E/Tj_kyMDjaVI/AAAAAAAAAnY/xSoGzWfpeU0/s320/ShrekWallpaper800%255B1%255D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5638476809371871570" /&gt;&lt;/a&gt;Quando eu era 6ª série ginasial na já finada Escola Teresa de Lisieux, tinha um colega chamado Leandro. Pele alva, cabelo castanho escuro com fios bem grossos, voz quase inaudível – pela timidez – e 1,80m. Putaquepariu, mermão! Como assim, 1,80m na 6ª série?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A característica mais marcante, entretanto, não era a longa distância entre o dedão do pé e o cocuruto, mas, sim, o amplo espaço ocupado pelo composto de ossos que, com as meninges e o líquido cefalorraquidiano, protege o encéfalo. Havia rumores, entre nós, amados coleguinhas, que Leandro media 1,20m até o pescoço... o resto era cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na moral, guri é foda. Não perdoa. Além de apelidá-lo, prontamente, de Cabeça, toda vez – isso significa não menos que 100% de ocorrência – que Cabeça chegava tarde na sala e já estávamos sentados, cantávamos, em uníssono, a nossa própria versão daquele tradicional bolero:&lt;br /&gt;– (Ca) besa-me, (Ca) besa-me muuuuuuuuuuuucho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, ok, concordo que fomos um pouco cruéis, mas há de se considerar uma coisa em nossa defesa: toda classe já teve um Cabeça, ora bolas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a minha geração, pelo menos, havia um apelido muito comum que, analisando agora, refletia uma das facetas racistas da nossa sociedade: todo menino preto (afrodescendente, para os politicamente corretos que não assistiram aos Trapalhões) que jogava bem futebol era Pelezinho. Recordo-me, sem esforço algum, de três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apelidos no ambiente escolar, em grande proporção, são atrozes mesmo. A patrulha demagógica, ops, digo, pedagógica, logo vocifera: é bullying. Afe, agora tudo é bullying. Minha paciência para esse comportamento patrulhesco, numa escala de 0 a 10, é de um negativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheço inúmeros colegas que sobreviveram aos apelidos e hoje são profissionais bem sucedidos, pais e mães de família, artistas etc. A título de exemplo, só em classes das quais fui aluno, o garoto gordinho era Buda; a menina estrábica, Zói; o com arcada dentária superior proeminente, Coelhinho; o com pálpebras pesadas, Soneca; o com um ritmo peculiar, Sequela; o que, uma única vez, foi pra aula com conjuntivite, Maconha; a que falava muito, Motorzinho; e a menor de todas, Chaveirinho. Sem contar os registros de outras escolas: Oreba, Cinturinha de Kibe, Manteigão, Matagal, Lombrigão, Cara de Kombi e Boca de Sacola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, de volta à sala de aula, como professor, percebo que a tradição de apelidar perdura. Obviamente, identifico diferenças relacionadas ao referencial desta geração. Na mesma turma, leciono para Smigol e Shrek. Tenho que reconhecer que o garoto apelidado de Shrek se assemelha demais com um ogro. Logo, não coincidentemente, parece com meu amigo René.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;René nasceu em Maragogipe, cidadezinha no baixo recôncavo baiano, próxima de Santo Amaro, que, por sua vez, tornou-se famosa pelos seus notórios filhos Caetano Veloso e Maria Bethânia. Ainda pirralho, mudou-se para a capital e cresceu na Pituba, bairro de classe média, que, na nossa juventude, era seguro e tranquilo, com ruazinhas quase sem movimento de carros que nos possibilitavam, entre outras coisas, bater o baba (partida de futebol, para os leitores não conhecedores do vocabulário baianês) no meio da rua. Os chinelos viravam traves, o que causava intermináveis discussões sobre a legitimidade do gol; o asfalto, o gramado da Fonte Nova; e a sola dos pés, chuteiras Topper. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda nos primeiros anos da tenra adolescência, René incursionou como poucos na lama do Metal. Não satisfeito em ensurdecer os vizinhos com as canções do Slayer, Antrax, Nuclear Assault, Napalm Death e Megadeath, comprou com sua própria mesada diversas fitas K7, BASF Chromo 90 minutos, para difundir entre os mais jovens o sagrado poder da distorção. René foi, para toda uma geração de roqueiros das ruas Bahia, Território Rio Branco, Mato Grosso e Território do Amapá, uma espécie de guru.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sobreviventes desenvolveram um gosto musical que, com os anos, assim como o do próprio Ogro-Mor, ampliou-se, incorporando novos elementos como Cat Stevens, Bob Dylan, Wilco, The Beatles, Neil Young, Leonard Cohen, Sá &amp; Guarabira, Zé Rodrix, Clube da Esquina e, obviamente, Sidney Magal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci René quando eu namorava Adriana, estudante de Direito da UFBA. Ela tinha diversas amigas descoladas da época de escola que curtiam música e sempre se encontravam pra uma rodinha de violão. Jovens, humpf! Salvo engano, bem provável pelos lapsos de memória que a idade tem me proporcionado, René tava comendo alguma das meninas ou querendo comer alguma delas. O fato é que, naquela noite, quando participei de um destes encontros pela primeira vez, me impressionei com o repertório e a voz do cara. Ele tinha aquela voz fruto de um grande investimento em nicotina e cachaça vagabunda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos a dividir o palco. Foram cinco ensaios e somente uma apresentação da nossa prematuramente extinta Seu Roque... mas memorável – para mim, pelo menos, que realizei meu sonho de adolescência: a minha própria banda. Vale ressaltar que isso aconteceu pouco antes de eu completar 37 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas semanas depois da apresentação, encontrei, na Livraria Cultura, uma ex-aluna com quem ainda mantenho contato virtual, e ela, pra minha surpresa, afirmou que assistira ao show.&lt;br /&gt;– Foi mesmo? E aí, gostou?&lt;br /&gt;– Sim, sim... a banda é bacana.&lt;br /&gt;– Hum... Ô, Raiza, pode ser sincera, babes. Não tem problema se não gostou.&lt;br /&gt;– Não, não, eu até gostei da banda, mas é que o vocalista é espetacular.&lt;br /&gt;– Porra, ele tá cantando pra caralho, mesmo.&lt;br /&gt;– Mas não tô falando disso não. O cara parece um caminhoneiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderia haver uma descrição melhor. Quando contei para ele, gargalhou e sentiu-se orgulhoso da comparação. Afinal, este deve ser justamente o arquétipo idealizado de quem segue os preceitos dos quatro líderes espirituais: Chuck Norris, Steven Seagal, Stalone Cobra e Conan, O Bárbaro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há poucos dias, conversando, coincidentemente, num bar justamente na supracitada Rua Bahia, onde morou, chegamos à conclusão de que não vivemos a adolescência, mas sobrevivemos a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;René já tinha se mudado para o centro da cidade, nos Barris, onde fica a Biblioteca Pública do Estado da Bahia, quando aprofundou sua vivência em expansão da mente através de substâncias, predominantemente naturais, que agem diretamente no sistema nervoso central, abrindo as portas da percepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa noite qualquer, foi convidado por uma amiga que morava ali na vizinhança pra tocar um violão e comer um delicioso bolo de chocolate com maconha. Em 0,5 segundo, chegou ao apartamento da amiga, onde mais três estudantes de ciências sociais ou qualquer coisa do gênero se encontravam esparramadas nuns almofadões com forro indiano, completamente chapadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dona da casa e doceira disse que aquilo era porque, ao preparar o quitute, mantivera todas as quantidades dos ingredientes, exceto a boa e velha Cannabis, cuja porção fora triplicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliada à fome perene de meu amigo, a excitação típica de uma criança diante de um algodão doce gigante o fez se lambuzar na guloseima psicotrópica. Em questão de minutos, metade da travessa transformou-se em bolo alimentar e, do estômago, seguiu direto para a corrente sanguínea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase nada foi conversado durante as horas seguintes, e as tentativas não passaram de blá blá blá nonsense que desencadeava crises intermináveis de gargalhadas. Tudo, absolutamente tudinho da silva, fazia sentido e era hilário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após recompor minimamente seu senso de equilíbrio e coordenação motora, voltou pra casa, caiu na cama e hibernou. Na manhã seguinte, despertou com o chamado da natureza o impelindo para, como o próprio diria, dar uma barreada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou, grunhiu algo parecido com um bom dia para a mãe que tomava café da manhã, pegou a página policial do jornal e se trancou no banheiro, pois havia um serviço a ser executado – afinal, metade de um bolo não é metade de uma torrada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio do processo, Bruno, seu irmão dois anos mais novo, atrasado pra escola, bateu na porta pedindo para escovar os dentes. Diante da negativa, pediu que, pelo menos, abrisse uma fresta da porta e desse a pasta e a escova. Assim foi feito... e, com o portal do inferno entreaberto, os vapores, então comprimidos no recinto azulejado de 2m x 1,30m, se expandiram, invadindo as narinas do apressado estudante.&lt;br /&gt;– Afe, Maria! Que porra é essa?!&lt;br /&gt;– Oxe, que foi, man?&lt;br /&gt;– Cê ta fumando maconha no banheiro, é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NOTA: Quando me mudei para a Alemanha, morei um mês em Frankfurt. Por uma situação adversa, resolvi ir para Bremen, onde René provisoriamente morava com nosso amigo Michal, hoje marido de minha amiga-irmã Cris. Eu estava com quatro quilos a menos do meu peso ideal, proveniente de tristeza. Ao chegar, em pleno inverno, com temperatura negativa e perto da meia-noite, à estação ferroviária da cidade onde moraria pelo próximo ano e meio, a primeira pessoa que avistei foi René. Ele apressou o passo em minha direção com sorriso aberto e, vendo meus olhos mareados, me abraçou forte e disse: “Tá tudo bem. Agora você está com seus irmãos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                            Este texto foi revisado por Paula Berbert&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-9047671968032135643?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/9047671968032135643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=9047671968032135643' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/9047671968032135643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/9047671968032135643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/08/guloseima.html' title='GULOSEIMA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-S7BfqopL3-E/Tj_kyMDjaVI/AAAAAAAAAnY/xSoGzWfpeU0/s72-c/ShrekWallpaper800%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-7995530139222117069</id><published>2011-06-24T16:18:00.000-07:00</published><updated>2011-06-24T16:21:05.517-07:00</updated><title type='text'>AMBOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-kb4jXNeXguc/TgUbeb1YgSI/AAAAAAAAAlY/Zlcg9QFZAd4/s1600/Logotipo_Sinal_Positivo.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-kb4jXNeXguc/TgUbeb1YgSI/AAAAAAAAAlY/Zlcg9QFZAd4/s320/Logotipo_Sinal_Positivo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5621929919523619106" /&gt;&lt;/a&gt;Quando digo que não bebo nada alcoólico desde os 18 anos, junto com um olhar de incredulidade e espanto, vem o:&lt;br /&gt;– Mas por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Putaquepariu, porque não! Odeio explicar que, além de não apreciar o sabor da cerveja – a bebida mais comumente ingerida –, não gosto da sensação de estar com meu estado de consciência alterado em absolutamente nem um grauzinho sequer. Sem contar que passo mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cândido Neto, excelente guitarrista e produtor musical, tem dois grandes objetivos na vida: resmungar e me embebedar. Invariavelmente, das poucas vezes que nos encontramos – poucas, levando em consideração que temos diversos amigos em comum –, Amarelo, como é conhecido, me oferece um drink.&lt;br /&gt;– Você ainda continua com essa viadagem de não beber?&lt;br /&gt;– Uhum.&lt;br /&gt;– Tem cura, man. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da última vez que nos batemos num bar ali no Rio Vermelho, bairro boêmio aqui em Salvador, ele, no melhor estilo Mestre dos Magos, surgiu do nada com duas doses de tequila: uma pra ele e outra pra mim, senhoras e senhores. Depois de alguns minutos negando a generosa oferta, percebi que Amarelo não cederia. Então, para acabar com aquele tormento, aceitei: uma pitada de sal, uma fatia de limão e uma dose num só gole, sem dó nem piedade. Afe, quase morri. Parecia que tinha engolido um gato vivo que ia descendo com as garras fincadas na minha garganta. Em-bri-a-ga-do.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra pressão social que sofro é por não querer ter filhos. Isso é um saco. Na realidade, é insuportável. Toda vez, invariavelmente, toda vez que afirmo meu total desinteresse pela paternidade, as pessoas, arraigadas pelo senso comum, argumentam que isso é passageiro e em breve mudarei de ideia, afinal, todos querem procriar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso ainda se agrava quando interajo com crianças e percebem que tenho jeito com as criaturinhas. &lt;br /&gt;– Fica aí dizendo que nunca vai ser pai e blá, blá, blá. Quando tiver, vai ser um paizão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diria Jack o Estripador, vamos por partes:&lt;br /&gt;1. Gostar de criança não significa querer ter filho;&lt;br /&gt;2. Ter jeito com criança não significa ser bom pai;&lt;br /&gt;3. Não gosto de crianças! Gosto de algumas crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais ou menos uma semana, tive o privilégio de conhecer, finalmente, Maria Luisa, a filha de Silvana Hirsch. No auge dos seus três anos, Malu me conquistou. Além de linda, com grandes olhos expressivos e uma boca que parece ter sido cuidadosamente desenhada por Da Vinci, é assustadoramente articulada para a idade e tem uma compreensão da vida que poucos adultos conseguem acompanhar. Pois bem, em meio minuto, Malu me conquistou. Percebe a diferença? Não gosto de Malu porque ela é criança. Gosto de Malu porque Malu é Malu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No nosso encontro, resolvi fazer uma mágica. Peguei duas moedas, coloquei na palma da mão e perguntei:&lt;br /&gt;– Malu, cê sabe o que é isso?&lt;br /&gt;– Claro. Dinheiros!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adulto insuportável, pensei: quem me dera tivesse mais dinheiros agora. Acho engraçado quando algumas pessoas falam que não saberiam o que fazer se ganhassem na loteria, pois é dinheiro demais. Oxe, eu super saberia! Tenho alma de rico, a despeito da minha conta bancária. Mas como é ligeiramente improvável ganhar na megasena acumulada sozinho, fico elucubrando sobre em quê investiria se tivesse uma graninha sobrando. Nada demais, apenas o suficiente para abrir um negócio próprio, ser meu próprio chefe e, principalmente, estabelecer meu próprio salário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha primeira ideia sempre foi uma funerária. O público-alvo, além de garantido, jamais retorna pra reclamar do serviço. Contudo, sempre esbarro em duas questões: não sei como faria para propagandear meu produto nem, tampouco, consigo pensar num bom nome sem soar, no mínimo, estranho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui em Salvador, tem uma chamada A Decorativa. Puta que pariu! É tão ruim quanto aquela casa especializada em depilação chamada Pelo Zero. Como assim Pelo Zero, mermão? Não tinha um nome mais infame, não? Ah, pior que o nome era o slogan: pelo sim, pelo não, Pelo Zero. Afemaria! Putaquepariu! Mas se você acha que não tinha com piorar, sinto muito por decepcioná-lo. Na época do réveillon 2010-2011, quase engasguei ao me deparar com um outdoor: Pelo 3, pelo 2, pelo 1, Pelo Zero! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvador é um terreno fértil para aberrações deste tipo. Talvez a maior loja de móveis e eletrodomésticos daqui chama-se Insinuante. Para os locais, passa despercebido, pois já estamos acostumados, mas Insinuante é nome de loja de lingerie ou de motel! Pelamordedeus, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, na Avenida Sete, bem no centrão da cidade, uma loja de bijuterias cujo logotipo é aquele sinal de joia feito com o punho cerrado e somente o polegar pra cima. O nome da loja: Mãozinha Joias. Escataploft, caí da cadeira. Surreal, inacreditável, inadmissível. Nem meu amigo Pedrão seria capaz de um trocadilho tão... tão... tão torpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não incorrer nestes equívocos, minha segunda opção de negócio já tem tudo planejado: seria uma boate bissexual chamada Ambos. A pronúncia, vale ressaltar, com aquele “s” de criança que coloca a língua entre os dentes, sabe? Tipo o artigo definido da língua inglesa, the. O garoto propaganda, por questões óbvias, seria Victor Fasano. E o slogan: por um lado é bom, pelo outro... é melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                   Texto revisado por Paula Berbert.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-7995530139222117069?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/7995530139222117069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=7995530139222117069' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/7995530139222117069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/7995530139222117069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/06/ambos.html' title='AMBOS'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-kb4jXNeXguc/TgUbeb1YgSI/AAAAAAAAAlY/Zlcg9QFZAd4/s72-c/Logotipo_Sinal_Positivo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-2035048895439198431</id><published>2011-05-31T16:27:00.000-07:00</published><updated>2011-05-31T16:30:40.035-07:00</updated><title type='text'>PIPOCA FISIOTERÁPICA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-QyCMeqfo4kg/TeV5wqXBspI/AAAAAAAAAk4/xxF_AexCm6g/s1600/kolene_original.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 162px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-QyCMeqfo4kg/TeV5wqXBspI/AAAAAAAAAk4/xxF_AexCm6g/s320/kolene_original.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613026387498742418" /&gt;&lt;/a&gt;O que leva alguém em sã consciência a prestar vestibular para Musicoterapia? Pergunte a alguém que fez isso, ora bolas, deve pensar o caro leitor. Pois bem, estou respondendo. Isso mesmo, eu fiz Musicoterapia. Não me formei, é verdade. Mas cursei seis dos nove semestres no casarão secular do Instituto de Música da Universidade Católica do Salvador, cuja entrada principal fica na Av. Carlos Gomes, ali, pertinho do Largo Dois de Julho, e o portão dos fundos, na Rua do Cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de a concorrência ser de 0,5 candidato para uma vaga, ouso arriscar que 99% dos calouros não faziam a menor ideia do que a profissão propunha. Confesso que não tenho isso muito claro até hoje. Pessoalmente, acreditava poder ajudar os outros através da minha expressão artística predileta. Enfim, devaneios juvenis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja bem, não estou afirmando que Musicoterapia não funciona. Estou convencido de sua aplicabilidade em determinadas situações – afinal, não há abordagem terapêutica que não dê nenhuma resposta como não há nenhuma que tenha todas. Apenas me desiludi com o curso em si e fui, simultaneamente, fisgado pelas Letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus três anos de Universidade Caótica, digo, Católica, foram muito proveitosos. Principalmente o trajeto de ida para as aulas: 12h30, debaixo daquele sol agradável do verão soteropolitano, pegava o busu com não menos que oitocentos passageiros confortavelmente amontoados uns em cima dos outros. Para melhorar, havia umas secundaristas de cabelo crespo que, com o intuito de realçar os cachos, empapavam as madeixas com Kolene, um condicionador capilar que, na realidade, deveria ser enxaguado após uso, mas que as garotas, nos idos dos anos 1990, usavam após o banho, exalando um cheiro característico de dar náuseas. Muitas vezes tive que fazer contorcionismo ao passar por uma delas para não dar um encontrão mais forte e uma das gotas amarelas, fragilmente pendendo de um dos cachos, pingar na minha roupa e manchá-la para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na Estação da Lapa, meu ponto final, gostava de andar vagarosamente observando os transeuntes. Tinha de um tudo: trocentos alunos do Colégio Central filando aula; trabalhadores batendo um rango numas bibocas imundas; infelizes que apresentavam a mesma receita médica há anos, pedindo ajuda para comprar um remédio para a filha doente; e, meus favoritos, os autodenominados Fanáticos de Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram dois caras que se vestiam de preto da cabeça aos pés, seguravam uns estandartes de aproximadamente 3 x 3 metros com trechos da Bíblia e, bem em frente a uma das mais movimentadas escadas rolantes, com uma caixa amplificada Ciclotron, berravam palavras de salvação para as almas perdidas. Simplesmente hilário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saindo da Lapa, seguia por uma ruazinha estreita e atrolhada de ambulantes por todos os lados. Lá, podia-se comprar desde agulha de vitrola até a miraculosa Pomada Sapucaina, que “cura dor de cabeça, pneumonia e coceira na vagina”. Sem contar que as estratégias de trotoir eram geniais, apesar de um pouco excessivas na questão do volume. Megafones, matracas, atabaques, gambiarras ligando alto-falantes, gogós atômicos, gritos histriônicos... nada parecia ser suficiente pra fisgar o cliente. A cada dia havia uma surpresa, fosse uma fantasia diferente, fosse uma promoção do tipo: 1 é R$ 3, 2 é R$ 6 e 3 é R$ 10! Como assim, 3 é R$ 10?! Promoção do cabrunco essa, viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criatividade é o que não falta. Lembro que em uma das raríssimas vezes em que fui à praia, vi passar um ambulante com um cabo de vassoura à guisa de cabide no ombro, com os mais variados tipos de bronzeadores e afins pendurados em cordinhas. Ele caminhava ao longo da linha d’água gritando: bronzeadoooooor, bronzeadoooooooor... Logo atrás, outro rapaz, com uma caixa de madeira entupida de maços de cigarros, também anunciava seu produto: bronzzzzeador pra pulmão, bronzzzzeador pra pulmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, nenhum deles bate o vendedor de pipoca que encontrei na beira do Capibaribe, em Recife, quando esperava um ônibus no começo da noite. O trecho que consegui ouvir e copiar foi o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se aperreie que é baratinha,&lt;br /&gt;E foi feita ainda de tardinha.&lt;br /&gt;Pegue seu ônibus com tranquilidade,&lt;br /&gt;Não interessa sua idade.&lt;br /&gt;Tu vai mastigando enquanto tá viajando, &lt;br /&gt;Sentado ou em pé, sentindo o cheiro da maré,&lt;br /&gt;E, até chegar lá,&lt;br /&gt;Faz fisioterapia pro maxilar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                            Este texto foi revisado por Paula Berbert&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-2035048895439198431?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/2035048895439198431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=2035048895439198431' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2035048895439198431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2035048895439198431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/05/pipoca-fisioterapica.html' title='PIPOCA FISIOTERÁPICA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-QyCMeqfo4kg/TeV5wqXBspI/AAAAAAAAAk4/xxF_AexCm6g/s72-c/kolene_original.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-7906202415123885881</id><published>2011-05-21T18:20:00.000-07:00</published><updated>2011-05-21T18:22:46.918-07:00</updated><title type='text'>QUERÊNCIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-UUkLFmii7xY/TdhlKEguEQI/AAAAAAAAAks/J7TuvGuj48M/s1600/alfazema.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-UUkLFmii7xY/TdhlKEguEQI/AAAAAAAAAks/J7TuvGuj48M/s320/alfazema.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5609344559574028546" /&gt;&lt;/a&gt;Este blog de crônicas faz uma pausa e meio compasso para uma poesia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci em uma casa de telha-vã,&lt;br /&gt;Portas entreabertas&lt;br /&gt;E cheiro de alfazema&lt;br /&gt;Entrando pelo quintal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me visitares&lt;br /&gt;-não interessa em que cidade,&lt;br /&gt;Estado ou país-&lt;br /&gt;Pela janela do meu quarto&lt;br /&gt;Sempre entrará o mesmo perfume&lt;br /&gt;Que embalava os meus &lt;br /&gt;Sonhos infantis...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-7906202415123885881?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/7906202415123885881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=7906202415123885881' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/7906202415123885881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/7906202415123885881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/05/querencia.html' title='QUERÊNCIA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-UUkLFmii7xY/TdhlKEguEQI/AAAAAAAAAks/J7TuvGuj48M/s72-c/alfazema.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-9074878017175617272</id><published>2011-05-13T17:05:00.000-07:00</published><updated>2011-05-16T15:06:25.934-07:00</updated><title type='text'>TRINTA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-iSmbuEfVNFs/Tc3HjELFqwI/AAAAAAAAAkU/rgexa0mRYTU/s1600/feijao.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 256px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-iSmbuEfVNFs/Tc3HjELFqwI/AAAAAAAAAkU/rgexa0mRYTU/s320/feijao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5606356516375735042" /&gt;&lt;/a&gt;Ontem uma aluna disse que adorava meu perfume. Fiquei preocupado, pois ela estava distante, a uns três ou quatro passos de mim. Teria exagerado? Prontamente perguntei se estava forte demais, porque, vamos combinar uma coisa, cheiro é foda! Pro bem e pro mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ainda cursava língua estrangeira na UFBA, no finalzinho dos anos 1990, Luiza, uma menina de uns 23 anos, nem baixa nem alta, nem gorda nem magra, nem feia nem bonita, nem simpática nem antipática, me desconcentrava com a fragrância de seu perfume. Fazer prova perto dela era um tormento. Lu se transformava na mais bela das mulheres. Era um exercício de autocontrole para não me atracar nela. O que havia de concreto, todavia, era uma avaliação de Filologia Românica para terminar em menos de duas horas. Humpf!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, no segundo grau, coincidentemente ou por uma escrota ironia do destino, outra Luiza, uma menina de uns 16 anos, nem baixa nem alta, nem gorda nem magra, nem feia nem bonita, nem simpática nem antipática, me desconcentrava com seu bafo de bueiro. Na realidade, era necessário manter uma distância regulamentar de não menos que 4 metros, caso fosse necessário conversar com ela tête-à-tête.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, colegas, chegamos a teorizar a respeito daquele cheiro de carniça e até cogitamos conversar com ela – sei lá, dar um toque, sabe? Entretanto, ninguém se voluntariou para tão ingrata tarefa. Jamais descobri se foi pela situação delicada e embaraçosa ou pela perspectiva de se deparar com o hálito de urso acordando após hibernar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para bem de todos e felicidade geral da nação, Luiza descobriu que tinha um abscesso proveniente de uma infiltração numa ponte que fizera no segundo molar superior esquerdo. Nosso problema seria resolvido em uma semana, não mais que isso, já que a consulta com o super-herói, digo, dentista, já estava marcada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei melhor manter esta informação confidencial, apesar de não ter havido nenhum pedido explícito para tal, mas senti-me compelido a contar as boas novas para um colega que, durante 20 dos 30 minutos de recreio, reclamava incessantemente por estar, justamente naquele dia, sentado ao lado dela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Man, assim... Tenha paciência. Ela já descobriu o problema e vai solucionar.&lt;br /&gt;– Com certeza?&lt;br /&gt;– Aham.&lt;br /&gt;– E o que é, Lubis?&lt;br /&gt;– Rapaz, parece que é um problema na ponte...&lt;br /&gt;– Tô ligado, tô ligado... Devem ter cagado embaixo da ponte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo-irmão Léo tem uma teoria sensacional sobre esses sprays aromatizantes de banheiro. Isso mesmo, aqueles que salvam nossa reputação quando visitamos a casa da nossa paquerinha pela primeira vez e a natureza clama por uma descarga intestinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O cara se desgraça no trono. Lança uma bomba de destruição em massa – chega o ar fica viscoso. Daí, se convence que com dois jatos de um “aroma especial de flores do campo” tudo estará resolvido. Resultado: o pai da menina entra no toalete logo depois e berra: “PQP, cagaram nas flores do campo!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se a visita ao quartinho for resultado de uma feijoada, o vexame é elevado à enésima potência. Angelo, coitado, quando foi conhecer a família da então namorada, passou por um perrengue danado. Devorara o mais famoso prato brasileiro na noite anterior e o ápice do processo digestivo coincidiu justamente com o fim do almoço. Educadamente pediu licença, deixou a mesa e procedeu até o lavabo. Depois de interditar banheiro e intimamente desejar ter uma máscara antigás, foi dar a descarga e... quem disse que tinha água?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O alívio por ter esvaziado as tripas foi substituído pela vergonha antecipada. Com a camisa ensopada de suor, saiu do banheiro e, discretamente, chamou Márcia (nome fictício; em tempo: o de Angelo é Angelo mesmo) para explicar a gravidade do problema. A única solução era usar um balde, e assim foi feito. Até aí nada demais, né? A questão é que ele precisou encher o balde no tanque da área de serviço três vezes e atravessar a sala onde o sogro, a sogra, os cunhados, três primos de 2°grau, uma tia-avó semissurda, mas de visão e olfato apuradíssimos, duas tias e o avô paterno da namorada comiam torta de limão na sobremesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O feijão, todavia, não deve ser considerado, por causa deste indesejável efeito colateral, nosso inimigo número 1. Além dos incontáveis benefícios à nossa saúde, como fonte de proteínas, ferro, cálcio, vitaminas (principalmente do complexo B), carboidratos e fibras, os caroços de Phaseolus vulgaris têm papel fundamental na vida colegial de toda uma geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me quando envolvíamos, na aula de ciência, um feijãozinho no algodão molhado e acompanhávamos, ansiosos, de um dia pro outro, ele brotar. Quando alcançava um tamanho X, transferíamos para um vasinho com terra vegetal e, finalmente, tínhamos nosso próprio pé de feijão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A matemática também deve muito a estes grãos. Quantas pessoas não aprenderam a somar e diminuir com feijõezinhos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filha de D. Nádia, minha amiga Catarina, que recém-trintou, aprendeu assim: grão a grão, acrescentando num grupo, retirando de outro... e logo, logo já estava fazendo contas de cabeça. Danadinha que era, cálculos com dois dígitos e tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sr. Mário, que é exatamente 30 anos mais velho que ela – e quando digo exatamente, quero dizer exatamente mesmo: ambos são de 5 de maio –, notando a rápida evolução na filhota, a estimulava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Quando você tiver 10 anos, papai terá quantos?&lt;br /&gt;– Quarenta.&lt;br /&gt;– E quando você fizer 15?&lt;br /&gt;– Quarenta e cinco.&lt;br /&gt;– Uau! Muito bem! Quando você fizer 20, eu farei...?&lt;br /&gt;– ... Cinquenta?&lt;br /&gt;– Isso mesmo! E 30? Quando você fizer 30 anos, Cat, eu terei quantos anos?&lt;br /&gt;– Oxe, meu pai. Aí você já morreu, né?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                     Revisão e pitacos: Paula Berbert&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-9074878017175617272?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/9074878017175617272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=9074878017175617272' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/9074878017175617272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/9074878017175617272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/05/trinta.html' title='TRINTA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-iSmbuEfVNFs/Tc3HjELFqwI/AAAAAAAAAkU/rgexa0mRYTU/s72-c/feijao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-5888336774238648004</id><published>2011-04-21T17:38:00.000-07:00</published><updated>2011-04-22T07:48:09.203-07:00</updated><title type='text'>TPM</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/--SqpBNdHXo4/TbDOT8QSmvI/AAAAAAAAAkM/B3_acsElfko/s1600/adao.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 216px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/--SqpBNdHXo4/TbDOT8QSmvI/AAAAAAAAAkM/B3_acsElfko/s320/adao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5598201178808818418" /&gt;&lt;/a&gt;Há um fenômeno muito engraçado aqui em Salvador. Na realidade, talvez seja nacional. Quando se é adolescente, todo adulto é tio ou tia. Na escola, tem o tio da portaria, a tia da cantina, o tio do corredor, a tia da biblioteca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se vamos à casa de um coleguinha brincar, ou fazer um trabalho de escola, já no primeiro encontro, rola:&lt;br /&gt;- Ô, minha tia, cê me dá um copo d’água?&lt;br /&gt;Como assim, “minha tia”?! Como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pais de minha primeira namorada eram, também, tio e tia. E isso é tão forte que, caso os encontre hoje, quase 20 anos depois, chamá-los-ei de Tioeduardo e Tiarregina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos dos nossos pais, quando nos são apresentados, já vêm com o título acoplado à alcunha:&lt;br /&gt;- Junior, venha conhecer Tiamaricotinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiassolange se encaixa neste caso. Amiga de minha mãe, se conheceram trabalhando na Biblioteca de Alexandria e, desde então, são inseparáveis. Ambas tiveram três filhos: duas meninas e um varão, sendo, este, o do meio. Crescemos juntos e nos chamávamos de primos de consideração. Era ótimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiassolange é uma figura. Comi incontáveis cozidos na casa dela, dormi inúmeras vezes lá e recebi diversas broncas... daquelas que somente os que amam dão. Vale ressaltar que todas muito justas. Afinal, quebrar parte do santuário no corredor com uma bolada porque eu e Fabinho batíamos baba dentro de casa a despeito das ordens contrárias era passível de surra, né não? E logo a Nossa Senhora. PQP, a Nossa Senhora não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiassolange é uma das pessoas mais religiosas que conheço. Sempre me agracia com um “Vá com Deus”, “Deus te abençoe” ou algo do gênero. E, apesar de não ser um homem de fé, invariavelmente respondo “Amém”. Não por hipocrisia, mas por respeito à fé de quem tanto amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa feita, comendo um peixe, um pedacinho de espinha enganchou na garganta de Tiassolange, causando um grande desconforto. Comeu miolo de pão, bebeu água, pirão, farinha, mais peixe... nada resolvia. Com o passar do tempo, ela ficou tão avexada que Tiazezé decidiu levá-la a uma emergência hospitalar para ter o fragmento do endoesqueleto daquele saboroso pescado deglutido no almoço retirado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peregrinaram por três diferentes clínicas, mas nenhum médico deu jeito. Um sufoco. Pouco antes de desistirem, foram ao Hospital Universitário, onde um interno a atendeu. Quando saiu do consultório, feliz e satisfeita, Tiassolange avistou Tiazezé, com o terço na mão, rezando e entoando, alto, cânticos para Nossa Senhora:&lt;br /&gt;– Resolveu?&lt;br /&gt;– Graças a Deus.&lt;br /&gt;– Eu devia ter cantado pra Nossa Senhora ainda na primeira clínica. Nos pouparia tanto trabalho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, admiro e respeito a fé, apesar de desconfiar, a princípio e por princípio, das religiões cristãs. Mas esta é uma outra história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que acho divertida a crença de que descendemos de Adão e Eva. Essa coisa do Paraíso, do Fruto Proibido... sei não. Pra começar, não podemos respeitar um cara que cobre seu membro com uma folha de parreira. Como assim, uma folha de parreira?! Só pode ser piada divina. Não me admira que Eva tenha ido atrás da cobra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas comecemos do começo... que era o verbo. Deus, depois de criar o mundo e os bichos todos, fez Adão à sua imagem e semelhança (e, ainda assim, uma folha de parreira era suficiente). Os bichinhos lá, felizes brincando de médico, enquanto Adão, sob intenso bombardeio dos seus hormônios, sofria com dor de ovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebendo que cometera uma grande injustiça com seu filho, O Todo-Poderoso gerou, da costela do mancebo, Eva, um subproduto do macho. Aparentemente, o tiro saiu pela culatra. A gostosa da Eva deveria apenas fazer companhia ao rapaz, mas, sabe como é... inspirou-se com a cobra e serviu-se do que estava escondido atrás da folhinha. É o famoso “não tem tu, vai tu mesmo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, cometeram o chamado Pecado Original. E o troço era tão bom que a maionese desandou. Era um tal de atrás da árvore, no rio, na relva, na moita, que O Pai, depois de não ter mais argumentos, resolveu castigar a causadora daquela bagunça e estipulou que, de tempos em tempos, ela sangraria por alguns dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem... mini adiantou, mas, depois de um tempo dando um tempo naqueles dias, Adão criou o primeiro ditado de que se tem notícia: “O bravo marinheiro se aventura até no Mar Vermelho”. E voltaram à rotina de luxúria e pecado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papai do Céu, então, tentou sua última cartada contra a megera que enlouquecera seu Filho: criou a TPM. Foi aí que o bicho pegou. Nos dias que antecediam a sangria, se Adão desse bom dia, Eva retrucava: “Por quê?!“. Objetos e animais eram arremessados contra o filho do Sogrão; rios de lágrimas corriam sem motivo e, caso tentasse ajudar, Adão era prontamente culpado por todas as mazelas que aconteciam no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso que afirmo: é um erro perguntar às mulheres se elas sofrem de TPM. A pergunta certa deve ser: “Seu marido sofre de TPM?”. Porque vamos combinar uma coisa, garotas: PQP, é foda! Haja paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei ao ponto de sugerir que minhas colegas de trabalho tomassem pílula para ciclarem juntas, pois quando uma está saindo da TPM, outra está entrando. O resultado é que eu passo o mês recebendo patadas. Seria muito melhor concentrar tudo numa única semana e gozar de paz em outras três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando minha amiga Duda t. celebrou o aniversário dela em 2010, já no finalzinho da festa, quando restou apenas a diretoria, a TPM, assunto recorrente em qualquer mesa que reúna maridos, esposas, namorados, namoradas, irmãos e irmãs, caiu na roda. Duda, com a veia do pescoço saltando e dedo em riste, dissertava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Já sou chata normalmente. De TPM, então, fico insuportável... e sobra pra Tavares. Acordo já querendo matar um e qualquer “oi” na hora errada, explodo. E no meio do dia, ainda ligo pro coitado soltando os cachorros, culpando ele pela crise monetária internacional, chorando, berrando... aí, quando ele chega de noite em casa, abre a porta com uma caixa de chocolates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximo-me do marido e cochicho no ouvido:&lt;br /&gt;– A isto se dá o nome de sabedoria.&lt;br /&gt;– A isto se dá o nome de instinto de sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                     Texto revisado por Paula Berbert&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-5888336774238648004?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/5888336774238648004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=5888336774238648004' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5888336774238648004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5888336774238648004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/04/tpm.html' title='TPM'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/--SqpBNdHXo4/TbDOT8QSmvI/AAAAAAAAAkM/B3_acsElfko/s72-c/adao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-5049677876819383729</id><published>2011-03-31T22:55:00.000-07:00</published><updated>2011-03-31T22:59:29.957-07:00</updated><title type='text'>PORRADÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-iCXX7S1yG70/TZVpXexz2jI/AAAAAAAAAjs/fiflIIE2WZ0/s1600/talco.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-iCXX7S1yG70/TZVpXexz2jI/AAAAAAAAAjs/fiflIIE2WZ0/s200/talco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5590490364570229298" /&gt;&lt;/a&gt;Domingo é o dia intergaláctico do ócio. Desrespeitar isto deveria ser crime previsto no código penal – mas, ao invés do pobre peão, iria para o xilindró o chefe, o mandante, seu algoz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem: domingo passado, às 13 horas, logo depois do almoço, quando bate aquela lombra dos infernos, me descambo até a casa de Leiloca pra labutar. Isso tá muito errado. Como assim, no sagrado domingo? Como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estávamos debruçados sobre as avaliações que corrigíamos por quase uma hora, até que procedi até a cozinha para beber água. Encostada na parede de azulejos à direita, havia uma fruteira com um par de maracujás, algumas maçãs, meio cacho de bananas e, voando sobre tudo isso, uma família de mosca de fruta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora, veio à minha cabeça: “Drosóphila Melanogaster”. Puta que pariu, mermão, me lembrei do nome científico que aprendera nas aulas de biologia com professor Mariano, em 1991. É impressionante a minha capacidade de armazenar informação inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe aquelas paradinhas amarelas utilizadas como parte da sinalização de ruas, que ficam presas no asfalto e, quando o farol do carro incide sobre elas, brilham? É, velhinho, também sei o nome: presilhões refletivos bidirecionais amarelos. Já a supracitada lombra que rola depois de bater aquela feijoada completa: maré alcalina pós-prandial. E cabra que tem somente um testículo não é mono-ovo: é monórquido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu receio é estar ocupando espaço na minha já limitada memória e acontecer de, um dia desses, esquecer meu nome. Afinal, pense aí na teoria do copo d’água: depois de cheio, se continuarmos provendo mais líquido, parte do que está dentro transborda para dar espaço ao novo, né? Afe, que medo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente, entretanto, com memória ilimitada. E devo confessar que oscilo entre a admiração e o desejo de trucidar com requintes de crueldade essas pessoas que recordam de detalhes ocorridos há mais de 24 horas. É ultrajante, um acinte, um desrespeito. Thiago Neri, meu amigo intelectual, chega ao ponto de, numa conversa descontraída, lembrar da roupa que Fulano estava usando no aniversário de Sicrano, quando disse o que a quem e, se vacilar, ainda diz quais eram as condições atmosféricas e os acontecimentos políticos internacionais daquela semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perder as lembranças é uma forma de morte. Minha vovó e madrinha, Diva, vem sendo derrotada pelo Alzheimer. A única certeza é da morte física depois de, lentamente, ir se perdendo dentro da carcaça de carne e osso até desconectar do mundo, a ponto de sequer reconhecer aqueles que ela cuidou com o amor que somente as avós sabem amar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que ela tivesse mais tempo vívida, com o sorriso aberto de quando encontrava os três netos, fazendo bolo de chocolate, preparando a janta e trazendo em pratinhos personalizados enquanto assistíamos à TV... Queria que ela se lembrasse da única poesia de sua autoria, que recitava lindamente, mas que jamais se deu o trabalho, apesar dos meus apelos, de registrar numa folha de papel qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alzheimer é uma desgraça. Só quem testemunha tem noção exata... E, obviamente, não sou único. Liana, uma antiga amiga, cuidou da avó, acometida pelo mesmo mal, até que ela desse o último suspiro – morreu em casa, rodeada de amor, entre os seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe de Liana, em seus 60 e poucos anos, ainda sob a sombra do mal que assassinara sua progenitora, começou, prematuramente, a se preocupar com a morte. Na verdade, o grande medo de Dona Sandra é ser perseguida pelo alemão. Por ter se dedicado com tanto afinco ao bem-estar da velhinha nos últimos anos de vida e testemunhado o paulatino definhamento, anda meio apavorada com a possibilidade de passar pelo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabemos bem: o medo causa as reações mais inesperadas. Laura, uma colega de colegial, certa feita, na hora do recreio, na área da cantina, tirou a camisa do uniforme, saiu correndo e gritando porque um inseto parecido com uma barata pousou em seu ombro. Apesar de a cena ter sido esdrúxula, fez muito sucesso entre aqueles adolescentes com taxas hormonais que atingiam a estratosfera. A imagem de Laura com seu Valisaire branco e calça jeans foi a razão de muitos banhos demorados daquela pirralhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Sandra não partiu em disparada diante do temor nem, tampouco, ficou paralisada. Buscou equilibrar-se, ser racional, serena, juntou forças e escreveu, para os filhos, um guia de procedimentos caso ela perca a capacidade de funcionar socialmente sem depender de ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o devido respeito e autorização, reproduzo as partes publicáveis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Faço cocô de manhã após comer alguma coisa e à noite. Portanto, nada de deixar que eu faça cocô na cama nem na fralda. Levem-me para o banheiro ou numa aparadeira, tá falado?&lt;br /&gt;2. Coloquem câmeras escondidas para que a minha cuidadora não me maltrate.&lt;br /&gt;3. Deixem um rádio ligado perto de mim, de preferência na A Tarde FM. De noite, deixem TV ligada para assistir à novela. Mesmo que pareça que não entendo, é sempre bom deixar na novela e no noticiário. Quem sabe não dá para entender?&lt;br /&gt;4. Quero sempre estar cheirosa, e de talco no sovaco e no meio das pernas, não na perereca pra não entupir, entre as pernas.&lt;br /&gt;5. De maneira alguma deixem tirar os meus dentes postiços. Quero sempre estar com eles. Se fizer uma cirurgia, tira na hora da cirurgia e depois coloca ligeiro.&lt;br /&gt;6. A sobrancelha, sempre pintadinha de marrom claro.&lt;br /&gt;7. A comida tem que ser gostosa, tá? Nada de passar tudo no liquidificador, pelo amor de Deus.&lt;br /&gt;8. Um copinho de cerveja, de vez em quando, não faz mal pra ninguém, portanto, podem me dar, mesmo que os médicos não queiram.&lt;br /&gt;9. Um ventilador sempre é necessário nos dias de calor.&lt;br /&gt;10. Não me deixem sentir dor. Se eu manifestar dor, podem me dar uma maconha pra fumar ou um comprimido porradão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                     Texto revisado por Paula Berbert&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-5049677876819383729?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/5049677876819383729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=5049677876819383729' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5049677876819383729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5049677876819383729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/03/porradao.html' title='PORRADÃO'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-iCXX7S1yG70/TZVpXexz2jI/AAAAAAAAAjs/fiflIIE2WZ0/s72-c/talco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-8947649264555272827</id><published>2011-03-15T21:13:00.000-07:00</published><updated>2011-03-15T21:19:26.521-07:00</updated><title type='text'>MISS JAPAN</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-SSC6MukZzwo/TYA6JLLP1sI/AAAAAAAAAjk/8cU0tJD2ZS8/s1600/japanese-flag-640.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 160px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-SSC6MukZzwo/TYA6JLLP1sI/AAAAAAAAAjk/8cU0tJD2ZS8/s200/japanese-flag-640.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5584527467232614082" /&gt;&lt;/a&gt;Uma das primeiras coisas que falei foi “assaêna”, que, na língua dos bebês, significa bolacha de maisena. Nesta idade, pouco menos de dois anos, me satisfazia com pequenas coisas. A vida era bem mais simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto com meu gosto pelo biscoito, cresceu o meu amor por certas palavras. Às vezes o significado, às vezes a sonoridade ou somente a imagem que forjam na mente. O mais interessante é que independe do idioma. “Farfalle”, borboletas em italiano, por exemplo, é o tipo de palavra vem acompanhada de um sorriso, pois faz cócegas no céu da boca; “vanish”, desaparecer em inglês (my independence seems to vanish in the haze, The Beatles), dá vontade de fazer xixi; e “banzo” enche a alma de tristeza...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tchau é, talvez, a palavra que mais tenha dificuldade de dizer. Não que exija alguma manobra mirabolante da língua ou tenha um fonema peculiar. Simplesmente porque não gosto de ver quem amo partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custei a calejar. Chorei nos primeiros dias de aula da pré-escola até a 4ª série primária. E não era por desgostar do colégio, muito pelo contrário. Porém, ver minha mãe ir embora me dava uma sensação de abandono e vulnerabilidade indescritíveis. Era como se arrancassem um pedaço de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As despedidas são, pro bem e pro mal, tão frequentes quanto os encontros. Sendo assim, não há muitas alternativas a não ser se resignar com as partidas de quem queremos bem. E, vamos combinar uma coisa, ir é melhor que ficar, né não? Há o frio na barriga pelo novo, pelo desconhecido, pela aventura, pelo frescor do porvir. Partir é dobrar esquinas ininterruptamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indo ou ficando, afastar-se dos amores é nutrir saudade... que, por sinal, é uma exclusividade da língua portuguesa, apesar de ser sentida em qualquer dialeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1998, quando fui estudar inglês em Exeter, cidadezinha no interior da Inglaterra que oferece aos seus visitantes o indescritivelmente delicioso Cream Tea (scones com creme de nata e geleia), quase não consegui me despedir dos amigos que fizera lá. A internet era incipiente e as perspectivas de reencontrá-los quase inexistiam. Felizmente, subverter a probabilidade é um dos meus passatempos e, no decorrer destes anos, mantive contato e reencontrei alguns deles, como Yuki, amiga japonesa que em 2002 foi passar o ano novo comigo e Lua, então minha esposa, em Bremen, norte da Alemanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha segunda semana de aula, que também era exatamente a metade da minha estada, Yoshi, um Japa sorridente de 1,90 m, que estudara por quase seis meses na ISCA SCHOOL, retornou para Tokio. E, no seu rastro, foi a vividez da cantina durante os intervalos. Tudo ficou meio opaco, os sons mais abafados, os olhares mareados e os sorrisos raros, muito raros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro dia sem Yoshi, ficamos na sala, após a aula, eu, Yuki e Lena. Conversamos pouco e exercitamos o silêncio que só era interrompido por passos no corredor. Três pessoas, um sentimento. Nada precisava ser dito. Cada um no seu canto – eu agredindo um violão empenado e sem a 4ª corda (sempre a 4ª corda), Yuki escrevendo algo no seu diário e Lena com olhar perdido – buscava subterfúgios para suportar aquele vazio. Fazíamo-nos companhia, mas nos sentíamos sós. Assim é a solidão: um manto turvo, úmido e gelado que nos envolve num canto escuro no quarto bem no final do corredor de um sobrado com paredes descascadas e taco irregular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lena, num raro rompante nipônico, questionou:&lt;br /&gt;– Lubisco, como se diz “I miss you” em sua língua?&lt;br /&gt;Expliquei que, talvez, a minha língua fosse a única que tivesse um substantivo para expressar este sentimento de “alguém sozinho a cismar”. Fui ao quadro branco, peguei um piloto vermelho e escrevi. Ensinei a pronúncia e minha little sister (ela me chamava de my older brother) repetiu diversas vezes até dar-se por satisfeita, como se tivesse, finalmente, internalizado... a palavra, pois o sentimento já criara raízes profundas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudei com afinco pelas duas semanas que me restavam. Vivi intensamente as novas amizades, cheguei até a amar o frio que tanto me maltratara. Ficamos íntimos. O vento gelado nos meus cílios molhados de manhã cedo me fazia sentir vivo; a cafeteria no fundo da Catedral virou minha maior amante; a escola, meu abrigo; o aquecedor elétrico portátil, meu confidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvidas, até então, os 15 dias mais intensos de meus 23 anos. Contudo, havia uma rodoviária em uma manhã chuvosa de sábado no meio do caminho. Ali, sem glamour algum, partiria pra Londres, onde começaria minha longa jornada de volta pra casa. Era hora de dizer adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às sete horas eu estava frente a frente com Gill e David, na porta de entrada da nossa casa, 42, Posloe Road. Andamos até o portão de madeira que ligava o jardim à calçada, apertei a mão de David e agradeci. Sem sorrir, mas com um tom de voz diferente do usual, ele acenou com a cabeça, mudo. Gill, chorosa, me fez chorar quando me puxou, deu um abraço desajeitado, se afastou novamente, arrumou meu casaco e disse:&lt;br /&gt;- We’ll miss you... a lot.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O táxi chegou meio minuto depois de a primeira lágrima escorrer pelo meu olho esquerdo. Apressei os movimentos, arremessei meu mochilão na mala do carro e segui, naquele infindável caminho de sete minutos, em silêncio, tentando ver através da neblina que insistia em impedir minha despedida da paisagem que se tornara lar nos últimos 28 dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amanhecer inglês no inverno não tem nada de belo. Um vento afiado açoita sem piedade e o lusco-fusco causa um desconforto como se tudo ali fosse uma grande tela de cinema fora de foco. Não há muito a fazer a não ser esperar que os primeiros anúncios da alvorada surjam no horizonte e, para os de fé, rezar para que não tardem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paguei a corrida, resgatei minha bagagem e ao virar avistei o que seria, nos meus últimos minutos em Exeter, minha ilha tropical. Yuki e Lena, ombro a ombro, em pé, esfregando as mãos protegidas por luvas coloridas que contrastavam com seus casacos de tom sóbrio e ensaiando um sorriso que era possível naquele frio infernal, esperavam para se despedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometemos manter contato via carta e juramos amizade eterna. Ouvimos os sons da cidade que ainda adormecia, pois pouco conseguimos falar. Aí, chega o ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respeitosamente, diante de Yuki, inclinei meu corpo para frente como fazem os judocas ao entrar no tatame. Estendi meu braço e apertamos a mão nos encarando fixamente. Eu sorri e, em retribuição, ela chorou. Dei um passo ao lado e peguei na mão de Lena, que olhava pra sua bota de couro, provavelmente, tamanho 33. Com meu indicador, levantei o seu queixo para ver, pela última vez, o rosto que me esperara sorrindo todas as manhãs. Não sorria. Quando ia soltando sua mão, ela me puxou, me deu um abraço e sussurrou no meu ouvido:&lt;br /&gt;– “Sodade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                     Texto revisado por Paula Berbert&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-8947649264555272827?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/8947649264555272827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=8947649264555272827' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/8947649264555272827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/8947649264555272827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/03/miss-japan.html' title='MISS JAPAN'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-SSC6MukZzwo/TYA6JLLP1sI/AAAAAAAAAjk/8cU0tJD2ZS8/s72-c/japanese-flag-640.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-1053679880940901914</id><published>2011-03-09T04:40:00.000-08:00</published><updated>2011-03-09T09:22:49.356-08:00</updated><title type='text'>MANIFESTO CARNAVALESCO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-I5Anscp2TIQ/TXe3Ozzr49I/AAAAAAAAAjU/qqG1eKzw-Tk/s1600/navio_negreiro.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-I5Anscp2TIQ/TXe3Ozzr49I/AAAAAAAAAjU/qqG1eKzw-Tk/s400/navio_negreiro.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582131728202064850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aos mais desavisados&lt;br /&gt;– esses que se acham muito bem informados – &lt;br /&gt;Vão soar como esquizofrenia&lt;br /&gt;Minhas palavras sobre o carnaval da Bahia.&lt;br /&gt;Contudo, aviso aos navegantes:&lt;br /&gt;Não estou só. Tenho amigos nada ignorantes&lt;br /&gt;Que não se iludem com dogmas, com o mítico&lt;br /&gt;E, sempre, mantêm afiado o senso crítico.&lt;br /&gt;Em Salvador, diz o governo (não é ilusão):&lt;br /&gt;Brincam o carnaval menos de 22% da população.&lt;br /&gt;Quem aproveita mesmo é a turistada&lt;br /&gt;Que usa, abusa e deixa nossa Soterópolis acabada.&lt;br /&gt;O folião pipoca, com seu minguado dinheiro&lt;br /&gt;Se espreme entre a polícia e o “cordeiro”.&lt;br /&gt;Os blocos – condomínios particulares ambulantes – &lt;br /&gt;Usurpam o direito de ir e vir do casal de amantes&lt;br /&gt;Que não quer pagar por um abadá cretino &lt;br /&gt;Para não se tornar, das oligarquias momescas, inquilino.&lt;br /&gt;Como disseram em Ondina, num improvisado letreiro:&lt;br /&gt;“Todo bloco de corda tem um pouco de navio negreiro”.&lt;br /&gt;Basta uma breve passada pela avenida&lt;br /&gt;Para sentir o queimar da velha ferida:&lt;br /&gt;Dentro, “gente bonita”, selecionada, se diverte;&lt;br /&gt;Fora, o povo é enxotado como se fosse a Peste.&lt;br /&gt;Só de lembrar me ataca a azia! &lt;br /&gt;Wanda Chase dizendo que o carnaval é uma democracia.&lt;br /&gt;A Luiz, Moraes, Gerônimo e todos que tiveram opinião&lt;br /&gt;Lhes foi negado um decente quinhão.&lt;br /&gt;Presentearam com trios esquisitos, não deram o verdadeiro valor&lt;br /&gt;A estes caras que inventaram o Carnaval de Salvador.&lt;br /&gt;E pra deixar minha úlcera ruim, pior,&lt;br /&gt;Durval Lélis diz que devia haver um circuito privado, indoor.&lt;br /&gt;Talvez, assim, ele não tenha a incomensurável agrura&lt;br /&gt;De ver, em seu bloco de gente bonita, feiura.&lt;br /&gt;A feiura do povo, do pobre, do preto&lt;br /&gt;Quem não vem de bairro nobre, mas, sim, do gueto.&lt;br /&gt;Daniela, a Rainha Decadente,&lt;br /&gt;Com sorriso bonito, mas veneno de serpente,&lt;br /&gt;Sugeriu que os trios independentes acelerassem&lt;br /&gt;Para que o povo dos camarotes, por mais tempo, a ela admirassem.&lt;br /&gt;Sobre Bell, já me disseram: “Rapaz, deixe lá, não se meta&lt;br /&gt;Porque o cara é enviado direto do capeta”.&lt;br /&gt;Não duvido, pois o jeito que leva seus devotos na mão,&lt;br /&gt;Só se tiver feito um pacto com o Cramunhão.&lt;br /&gt;Mas entendo que (entre tantos) Dani, Durval, Ivete e Bell&lt;br /&gt;Já caíram alguns degraus daquele lugarzinho no imaginário céu.&lt;br /&gt;A repetição é tanta e ostracismo tão iminente&lt;br /&gt;Que tem até compositor reclamando de “excesso de contingente”.&lt;br /&gt;Aproveitando uma das poucas vantagens da mais avançada idade&lt;br /&gt;Não incorrerei no erro de discutir, da música, a qualidade:&lt;br /&gt;O que é bom pra mim pode ser ruim pra você.&lt;br /&gt;Vai que eu amo rádio e você é louco por TV?&lt;br /&gt;A diferença em si é bela, assaz salutar&lt;br /&gt;Desde que haja espaço para TODO MUNDO brincar.&lt;br /&gt;Para mim, em suma, isto chamado, em Salvador, de Carnaval&lt;br /&gt;É a institucionalização oficial da segregação racial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-1053679880940901914?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/1053679880940901914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=1053679880940901914' title='60 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/1053679880940901914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/1053679880940901914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/03/manifesto-carnavalesco.html' title='MANIFESTO CARNAVALESCO'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-I5Anscp2TIQ/TXe3Ozzr49I/AAAAAAAAAjU/qqG1eKzw-Tk/s72-c/navio_negreiro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>60</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-2344602455266738676</id><published>2011-02-07T03:33:00.001-08:00</published><updated>2011-02-07T06:55:56.664-08:00</updated><title type='text'>TODOS CLÁSSICOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TVAHWuqxEwI/AAAAAAAAAjE/zn3X35CDc-A/s1600/celinho.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 191px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TVAHWuqxEwI/AAAAAAAAAjE/zn3X35CDc-A/s200/celinho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5570960826123227906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TVAG_UNVDbI/AAAAAAAAAi8/mgzgYvHw6xo/s1600/celinho4.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TVAG_UNVDbI/AAAAAAAAAi8/mgzgYvHw6xo/s200/celinho4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5570960423883443634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TVAGxORIo8I/AAAAAAAAAi0/LHbiZe1Nu_M/s1600/celinho3.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TVAGxORIo8I/AAAAAAAAAi0/LHbiZe1Nu_M/s200/celinho3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5570960181770625986" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TVAGrgfK2pI/AAAAAAAAAis/PihcnADByv0/s1600/celinho1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 133px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TVAGrgfK2pI/AAAAAAAAAis/PihcnADByv0/s200/celinho1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5570960083582114450" /&gt;&lt;/a&gt;Se eu disser que existe um cara lindo, simpático, de conversa agradável, educado e gentil, psicólogo por formação e vocação, fotógrafo, esportista, com muitos carimbos no passaporte, que toca violão, saxofone e é heterossexual, muita gente vai duvidar. Pois é, esse feladaputa não só existe como é meu primo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo, ou Celinho – pois já havia outro Marcelo na família Lubisco –, é o segundo filho de minha Tia Graciiiiiiiiinha, mora em Porto Alegre e, sim, reúne todas as qualidades supracitadas. Quem disse que a vida é justa tava de sacanagem, hein? Isso tá muito errado, muito errado mesmo! Putaquepariu, como assim lindo-simpático-conversa-agradável-educado-gentil-psicólogo-por-formação-e-vocação-fotógrafo-esportista-com-muitos-carimbos-no-passaporte-toca-violão-saxofone-e-é-heterossexual, mermão?! Como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, Marcelinho achou os filmes 8 mm de nosso avô Humberto com imagens das décadas de 1940 e 50, quando nosso pais e mães (Nei, Hedy, Nídia, Graça, Carlos, Beto e Rico) eram crianças, digitalizou tudo e deu de Natal para cada núcleo familiar em 3 DVDs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive a chance de ver minha Vó Ilka, de que me recordo apenas praticamente se arrastando com auxílio de bengala, andando normalmente e até jogando algo semelhante a vôlei, na praia. Minha mãe, com não mais de oito anos, de vestidinho, laço de fita na cabeça, cheirando flores de um arbusto e dançando, exclusivamente para a câmera, na companhia das duas irmãs. Meus olhos ainda enchem de lágrimas com a lembrança das imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem tudo são flores. A família toda ficou chocada com um detalhe. Tio Nei, pelos dois ou três anos de idade, com longas madeixas cacheadas, usava roupas de menina! A princípio, seus irmãos, enquanto assistíamos numa sessão conjunta, tentaram contemporizar dizendo que era assim mesmo, era o normal... mas, de repente, não mais que de repente, surgiu uma cena em que diversas crianças brincavam juntas e adivinhe qual era o único guri com roupa de guria? Sacanagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tio Nei, que é casado com Tia Maria Eugênia e tem três filhos, não está sozinho. O Piu-Piu, do Frajola, é, em tese, macho. Dá pra acreditar? Nenhum bicho macho fala em falsete: "Eu acho que vi um gatinho. Eu vi, eu vi um gatinho!". Sem falar de Bambi. Aquele veadinho delicado e frágil, caso fosse humano, teria o cromossomo Y. Inacreditável!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sinal, havia, metaforicamente falando, diversos destes exemplares no caminho – candidamente batizado de Transviadônica – que ligava o Instituto de Letras com o Instituto de Dança da UFBA, cortando um trecho de reserva de Mata Atlântica. Na realidade, ambos os institutos são vastamente povoados por bichinhos saltitantes e borboletantes que assistem a’O Casamento do Meu Melhor Amigo e se identificam com aquele carinha que, na cena final, dança com a personagem de Julia Roberts.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Instituto de Letras, onde fiz a minha graduação, sistematizei o meu gosto pela literatura... pro bem e pro mal. Se por um lado reli Vidas Secas, para acabar com o trauma da adolescência quando me foi imposta a leitura deste clássico de Graciliano Ramos (saboreei cada silêncio do Sertão, magistralmente caracterizado linha após linha), por outro tive que ler inúmeros autores cujas obras foram meu mais eficaz remédio contra insônia. Ainda assim, tendo que vencer as toneladas de minhas pálpebras, somente debruçando-me (sem nenhuma conotação borboletante) sobre os intermináveis períodos de No Caminho de Swann (perdoem-me amantes de Proust, mas um período que se alonga por mais de uma página inteira me enche os culhões), por exemplo, tive uma percepção maior das nuanças. A paleta de aquarela do meu cotidiano ganhou novos tons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler é bom... para mim. O hábito da leitura não é, necessariamente, nobre. É nele que me torno uma pessoa melhor, mas para Clara e Breno pode ser na música ou, quem sabe, no cinema. E, ainda assim, se não for em nenhuma expressão artística, lamento apenas, sem jamais recriminar. Importante mesmo é ler a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito, contudo, que o acesso à literatura deva ser facilitado. Mais e melhores bibliotecas públicas, estímulo ao uso das bibliotecas e livros mais baratos não solucionam, mas ajudariam no processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta minha estada em Brighton, cidade litorânea a 50 minutos de Londres, durante 20 dias do inverno de 2011, fiquei impressionado como livro é barato no Reino Unido. Quem quiser edições mais sofisticadas tem que desembolsar mais Libras. Fair enough. As edições de capa mole e papel jornal, todavia, são baratérrimas. Não lê quem não quer... e é assim que deve ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi pertinho de Brighton, em Londres, numa noite de chuvisco e vento frio cortante, que uma situação me fez lembrar Mário Quintana, meu poeta predileto e eterna leitura de cabeceira. Cético que era, quando perguntado certa feita sobre vida após a morte, disse que preferia a terrena mesmo, pois no além teria que conviver com os chatos de várias gerações e aqui, convivia somente com os da dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi justamente nesta mesmo aqui que convivi compulsoriamente, por eternos míseros minutos, com a pessoa – uma recém pós-adolescente – mais chata e sem noção do mundo-mundial-super-extra-maxi-ultra-turbo-faixa-preta-terceiro-dan-ninja-samurai². &lt;br /&gt;PUTAQUEPARIU, mermão. Me mire, mas me erre. Sai pra lá, coisa ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Enviada do Capeta sentou ao meu lado no teatro onde assisti ao musical Billy Elliot. No intervalo entre a primeira e a segunda parte, percebendo que eu era brasileiro, danou-se a puxar assunto enquanto mantinha-me monossilábico, ainda curtindo as emoções da exibição. A Personificação da Chatice não se dava por rogada e insistia intermitentemente. Em determinado momento, disse que queria ir a Liverpool só pra tirar uma foto atravessando a Abbey Road. Aí não me contive:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você pode, e até deve, ir a Liverpool, mas pra atravessar a Abbey Road é melhor, quando acabar o musical, pegar um metrô bem aqui na frente, na Victoria Station, pois é em Londres, querida.&lt;br /&gt;– Eu já estive aqui em Londres várias vezes e não é nada. Nunca vi, nem no Google Maps.&lt;br /&gt;– Bem, semana passada eu e mais uns 5 mil turistas tiramos foto lá. Mas deve tá todo mundo enganado, já que é em Liverpool.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, num vacilo meu, a Encarnação do Tédio descobriu que eu era amigo de Fau, esposa do dono da empresa de turismo em que ela estava em lista de espera para Liverpool, largou:&lt;br /&gt;– Você acha que se eu for lá amanhã e molhar a mão de algum funcionário, consigo que tirem alguém e me coloquem no lugar?&lt;br /&gt;– ...&lt;br /&gt;– Acho que não. Se fosse no Brasil, né?&lt;br /&gt;– ...&lt;br /&gt;– Lá em Natal, quando se vem de uma família influente que nem a minha, basta dar um dinheirinho pra pessoa certa que se consegue tudo mais fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi neste momento que quase – faltou quase nada – peguei o meu cachecol e estrangulei a Apologia ao Mau-Caratismo, a sangue quente, muito quente. Respirei fundo, contei até um milhão, fiz de conta que não era comigo, liguei o botão da audição seletiva, que funcionou perfeitamente até o grand finalle:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu já nasci velha. Não gosto de balada, festa, nada disso. Só gosto de programas diferenciados porque sou culta, sabe? Já assisti a todos os musicais daqui. &lt;br /&gt;– ...&lt;br /&gt;– Mas minha grande paixão, o que eu amo mesmo nesta vida, é ler. Comprei 18 livros, todos clássicos, tipo Stephen King.&lt;br /&gt;– ...&lt;br /&gt;– E leio muito: uma média de sete livros por ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escataploft, caí da poltrona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                            Este texto foi revisado por Paula Berbert&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-2344602455266738676?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/2344602455266738676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=2344602455266738676' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2344602455266738676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2344602455266738676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/02/se-eu-disser-que-existe-um-cara-lindo.html' title='TODOS CLÁSSICOS'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TVAHWuqxEwI/AAAAAAAAAjE/zn3X35CDc-A/s72-c/celinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-8905180100551910614</id><published>2011-01-31T13:45:00.001-08:00</published><updated>2011-02-02T01:26:59.886-08:00</updated><title type='text'>ÂNUS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TUctqM-B_6I/AAAAAAAAAhg/sb2hcD2-CpU/s1600/escaravelho.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 120px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TUctqM-B_6I/AAAAAAAAAhg/sb2hcD2-CpU/s200/escaravelho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568469667326066594" /&gt;&lt;/a&gt;Nídia, minha mãe, bibliotecária de formação e professora do Instituto de Ciências da Informação da UFBA, criou os três filhos praticamente sozinha. Lembro-me do dia em que, dirigindo seu fusca branco, disse a mim, Nana e Kika que estava se separando de meu pai. Eu tinha, então, seis anos. Não fui tomado por nenhum sentimento de tristeza e me senti um pouco culpado diante do choro intenso de Nana, a mais velha, com nove anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe sempre nos presenteou muito com livros. Crescemos familiarizados com os diversos mundos construídos pela imaginação infantil à medida que líamos. Talvez por isso tenha me tornado um incansável perguntador. Leitura aguça a imaginação, afia a curiosidade, calibra a percepção e afina a sensibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o divórcio, morei numa casa perto da Av. Paulo VI, com o maior jardim do mundo mundial. Era quase o País das Maravilhas, de Alice. Ali, tudo se encontrava... e se perdia. Os dois cachorros, Xerife e Totó, se transformavam em abomináveis monstros, os cantos, em esconderijo, as formigas, em soldados, a mangueira, em uma torre pro céu, e as lagartas de fogo, em lagartas de fogo mesmo. Acho que me queimei umas 20 mil vezes, pelo menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, aficionado por Tarzan, vivi incontáveis aventuras no gramado mais verde da minha lembrança e, por vezes, além dos limites do muro de nossa residência na Rua das Acácias. Conta minha mãe que eu não me arriscava na grama sem ter um pedaço de madeira qualquer à guisa de faca presa no elástico no short adidas de pano. Naquele universo, eu era Tarzan e, rolando na grama, derrotava crocodilos e cobras gigantes que queriam invadir a casa, pulava de cipó em cipó gritando a plenos pulmões para afugentar animais ferozes que habitavam aquela região e cuidava dos bichinhos mais frágeis até o imperativo chamado da Mãe Natureza ecoar:&lt;br /&gt;– Hora do banho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um verão, afirma Nídia, que tia Graça e seu cônjuge, tio Paulo, vieram a Salvador para curtir uma praia de verdade, coisa que não se acha no litoral do Rio Grande do Sul. Fomos no esquema farofada: uma garrafa com suco de abacaxi com beterraba, sanduíche de queijo, ovo cozido num frasco de vidro com água e sal, além de uns biscoitinhos recheados porque ninguém é de ferro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os adultos ficavam sentados nas toalhas papeando, fazendo uma boquinha, fumando um cigarrinho e observando o movimento da prole enquanto eu, digo, Tarzan explorava as profundezas daquele rio caudaloso de água salgada! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma das investidas contra uma enguia gigantesca, uma vaga não menor que 15 metros golpeou nosso herói, arremessando-o contra o fundo do oceano. Vencendo as toneladas de massa d’água que o mantiveram submerso por longos minutos, Tarzan retornou à superfície e, finalmente, respirou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tio Paulo, que acompanhara o episódio completo, me viu andar pra fora da água com quilos de areia na sunga, um esfoladinho na testa e olhos apavorados, cheios de lágrimas prontas para transbordar. Sábio homem, ao invés de me tratar como um coitadinho, bateu palmas e me encorajou como se eu tivesse pegado um jacaré ao invés de ter levado um caldo:&lt;br /&gt;– Isso aí, Dudu. Muito bem. Pegou um jacaré!&lt;br /&gt;– F... f... foi? Peguei?&lt;br /&gt;– Pegou, pegou sim! &lt;br /&gt;– E foi de mão ou de faca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim, de mão ou de faca?! Como assim? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criança é um bicho foda, vem com cada uma... Meu primo André, meu único primo que compartilha comigo o amor pelo tricolor gaúcho, quando tinha uns cinco anos talvez (eu já era um adolescente), brincava no gramado da casa alugada por tio Rico e sua esposa, tia Helena, em Torres – cidade litorânea ao norte de Porto Alegre, onde minha família veraneava –, e lá pelas tantas veio mostrar o que achara: um escaravelho negro (ops, afro-descendente) do tamanho da sua mão. Para sorte dele e minha tranquilidade, estava morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Por que ele tá tão quietinho?&lt;br /&gt;– Porque ele tá morto, Dé.&lt;br /&gt;– E por que ele morreu?&lt;br /&gt;– Hum... porque, assim como as pessoas, todos os bichinhos nascem, crescem e um dia morrem.&lt;br /&gt;– Ah... e por que ele nasceu?&lt;br /&gt;– Tia Heleeeeeeeeeeeeeeeeena. Venha aqui conversar com seu filho, por favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana, a filha de Pedrão e Júlia, duas das pessoas mais inteligentes da galáxia, não foge à regra e faz perguntas desconcertantes e comentários surpreendentes. No auge dos seu sete anos, tem um ar blasé encantador. Além do mais, pela questão genética, acredito eu, é acima da média. Bem acima da média.&lt;br /&gt;– Mãe, como é o nome daquele buraquinho que a gente tem na bunda?&lt;br /&gt;– Qual?&lt;br /&gt;– Aquele que sai o cocô.&lt;br /&gt;– Ânus.&lt;br /&gt;– Ah, tá.&lt;br /&gt;– Por quê, filha?&lt;br /&gt;– Nada não. É que lá na escola a gente chama de cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                   Crônica revisada por Paula Berbert&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-8905180100551910614?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/8905180100551910614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=8905180100551910614' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/8905180100551910614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/8905180100551910614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/01/anus.html' title='ÂNUS'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TUctqM-B_6I/AAAAAAAAAhg/sb2hcD2-CpU/s72-c/escaravelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-2038948161408236271</id><published>2011-01-07T13:23:00.001-08:00</published><updated>2011-01-07T13:25:21.549-08:00</updated><title type='text'>MERETRIZ QUE DEU A LUZ</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TSeEiEFtRKI/AAAAAAAAAhE/dVG8UQ9Z3Pg/s1600/lotado.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TSeEiEFtRKI/AAAAAAAAAhE/dVG8UQ9Z3Pg/s200/lotado.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559557985760265378" /&gt;&lt;/a&gt;Depois de emagrecer quase 20 quilos, precisei me render à tortura voluntária da musculação: todo santo dia, chova ou faça sol, me estrebucho por meia hora correndo na esteira feito um rato de laboratório e depois beiro o suicídio carregando peso. É odioso!&lt;br /&gt;Durante a sessão dos infernos, derreto meu cérebro com o mp3 no talo, geralmente, ouvindo doces canções do System of a Down, Iron Maiden, Sepultura e Rammstein. Não sorrio, não sou simpático, não converso. Faço minha porra e vou embora. &lt;br /&gt;Apesar de ter sucumbido ao exercício físico sistemático e periódico por um nobre motivo – não queria conviver com pelancas balançando quando eu requebrasse ao som de um pagodão no carnaval soteropolitano -, reconheço que malhação é um subproduto da nossa sociedade contemporânea de alta tecnologia e comida atochada de gordura trans.&lt;br /&gt;Entupimos o bucho com salgadinho, biscoito recheado, suco de caixa, refrigerante, batatinha frita, coxinha, chocolate, uma inimaginável variedade de hambúrgueres e tantas outras guloseimas que só de pensar sinto minhas células adiposas se multiplicarem freneticamente. Não caminhamos mais até a padaria da esquina, vamos de carro; pegamos o elevador para subir até o primeiro andar; usamos o controle remoto para... bem, para quase tudo! Nosso sofá é nossa casa.&lt;br /&gt;Quando morava em Bremen, não precisei frequentar academia pela natureza do meu trabalho. Era empregado da Ospig, uma distribuidora de roupas e acessórios fabricados, por questões financeiras, no Camboja, provavelmente por crianças em condições insalubres. No meu contrato trabalhista estava escrito, em alemão: responsável por controle logístico. Em bom português era: carregador-de-caixas-cheias-de-calças-jeans-pesando-quase-25-quilos. Putaquepairu, mermão! Quem precisa de academia? Quem?&lt;br /&gt;Foi naquele galpão com pé direito de uns 10m e intermináveis corredores feitos de caixas com roupas, que conheci pessoas interessantíssimas. Uma senhora, nos seus 60 anos oriunda da antiga DDR (Alemanha Oriental), que falava do socialismo com muita nostalgia; uma turca e uma curda que, sabe lá deus como, eram amigas; um togolês que, apesar de morar a um quarteirão do trabalho, todos os dias, logo após bater o ponto, ao invés de ir para o nosso departamento, ia ao banheiro. Certa vez perguntei, com meu alemão tupiniquim:&lt;br /&gt;- Papa Iaútsi, porque você espera chegar aqui pra ir ao banheiro. Vá em casa que é melhor, né não?&lt;br /&gt;- É, mas em casa eu cago de graça e aqui eu tô sendo pago pra cagar!&lt;br /&gt;Putaquepariu! Gênio de uma raça, pensei.&lt;br /&gt;Havia ainda umas coroas polonesas que me tratavam como um bebezão, pois toda vez que tentava falar na língua de Ghoete, devido à minha incompetência linguística, soava como uma criança de seis anos e elas, invariavelmente, reagiam, passando a mão em meu cabelo: “que gracinha.” Um dos caras que mais me aproximei, por afinidade e por falar inglês fluentemente, foi Francis, um gambiano de 1,80m e 110 kg de pura massa muscular. O cara era um armário! Não tinha certidão de nascimento, tinha escritura.&lt;br /&gt;Certa feita, Francis contava a mim e a Georgious, um grego nascido e criado na Alemanha (sim, isto é possível porque o critério de nacionalidade germânico não é a territorialidade, mas, sim, a ancestralidade), alguns detalhes da organização sociopolítica da Gâmbia.&lt;br /&gt;Duas coisas nos chamaram muito a atenção: o fato de o governante da época ter ambições de guerrear com o Senegal - mesmo este tendo, só no exército, mais soldados do que toda a população gambiana - e de a aeronáutica contar somente com um helicóptero que era utilizado pelo único piloto do país: o governante.&lt;br /&gt; Sabe aquela gargalhada muda? Pois bem, gargalhamos com o corpo inteiro e lágrimas correram soltas. Francis, não se dando por rogado, continuou:&lt;br /&gt;- Mas, no final deste ano, chega mais um helicóptero. Já foi comprado da França. É usado, mas tá novinho.&lt;br /&gt;- Vocês deviam começar se preocupar com George Bush..., retrucou Georgious.&lt;br /&gt;- Devemos? Por quê?&lt;br /&gt;- Vocês tinham um, agora tem dois. Simplesmente duplicaram o poderio aéreo. Mr. Bush pode querer invadir a África, em nome da paz.&lt;br /&gt;Gargalhada muda! &lt;br /&gt;No final do expediente, eu e meu amigo grego pegamos o mesmo bonde, com destino a DOMSHEIDE, onde ele saltaria para baldear e eu, para comprar um livro de capa dura com a história do The Police e 4 CDs, comportando sua discografia completa. Foi neste trajeto de meia hora que vivenciei sentimentos de resignação, revolta e satisfação num intervalo de parcos 10 minutos.&lt;br /&gt;Íamos sentados frente a frente, conversando trivialidades em inglês. Num determinado momento, um senhor de longos cabelos brancos e dentes amarelos, cheiro nauseabundo de bebida, cigarro, jeans morrinhento de suor acumulado pela ausência de higiene pessoal, entrou e ficou em pé de maneira que me enxergava de frente. &lt;br /&gt;Por alguns instantes, o velho ia perdido no seu mundinho, confeccionando, em escala industrial, cigarros com tabaco vagabundo e papel de seda. Mas, ao perceber que falávamos outra língua, deu início a um festival de impropérios em alto e bom som para quem quisesse ouvir.&lt;br /&gt;- Esses estrangeiros de merda que vêm de umas terras de merda roubar a Alemanha dos alemães. Deutchland über alles! &lt;br /&gt;Vi os olhos de Georgious se encherem de revolta e o contive, segurando-o pelo braço, quando ameaçou revidar.&lt;br /&gt;- Relaxe. Isso é para mim, não é para você. Esse junkie não vale à pena.&lt;br /&gt;- Mas isso é errado, Lubisco. Quem ele pensa que é?&lt;br /&gt;- Eu sei, mas... sei lá, simplesmente não vale a pena mesmo.&lt;br /&gt;A determinada altura do trajeto, logo antes da Estação Wilhelm Kaiser Bruecker, onde normalmente saltaria, entrou uma jovem negra com sua filhinha, ainda de colo, e sentou-se ao nosso lado. Estranhamente, por aquelas bandas, sorriu e deu boa tarde. Sorrimos de volta e por alguns segundos permanecemos calados. Segundos suficientes para ouvir barbaridades, vindas daquela boca fedida...&lt;br /&gt;- Este bonde é feito por alemães para alemães e não para macacas carregando macaquinhas.&lt;br /&gt;Georgious levantou abruptamente. Falhei ao tentar impedi-lo, receoso que partisse para cima do fétido imbecil. Para minha surpresa, entretanto, ele se dirigiu ao primeiro vagão e conversou rapidamente com o condutor. Sentou-se ainda ofegante com aquela ira que deve ter elevado nossa pressão arterial a níveis estratosféricos, mas, olhando carinhosamente para a mamãe e sua cria, disse que tudo estava resolvido.&lt;br /&gt;Quando o Bahn #6 parou na estação seguinte e as portas automáticas se abriram, vimos, a menos de 2 metros, um carro da Polizei parado. Quatro oficiais saltaram e, sem pressa alguma, andaram até nossa direção. Sem empunhar arma, ameaçar ou aumentar o tom da voz, o mais baixinho, mas não menos invocado que seus pares, encarou o nazista feladaputa, esticou o braço horizontalmente, cerrou o punho deixando apenas o indicador livre para fazer aquele típico gesto de “venha cá, babes”:&lt;br /&gt;- Saia.&lt;br /&gt;- Mas... mas... eu não...&lt;br /&gt;- Saia...&lt;br /&gt;- Calma, veja bem....&lt;br /&gt;- Sa-ia i-me-dia-ta-men-te!&lt;br /&gt;Transporte público urbano é, sem sombra de dúvidas, uma grande fonte para estudo sociológico, em qualquer lugar do mundo mundial.&lt;br /&gt;No mês passado, quando Jane, a, como chamam os politicamente corretos, secretária do lar que trabalha conosco há mais de 10 anos, fez aniversário, comemoramos com uns presentes e um bolinho só pra cantar o Parabéns e registrar a data (e talvez aplacar nossa culpa pequeno-burguesa). Ela fez questão de levar um pedaço do bolo para o motorista, o cobrador e alguns “colegas” de transporte. &lt;br /&gt;No dia seguinte, ela contou que, ao entrar no ônibus, “os colega do carro tavam me esperando com um bolo, uns docinho e guaraná de laranja. Cantaram parabéns e tudo!” Como assim, festa surpresa no ônibus, mermão? Como assim?! Emocionante! PUTAQUEPARIU! Fodástico.&lt;br /&gt;Quando sofri o acidente de moto que me feriu os braços, a alma e deixou uma cicatriz na perna esquerda de Paula Berbert, tive que pegar ônibus algumas vezes, enquanto a minha filhota de 660 cilindradas era recuperada. Num destes passeios forçados, os termômetros de Salvador marcavam 37°C e as nuvens tinham se recolhido na linha do horizonte pra regozijar o azul anil do firmamento. Ou seja, o inferno com uma bela moldura.&lt;br /&gt;Eu ia sentado à janela me controlando pra não botar a cabeça pra fora. Ao meu lado, uma senhora nos seus 70 anos e, em pé, próximos a ela, dois estudantes secundaristas. O mais gordinho suava em bicas. Lá pelas tantas, fez um comentário para o colega que foi prontamente retrucado com espanto e revolta pela tia septuagenária:&lt;br /&gt;- Puta que pariu! Que calor do caralho!&lt;br /&gt;- Oxe, menino.  Olha o vocabulário! Respeite a presença dos mais velhos!&lt;br /&gt;- Meretriz que deu a luz! Que calor dos testículos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-2038948161408236271?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/2038948161408236271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=2038948161408236271' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2038948161408236271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2038948161408236271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2011/01/meretriz-que-deu-luz.html' title='MERETRIZ QUE DEU A LUZ'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TSeEiEFtRKI/AAAAAAAAAhE/dVG8UQ9Z3Pg/s72-c/lotado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-254817990070897586</id><published>2010-12-24T11:57:00.000-08:00</published><updated>2010-12-24T12:04:26.309-08:00</updated><title type='text'>CHRISTMAS ANGEL</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TRT7crjcy5I/AAAAAAAAAg4/6JLTPhvFiLo/s1600/angel.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 118px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TRT7crjcy5I/AAAAAAAAAg4/6JLTPhvFiLo/s200/angel.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5554340710600985490" /&gt;&lt;/a&gt;Uma das coisas que mais odeio é quando me pedem pra traduzir coisinhas: "é só uma página!" Putaquepariu! Como assim, só uma página. Sem contar que tradução é um trabalho sério e para poucos. Sou professor, não tradutor. Ainda assim, me arrisquei nesta seara e eis o resultado. I'm sorry, but I was the best I could do.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito tempo, pouco antes do natal, Papai Noel se preparava para a sua viagem anual, mas estava cheio de problemas. Quatro dos seus duendes adoeceram e os estagiários não fabricavam brinquedos tão rápido quanto os efetivos, de forma que Noel começava sentir a pressão de estar com o planejamento atrasado. Para completar, Mamãe Noel o avisou que a sogra dele estava chegando para uma visita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto o estressou ainda mais. Quando foi arrear as renas, descobriu que três delas estavam prestes a dar a luz e duas haviam pulado a cerca e estavam só Deus sabe onde. Mais estresse. Então, quando começou a carregar o trenó, uma prancha de sustentação quebrou e o saco de brinquedos caiu espalhando tudo pelo chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frustrado, Noel entrou em casa para beber um pouco de cidra e uma dose de rum. Ao abrir o armário, descobriu que os duendes tinham escondido as bebidas e não havia nada para bebericar. Para piorar, acidentalmente derrubou a jarra de cidra, quebrando-a em centenas de pedacinhos  que se espalharam pelo piso da cozinha. Ao pegar a vassoura, percebeu que algum rato roera a piaçava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A campainha tocou e Noel, irritado,  foi abrir a porta. Lá estava um adorável anjinho com uma linda Árvore de Natal. O anjo, então, alegremente disse: “Feliz Natal, Papai Noel. Que dia maravilhoso! Eu trouxe esta linda Árvore de Natal pra você. Onde o senhor quer que eu a coloque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim teve início a tradição de um anjo no topo da Árvore de Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                      Traduzido por euzinho. Autor ignorado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-254817990070897586?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/254817990070897586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=254817990070897586' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/254817990070897586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/254817990070897586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2010/12/christmas-angel.html' title='CHRISTMAS ANGEL'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TRT7crjcy5I/AAAAAAAAAg4/6JLTPhvFiLo/s72-c/angel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-3215316356047105823</id><published>2010-10-31T06:44:00.000-07:00</published><updated>2010-11-04T12:45:15.239-07:00</updated><title type='text'>MANGABA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TM1y7bwo2DI/AAAAAAAAAgc/Wu17m1cAKUE/s1600/bonfim_amp.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TM1y7bwo2DI/AAAAAAAAAgc/Wu17m1cAKUE/s200/bonfim_amp.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534205882497816626" /&gt;&lt;/a&gt;Cris é a amiga que mais amo na vida. Se há alguém para quem conto absolutamente tudo sem receio de ser julgado é ela. Nos conhecemos na Escola Teresa de Lisieux em 1991 e, de lá pra cá, de uma maneira ou outra, forjamos a mais sólida amizade de que tenho conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cris é família. Estudamos juntos no colegial, chegando a ser representante de classe e vice três anos consecutivos. Fiz musicoterapia na Universidade Católica de Salvador e ela, na mesma instituição, letras. Voltamos a nos aproximar quando, em momentos distintos, passamos no vestibular para letras na Universidade Federal da Bahia. Daí em diante nossas histórias se confundem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegamos algumas matérias conjuntamente, eu a apresentei para o seu, então, futuro marido, Michal, e trabalhamos juntos na Cultura Inglesa. Mudei para Alemanha em 2002, ela, logo em seguida. Moramos no mesmo prédio na Neustadtcontrescarpe 26, fomos colegas num curso de alemão vagabundo subsidiado pela igreja católica, fui padrinho dela quando contraiu matrimônio e ela, minha madrinha (vale ressaltar que dei mais sorte aos meus afilhados do que ela). Hoje, apesar do Atlântico nos separando, os raros encontros são somente uma conversa retomada sem melindres, titubeios, meias palavras ou constrangimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cris conseguiu, batalhando muito, ser admitida para ensinar o idioma da Rainha Elisabeth na Volkshochschule, uma respeitada escola de idiomas naquele iceberg chamado Germânia. A vida na terra de Michael Schumacher segue uma lógica muito peculiar. Tudo, absolutamente tudo, é feito de acordo com as tradições locais que, sem sombra de dúvida, são as melhores do planeta. Afinal de contas, se vêm funcionando há anos, décadas, séculos, eras, para que mudar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer estudante de metodologia de ensino de língua estrangeira sabe da importância de testes de nivelamento para viabilizar o ensino comunicativo da língua em questão. Pois bem, são tão importantes que as grandes editoras, ao lançarem uma nova série de livros didáticos, no geral, desenvolvem um teste de nivelamento de acordo com a proposta do livro. Ou seja, o que não falta por aí é teste de nivelamento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escola supracitada, os novos alunos passavam por uma entrevista em alemão mesmo, com perguntas do tipo: você já estudou inglês?, há quanto tempo?, onde?, gosta do idioma?. E, baseado nisso, o professor tinha que executar o milagre de indicar o nível apropriado para o futuro aprendiz. O resultado era, obviamente, desastroso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Com anos de experiência e estudo em aquisição de língua estrangeira e metodologia de ensino, Cris foi conversar com o coordenador para sugerir o uso de um teste de nivelamento que, de fato, PELAMORDEDEUS, nivelasse. Após ouvir a argumentação de minha amiga, Hans retrucou:&lt;br /&gt;– Eu não acredito em testes de nivelamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim, Hans?! Como assim?! Puta que pariu! Como não acredita em teste de nivelamento? Estamos falando de Deus ou do Capeta pra se acreditar ou não? Discorde, meu velho. Desenvolva uma teoria que justifique uma sala com alunos em diferentes estágios de desenvolvimento da competência linguística estudando conjuntamente e ponha em prática pra ver se funciona melhor do que turmas que passaram por testes de nivelamento. Mas não misture alhos com bugalhos nem convicções objetivas com fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fé é como amor: imponderável. Não há porquês para nenhum dos dois. Ama-se ou não, tem-se fé ou não, simples assim. Algumas pessoas não conseguem conceber o fato de outras não terem fé ou, simplesmente, não acreditarem numa força superior criadora de tudo que nos rodeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta incapacidade é arrogante demais, pois desconsidera a diversidade de conduta. Para minha sorte, sou rodeado por pessoas com fé suficiente para me emprestar um pouquinho. Há uma funcionária de um dos meus trabalhos (professor de inglês que ensina em somente um lugar o faz por diletantismo ou por ter, de alguma outra forma, recheado a conta bancária) que jurava rezar por minha alma perdida, toda semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-se que em Salvador há 365 igrejas, uma para cada dia do ano – afora anos bissextos. Se levarmos em conta templos evangélicos e outras seitas cristãs, garanto que se você passar o dia todo, todos os dias, visitando várias, não terá dado conta de todas as possibilidades ao final das quatro estações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fé pode ser divertida, se vista com o devido distanciamento. Os devotos do Senhor do Bonfim amarram umas fitinhas coloridas, chamadas de Fitinhas do Senhor do Bonfim, ao redor do pulso. Para cada nó, faz-se um pedido e, quando a fitinha partir naturalmente – não vale cortar nem forçar a barra pra adiantar o processo –, os pedidos tornar-se-ão reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antigamente, os vendedores de fitinhas se concentravam na Colina Sagrada, onde fica a Igreja do Senhor do Bonfim. Agora, devido à expansão do turismo soteropolitano, creio eu, eles estão aqui, lá e acolá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga Catarina, bacharel em cinema por formação e fashionista por paixão, dona da confecção &lt;a href="http://essameninanews.blogspot.com"&gt;Essa Menina&lt;/a&gt;, resolveu, num dia de dezembro, tomar sorvete na tradicionalíssima A Cubana, na Praça da Sé, bem na entrada do Elevador Lacerda, para dar uma aliviada naquele calor infernal, além de, obviamente, aproveitar a vista privilegiada da Baía de Todos os Santos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estacionou seu Ford Ka vermelho-coágulo na Rua Chile, atravessou a Rua do Tira-Chapéu e, lentamente para o calor não pegá-la, procedeu para a sorveteria. Há dois passos e meio de alcançar seu objetivo, foi abordada por uma menina de mais ou menos 17 anos, com uma fitinha cor de abóbora para ela: “Venha, freguesa. Essa é uma lembrancinha da boa terra. Não precisa pagar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecedora da estratégia amplamente difundida entre vendedores da sagrada fitinha, Cat se preparava para recusar educadamente quando um rapaz, nos seus 20 anos, brotou dos paralelepípedos e começou amarrar uma fitinha verde limão no pulso da filha de D. Nádia. A vendedora, p. da vida, deu pra ruim! Acenando para um policial militar que derretia dentro do uniforme, gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ô, Seu Praça, ô, Seu Praça! Ó paí, ó, atravessando a fitinha dos otro. Chega machucou a menina, num foi não, Ninha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Praça se aproximou, com a delicadeza típica da PM baiana, deu um berro pro cara se afastar e foi prontamente obedecido. Catarina comprou cinco dúzias de fitinhas em cores sortidas para usar na coleção primavera-verão na mão na menina e seguiu, finalmente, para A Cubana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi direto ao caixa, pediu um sorvete de duas bolas no copo e andou até o balcão onde, do lado oposto, encostado na parede, se encontrava o atendente. Esperou o rapaz vir atendê-la, pois era a única cliente, mas ele não deu o menor ibope a ela. Então, mostrando a ficha, Cat acenou com seu braço direito, o da tatuagem, como se dissesse: “cê não tá vendo que tô aqui, pô?!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrastando o chinelo, olhos semicerrados e má vontade estampada na cara, Átila, como estava bordado no uniforme, veio até ela, tomou a ficha em sua mão e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Quer de quê?&lt;br /&gt;– Duas bolas de mangaba.&lt;br /&gt;Abriu o freezer e...&lt;br /&gt;– A senhora não quer outro, não?&lt;br /&gt;– Não tem de mangaba?&lt;br /&gt;– Ter, tem. Mas é que tá lá embaixão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta crônica foi revisada por Paula Berbert (&lt;a href="http://www.marcatexto.com.br"&gt;MARCATEXTO&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-3215316356047105823?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/3215316356047105823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=3215316356047105823' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3215316356047105823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3215316356047105823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2010/10/mangaba.html' title='MANGABA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TM1y7bwo2DI/AAAAAAAAAgc/Wu17m1cAKUE/s72-c/bonfim_amp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-3966103470533183291</id><published>2010-08-24T08:30:00.001-07:00</published><updated>2010-10-21T18:21:13.782-07:00</updated><title type='text'>ANTROPOFAGIA, ROCK &amp;PATRULHA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/THPl67MCRsI/AAAAAAAAAf4/d9bIfxCgaos/s1600/antropofagia501.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 180px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/THPl67MCRsI/AAAAAAAAAf4/d9bIfxCgaos/s200/antropofagia501.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508999569687594690" /&gt;&lt;/a&gt;Salvador talvez seja o único centro urbano do mundo em que o Rock é considerado produção cultural alternativa. Mesmo que não seja, é lamentável ter o gênero que revolucionou a história da música ocidental popular contemporânea relegado a segundo plano pela grande mídia e indústria do entretenimento na terceira maior cidade do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capital do carnaval de rua que durante sete dias por ano estremece ao som dos tambores, das vozes dos puxadores de trio e com a invasão de turistas ávidos por folia e luxúria não consegue, há mais de duas décadas, democratizar seus espaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são necessários os dedos de uma das mãos para contar os programas de rádios soteropolitanas que tocam música independente local. Raras são as casas de espetáculos bem equipadas e que tratam respeitosamente os artistas. As emissoras de TV, vez por outra, oferecem pauta como esmola, lidam com artistas consolidados como se fossem aves exóticas e demonstram, salvo a TVE, total desconhecimento do assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais esquecerei quando Os Irmãos da Bailarina foram ao Bahia Meio-Dia, jornal da afiliada à Rede Globo, divulgar o lançamento de seu primeiro álbum. A banda tem um som peculiar com guitarras distorcidas, acordes dissonantes, com a voz grave de Téo - ora berrando ora suave e melancólica - além das letras cheias de poesia e sofisticação. Georgina Maynart, apresentadora, tão perdida quanto um cachorro que caiu de um caminhão de mudança, me veio com essa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É impossível falar de Rock sem falar de Raul Seixas. Vocês são influenciados por ele também, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faz parte do trabalho do jornalista se informar sobre o que vai falar? Se ela é apenas a apresentadora, quem é o editor? Quem formula as perguntas? Algum deles ouviu o CD? Aposto meu polegar opositor direito que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despeito da considerável produção musical não ligada à industria momesca, são poucos os que se aventuram a investir em artistas com trabalhos autorais que não seguem a fórmula das estrelas da Axé Music. É importante, contudo, deixar claro que não quero reeditar aquela tensão antagônica típica dos anos 90 entre Axé e Rock. Está morta... para alguns, pelo menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos idos da última década do século XX, com a expansão da política de desenvolvimento monocultural do estado pelo governo Carlista, negar música de carnaval era uma necessidade de sobrevivência. Quem gostava de Rock odiava Axé e estava certo da inferioridade do segundo: era sub-cultura, arte menor, coisa de brau. Shows de rock pareciam clube do Bolinha do inferno: só meninos vestindo preto e com cara de mau. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou, as pessoas amadureceram... algumas, pelo menos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A patrulha do rock continua sempre a postos para denunciar impurezas que manchem o manto sagrado dos órfãos de Raul Seixas. Parecem ter esquecido, entretanto, que justamente Raulzito foi um dos pioneiros a meter o pé na jaca e se afundar no lamaçal do brega, por exemplo. Mais que isso, chegou a gravar um bolero rasgado – Sessão das Dez - daqueles bem dramáticos capazes de fazer Odair José, Waldic Soriano e Amado Batista invejarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dos nossos dinossauros estavam trocando o pneu furado do Simca Chambord e não perceberam os ventos da mudança soprando. Enquanto esperneavam contra os traidores do rock, diversos artistas seguiram pelas searas da Semana de 22 - já revivida pelos tropicalistas - e se permitiram influenciar por tudo aquilo que forjou suas histórias ampliando, no final das contas, os horizontes e comunicando com mais pessoas ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excelentes álbuns foram gerados sob esta égide. Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta lançaram Frascos, Comprimidos, Compressas. Disco com as duas pernas afundadas no samba, o tronco açoitado pelo Jazz e a cabeça sendo golpeada pelo Rock. O Chachachá, dos retrofoguetes, traz como destaque a faixa intitulada Maldito Mambo, com arranjos de sopro assinado por Lutieres Leite e participação da Orkestra Rumpilezz. Dois em Um, duo de Luizão Pereira e Fernanda Monteiro, construiu uma colcha de retalhos sonora com guitarras, sintetizadores, cello e a voz hipnotizante de Fernanda. Roberta Simões, na sua página no myspace, lista lado a lado rock e bossa nova. Sem contar o novo álbum do Cascadura que, segundo uma breve leitura no blog da banda, dialogará com as raízes afro-baianas, como já apontava em O Senhor Das Moscas, faixa do Bogary, que trata das qualidades de Omulu (Atotô Babá). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais rock na atitude deles do que na história de muitos que se proclamam salvadores do rock ‘n’ roll.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a Guitarra Baiana, primeira grande estrela dos trios elétricos, já quase extinta se não fosse o esforço hercúleo dos irmãos Armando e Aroldo Macedo, ganhou sobrevida graças a tradicionais guitarristas do rock baiano, como Morotó Slim (Retrofoguetes) e Robertinho Barreto (Lampirônicos) que a tem estudado e incluído em seus shows não como coadjuvantes, além de Julio Caldas com seu projeto Choro Rock. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez esta seja a grande ironia de todas: roqueiros ressuscitando um dos ícones do carnaval baiano. Na realidade, provavelmente, o maior gesto de maturidade seja justamente reverenciar os grandes, independente deste ou daquele rótulo e não se fechar numa gavetinha em cima da prateleira. A patrulha fenece num processo autofágico dentro de listas de discussão irrelevantes que agonizam com os próprios ecos. Enquanto latem, a caravana passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o rock? Bem, continua rolando sem acumular limo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-3966103470533183291?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/3966103470533183291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=3966103470533183291' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3966103470533183291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3966103470533183291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2010/08/antropofagia-rock.html' title='ANTROPOFAGIA, ROCK &amp;PATRULHA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/THPl67MCRsI/AAAAAAAAAf4/d9bIfxCgaos/s72-c/antropofagia501.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-2495223047086870840</id><published>2010-08-08T17:48:00.000-07:00</published><updated>2010-08-11T11:49:08.265-07:00</updated><title type='text'>TCHACA-TUM</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TF9QlXGpt6I/AAAAAAAAAfs/Fk3j5c8I-ls/s1600/auto-escola.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TF9QlXGpt6I/AAAAAAAAAfs/Fk3j5c8I-ls/s200/auto-escola.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5503205872457332642" /&gt;&lt;/a&gt;– Este é Pedrão, um grande amigo meu.&lt;br /&gt;– Prazer te conhecer, Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso acontece com uma frequência incrível. As pessoas, pelo menos as de bom senso, evitam maiores intimidades durante um contato tão superficial – salvo em carnaval, micaretas, aglomerações populares com alta concentração etílica e afins. A questão é que Pedrão não é Pedro, é Maurício. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filho do renomado economista baiano Fernando Pedrão com a uruguaia Beatriz West, irmão dos estadunidenses Ângela e Eugenio e da baiana, hoje radicada do Rio de Janeiro, Mercedes, adotou o sobrenome do pai quando ainda estudava no tradicional colégio Antônio Vieira. Pedrão nasceu em Santiago do Chile durante o exílio político imposto ao seu pai pelo criminoso governo militar brasileiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Chile, a família West Pedrão foi obrigada a fugir para o México por causa do golpe militar apoiado e financiado pelos Estados Unidos da América e executado por Augusto Pinochet em 11 de setembro de 1973 – isso mesmo, 11 de setembro –, resultando no assassinato de Salvador Allende e na instauração da talvez mais sangrenta das ditaduras na América Latina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurício se formou em economia, trabalha na área, toca bateria como poucos, é o campeão intergaláctico de trocadilhos infames e, acima de tudo, conhece jazz como ninguém. Já recusou algumas vezes os insistentes apelos de um amigo que trabalha no IRDEB para apresentar um programa de jazz na Rádio Educadora. Até me ofereci a colaborar, pois tive uma breve experiência apresentando, duas ou três vezes, um programa de variedades ao vivo numa estação local. Mas ele se mostrou irredutível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já frequentávamos os mesmo lugares e tínhamos diversos amigos em comum, principalmente os membros de Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta, banda em que tocava bateria. Entretanto, nos aproximamos mesmo na dor. Tínhamos nos divorciado recentemente (cada um de sua respectiva cônjuge) e nos vimos solteiros na noite de Salvador. Ok, tá bom. Foi na dor, mas nem tanto assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos encontros se tornaram mais frequentes e a partir de então sempre me deleitei com nossas conversas, fossem elas sobre futebol, relacionamentos ou, o mais recorrente tópico de todos do mundo mundial: música. Verdade seja dita, nossas conversas são injustas com ele, pois o cara é uma enciclopédia musical ambulante, e pouco posso contribuir devido ao meu parco conhecimento. Bem, ele ainda acredita que Phil Collins é genial, mas todos temos nossos deslizes. Eu, por exemplo, adoro Sidney Magal. Fazer o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordamos em muitas outras coisas, contudo. Ambos temos certeza absoluta de que a melhor banda de todos os tempos foi o Led Zeppelin, que os Beatles são bacanas e os Stones, divertidos. Certa feita, quando discutíamos, pela enésima vez, música, mais especificamente sobre os Beatles, Pedrão concluiu que para gostar de Beatles não precisa gostar de rock. E eu completei: “assim como gostar de Bob Marley não tem nada a ver com gostar de reggae”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de Bob Marley, algumas canções de Gentleman – um reggaeiro alemão que canta em inglês com sotaque jamaicano –, e umas duas do Adão Negro, banda local com carreira consolidada através de muito trabalho e cuidadosas composições assinadas por Serginho, também guitarrista, vocalista e bandleader.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci Serginho quando estudávamos letras na UFBA. Nunca pegamos matérias juntos, mas acordes e melodias nos aproximaram. Lembro dele, já naquela época, no final dos anos 90, falando de sua banda de reggae. Então, ele cantava apenas uma ou outra música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que tendia a subestimar guitarristas de reggae. Nunca achei que era necessária muita competência pra manter aquele moto contínuo – tchaca-tum, tchaca-tum, tchaca-tum – que se arrastava por horas a fio durante um show ou como trilha musical em rodinhas de maconheiros. Preconceito puro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma das vezes que levei o meu violão para universidade, encontrei Serginho sentado na área externa da biblioteca central, bem em frente do Instituto de Letras e extremamente ventilada, tocando e cantando, se não me engano, algo de Djavan (todos nós temos nossos deslizes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Toque alguma coisa aí pra eu improvisar.&lt;br /&gt;– Peça uma música específica, aí.&lt;br /&gt;– Qualquer uma, porra.&lt;br /&gt;– Oxe, como assim qualquer uma?&lt;br /&gt;– Qualquer uma, qualquer uma. Toque aí que eu improviso.&lt;br /&gt;– Hum...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ah, é?”, pensei eu. Apelei pra Tom Jobim e toquei Corcovado, bossa nova com nada menos de 17 acordes, e todos empenados. Serginho, com a naturalidade de quem tira meleca no escuro do quarto, solou jazzisticamente. Putaquepariu, que coisa mais linda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia tenho pouquíssimo contato com ele. Só não é nulo porque, além de alguns amigos em comum, a digníssima esposa dele, Adriana, é minha colega de trabalho em uma das escolas em que leciono. E como ela não tinha habilitação para conduzir veículos automotivos em vias públicas, eventualmente o encontrava ao deixá-la no trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta baixa frequência tende a diminuir mais ainda, já que Drika, finalmente, tirou a carteira de motorista. Superou traumas, venceu o medo, enfrentou o suplício da autoescola, sobreviveu à impaciência de condutores e ao despreparo pedagógico de instrutores para poder não depender do sistema de transporte público soteropolitano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa terça-feira, Adriana, uma mulher madura, sábia como poucas, equilibrada e dona de uma beleza exótica com cabelos aloirados e lábios carnudos, chegou à sala dos professores, para o turno vespertino, visivelmente abalada. Ao perguntá-la se tudo estava bem, Leila, sem idéia do que acontecera, desencadeou um choro daqueles acompanhados por soluços. Um choro de dor que assustou a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prontamente, um copo d’água surgiu, colegas e amigos a rodearam num misto de solidariedade e estupefação diante daquela cena improvável. Com alguns minutos e a tranquilidade relativamente readquirida, a mãe de Alicinha nos explicou o que ocorrera. Durante a aula prática de direção, atabalhoou-se e terminou dando uma fechada num jovem rapaz que guiava seu carro importado com todos os opcionais de fábrica. Não bateu, foi somente o susto. Mas sabe como é, o macho adulto branco sempre no comando precisa demarcar o território, mostrar quem manda, fazer xixi nos cantos. E se este exemplar primitivo do gênero masculino sofrer de alguma disfunção erétil ou com algum desfavorecimento de certa peça anatômica ali pela região pélvica, a necessidade de se impor pela força é elevada à enésima potência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem titubear, acelerou fundo, emparelhou e proferiu os piores impropérios, ofendendo com um festival de mesmices de baixo calão não somente ela, mas as mulheres como um todo. Já fragilizada, não segurou a onda quando o instrutor, no final da sessão, ainda a repreendeu de forma veemente demais pela falha. Inacreditável. Surreal. Lamentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, colegas, tentamos animá-la contando nossas agruras no trânsito na tentativa de mostrar o quanto é natural cometer erros, principalmente durante a aprendizagem. Fizemos uma breve pesquisa ali mesmo e 100% dos condutores já tinham se envolvido em algum acidente de trânsito. Ou seja, bater o carro é a regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adriana se acalmou, mas de vez em quando ainda balançava a cabeça negativamente, se repreendendo. Leila, então, puxou uma cadeira, a posicionou bem na frente da que Adriana estava sentada, olhou bem nos olhos, a segurou pelos dois ombros firmemente e falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Amiga, eu já te disse: relaxe! Às vezes não adianta insistir. Tem dias que o carro não quer obedecer. &lt;br /&gt;                                            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                         Este texto foi revisado por Paula Berbert&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-2495223047086870840?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/2495223047086870840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=2495223047086870840' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2495223047086870840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2495223047086870840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2010/08/tchaca-tum.html' title='TCHACA-TUM'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TF9QlXGpt6I/AAAAAAAAAfs/Fk3j5c8I-ls/s72-c/auto-escola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-3175885916202439379</id><published>2010-07-05T21:32:00.000-07:00</published><updated>2010-07-05T21:35:03.684-07:00</updated><title type='text'>FOI TUDO QUE SOBROU PRO FIM</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TDKyG3ovRqI/AAAAAAAAAfM/ywGljngb16s/s1600/filtro.foto.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TDKyG3ovRqI/AAAAAAAAAfM/ywGljngb16s/s200/filtro.foto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490646726801835682" /&gt;&lt;/a&gt;Daniel Castelani concorreu com uma canção no primeiro e único Festival de Música da Escola Teresa de Lisieux, em 1990. Eu fazia o primeiro ano colegial e torci por ele, mesmo sem conhecê-lo pessoalmente, até porque ele era apenas da oitava série do primeiro grau e sequer podia sair da escola no intervalo. Na verdade, dizíamos que os alunos do ginásio tinham recreio e merendavam enquanto nós, os secundaristas, saíamos para o intervalo e lanchávamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel, além de compor, tocou guitarra na apresentação, acompanhado por Diego Rafael Ambrosini no baixo Dolphin amarelo radioativo, Saint Clair, o famoso Kezo, na bateria, e Daniel Azulai nos vocais. Sim, sim, Daniel Azulai. Não, não era o apresentador da Turma do Lambe Lambe cujo jargão era “fiu, fiu, algodão doce pra vocês”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música, um rock basicão em Si bemol com três acordes, tinha a linha de baixo, também criada por Daniel, bem marcante, e letra expressando as angústias de um adolescente que testemunhou o fim da ditadura, a melancólica derrota das Diretas Já, e convivia com os obstáculos de uma sociedade que sofria com a superinflação. Além disso, prematuramente reflexivo, meu futuro amigo e autor de Tudo que Sobrou pro Fim já filosofava sobre a própria existência e tinha mais leitura que muito adulto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas noites me esperam&lt;br /&gt;Quanto tempo sem sabert&lt;br /&gt;Quais são as alternativas&lt;br /&gt;Qual a razão pra não morrer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cabeça a mil por hora&lt;br /&gt;Não me importa eu gosto assim&lt;br /&gt;Quem sabe um dia ela explode&lt;br /&gt;E eu encontre o meu fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo faz parte da história&lt;br /&gt;Tudo faz parte até de mim&lt;br /&gt;Tudo o que representa a glória&lt;br /&gt;Foi tudo que sobrou pro fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi tudo que sobrou pro fim&lt;br /&gt;Foi tudo que sobrou pro fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ter sido derrotado por uma baladinha contra-indicada para diabéticos composta por Beto Neves, na época conhecido pela alcunha de James Bond, e cantada pelo projeto de bibelô Artur, a letra de Daniel Castelani era mais consistente e, afinal de contas, era rock de verdade, porra! Neste show, decidi que queria conhecê-lo, pois também arriscava umas poesias (sofríveis, por sinal) e era raríssimo dois moleques com 15, 16 anos interessados em escrita poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi somente em 1991, quando repeti o primeiro ano colegial, que caímos na mesma turma e nos tornamos amigos. Frequentei muito a casa dele em Itapuã, acompanhei o início do namoro dele com Fran e fui o primeiro amigo a saber que ela, aos 18 anos, engravidara. Estava no hospital fumando clandestinamente com o futuro papai quando ele, abobalhado, soube que Bia recém tinha nascido. Fomos ao berçário juntos e, olhando através do janelão de vidro, fui eu que a vi primeiro e, dando um tapinha nas costas dele, apontei e disse: “Ali é Bia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na nossa sala de aula, havia muita gente talentosa. Gabriel, hoje guitarrista da banda Sua Mãe, de Wagner Moura, e Kezo tocavam bateria; Daniel tocava violão; Max Demian cantava e exagerava fatos como ninguém; Carolina e Claudia Walquíria também cantavam; Cris Oliveira escrevia contos e peças teatrais; e Walter Hufnagel desenhava magnificamente bem, além de ser escoteiro e seduzir todas as meninas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hufnagel morreu tragicamente assassinado pela polícia quando um amigo, menor de idade, pegou o carro do pai pra dar uma volta durante as férias em Cruz das Almas, cidade famosa pela guerra de espadas no São João. Walter estava no banco de trás no momento que o motorista de 16 anos tentou furar uma barreira policial, amedrontado pela ideia de o pai descobrir que o amado filhinho pegava o estimado veículo automotor de quatro rodas sem permissão. Por uma infeliz coincidência, a blitz procurava uns assaltantes em fuga. Resultado: policias militares mal preparados abriram fogo contra o carro e o amigo da turma, eleito por voto direto, foi alvejado duas vezes, falecendo instantaneamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Walter, tenho poucas, mas excelentes lembranças. Uma delas foi a técnica desenvolvida durante o breve romance com uma colega. A garota tinha, segundo ele e como pude comprovar posteriormente, um beijo um pouco violento demais. Pressionava os lábios do parceiro com vigor excessivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você não acha que o beijo dela machuca?&lt;br /&gt;– Acho, mas resolvi isso rapidinho, rapidinho.&lt;br /&gt;– Como?&lt;br /&gt;– Só a beijava fazendo carinho na nuca. Se ela viesse com muita força, agarrava os cabelos e controlava a intensidade.&lt;br /&gt;– Porra, não tinha pensado nisso.&lt;br /&gt;– É a técnica do cabresto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra vez, do lado de fora da escola, eu estava fumando escondido o meu último cigarro e Hufnagel se aproximou perguntando se eu sabia a diferença entre o inteligente e o cowboy. Disse que não. Ele explicou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O inteligente não fuma e o cowboy (tirando o cigarro da minha boca e arrancando o filtro) fuma sem filtro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim, partir meu último cigarro?! Como assim?! Sem filtro é sacanagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheço pessoas que idolatram filtros como se fossem deuses. Há gente que acha que se a água não for filtrada ou ozonizada, tem que ser fervida. Pelamordedeus, frescura pura. Passei minha adolescência bebendo na torneira ao lado do campo que batíamos baba no Candeal. Lavava as mãos sujas de barro com água corrente e, ali mesmo, sem titubear, matava a sede. Concordo que não precisa radicalizar e beber da torneira da garagem todos os dias, mas eventualmente uma torneirinha não mata ninguém. Só a sede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paula Berbert, minha namorada, precisava de um filtro, alguns móveis, equipamentos e coisinhas fofinhas para sua casa nova. Tivemos muita dificuldade em encontrar tanto uma mesa para ser utilizada à guisa de escritório quanto o maldito filtro. Rodamos loucamente um grande shopping na capital baiana sem sucesso. Deixamos a escrivaninha para outro dia e permanecemos em busca do imprescindível: o filtro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menino, que coisa difícil. Pouco antes de retornarmos para casa, já resignados, resolvemos passar, por desencargo de consciência, nas Lojas Americanas. Fui direto a um funcionário para economizar tempo e sola de sapato. O atendimento, mantendo a tradição local, foi de excelência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Boa noite, senhor. Vocês têm filtro?&lt;br /&gt;– Que tipo de filtro?&lt;br /&gt;– De água.&lt;br /&gt;– Meu filho, há muitos tipos de filtro. Filtro embutido, de armário, de pia, de barro, com água gelada... Preciso saber exatamente qual você quer.&lt;br /&gt;– Que tipo de filtro o senhor tem?&lt;br /&gt;– No momento, nenhum!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                          Revisado por Paula Berbert.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-3175885916202439379?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/3175885916202439379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=3175885916202439379' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3175885916202439379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3175885916202439379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2010/07/foi-tudo-que-sobrou-pro-fim.html' title='FOI TUDO QUE SOBROU PRO FIM'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TDKyG3ovRqI/AAAAAAAAAfM/ywGljngb16s/s72-c/filtro.foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-6596144326161096120</id><published>2010-06-11T15:31:00.000-07:00</published><updated>2010-06-11T18:28:18.963-07:00</updated><title type='text'>FRAQUES E BLUSÕES</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TBK5hlG15cI/AAAAAAAAAfE/BwdfLPKWm4U/s1600/cal%C3%A7ola.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 161px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TBK5hlG15cI/AAAAAAAAAfE/BwdfLPKWm4U/s200/cal%C3%A7ola.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5481647683010946498" /&gt;&lt;/a&gt;Quando li Cartas a Um Jovem Poeta, publicação póstuma de Reiner Maria Hilke, aconselhado por minha Vó Ilka, desvelei a literatura. Sequer tinha alcançado a maioridade quando, diretamente influenciado por este autor nascido em Praga durante o Império Austro-Húngaro e que sempre viveu às custas de amigas, compreendi que inexistem temas nobres. A literalidade está na forma e não no conteúdo. Podemos falar de amor, Deus ou dos travesseiros espalhados na cama poeticamente. E não é, de maneira alguma, o tópico que garante beleza. Na realidade, a beleza está na imagem criada pelo leitor ao finalizar a obra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dorival Caymmi, por exemplo, nos ensinou a fazer um dos mais deliciosos quitutes baianos em um de seus sucessos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quiser vatapá, ô&lt;br /&gt;Que procure fazer&lt;br /&gt;Primeiro o fubá&lt;br /&gt;Depois o dendê&lt;br /&gt;Procure uma nêga baiana, ô&lt;br /&gt;Que saiba mexer&lt;br /&gt;Que saiba mexer&lt;br /&gt;Que saiba mexer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bota castanha de caju&lt;br /&gt;Um bocadinho mais&lt;br /&gt;Pimenta malagueta&lt;br /&gt;Um bocadinho mais&lt;br /&gt;Amendoim, camarão, rala um coco&lt;br /&gt;Na hora de machucar&lt;br /&gt;Sal com gengibre e cebola, iaiá&lt;br /&gt;Na hora de temperar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não para de mexer, ô&lt;br /&gt;Que é pra não embolar&lt;br /&gt;Panela no fogo&lt;br /&gt;Não deixa queimar&lt;br /&gt;Com qualquer dez mil réis e uma nêga ô&lt;br /&gt;Se faz um vatapá&lt;br /&gt;Se faz um vatapá&lt;br /&gt;Que bom vatapá&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=GAHwsogPcos"&gt;&lt;br /&gt;A versão de Gal Costa de 1975 é magnífica.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três anos depois do lançamento do álbum Gal Canta Caymmi, Chico Buarque, em álbum homônimo, seguiu os passos de Dorival e gravou Feijoada Completa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher, você vai gostar&lt;br /&gt;to levando uns amigos para conversar&lt;br /&gt;eles vão com uma fome que nem me contem&lt;br /&gt;eles vão com uma sede de anteontem&lt;br /&gt;salta cerveja estupidamente gelada para um batalhão&lt;br /&gt;e vamos botar água no feijão.&lt;br /&gt;Mulher, não vá se afobar&lt;br /&gt;não tem que pôr a mesa e nem dar lugar&lt;br /&gt;ponha os pratos no chão e o chão ta posto &lt;br /&gt;e prepare as lingüiças pro tira-gosto&lt;br /&gt;Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão&lt;br /&gt;e vamos botar água no feijão&lt;br /&gt;Mulher você vai fritar&lt;br /&gt;um montão de torresmo pra acompanhar &lt;br /&gt;arroz branco, farofa e a malagueta&lt;br /&gt;a laranja-bahia ou da seleta&lt;br /&gt;joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão&lt;br /&gt;e vamos botar água no feijão&lt;br /&gt;Mulher, depois de salgar&lt;br /&gt;faça um bom refogado que é pra engrossar&lt;br /&gt;aproveite a gordura da frigideira&lt;br /&gt;pra melhor temperar a couve mineira&lt;br /&gt;diz que ta dura, pendura, a fatura no nosso irmão&lt;br /&gt;e vamos botar água no feijão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Caymmi optou por um prato bem regional, Buarque lançou mão da, talvez, mais popular receita brasileira que, por sinal, estou convencido, se trata da comida mais antissocial do mundo mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem festa que perdure após a feijoada ser servida. Aos poucos os convidados conversam menos, ficam meio prostrados... quase catatônicos. É que após a ingestão de tanta gordura, nosso organismo tende a produzir e secretar sais biliares, que por sua vez estimulam o aumento de secreção pancreática de bicarbonato levando, à conhecida "maré-alcalina" pós prandial que leva, inclusive, à sensação de sono e cansaço. Ou seja, bate a lombra, a maresia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, não perco uma feijoada por nada. Tem uma maravilhosa no Aconchego da Zuzu, um restaurante cuja dona, D. Zuzu. já rompeu a barreira dos 100. O restaurante, uma casa residencial adaptada, fica ali no fim de linha do Garcia, um bairro pequeno que desemboca no tradicional Campo Grande, lar do majestoso Teatro Castro Alves. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não exatamente vizinho do Aconchego da Zuzu, mas ainda no mesmo bairro, está um dos colégios mais tradicionais de Salvador: Antônio Vieira. Por trás dele, indo até o Vale dos Barris, passa uma rua chamada Ladeira da Curva Grande. Segundo minha outra vó, a Diva, mulheres da Curva Grande não podem casar com homens do (bairro) Pau Miúdo. Como assim, Vó Diva?! Como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos meus 19 anos de idade, frequentava o Garcia pelo menos uma vez a cada 30 dias. Ia religiosamente ao Centro de Testagem e Aconselhamento COAS, onde me cadastrara, para pegar, gratuitamente, a minha cota mensal de preservativos. Por sinal,  tempos de vacas gordas. Não posso precisar a quantidade exata, mas, mesmo que tivesse uma vida sexual hiper ativa seria impossível usar tanta camisinha. Se sexo fosse uma modalidade olímpica, talvez, um atleta de alta performance, futuro medalhista, se preparando para os Jogos, fosse capaz de dar conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não desperdiçar e, ao mesmo tempo, promover um serviço de utilidade pública, distribuía preservativos para alguns porteiros aqui do Candeal. Um deles, Assis, era um cara tosco. Não era mais rude por falta de espaço. E olhe que tinha mais de 1,80m e pesava, pelo menos, uns 90kg. Apesar da grosseria latente, Assis era extremante cuidadoso, além de ser, baseado na quantidade de camisinha que eu lhe fornecia, uma máquina. Sempre, sempre mesmo, tinha “uma mulé, uma figura aê, uma coisinha”... que, segundo ele, eram sortidas pois, afinal de contas, figura repetida não completa álbum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das vezes que cheguei de madrugada em casa, o bom e velho Assis me interpelou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Colé, Lubisco. Na paz?&lt;br /&gt;- E aí, Assis. Tudo beleza?&lt;br /&gt;- Man, na moral, me arranje uns fraque aí.&lt;br /&gt;- ????&lt;br /&gt;- Brusão.&lt;br /&gt;- Ah, claro. Quantas você precisa?&lt;br /&gt;- Muitas. A situação tá compricada.&lt;br /&gt;- Oxe, por quê?&lt;br /&gt;- A mulé, man, a mulé.&lt;br /&gt;- Entendi. Namorada nova?&lt;br /&gt;- Porra de namorada. Tô furando uma nêga aê.&lt;br /&gt;- Você o quê?&lt;br /&gt;- Tô torando carçola no dente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                            Texto revisado por Nídia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-6596144326161096120?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/6596144326161096120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=6596144326161096120' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/6596144326161096120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/6596144326161096120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2010/06/fraques-e-blusoes.html' title='FRAQUES E BLUSÕES'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/TBK5hlG15cI/AAAAAAAAAfE/BwdfLPKWm4U/s72-c/cal%C3%A7ola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-6762664865311428575</id><published>2010-04-15T19:01:00.000-07:00</published><updated>2010-04-15T19:04:15.972-07:00</updated><title type='text'>PÉ DE PLANTA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/S8fFDeFNw7I/AAAAAAAAAdk/GLlvXg38LvE/s1600/erva+brotando.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/S8fFDeFNw7I/AAAAAAAAAdk/GLlvXg38LvE/s200/erva+brotando.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5460549736615232434" /&gt;&lt;/a&gt;Já viajei muito, mas menos do que gostaria. Em junho de 2000 passei um mês em Copenhague. Fui o monitor de oito adolescentes que faziam parte de um projeto de intercâmbio cultural organizado pelo CISV (Children International Summer Village). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá, fiquei hospedado no apartamento da monitora, Laila. Qualquer lata de sardinha era mais espaçosa que aquele meio cubículo. O banheiro, de tão estreito, me impedia abrir os braços lateralmente. Na cozinha, só uma pessoa por vez. E para piorar, nesse apertamento, habitava o maior felino do mundo: Rufus. Nada contra gatos. Até acho os bichanos bonitinhos. Mas é que sou alérgico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três dias após a minha chegada à cidade internacionalmente conhecida por sua excelente qualidade de vida, descobri que o felino obeso odiava a fumaça do meu cigarro. Foi a minha salvação. Bastava aquela bola de pelos quadrúpede chegar perto, que eu, aguardando um vacilo de Laila, dava um profundo trago e despejava o resíduo tóxico bem na fuça do bicho. Ainda recordo, surpreso, a agilidade com que o troço fugia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custou-me duas semanas e meia a adaptação aos dias longuérrimos. Às 23h ainda estava claro e às 4h30m já estava claro. Coisas do verão escandinavo, assim como as chuvas passageiras em pontos isolados. Curiosamente, tais pontos me perseguiam todo santo dia. Não houve intervalo maior de 24 horas que eu não tenha sofrido com precipitações atmosféricas fugazes. Humpf! E eles chamavam aquilo de verão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto impressionante é a quantidade de bicicletas. Surreal! As crianças dinamarquesas devem aprender a pedalar mais cedo do que dão os primeiros passos. 36% de toda a população da capital utilizam esta invenção européia do século XIX para ir para e voltar do trabalho. Todas as vias públicas principais têm faixas exclusivas para ciclistas que, incrivelmente, são respeitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte à minha chegada, Laila me convidou para a festa de celebração do dia mais longo do verão, em um parque na beira de um braço de rio. Haveria shows musicais de artistas dinamarqueses importantes e outros nem tanto. Aceitei prontamente, apesar do cansaço absurdo da interminável jornada Salvador/Frankfurt, Frankfurt/Copenhague e de uma noite mal dormida graças ao maldito amanhecer precoce. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe andar de bicicleta?&lt;br /&gt;- Claro. Até participei de provas de BMX na adolescência.&lt;br /&gt;- Ótimo. Mas... continua pedalando? Tem este costume?&lt;br /&gt;- Olha, não é um hábito, nem tenho bicicleta, mas pode ficar tranquila, não vou cair.&lt;br /&gt;- Não é isso. É que antes temos que passar na casa de meus melhores amigos, Lars e Tina.&lt;br /&gt;- E é longe?&lt;br /&gt;- Longe não é, mas também não é pertinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sr. Jensen, pai de minha anfitriã, cujo jardim plantado e mantido exclusivamente por ele - apesar da dificuldade de locomoção proveniente de dois pinos nos joelhos e da idade já avançada – deveria ser incluído entre as oito maravilhas do mundo, me emprestou uma bicicleta.  Era daquelas antigas com uma marcha só, guidão em forma de chifre de touro apontando na direção do ciclista, cestinha metálica na frente e freio contrapedal. Uma beleza só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partimos. No início, lado a lado, conversando, falando sobre o clima, as diferenças entre Brasil e Dinamarca e outras amenidades. O diálogo tornou-se impossível passados alguns minutos, pois eu, àquela altura, já ficara 5 ou 6 metros para trás. Quase perguntei, diversas vezes: “Falta muito, Papai Smurf?”. Não me entreguei, contudo, e segui calado na minha via crucis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre passar na casa dos amigos e chegar ao bendito festival de festejo do solstício de verão foram quase 30 km. Como assim, “longe não é”!? Como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lugar era belíssimo e estava apinhado de pessoas das mais diversas idades. Aparentemente, todos haviam chegado de bike. Deixamos as nossas no estacionamento, sem precisar acorrentá-las nem nada. “Igualzinho ao Festival de Verão em Salvador”, pensei. Ainda andamos um bocadinho. O suficiente para recuperar o meu fôlego em meio a pensamentos desesperados, antecipando o retorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tina e Lars se mostraram um casal dos mais divertidos. Um senso de humor sutil, cheio de ironia e pronto para ridicularizar tanto um amigo como a si mesmos. Me identifiquei tanto com os dois que até hoje, 10 anos depois, mantemos contato regularmente via email. Há uma promessa de eles passarem férias aqui com os dois filhos, não nascidos naquela época. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em inglês impecável, me explicaram que o ponto alto da festa era enviar uma balsa improvisada com uma bruxa em chamas para a Suécia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas por que mandar uma bruxa pra Suécia?&lt;br /&gt;- Ora, porque lá tá cheio de suecos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os suecos, entendi assim, são os argentinos dos brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de sete atrações menores que só tocavam covers de bandas internacionais, entre elas Roxete, Eurythmics e ABBA, começou a atração principal: Tim Christensen. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do fim de sua banda Mizz Dizz Lizzy, em 1998, Tim Christensen que além de cantor e compositor toca guitarra, baixo, Mellotron, gaita, bateria e piano, deu início a uma bem sucedida carreira solo. Aquele show era, também, o lançamento do seu primeiro álbum, Secrets On Parade, cuja quarta faixa, Love Is A Matter Of..., se tornou um hit em todo o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei as quase duas horas de show hipnotizado. Não conseguia falar. Apenas respondia monossilabicamente aos meus mais novos amigos. Os 30 km até em casa foram em silêncio, tentando processar aquele bombardeio de sensações provocado pelas músicas. Nos dias seguintes ao show fui a não sei quantas lojas de CD, mas recebi, invariavelmente, a mesma resposta: tem, mas acabou.  Acabei desistindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No aeroporto, pouco antes de embarcar para Paris, onde passaria uma semana antes de retornar a Salvador, Tina, Lars e Laila me presentearam com o álbum. Disse adeus chorando pela saudade que já sentia, pela felicidade de ter feito amigos e pelo CD, finalmente meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2007, outro álbum me causou efeito semelhante. Bogary, o quarto álbum da banda baiana Cascadura. Produzido pelo, talvez melhor produtor de rock no Brasil, andré t., todas as faixas me emocionaram profundamente. Amor a primeira ouvida. Cheguei ao ponto de, assim que acabei minha primeira audição, ligar para o bandleader, compositor e cantor da banda, Fábio Cascadura:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô&lt;br /&gt;- Fábio, aqui é Lubisco, como vai?&lt;br /&gt;- Fala Lubisco. Tudo beleza. E você?&lt;br /&gt;- Man, tô ligando justamente porque tô ótimo e você tem uma influência direta nisso.&lt;br /&gt;- Oxe.&lt;br /&gt;- Acabei de ouvir o Bogary e mudou minha vida. Acho que é o melhor disco de rock feito neste país desde a década de 80.&lt;br /&gt;- Porra, massa que você gostou. Legal mesmo.&lt;br /&gt;- Não sei por que exatamente, acho que foi a textura, as gravações do Bogary me remeteram a um dinamarquês chamado Tim Christensen. Você conhece?&lt;br /&gt;- Rapaz, não.&lt;br /&gt;- Beleza, vou gravar um CD e te entrego no Balcão Botequim este sábado. Cê vai tocar lá né?&lt;br /&gt;- Isso.&lt;br /&gt;- Falou, man. Até sábado.&lt;br /&gt;- Até&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aproximadamente 4 meses depois do meu presente para Fabão, encontrei, por acaso, em um show do Cascadura, andré t. quem eu só conhecia de “oi, como vai?”. Para minha surpresa veio comentar sobre Secrets On Parade. Disse que era um dos melhores discos dos últimos tempos e que, quando uma banda novata ia gravar com ele, entregando o CD, dizia:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Leve isso para casa, ouça bastante. É seu dever de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Putaquepariu! Até andré t. tinha gostado. Não somente isso. Usava A Minha Descoberta para ensinar os novos pupilos. Eu estava, praticamente, influenciando a nova geração do rock baiano via andré. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi em um aniversário dele que conheci Ruth, mãe de Duda e sua sogra. Conversamos longamente e ela me deu uma aula de paisagismo, profissão que abraçara há alguns anos. Perguntei se aquela coisa de “fulano tem mão-verde” era verdade mesmo. Sem titubear, afirmou categoricamente que sim. Que um jardineiro ou paisagista sem uma boa mão para planta está falido. Que além do conhecimento técnico e da experiência prática, há este elemento intangível que faz, no final das contas, toda a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas levam a relação com as plantas a um outro patamar. Januário, por exemplo, o porteiro do condomínio Pedras da Colina, ao lado do Edifício Pedra Azul, onde morei durante toda minha adolescência, contava uma história ocorrida na sua cidade natal, uma longínqua localidade no sertão da Bahia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Januário, homem simples e de crenças sobrenaturais, tinha vocabulário e sotaque muito peculiares. Quando queria estabelecer um tom mais solene e, assim, ganhar credibilidade, começava suas frases com um recurso vocabular genial: somente que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Somente que no meu sertão tinha um cabra que virava pé-de-pranta.&lt;br /&gt;- É mesmo, Januário? E o que ele fazia?&lt;br /&gt;- Oxe, nada. Já viu pé-de-pranta fazer alguma coisa?&lt;br /&gt;                      &lt;br /&gt;                             &lt;br /&gt;                                            Este texto doi revisado por Nídia Lubisco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-6762664865311428575?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/6762664865311428575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=6762664865311428575' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/6762664865311428575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/6762664865311428575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2010/04/pe-de-planta.html' title='PÉ DE PLANTA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/S8fFDeFNw7I/AAAAAAAAAdk/GLlvXg38LvE/s72-c/erva+brotando.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-2118957326862570661</id><published>2010-03-05T06:44:00.000-08:00</published><updated>2010-03-05T06:51:01.028-08:00</updated><title type='text'>PACIENTE</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/S5EYzkizXWI/AAAAAAAAAdc/a4qbqgk9Wbo/s1600-h/latex+gloves+3.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 177px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/S5EYzkizXWI/AAAAAAAAAdc/a4qbqgk9Wbo/s200/latex+gloves+3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445160698729684322" /&gt;&lt;/a&gt;O Vale do Capão é um vilarejo da cidade de Palmeiras, a 439 quilômetros da capital baiana, no Parque Nacional da Chapada Diamantina, onde nascem quase todos os rios das bacias do Paraguaçu, do Jacuípe e do Rio de Contas. Esta região cheia de deslumbrantes quedas d’água como a Cachoeira da Fumaça, que com seus 380 metros de altura figura entre as cinco maiores do mundo em queda livre, é o destino preferencial de uma geração de cansados-da-loucura-urbana. Estes órfãos de Woodstock 69, na década de 1990, resolveram abandonar o luxo de suas casas e a conveniência de locais públicos com ar condicionado e escada rolante para buscar os seus eus, entrar em contato com a natureza e, principalmente, romper com os padrões opressores de uma sociedade que tolhe as relações humanas sem posse e apego. Conheço um punhado de pessoas que afirmam necessitar uma visita ao Capão, pelo menos, uma vez por ano para recarregar as baterias. PELAMORDEDEUS! Quer recarregar, meta o dedo na tomada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta, uma colega da Escola Teresa de Lisieux, no nosso último ano de estudo secundarista, começou ensaiar umas histórias estranhas, reclamando da piração da cidade, evocando um espírito bucólico, além de expandir as barreiras da consciência através do uso frequente de THC. Resultado: poucos anos depois, abandonou o curso de Letras na UFBA e se mudou para a Meca dos hippongas que compram saias indianas e batas em lojas de shopping centers, depilam as axilas e comem McDonald’s. Lá, conheceu a outra metade da laranja, construíram uma casa no meio do mato e Beta engravidou. A futura avó materna e o futuro avô paterno, preocupados com o nome que o futuro neto poderia receber, resolveram visitar os filhos e tentar persuadi-los de batizar a cria com um daqueles nomes exotéricos, tipo Flor, Brisa, Sereno, Íris, Sol... Chegaram, entretanto, tarde. De Raio, foi chamado o rebento. Bem que podia ter sido pior, algo como Coentro, Lótus ou mesmo, sei lá, Crepúsculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa feita, estava na casa de Cris, minha amiga-irmã, quando tocou a campainha e Madonna, a cadela de Cris (mensagens ambíguas são um perigo), uma pinche neurastênica, começou a latir e uivar freneticamente. Eram, para nossa surpresa, chegados direto das profundezas das trilhas ecológicas na Chapada, sem aviso prévio, Beta e Raio, então com aproximadamente quatro anos de idade. O moleque, apesar da aparência suja e do cheiro de terra, era bonitinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com pouquíssimo tempo de convivência, percebemos que o nome da criança era apropriadíssimo. Enquanto tentávamos colocar a conversa de tantos anos separados em dia, Raio insistia em atormentar Madonna. Vendo aquilo, Cris, zelosa que é, advertiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Beta, essa cachorra é louca. Vai acabar mordendo ele...&lt;br /&gt;– Pô, Cris, nada a ver. Deixe a criança interagir com o animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interagiu tão bem que foi preciso, após alguns intermináveis minutos de berreiro desenfreado, uma boa lavada com sabonete e enxágue com água oxigenada, estancar o sangramento na mão com gaze e esparadrapo. Já com Raio, finalmente, cochilando no colo da mãe, descobrimos o verdadeiro motivo da ida de Beta à cidade: ver um dermatologista, pois há quase duas semanas não parava de se coçar. Era sarna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beta tomou seu rumo, nós, então, corremos até a farmácia, compramos Escabin e seguimos para uma loja de material de limpeza industrial, onde compramos um desinfetante com bactericida. Voltamos para casa, lavamos todos os cantos do apartamento e fomos tomar banho... Ela na suíte e eu, no banheiro de visitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impressionante como certas pessoas resistem em ir ao médico ainda que tenham sintomas persistentes. Vi um documentário sobre uma mulher que tinha um tumor com mais de 80 quilos. Durante a cirurgia de altíssimo risco, a paciente teve de receber seis vezes o volume de sangue do corpo. Imagine o trabalho da equipe de anestesistas para mantê-la estável com tanto sangue sendo perdido e reposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai de um grande amigo, mesmo sendo cardiologista, vinha sentido dores no peito há mais de uma semana. Apenas quando teve angina dormindo, resolveu procurar ajuda. Ao acordar, sem falar nada, ainda levou a esposa ao aeroporto antes de ver um colega que o internou imediatamente para ser submetido a uma cirurgia de implantação de ponte de safena. No final das contas, deu tudo certo. De vez em quando, o encontro andando ao redor da mesma praça em que corro diariamente na minha luta contra uns quilos a mais que não me deixam de jeito nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só após muita pressão dos três filhos, Rapahel, meu pai, aos 60 anos, foi fazer o seu primeiro exame de próstata. E ele, além de ser um cara muito bem informado, antes de se aposentar pela UFBA, ensinou diversas matérias, tais como fisiologia e anatomia, no Instituto de Ciências da Saúde. Dizem que os piores pacientes são os médicos. Acho que são as pessoas ligadas à área de saúde em geral. Ouvi meu digníssimo progenitor dizer, toda vez que insistíamos para fazer um exame ou marcar uma consulta médica, que preferia morrer ignorante. Tanta resistência por causa de uma dedadazinha inocente, sem maldade alguma, meramente técnica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, após muita relutância, marcou e, escoltado, foi para a bendita consulta. Chegando lá, ao ser atendido, descobriu que fora contemporâneo do médico na época de escola. Ambos cursaram o Colégio Central, prestigiada instituição de ensino de Salvador antes do sucateamento da educação pública iniciado com o golpe de 1964. Conversa vai, conversa vem, o doutor, aproveitando que o paciente de primeira viagem estava bem descontraído, introduziu como seria o exame:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– ... e apesar de não ser doloroso, o senhor deve sentir um leve desconforto.&lt;br /&gt;– Tomara que seja muito desconfortável, que incomode muito mesmo.&lt;br /&gt;– Como assim? Por que isso?&lt;br /&gt;– Já pensou se a esta altura do campeonato, sexagenário que sou, recebo uma dedada e descubro que gosto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          Esta crônica foi revisada por Paula Berbert&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-2118957326862570661?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/2118957326862570661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=2118957326862570661' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2118957326862570661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2118957326862570661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2010/03/paciente.html' title='PACIENTE'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/S5EYzkizXWI/AAAAAAAAAdc/a4qbqgk9Wbo/s72-c/latex+gloves+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-3226234456594962002</id><published>2010-01-04T07:58:00.001-08:00</published><updated>2010-01-04T08:05:48.985-08:00</updated><title type='text'>MATA  15</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/S0IQQLOw95I/AAAAAAAAAdQ/cH7GdJyP58o/s1600-h/Sonho%2Bde%2BValsa.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 131px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/S0IQQLOw95I/AAAAAAAAAdQ/cH7GdJyP58o/s200/Sonho%2Bde%2BValsa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422914771386169234" /&gt;&lt;/a&gt;Sempre gostei de praticar esporte. Não pela competição em si, mas pelo jogo, pela resenha no final e, principalmente, pela autogestão necessária para o funcionamento de um time. Por isso, provavelmente, só me envolvi em esportes coletivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até tentei tênis, mas não tinha talento nem suportava a solidão que reinava do meu lado da quadra. A solitude poderia até ser superada, mas a minha descoordenação motora... pouco provável. O esforço para rebater aquela maldita bolinha amarela saltitante pro outro lado usando uma raquete era o mesmo necessário para inserir uma linha no olho da agulha com luvas de boxe calçadas: sofrido e, acima de tudo, ridículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui ser um bom jogador em todos os esportes nos quais me dispus a jogar na época de escola. Nunca fui o melhor, mas jamais o último a ser escolhido. Longe disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1989, ainda na oitava série, fui o levantador da equipe de vôlei que terminou o campeonato da Escola Teresa de Lisieux em primeiro lugar, derrotando o temido 3° ano A, que, coincidentemente, era a base da seleção. Diante do Ginásio Poliesportivo lotado, cravamos 3X1, de virada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1991, repetindo o 1° ano colegial, fui bicampeão no esporte em que Bernard, Montanaro, Xandó e Renan conseguiram a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (1986) defendendo o time da turma C: The Sweet Dicks. O melhor de tudo foi, na cerimônia de premiação, Armentano, o professor de Educação Física, chamando-nos para receber as medalhas de ouro no palco, diante de todos os outros professores, inclusive Celina, de Inglês:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O departamento de Educação Física gostaria de chamar ao palco para receber as medalhas de ouro do torneio interno de voleibol de 1991: The Sweet Dicks!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, fui o goleiro revelação do campeonato de futebol de salão. Meu time, cujo nome não recordo, foi derrotado nas semifinais justamente pelo time do cara que recebeu o troféu de melhor goleiro, Miguel Ângelo. E, cá entre nós, ele que não me leia: muito merecido o prêmio. Não passava nada. De longe, de perto, com efeito, canhão, colocadinha no canto, nada fazia efeito. O atacante driblava todo mundo e metia a bicuda. Miguel, ágil como um felino: zás! Defendia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu último ano de escola foi marcado por ter participado do meu primeiro campeonato de randebol. Aprendi a jogar de pivô na marra. Confesso que filar incontáveis aulas para treinar com mais alguns colegas engajados no desenvolvimento do esporte nacional ajudou muito a minha adaptação. Nós, os Condutores de Cadáveres, conquistamos a prata, perdendo na final para o time da oitava série. Oh, não, meu Deus! Haveria uma maldição contra times do 3°ano disputando finais contra pirralhos? Como assim, Senhor, como assim?! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, foi justamente em 1993 que comecei a praticar, de maneira empírica, basquete. Não cheguei a participar de torneios nem, tampouco, treinar sistematicamente. Mas ainda hoje consigo conduzir bem a bola (com a mão direita) e arremessar com estilo... mesmo sem acertar a cesta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, este não tinha sido o meu primeiro contato com o esporte estadunidense. Há muito, muito tempo, mesmo antes de Luis Caldas lançar Magia, seu primeiro álbum, assisti no Balbininho a um amistoso entre a seleção feminina do Brasil contra a Venezuela. No final, ainda peguei autógrafos de Hortência, Paula e Marta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabado o estudo secundarista, só me reaproximei do basquete em função de um incidente num vôo Paris/Salvador em 2000. Eu voltava de uma viagem como responsável de um grupo formado por oito adolescentes soteropolitanos que participavam de um programa de intercâmbio cultural em Copenhagen. Foram trinta dias na capital da Dinamarca e mais cinco na francesa, estes a título de turismo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no avião, tanto eu quanto meus oito filhotes, Kitu, Cauê, Felipe, Thiago, Larissa, Raquel, Juliana e Patrícia, ficamos impressionados com uma penca de mulheres altíssimas – no mínimo 1,90 m – passando pelo corredor e se acomodando ali, perto de nós. Eram as francesas convocadas para um amistoso contra a nossa seleção em Natal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei sensibilizado com aquelas gigantas se espremendo em poltronas em que eu, com meus meros 180 cm de altura, mal conseguia encontrar uma posição confortável. Mas fazer o quê? Abstraí e caí no sono. Afinal 35 dias de teen-sitter mata qualquer um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após duas horas de vôo, fui acordado por uma de minhas meninas enxugando as lágrimas. Ainda meio atordoado, perguntei o que ocorrera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Quando inclinei o encosto pra dormir, a mulher atrás de mim começou a gritar em francês, acho, e empurrar minha poltrona até eu botar na posição original.&lt;br /&gt;– Oxe, mas por que isso?&lt;br /&gt;– Ela é uma daquelas grandonas. Acho que apertei, sem querer, as pernas dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, massa, entendo que ela pode até ter se machucado e, de coração, me solidarizo. Entretanto, gritar com um dos meus pequenos... como assim, tia francesa?! Como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esfreguei os olhos, fui até o fundo da aeronave, expliquei à comissária de bordo o ocorrido e pedi que ela me acompanhasse para traduzir simultaneamente o que eu gostaria de dizer. Mesmo titubeante, Alice me seguiu. Educadamente, toquei o ombro da jogadora para que ela olhasse pra mim e falei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Boa noite. Meu nome é Lubisco e eu sou o responsável pela adolescente sentada logo à sua frente. Gostaria de lamentar a falta de dinheiro da sua confederação para comprar primeira classe, que é bem mais confortável para pessoas da sua altura. Então, Juliana vai baixar o encosto dela como a senhora está fazendo. Caso ela me acorde chorando novamente, voltarei aqui sem auxílio de comissária para traduzir e garanto que não serei tão cordial.&lt;br /&gt;- ... P-p-pardon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos em terra firme sem maiores problemas. O máximo foi ter que sentar ao lado de uma outra das minhas pequeninas na hora do pouso porque tinha medo de avião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçadas as fobias que o povo tem por aí. Paula Berbert, minha digníssima namorada, uma das pessoas mais inteligentes que conheço, se apavora com a possibilidade, mesmo fantasiosa, de cruzar o caminho de um daqueles insetos de coloração castanha, que pode viver por até três dias sem água e dois meses sem comida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que eu pondere que, mesmo sendo um bicho nojento, não há razão para se sentir ameaçada, pois, além de ser trocentas vezes menor que um ser humano e bastar uma pisadela pra dar fim àquela infecta existência, Paula insiste em argumentar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Veja bem, sabe por que não tenho medo de aranha?&lt;br /&gt;– Oxe, não.&lt;br /&gt;– Porque ela fica ali na dela, sem perturbar ninguém, na paz. Mas barata? Aquela criatura nojenta fica na espreita, só esperando, esperando. Daí quando eu passo, ela acena com as anteninhas e parte pra cima de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ainda cursava letras na UFBA, tinha um colega que, entre o intervalo de dez minutos entre a aula de Latim e a de Filologia Românica, invariavelmente tomava um cafezinho na cantina comigo e outros colegas. Nunca, entretanto, chegava à segunda aula no horário pois tinha medo de ser pego pela brisa que soprava no corredor. Esperava alguns minutos até, segundo ele, o corpo esfriar e não correr o risco dos órgãos estoporarem. Como assim, medo de brisa? Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há pessoas que de fato têm medo da invenção de Santos Dummont, mesmo sendo comprovadamente o meio de transporte mais seguro do mundo mundial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarina, amiga minha, bacharel em cinema, filha de D. Nádia, é uma delas. Certa feita, numa escala em Recife, só não desceu porque o piloto interveio e, com uma paciência de Jô, a convenceu a viajar o último trecho na cabine. Bons tempos aqueles antes do fatídico 11/9.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Caty não está sozinha. Há uma legião que prefere encarar dias de estradas em péssimas condições a desbravar o azul dos céus. Uns com certa razão, outros sem nenhuma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Delmiro era um próspero fazendeiro na região de Paulo Afonso, município baiano a 445 km da capital, com uma população pouco superior a 100 mil habitantes. Já na terceira idade, resolveu, por pressão dos filhos e netos, mudar para Salvador e ficar mais próximo dos familiares, além de, em caso de emergência, ter acesso a hospitais mais bem equipados e médicos, teoricamente, mais qualificados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, sendo um homem do campo, não conseguia passar muito tempo sem o cheiro de curral ou o leite recém-ordenhado ali mesmo in loco, assim como não suportava o trânsito infernal nem a violência urbana da Soterópolis. Por isso, frequentemente enfrentava a malha viária em condições horrendas para desfrutar do ar puro, do silêncio e tantas outras benesses somente encontradas na nossa querência. Afinal, como sabiamente disse Mário Quintana: “A gente sempre mora na casa em que nasceu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A árdua viagem, entretanto, tornou-se um obstáculo quase intransponível. Seu Delmiro já estava quase aceitando a impossibilidade de enfrentar as sete horas de viagem e somente matar as saudades da amada Paulo Afonso por fotos. Foi quando uma empresa local de aviação reavivou a rota para a terra do complexo hidrelétrico capaz de gerar 4.270,6 megawatts de energia. Comemoração na família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Delmiro, que jamais voara, ficou meio desconfiado da idéia de entrar num avião. Logo ele, um senhor cuja maior distância entre seus pés – bem calçados com botas de couro – e o solo era quando estava montando um de seus tantos cavalos. Como assim voar?! Como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coube ao filho mais velho, um bem-sucedido homem de negócios que tinha mais horas de vôo do que muito piloto novato, acalmar o patriarca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegado o dia da viagem, Seu Delmiro engoliu o medo e, cabra-macho que era, enfrentou o bicho sem reclamar. Mesmo tremendo por dentro mais que vara verde, entrou pisando firme no bimotor com capacidade para três tripulantes (piloto, copiloto e comissária de bordo) e doze passageiros, carinhosamente conhecido pelo singelo apelido de Mata 15. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com poucos minutos após a decolagem, a sorridente comissária, se espremendo pelo corredor, ofereceu a todos água mineral com ou sem gás, refrigerante e dois bombons tipo Sonho de Valsa. Era tudo muito simples, mas super caprichado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esta altura, depois de deleitar-se com o chocolate, Seu Delmiro já estava tão relaxado a ponto de conversar efusivamente com os outros passageiros, arrancando-lhes sonoras gargalhadas com seus causos de sertanejo. Porém, assim como as estradas, o céu parecia esburacado. Repentinamente entraram numa zona de turbulência tão violenta que um dos sacolejos arremessou o chapéu de Seu Delmiro no colo do rapaz sentado na poltrona ao seu lado. Oxe, o homem valente feito touro virou bezerro berrando quando é afastado da mãe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ai, meu Deus! Ai, meu Pai. Esse troço vai cair. Não quero morrer agora. Ainda tenho que ver meu neto mais novo se formar! Ele vai ser veterinário pra cuidar do meu gado! Ai, meu Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo que os esforços dos vizinhos de poltrona eram em vão, a comissária resolveu ajudar. Cambaleou até o cabra-macho, agachou-se bem ao lado da poltrona, passou a mão nos cabelos suados dele e, com uma voz quase materna, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Calma, Senhor. Eu prometo que vamos chegar lá sem problema algum. Essa turbulência é normal.&lt;br /&gt;– ...&lt;br /&gt;– O senhor não quer um Sonho de Valsa?&lt;br /&gt;– Sonho de Valsa é o caralho, minha filha! Eu quero é chão!&lt;br /&gt;                                              &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                 Revisado por Paula Berbert (&lt;a href="http://www.marcatexto.com.br"&gt;www.marcatexto.com.br&lt;/a&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-3226234456594962002?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/3226234456594962002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=3226234456594962002' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3226234456594962002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3226234456594962002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2010/01/mata-15.html' title='MATA  15'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/S0IQQLOw95I/AAAAAAAAAdQ/cH7GdJyP58o/s72-c/Sonho%2Bde%2BValsa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-3883780028792454035</id><published>2009-11-12T16:33:00.000-08:00</published><updated>2009-11-14T15:42:13.729-08:00</updated><title type='text'>O COELHINHO DE DARWING</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sv9ASXRKgoI/AAAAAAAAAb4/zgi-wi-4oUo/s1600-h/ovopascoa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 152px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sv9ASXRKgoI/AAAAAAAAAb4/zgi-wi-4oUo/s200/ovopascoa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404108762095714946" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Fazer aniversário em junho é uma merda. Nasci em 1974. Ainda hoje, quando afirmo ter começado a estudar inglês em 1996 aos 21 anos, sou corrigido: “Aos 22!”. A questão, meu caro, pensei eu, é que comecei meus estudos &lt;st1:personname productid="em fevereiro. Ou" st="on"&gt;em fevereiro. Ou&lt;/st1:personname&gt; seja, ter sido parido no sexto dia do sexto mês me faz passar por um idiota incapaz de fazer uma subtração simples. Não faltam aqueles olhares do tipo: “como assim?! 96 - 74 = 22! Até uma criança iniciando a vida escolar sabe! Como assim, mermão?!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Pois bem, em 1996, aos 21 anos e com o patrocínio de minha mãe, matriculei-me na Cultura Inglesa para iniciar meus estudos na língua falada na terra do Led Zeppelin. Na segunda aula (faltei a anterior) do meu terceiro semestre seguido de dedicação absoluta ao aprendizado do dialeto falado por Lady Di, Churchill, The Fab Four e David Beckham, conheci minha primeira professora falante nativa: Polianna. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Calada, passava por brasileira facilmente. A pele sempre bronzeada de sol tinha aquela cor de cabaça curtida; os olhos e os cabelos lisos, sempre soltos, &lt;i style=""&gt;ton sur ton,&lt;/i&gt; contrastavam suavemente com os ombros, invariavelmente à mostra; e as pernas - ai, ai, ai, aquelas pernas grossas - mesmo quando aceleravam em direção à &lt;i style=""&gt;classroom&lt;/i&gt; 4, desfilavam em câmera lenta sob minissaias desbotadas. O problema era quando falava. Daí, o sotaque tipicamente britânico nos dava a impressão de estar assistindo &lt;i style=""&gt;My fair lady. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Foi Poli quem me estimulou a fazer um curso intensivo de quatro semanas na Inglaterra, mais especificamente na ISCA School, em Exeter, no condado de Devon, região oeste da grande ilha. Ela havia trabalhado lá e fez excelentes recomendações da equipe de professores e do empregador, Mr. Richard Tomlison. E cá entre nós, pela natureza das relações trabalhistas, quando um ex-empregado atribui bons adjetivos ao ex-patrão é de se impressionar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Em &lt;st1:metricconverter productid="1997, a" st="on"&gt;1997, a&lt;/st1:metricconverter&gt; internet era muito cara e muito lenta. Só havia, salvo engano, conexão discada. Sendo assim, todo o contato, desde a primeira consulta em relação a preços até o recibo de matrícula a ser apresentado na temida imigração inglesa, foi via carta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Na última semana de janeiro de 1998, aos 23 anos, tendo somente nível intermediário de inglês, parti para a primeira aventura internacional &lt;i style=""&gt;on my own&lt;/i&gt;. Após troca de aeronave em Zurich, de bagagem extraviada, duas horas de ônibus entre London e Exeter e mais alguns minutos de táxi, finalmente cheguei à casa dos Piningtons, amável família que me hospedaria por exatos 28 dias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Quem abriu a porta para mim foi Gill, a mãe, com um sorriso que somente mães sabem dar. David, o marido dela, chegou minutos depois acompanhado de Rose, 11 anos, e Harry, 9. Era uma família muito harmoniosa e receptiva, provando que estereótipos são tão úteis quanto narradores de futebol em transmissões televisivas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Apesar do cansaço, após tão longa jornada, da melancolia resultante do primeiro contado com o frio de verdade e da incompetência linguística, consegui explicar para Gill que minha bagagem não chegara. A partir daí, ela assumiu o contato com a British Midland,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;intermediando, ponderando e esbravejando quando se fez necessário. No meu sétimo dia por aquelas bandas, numa manhã sem graça, Gill bateu à porta do meu quarto, como sempre fazia para eu não perder a hora da aula. Respondi que já estava acordado e agradeci. Ela, para minha surpresa, insistiu:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;(Tecla SAP)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- Lubisco, você poderia abrir a porta, por favor?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- (Me enfiando dentro de uma calça e camiseta qualquer) Erm... sim, sim. Só um segundo, por favor...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- Ok.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Quando abri a porta, lá estava Gill, abraçada à minha bagagem que acabara de ser entregue pela companhia aérea e com um sorriso que só mães sabem dar! Largou meu mochilão no carpete sem dó nem piedade e me abraçou. Um abraço que só mães sabem dar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Com pouco mais de duas semanas pelas terras do &lt;i style=""&gt;Scone &amp;amp; Cream&lt;/i&gt;, já andava&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;sozinho pelo emaranhado de ruas do centro da cidade, visitava os &lt;i style=""&gt;pubs &lt;/i&gt;locais como um &lt;i style=""&gt;regular costumer &lt;/i&gt;e puxava conversa com estranhos só para treinar inglês. Estava sedento por aprendizagem. Toda noite ao chegar em casa, sentava-me com a minha família inglesa e, durante o jantar, educadamente perguntavam o que havia feito durante o dia. Pacientemente, ouviam-me descrever tudo com riqueza de detalhes. Até me arrisquei a contar histórias do Brasil, perguntar sobre cultura e tentar compreender as explicações, muitas vezes com vozes se sobrepondo umas as outras, no melhor estilo latino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Nossos jantares eram barulhentos e divertidos. Incontáveis vezes, ao lançar mão de uma estratégia muito comum entre aprendizes de línguas estrangeiras – conhecida por &lt;i style=""&gt;embromation &lt;/i&gt;–, fui o pivô de sonoras gargalhadas. Lembro quando perguntei, enquanto comíamos algo delicioso preparado por David, se eles tinham algum livro que falasse de Jack, o Estripador. Ora bolas, sem titubear lancei: &lt;i style=""&gt;Jack, the Stripper&lt;/i&gt;. Como assim?! Seria Jack um &lt;i style=""&gt;Go-Go Boy &lt;/i&gt;ao invés de um &lt;i style=""&gt;serial killer&lt;/i&gt;? Como assim?!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A inspiração para superar sozinho os percalços durante a minha primeira viagem internacional veio das palavras de um notório inglês nascido em Shrewsbury, capital do condado de Shropshire. Darwin disse algo como: “na luta pela sobrevivência, o mais forte permanece porque foi capaz de se adaptar melhor ao meio-ambiente.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Sobrevivi à experiência em Exeter de maneira mais tranquila do que geralmente filhos sobrevivem aos próprios pais. Calma, não estou insinuando que os pais são facínoras ou coisa parecida. Infelizmente filhos não nascem com manual de instruções. É tudo na tentativa e erro. E quem paga o pato?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Nana, minha irmã mais velha, primeira filha de uma jovem mãe de 25 anos, nos primeiros dias vida, esperneava incessantemente durante os banhos. Foi quando Diva, minha avó e madrinha, progenitora do meu progenitor, num belo dia, foi auxiliar a nora no banho da primeira neta. Ao tocar a água da banheirinha...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- Mas, Nídia, esta água está muito quente!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Em outras palavras, Nana vinha, paulatinamente, sendo cozinhada. Sobreviveu e além de ser mãe de Bia, está prestes a me dar minha segunda sobrinha nos próximos meses. Só Deus sabe o que estas duas crianças enfrentarão até chegar à idade adulta. Cozimento, com certeza não será um problema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O maior de todos os sobreviventes da família Lubisco, até então, é Marcelo, o Celão, filho do irmão de minha mãe, Tio Carlos, o Mamute, e da Tia Marisa. É simplesmente um milagre que ele funcione dentro dos padrões de normalidade...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Certa feita, durante a tenra infância, chegou um convite da escolinha convocando todos os alunos do primário para participar da festinha de páscoa à fantasia. Tia Marisa, mãe caprichosa, confeccionou uma fantasia de Coelhinho da Páscoa, com direito a orelhinhas acolchoadas e pompom à guisa de rabo. Uma verdadeira obra de arte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Na quarta-feira, logo cedo, a zelosa mamãe aprontou o filho e o levou para o esperado evento. Beijinho na testa, aperto na bochecha e um “vai, Celo, que tu estás lindo, meu filho”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Estranhamente, os poucos alunos como quem cruzou no pátio não estavam fantasiados. Mas como ele chegara com aproximadamente trinta minutos de antecedência para o início das aulas, eram, com certeza, uns bobocas que não sabiam brincar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Assim que a professora chegou à sala de aula, falou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- Marcelo, linda fantasia. Tão cheia de detalhes...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- Minha mãe que fez todinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- Que bacana. Prá festinha da Páscoa, não foi?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- Foi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- Pena que é na quarta-feira que vem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- ...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Esta crônica foi revisada por N. Lubisco&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-3883780028792454035?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/3883780028792454035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=3883780028792454035' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3883780028792454035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3883780028792454035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/11/o-coelhinho-de-darwing.html' title='O COELHINHO DE DARWING'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sv9ASXRKgoI/AAAAAAAAAb4/zgi-wi-4oUo/s72-c/ovopascoa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-8660428844869683754</id><published>2009-09-20T17:32:00.000-07:00</published><updated>2009-09-20T21:50:52.539-07:00</updated><title type='text'>PARCERIAS ACIDENTAIS</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SrbL3AY47NI/AAAAAAAAAbg/I4EVlba_OAw/s1600-h/chapinha.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SrbL3AY47NI/AAAAAAAAAbg/I4EVlba_OAw/s200/chapinha.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5383714550425644242" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Clubisco%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C02%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Eu conheci Leila quando éramos graduandos de Língua Estrangeira (inglês) no Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia. Naquela época, eu tinha alguns bons quilos a menos e ela, cabelo cacheado. Na verdade, não era somente cacheado, era cacheaaaaaaado prá caralho! Em ocasiões especiais, tipo casamentos ou formaturas, minha querida e estimada amiga alisava as madeixas. O resultado era inacreditável. Os cachos que pendiam à altura dos ombros se transformavam em longa melena de cabelo liso até abaixo da cintura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Não havia, então, essa coisa de escova progressiva, inteligente, chapinha, nada disso. Se a mulher decidisse desfilar por aí de Morticia Adams, tinha que fugir da água como o diabo da cruz. Bastava uma mísera gotinha e todo o investimento ia literalmente por água abaixo. Havia casos de garotas sem lavar a cabeça por uma semana só pra manter a pose.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Leila sempre trabalhou duro. Lembro quando era professora do curso de extensão da UFBA e ensinava zilhões de turmas, inclusive noturnas. Numa sexta-feira ela tinha uma festa de casamento para ir depois do serviço, e por isso, deu aula toda emperiquitada e, obviamente, com o cabelo mais liso que pele de bumbum de bebê. Assim que a sineta indicando o fim da labuta tocou, correu para o estacionamento. Foi quando percebeu que chovia. Chovia, não. Era, na verdade, um chuviscozinho de nada, mas que para alguém com escova recém feita era uma catástrofe metereológica.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Uma outra pessoa apavorar-se-ia. Leila, contudo, prevenida e sábia que é, sequer titubeou. Mesmo observada por diversos alunos que tinham sido liberados pelos seus &lt;i style=""&gt;teachers&lt;/i&gt;, enfiou a mão na bolsa e sacou uma toca de banho amarela, fez um coque e a vestiu. Cris, nossa amiga, estupefata, entre soluços de tanto gargalhar, perguntou se ela ia fazer aquilo mesmo. Sem perder a pose, respondeu:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- Minha filha, só eu sei o quanto custou essa escova.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;E, pisando firme, foi em direção ao seu carro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Por um motivo ou outro, a vida nos levou para caminhos distintos, embora um sempre sabendo, no mínimo, das andanças do outro. Voltamos a ser colegas em um curso de especialização em inglês oferecido pela UNIFACS. Eram módulos semanais, uma vez por mês, durante um ano e meio. As aulas eram das 18h às 22h. Uma brutalidade! Depois de um dia inteiro de trabalho, ainda encarar quatro horas de aula parecia piada de mau gosto... e era.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Felizmente, Leiloca estava lá comigo. Além de ter sido o meu porto seguro no meio de tanta mediocridade, foi minha parceira de trabalhos acadêmicos. No decorrer do curso descobrimos mais esta rara afinidade. Quem nunca teve um colega ansiando para pongar no esforço alheio e, no final das contas, receber uma boa nota? Há até os que são comprometidos, estudiosos, inteligentes, dispostos a dividir as tarefas mas, desafortunadamente, não têm menor afinidade conosco. Neste caso, mesmo o resultado sendo excelente, o trajeto é infernal. Por isso eu e Leiloca não desgrudávamos e, com exceção do famigerado Trabalho de Conclusão de Curso - quando fui trocado por uma loura paranaense - fizemos todas as avaliações conjuntamente. Eu com a percepção do todo, mais holístico, e ela, precisa, detalhista. Que dupla!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A nossa parceria não chegou a ser um marco, apesar de termos sido, sem modéstia alguma, referência para os colegas daquela turma de especialização em 2004/2005.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Outras duplas tiveram papel um pouco mais importante do que o nosso na história contemporânea cultural do ocidente. Talvez a mais conhecida e influente seja a de Lennon/McCartney que assinaram, para o bem e para o mal, a imensa maioria das composições de certa banda - que ficou conhecida pelo nome de The Beatles - surgida em uma cidade industrial ao norte da maior ilha britânica.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="EN-US" style="font-family:Arial;"&gt;And when the night is cloudy,&lt;br /&gt;There is still a light that shines on me,&lt;br /&gt;Shine on until tomorrow, let it be.&lt;br /&gt;I wake up to the sound of music&lt;br /&gt;Mother Mary comes to me&lt;br /&gt;There will be no sorrow, let it be. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="EN-US" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;(&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=j9SgDoypXcI"&gt;Let It Be&lt;/a&gt;, 1969 )&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Há inúmeras parcerias de sucesso em âmbito nacional ou até intergaláctico.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Simon e Garfunkel ainda me entorpecem quando escuto talvez uma das minhas canções prediletas,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="EN" style="font-family:Arial;"&gt;Hello darkness, my old friend,&lt;br /&gt;I’ve come to talk with you again,&lt;br /&gt;Because a vision softly creeping,&lt;br /&gt;Left its seeds while I was sleeping,&lt;br /&gt;And the vision that was planted in my brain&lt;br /&gt;Still remains&lt;br /&gt;Within the sound of silence&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span  lang="EN" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;(&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9hUy9ePyo6Q"&gt;The Sound of Silence&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt;,&lt;/i&gt;1964)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;“Que puera es esta!?”, diriam meus amigos argentinos. Arrepia até minha unha, na moral!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Não falar de Roberto e Erasmo seria um crime imperdoável, assim como dissertar longamente a respeito deles é chover no molhado. O que dizer dos caras que compuseram:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Porque me arrasto aos seus pés?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Por que me dou tanto assim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;E por que não peço em troca&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Nada de volta pra mim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Por que é que eu fico calado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Enquanto você me diz&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Palavras que me machucam&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Por coisas que eu nunca fiz?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;(&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=MIBC7qB5cUg"&gt;Desabafo&lt;/a&gt;, 1979)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Ou...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;(...) e você amada amante&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Faz da vida um instante&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Ser demais para nós dois.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;(&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=7X5E-yDXOe4"&gt;Amada Amante&lt;/a&gt;, 1971)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;E ainda...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;(...) é tão difícil&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Olhar o mundo e ver&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O que ainda existe&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Pois sem você&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Meu mundo é diferente&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Minha alegria é triste&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt;      &lt;/span&gt;(&lt;/span&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Clubisco%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C05%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt; 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 &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Também...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;(...) nossa chama outra vez tão acesa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;E o café esfriando na mesa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Esquecemos de tudo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Sem me importar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Com o tempo correndo lá fora&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Amanhã nosso amor não tem hora&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Vou ficar por aqui&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt;      &lt;/span&gt;(&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=hYQMdw6034k"&gt;Café Da Manhã&lt;/a&gt;, 1978)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Sem contar a mais impressionante ode à putaria da história...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Eu quero ser sua canção&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Eu quero ser seu tom&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Me esfregar na sua boca&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Ser o seu batom (- &lt;i style=""&gt;Como assim, Bob Charles? Como assim, Erasmão?&lt;/i&gt;)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O sabonete que te alisa &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Embaixo do chuveiro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A toalha que desliza&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;No seu corpo inteiro (- &lt;i style=""&gt;Macacos me mordam, Batman!&lt;/i&gt;)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Eu quero ser seu travesseiro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;E ter a noite inteira&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Pra te beijar durante o tempo que você dormir &lt;i style=""&gt;(- Santa sacanagem, menino prodígio&lt;/i&gt;!)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;(...) você é o doce que eu mais gosto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Meu café completo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A bebida preferida e o prato predileto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Eu como e bebo do melhor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;E não tenho hora certa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;De manhã, de tarde, à noite&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Não faço dieta (escataploft, caí da cadeira!).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;(&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-nCcqhUdkGc"&gt;Cama e Mesa&lt;/a&gt;,1981)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Além do maior tapa na cara de todos os tempos...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;(...) meu bem, meu bem&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Use a inteligência uma vez só&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Quantos idiotas vivem só&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Sem ter amor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;E você vai ficar também sozinha&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;E eu sei porque&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Sua estupidez não lhe deixa ver&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Que eu te amo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;(&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XWigFgxMocE"&gt;Sua Estupidez&lt;/a&gt;, 1969)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Ainda em território brasileiro, seguindo a sina de milhares de nordestinos, saído de Recife para o eixo Rio-SP, Ivanilton de Souza Lima, mais conhecido como Michael Sullivans, em 1979 conheceu Paulo Massadas, com quem veio formar, possivelmente, uma das mais tocadas duplas dos anos 80 nas AMs e FMs deste país tropical. Os dois até chegaram a colocar &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;suas próprias vozes em algumas canções, tanto na banda The Fevers, quanto como dupla mesmo que, apesar de ter um pé atolado na lama da breguice, não era sertaneja.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Entretanto, as arrasadoras combinações entre letra, melodia e harmonia de Sullivans &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;e Massadas&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;galgaram sucesso, de fato,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;nas vozes de outros intérpretes. Foi assim com &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FjDajLCcyjY"&gt;Dia de Domingo&lt;/a&gt;, g&lt;/span&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;ravada por Gal Costa com participação de Tim Maia, em 1996:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Faz de conta que ainda é cedo&lt;br /&gt;Tudo vai ficar&lt;br /&gt;Por conta da emoção&lt;br /&gt;Faz de conta que ainda é cedo&lt;br /&gt;E deixar falar&lt;br /&gt;A voz do coração&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Em 1983,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;o Eterno Síndico, imortalizou &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=M-jeHEvnwTs"&gt;Me Dê Motivo&lt;/a&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Mê de motivo, foi jogo sujo&lt;br /&gt;E agora eu fujo, pra não sofrer&lt;br /&gt;Fui teu amigo, te dei o mundo&lt;br /&gt;Você foi fundo, quis me perder&lt;br /&gt;Agora é tarde, não tem mais jeito&lt;br /&gt;O teu defeito, não tem perdão&lt;br /&gt;Eu vou a luta, que a vida é curta&lt;br /&gt;Não vale a pena, sofrer em vão&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Fagner, com a devida autorização, emprestou sua voz anasalada para &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=DB_JLgwpwZE"&gt;Deslizes&lt;/a&gt;, em 1987:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;E é só assim&lt;br /&gt;Que eu perdôo&lt;br /&gt;Os teus deslizes&lt;br /&gt;E é assim o nosso&lt;br /&gt;Jeito de viver&lt;br /&gt;E em outros braços&lt;br /&gt;Tu resolves tuas crises&lt;br /&gt;Em outras bocas&lt;br /&gt;Não consigo te esquecer&lt;br /&gt;Te esquecer...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;No mesmo ano, a maranhense Alcione, com sua voz marcante, fez de&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=IN1foTAKimw"&gt; Estranha Loucura&lt;/a&gt; um grande sucesso:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Minha estranha loucura&lt;br /&gt;é tentar te entender e não ser entendida&lt;br /&gt;É ficar com você&lt;br /&gt;Procurando fazer parte da tua vida&lt;br /&gt;Minha estranha loucura&lt;br /&gt;É tentar desculpar o que não tem desculpa&lt;br /&gt;É fazer dos teus erros&lt;br /&gt;Num motivo qualquer a razão da minha culpa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;A flamenguista doente (argh!), Sandra de Sá, em 1986, emplacou &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=L0wk04Xt_rE&amp;amp;videos=hkUb1XEov0M&amp;amp;playnext_from=TL&amp;amp;playnext=1"&gt;Joga Fora&lt;/a&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;É!&lt;br /&gt;Cansei já não dá mais&lt;br /&gt;Você pisou demais&lt;br /&gt;Prá frente é que se anda&lt;br /&gt;A vida leva e traz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paz que eu quero ter&lt;br /&gt;Tão longe de você&lt;br /&gt;Eu sei que vai ser duro&lt;br /&gt;Mas tenho que esquecer...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Toda uma geração, em 1985, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;cantou com o Trem da Alegria &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=tUQ2yLP7RHI"&gt;Uni Duni Tê&lt;/a&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Eu quis saber da minha estrela-guia&lt;br /&gt;Onde andaria meu sonho encantado&lt;br /&gt;Fada-madrinha, vara de condão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Esse meu coração sonhando acordado&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;!--[if !supportLineBreakNewLine]--&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Maria das Graças que era sucesso entre os altinhos em 1982 quando estrelou com Vera Fisher o filme Amor Estranho Amor, tornou-se a Rainha dos Baixinhos e encantou como ninguém &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=AoIBjkIUMaw"&gt;Arco-Íris&lt;/a&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Vou pintar um arco-íris de energia&lt;br /&gt;Pra deixar o mundo cheio de alegria&lt;br /&gt;Se tá feio ou dividido&lt;br /&gt;Vai ficar tão colorido&lt;br /&gt;O que vale nessa vida é ser feliz&lt;br /&gt;Com o azul eu vou sentir tranqüilidade&lt;br /&gt;O laranja tem sabor de amizade&lt;br /&gt;Com o verde eu tenho a esperança&lt;br /&gt;Que existe em qualquer criança&lt;br /&gt;E enfeitar o céu nas cores do amor&lt;br /&gt;No amarelo um sorriso&lt;br /&gt;Pra iluminar feito o sol tem o seu lugar&lt;br /&gt;Brilha dentro da gente&lt;br /&gt;Violeta mais uma cor que já vai chegar&lt;br /&gt;O vermelho pra completar meu arco-íris no ar&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;(A propósito, o arco-íris não tem sete cores?)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Houve sucessos ainda com Roberto Carlos, Joanna, Paulo Ricardo, José Augusto, Patrícia Marx, Roupa Nova, Simone e Fafá de Belém!. Em 1987, &lt;span style=""&gt;somente perdendo para o Rei Roberto,&lt;/span&gt; estavam em segundo lugar na lista de arrecadação do Ecad (&lt;span style=""&gt;Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), orgão coletor dos direitos autorais no Brasil. &lt;/span&gt;Os caras eram fora de série!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Assim como há músicas incidentais, há, também, parcerias acidentais. Estas, ao contrário das intencionais, estão condenadas ao ostracismo, apesar da genialidade latente ocultada pelo anonimato. São vítimas desta indústria fonográfica nefasta que privilegia o produto de fácil aceitação mercadológica em detrimento da necesidade artística de expressão urgente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;O mundo está densamente povoado por estes compositores anônimos que, dia após dia, subvertem a arte e recriam obras, muitas vezes, já estabelecidas. Eles vivenciam intuitivamente a proposta antropofágica da Semana de Arte Moderna de 1922.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Jonga, amigo de longas datas, tem uma parceria com os italianos &lt;span style=""&gt;Giancarlo Bigazzi /Umberto Tozzi, compositores de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Kzf7WCpVcak"&gt;Pequena Eva&lt;/a&gt;, cuja versão de M. Ficoreli para o português ficou conhecida através da extinta banda Rádio Táxi e, mais recentemente, pelo vozeirão de Ivete Sangalo, quando ainda era da Banda Eva. Quem nunca cantou “...sou Adão e você será minha pequena Eva”? Jonga, nunca! Ele cantava, “ suadão e você será...”. Como assim suadão, man!? Como assim?!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Karine, amiga de infância, hoje casada e vivendo em Lisboa, tem uma parceria nada modesta: Erasmo e Roberto. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=K2lo1kNd8w8"&gt;Mesmo Que Seja Eu foi gravada também por Marina Lima&lt;/a&gt;, numa versão &lt;i&gt;cool&lt;/i&gt;, bem anos 80, cheia de saxofone e aquele inconfundível som de bateria eletrônica. Não é ruim, mas confesso que &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=dSUoaMN0M7Q"&gt;prefiro na voz do Tremendão&lt;/a&gt;. Não me parece ter pretensões sofisticadas. A linha de baixo na cara, a guitarra&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;cheia de &lt;i&gt;chorus &lt;/i&gt;e o teclado, provavelmente um DX7 da Yamaha, dão o tom genuinamente brega à canção. Sensacional. Bom mesmo, entretanto, era ouvir Karine cantando a plenos pulmões:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;(...) &lt;/span&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Filosofia é poesia é o que dizia a minha vó&lt;br /&gt;Antes mal acompanhada do que só&lt;br /&gt;Você precisa de um homem pra chamar Dirceu&lt;br /&gt;Mesmo que esse homem seja eu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Djavan já fez muita coisa exepcional! Nos últimos anos parece ter ligado o piloto automático e está cada vez mais parecido com o próprio sósia, Jorge Vercilo. Uma lástima! Quando eu ainda estudava no segundo grau da Escola Teresa de Lisieux, aqui em Salvador, tinha um colega que, enquanto eu e minha trupe ouvíamos Rock, ele se aplicava com doses cavalares de MPB. E para piorar, Alan ainda tirava as músicas de ouvido. Não havia essa moleza de cifras na internet. Ou tinha a sorte de achar uma revistinha com a música desejada ou era no ouvidão mesmo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Numa roda de violão, que sempre acontecia na hora do intervalo, Alan, cheio de si, nos presenteou com &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=oSXAMRJvUO8"&gt;Açaí&lt;/a&gt;, parceria dele com o paraibano Djavan. O refrão dizia assim:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Ao sair do avião&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Zum de besouro, um irmão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Branco é às dez da manhã.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Como, à época, não conhecia a música, achei a letra um pouco nonsense, mas nada que incomodasse, afinal, os versos de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pmOvvffnfjI"&gt;Zanzibar&lt;/a&gt; (Armandinho e Fausto Nilo) já me eram familiares. E, cá entre nós, nada pode ser mais estranho do que:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Aliás bazar da coisa azul&lt;br /&gt;Meu “only you”&lt;br /&gt;É muito mais que o azul de Zanzibar&lt;br /&gt;Paracuru&lt;br /&gt;O azul da estrela&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Anos depois, por acaso, ao ouvir no rádio Djavan cantando, percebi que havia uma discrepância entre a versão dele a do meu colega. Pequisei e descobri que uma faz tanto sentido quanto a outra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;Minha irmã, Kika, a mais nova, tem duas parcerias. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A primeira não é exclusiva, mas nem por isso menos interessante. Juntamente com Marcelo Fromer, Nando Reis, Sérgio Britto e Ciro Pessoa, a caçula da casa entoava sem pudor:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Desde os primórdios&lt;br /&gt;Até hoje em dia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O homem ainda faz&lt;br /&gt;O que o macaco fazia&lt;br /&gt;Eu não trabalhava, eu não sabia,&lt;br /&gt;O homem criava e também destruía&lt;br /&gt;Homem Que Mata&lt;br /&gt;Capitalismo Selvagem&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Esta música, intitulada &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=vkOvm3_oXyg"&gt;Homem Primata&lt;/a&gt;, faz parte do álbum Cabeça Dinossauro lançado pelos Titãs, em 1986.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O segundo encontro musical... bem, como dizer? É o meu favorito e me enche de orgulho pela sofisticação e, acima de tudo, pelo parceiro: um tal de Francisco Buarque de Hollanda.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Em 1976, ele lançou Meus Caros Amigos, no qual canta O Que Será (À Flor da Pele) com Milton Nascimento. Tem também Olhos nos Olhos, além de Vai Trabalhar Vagabundo, Passaredo e A Noiva da Cidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Porém, entre tantas canções, é a segunda do lado A, em parceria com minha-irmãzinha-e-extraordinária-letrista-d’avant-garde, Kika, que salta aos olhos (ouvidos?): &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=YE9rfrvyzOo"&gt;Mulheres de Atenas&lt;/a&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Como esse Chico Buarque canta, nem me lembro mais. Apenas deleito-me com:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Mira ensina exemplos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Àquelas mulheres de Atenas&lt;/span&gt;&lt;span  lang="PT" style="font-family:Arial;"&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Ai, ai, Kika!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;" class="MsoNormal"&gt;Texto revisado por mainha&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-8660428844869683754?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/8660428844869683754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=8660428844869683754' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/8660428844869683754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/8660428844869683754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/09/parcerias-acidentais.html' title='PARCERIAS ACIDENTAIS'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SrbL3AY47NI/AAAAAAAAAbg/I4EVlba_OAw/s72-c/chapinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-4054992323364960493</id><published>2009-08-01T08:17:00.000-07:00</published><updated>2009-08-01T08:22:10.319-07:00</updated><title type='text'>O CHEIRO DO RALO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SnRdMsj583I/AAAAAAAAAbA/Nn-Y3kpWdzY/s1600-h/cuca.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 125px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SnRdMsj583I/AAAAAAAAAbA/Nn-Y3kpWdzY/s200/cuca.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365015528806675314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A minha geração teve o privilégio de, na infância, ter acesso a programas televisivos que tratavam crianças como crianças e nos estimulavam a exercitar a fantasia, a imaginação e a criatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro quase nada – mas ainda lembro – de Vila Sésamo, com Armando Bogus e Sônia Braga. Amava aquele pássaro azul enorme, qual é o nome dele mesmo? Como é? Ai, meu Deus... já sei: Garibaldo! E tinha também Gugu, um boneco verde, todo rude, que morava numa lata de lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostava mesmo era do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Recordo, com detalhes, dos personagens, cores, sons, melodias, texturas e, mais importante, dos sentimentos. Morria de medo da Cuca. Antes mesmo de ela aparecer, quando os primeiros acordes da sua música tema soavam, eu suava. “Cuidado com a Cuca / Que a Cuca te pega / E pega daqui / E pega de lá...” na voz de Dori Caymmi, me dava arrepios. Eu me escondia entre os almofadões da sala de televisão da nossa casa na Rua das Acácias e assistia, com as mãos protegendo o rosto, aos trechos em que aquele jacaré bípede de risada medonha aparecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar deste temor ou, talvez, por causa dele, havia um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rush&lt;/span&gt; de adrenalina que eu adorava. Se a Cuca não aparecesse num episódio, era como tomar sorvete mas não comer a casquinha. A gruta em que ela vivia era um fascínio. O caldeirão fumegante, as receitas com asa de morcego, arroto de lagartixa, pata de salamandra me faziam viajar por outros mundos; os planos maquiavélicos para capturar Pedrinho ou Narizinho me faziam imaginar as artimanhas que os protagonistas mirins lançariam mão para escapar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era somente a Cuca que me amedrontava. Lembro de uma série de episódios com o Minotauro. Tive pesadelos com aquele gigante com tronco e membros de ser humano e cabeça de touro que se movimentava lentamente, soltava um urro macabro e morava num labirinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas até se aventuravam pelo emaranhado de caminhos, mas, invariavelmente, se perdiam e terminavam capturadas por ele, o Mi-no-tau-ro. Putaquepariu!!!! Só de recordar estou agoniado. Surreal o efeito dessa memória em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece bobagem, mas custei a começar a minha primeira leitura de Gabriel García Marquez exclusivamente por causa do título do livro que havia na segunda prateleira do quarto de minha mãe: O General Em Seu Labirinto. Como assim labirinto?! Como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vencido o preconceito, devorei este romance que passeia entre o real e a ficção e, em poucos dias, fui completamente absorvido pela narrativa fluida, sofisticada e com imagens poéticas que somente Marquez é capaz de provocar. Precisei ler duas ou três vezes um trecho que descrevia um hediondo hábito de Bolívar, libertador venezuelano e protagonista da história, para acreditar que era aquilo mesmo que entendera: “... e solta ventosidades fétidas e pedregosas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente este autor colombiano nascido em 06 de março de 1927, ganhador do Nobel de literatura, seria capaz de descrever ataques de flatulência de maneira tão, tão... sei lá. Provavelmente nosso amado Jorge diria: “...e soltava uns peidos barulhentos que fechavam o comércio de Ilhéus por causa do fedor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomine como queira, o fato, querido leitor, é que todo mundo eventualmente solta um pum e, de acordo com uma entrevista a que assisti há alguns anos no Programa do Jô, 50% da população mundial sofre de flatulência. Um horror! Isso significa, leitor, que eu ou você somos acometidos por esse mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é apavorante saber que em uma sala de aula com 50 adolescentes frequentadores de redes de fast-food, metade regularmente expele os gases acumulados durante o processo de decomposição e fermentação dos resíduos orgânicos dentro do intestino? E no seu trabalho? Olhe ao seu redor. Quem esta aí com você? Dê uma olhada discreta e verifique se as mãos dele estão amareladas, pois, caso não seja você o responsável pelos traques – e tenho certeza que não é –, as estatísticas acusam seu colega aí!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, para piorar, esta escatologia, ora revoltante, ora divertida e até lúdica, é um verdadeiro atentado ao meio-ambiente. Ao soltar uma farpa, o indivíduo também libera gás metano, de densidade menor que o oxigênio, altamente inflamável, incolor e que contribui 21 vezes mais do que o dióxido de carbono para o aumento do buraco na camada de ozônio e o efeito estufa. Ou seja, não há bufa inofensiva. Todas elas, em maior ou menor grau, contribuem para o aumento da temperatura do nosso planeta, Gaia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1991, quando cursava pela segunda vez o 1° ano colegial na Escola Teresa de Lisieux, conheci e me tornei grande amigo de Daniel Castelani e Max Demian. Vivíamos juntos e nos autointitulávamos Os Três Cabeludos, em referência à canção de Roberto e Erasmo, Os Sete Cabelos, que dizia: “Eu vinha no meu carro em doida disparara / Com sete cabeludos pra topar qualquer parada”. Hoje, não sei mais por onde Max anda, troco e-mails esporádicos com o Dani (assim com artigo definido mesmo, pois a família, vinda de Campinas, o utiliza como artigo e substantivo fossem o núcleo da frase nominal) e já não somos mais cabeludos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Max, cujo nome foi escolhido por sua progenitora, D. Robervanise, uma figuraça de 1,48m, após ler Demian de Herman Hesse, vivia nos provendo com questões intrigantes. Uma delas, pivô de profundas discussões, foi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Se você tá dançando com a menina... música lenta, coisa e tal, daí sente aquela bolha de gás rogando por sair instantaneamente e não dá mais pra segurar... Você prefere um peido barulhento e sem cheiro ou fedorento e silencioso?&lt;br /&gt;– Porra, sei lá. Barulhento? Talvez a música cubra o som do porrote se o cara conseguir controlar saída.&lt;br /&gt;– Silencioso e fedorento é bem melhor! Antes de largar a bagaceira, você sugere beber um drink com menina. Daí cê se alivia, pega ela pela mão e evade o local prontamente. Ah, não se esqueça de dar uma pirueta sobre o próprio eixo pra quebrar o vácuo, porque todo mundo sabe que peido segue a gente, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase uma década após este diálogo, comprovei de maneira prática – em outro contexto, é verdade – que o silêncio peidorífico tem, no mínimo, a vantagem de disseminar a dúvida e por isso garantir o anonimato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma tarde modorrenta, assistia na sala de estar um programa de TV qualquer enquanto Kika, minha irmã, arrumava pela enésima vez seu quarto e Jane, nossa secretária do lar (salve, salve patrulha politicamente correta), estava ocupada na cozinha. Por estar sozinho, aproveitei e dei vazão sem pudor algum ao clamor anal que me atormentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Putquepariu, mermão! O que saiu de mim foi um feixe de gás quente, ardido, que se tivesse cor seria verde e fazendo aquele ffffffffffffffff, somente audível pelo próprio autor do crime. Em poucos segundos, um fedor tomou conta do ambiente e por ali se instalou, denso, pesado, in-su-por-tá-vel. “Ainda bem que estou só”, pensei, “já pensou se fosse numa festa dançando música lenta?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando Kika passou pela sala em direção à cozinha, deu uma paradinha, arrebitou o nariz como um cão farejador, inalou brevemente um pouco daquele ar úmido, viscoso e nauseabundo, fez uma careta de nojo e berrou para Jane:&lt;br /&gt;– Jaaaaaane! Você tá mexendo no ralo? Cheiro de rato morto!&lt;br /&gt;– Eu não.&lt;br /&gt;E eu? Quieto, rindo por dentro...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-4054992323364960493?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/4054992323364960493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=4054992323364960493' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/4054992323364960493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/4054992323364960493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/08/o-cheiro-do-ralo.html' title='O CHEIRO DO RALO'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SnRdMsj583I/AAAAAAAAAbA/Nn-Y3kpWdzY/s72-c/cuca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-4287203637299225598</id><published>2009-07-09T18:26:00.001-07:00</published><updated>2009-07-09T18:35:17.204-07:00</updated><title type='text'>MSN</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SlaZwheaTEI/AAAAAAAAAao/lIdas689ngg/s1600-h/livros.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 180px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356637865702476866" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SlaZwheaTEI/AAAAAAAAAao/lIdas689ngg/s200/livros.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Tínhamos recém mudado.  Seria a primeira noite no nosso apartamento, um quarto e sala muito charmoso no Itaigara, após termos morado por quase sete meses na casa da minha sogra. Saí do trabalho, peguei Lua, então minha esposa, na casa da mãe, e fomos para o que seria chamado, durante os 13 meses seguintes, de lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tinha tomado uma surra nos três primeiros rounds contra a fechadura quando a porta bem ao lado se abriu.  Mesmo concentrado na árdua tarefa de destrancar o ferrolho, de relance vi sair um cara igual a Felipe, amigo de Mafalda, personagem de Quino, do apartamento ao lado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Lua?!&lt;br /&gt;– Edinho?!&lt;br /&gt;– Não acredito! Tá perdida?&lt;br /&gt;– Estou me mudando pra cá hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles tinham sido amigos na adolescência e, desde aquela época remota, nunca mais tinham se visto. Naquele dia, nos tornamos vizinhos e com a convivência, amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demorou muito para conhecer sua esposa, Mima, e a filha deles, Julia, que estava sendo alfabetizada. Nossas portas viviam abertas, transformando os apartamentos 047 e 048, no final do corredor do primeiro andar, em um amplo 2/4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almoçávamos juntos, ouvíamos música, brincávamos com Julia, compartilhávamos sonhos, dividíamos problemas e, mais importante, celebrávamos o ócio juntos! Eram dois apartamentos, mas somente um lar. Até D. Maria, secretária, como gostam os politicamente corretos, do 047 foi contratada como nossa faxineira, dando uma geral no apê uma vez por semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a contratação de D. Maria, demos uma relaxada na limpeza cotidiana, pois havia a garantia de uma faxina impecável a cada sete dias. Com a falta de varredura diária, o piso ficava atrolhado com meus pelos corpóreos. Na realidade, havia poeira também, mas os meus singelos pelinhos ganhavam um grande destaque nas lajotas brancas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coincidiu, certa feita, que eu estava em casa no evento da faxina. D. Maria, varrendo a sala, parou abruptamente e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Seu Lubisco!&lt;br /&gt;– Diga, D. Maria...&lt;br /&gt;– Com todo o respeito, o senhor parece um macaco.&lt;br /&gt;– Como assim, D. Maria?!&lt;br /&gt;– Ó pai, ó! Se juntar esses pelo tudo, dá pra fazer um tapete!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do convívio com esta figuraça, ter conhecido Edinho me proporcionou ampliar meus horizontes musicais e fazer novos amigos. João Donato, Toninho Horta, Marc Ribot &amp;amp; Los Cubanos Postizos, Mulheres Que Dizem Sim e Ronei Jorge e Os Ladrões De Bicicleta – banda de que faz parte – têm cadeira cativa na lista de execução do meu iPod. Conheci, também, entre tantos, Ronei, Serginho e Pedrão, parceiros musicais mas, acima de tudo, amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do talento peculiar, o que mais me chamou atenção quando os conheci foi a inteligência de todos eles. Os caras são inteligentes em demasia, chega irrita! Mas não são inteligentes chatos, sabe? Conseguem, muito naturalmente, equilibrar a sensibilidade acima da média e a capacidade cognitiva incomensurável com momentos de descontração absoluto. Se há uma coisa que odeio é esse povo que não relaxa. Aquela trupe cool, sempre com comentários pertinentes a respeito de qualquer assunto, com piadas sagazes, tiradas brilhantes e, no geral, incompreendidos pelo resto do mundo. Em um passeio casual no Rio Vermelho, bairro boêmio de Salvador, pode-se encher, em segundos, uma daquelas Scanias com motor de 400cv tracionando uma carreta de três eixos capaz de suportar 27 toneladas de carga, com a patrulha da inteligência. Não tenho saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu primeiro contato com uma pessoa tão acima da média foi na UFBA, no Curso de Letras, no final da década de 90. Marina Martinelli me fazia ter cãibras cerebrais ao tentar acompanhar o raciocínio dela. Ela é genial e divertidíssima, daquelas pessoas capazes de fazer troça de si mesmo. Se autodenominava: Mulher Química.&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;– Oxe, Martinelli, como assim?&lt;br /&gt;– Baixa combustão.&lt;br /&gt;– Ãhn? Como é?&lt;br /&gt;– Baixa com bustão! – fazendo referência à pouca estatura e aos fartos seios. Ai, ai, como assim, Marina?! Como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após a conclusão do curso de Letras, em 2003, resolveu emendar o mestrado... na Noruega! E em norueguês. PUTAQUEPARIU, assim é humilhação conosco, reles mortais. Afortunadamente, as distâncias têm sido vencidas por softwares de mensagens instantâneas, tipo ICQ, MSN Messenger ou Skype, e tenho lançado mão destas ferramentas internéticas para manter contato com os amigos que moram longe daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um destes encontros virtuais, Marina e eu conversamos um pouco sobre as sutis diferenças entre a vida acadêmica em Oslo e em Salvador. São quase imperceptíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lubisco diz: Fala Marina!&lt;br /&gt;Marina diz: Oi Lubis!!! Há quanto tempo. Como vai?&lt;br /&gt;Lubisco diz: Tudo na paz. E vc?&lt;br /&gt;Marina diz: Aqui, nesta vida. Como tá o povo? E a UFBA?&lt;br /&gt;Lubisco diz: Todo mundo bem. A UFBA, melhor que nunca! Mais uma greve! Sem aulas, sem perspectiva de terminar o semestre, sem condições. Aquela coisa linda de se ver. E aí, como tá a vida de Mestranda?&lt;br /&gt;Marina diz: Nem te conto que coisa terrível. Um horror!&lt;br /&gt;Lubisco diz: Mesmo?&lt;br /&gt;Marina diz: A biblioteca geral daqui é uma indecência! Central. Tipo Shopping Barra, só que com sete andares.&lt;br /&gt;Lubisco diz: que péssimo!&lt;br /&gt;Marina diz: incluindo dois só de revistas e periódicos, uma seção de Literatura Tibetana, que foi doada pelo próprio Dalai Lama. E tudo automático – empréstimo e devolução. Nada de fila.&lt;br /&gt;Lubisco diz: Deprimente! Vc não tem saudade da nossa Central?&lt;br /&gt;Marina diz: Morro! Especialmente das pinturas horrendas, do cheiro... essa biblioteca daqui, toda em madeira de cerejeira, me dá nojo. E as mesas com conexão pra “lapitopes”?&lt;br /&gt;Lubisco diz: Lamentável&lt;br /&gt;Marina diz: Horrível&lt;br /&gt;Lubisco diz: Imagino, amiga.,. como vc faz para estudar em tais condições?&lt;br /&gt;Marina diz: é difícil! E a renovação de empréstimos via Internet? Tão fria e impessoal...&lt;br /&gt;Lubisco diz: quanta solidão!&lt;br /&gt;Marina diz: pior ainda é sobreviver nos dois subsolos só com clássicos e primeiras edições.&lt;br /&gt;Lubisco diz: primeiras edições são completamente ultrapassadas! Por isso temos as novas! E os clássicos, como sabemos, só servem para dificultar a ascensão de novos valores. Representam a ala mais retrógrada da intelectualidade mundial! Absurdo!&lt;br /&gt;Marina diz: um nojo&lt;br /&gt;Lubisco diz: amiga... sinto muito por essa situação! As portas estão abertas, caso queira voltar para cá!&lt;br /&gt;Marina diz: Obrigado, Lubis. Ah! E o banco de dados que localiza todos os livros disponíveis em bibliotecas públicas em todo país? E entregam o livro na sua casa pelo correio, tudo de graça!&lt;br /&gt;Lubisco diz: chato! Lamentável isso existir!&lt;br /&gt;Marina diz: tira o sal, a emoção.&lt;br /&gt;Lubisco diz: principalmente o sal do suor, nas filas!&lt;br /&gt;Marina diz: eles tb mandam já as cópias das páginas do livro que vc precisa pra sua casa. Realmente me dói tanto perder as filas da xerox...&lt;br /&gt;Lubisco diz: aquela experiência socioantropológica que tanto necessitamos para conviver melhor com as diferenças: as filas de xerox! Como acabar com isso?! Ultrajante!&lt;br /&gt;Marina diz: tb acho.&lt;br /&gt;Lubisco diz: volte, volte logo, amiga. Não se submeta!&lt;br /&gt;Marina diz: ao invés das filas, tenho que ficar sentada em um dos laboratórios de informática (onde todos os computadores funcionam) ou passeando por um dos três museus do campus. A vida é dura por aqui.&lt;br /&gt;Lubisco diz: Todos os computadores funcionando? Só falta vc me dizer que Papai Noel e Saci Pererê existem.&lt;br /&gt;Marina diz: e o transtorno do cinema de graça nas quintas-feiras?&lt;br /&gt;Lubisco diz: isso é falta de respeito!&lt;br /&gt;Marina diz: e não tenho nem desculpa pra vagabundear, porque além de 12 bibliotecas, ainda tem 3 livrarias. Como filar aula se a presença não é obrigatória? Nem isso posso fazer!&lt;br /&gt;Lubisco diz: Um crime contra o nosso aguçado senso de responsabilidade!&lt;br /&gt;Marina diz: ultrajante&lt;br /&gt;Lubisco diz: perdemos o instinto subversivo assim...&lt;br /&gt;Marina diz: pois é...&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Este texto foi revisado por Paula Berbert&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-4287203637299225598?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/4287203637299225598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=4287203637299225598' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/4287203637299225598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/4287203637299225598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/07/msn_09.html' title='MSN'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SlaZwheaTEI/AAAAAAAAAao/lIdas689ngg/s72-c/livros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-8899738266145759390</id><published>2009-06-16T20:45:00.001-07:00</published><updated>2009-06-16T20:54:01.221-07:00</updated><title type='text'>JOGO DO BICHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sjhm4mn41eI/AAAAAAAAAXQ/kfd0q51qm2U/s1600-h/axl.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348137680129021410" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 102px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sjhm4mn41eI/AAAAAAAAAXQ/kfd0q51qm2U/s200/axl.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quem nunca investiu alguma irrisória quantia na bolsa de apostas ilegal em animais, inventada em 1892, pelo fundador e proprietário do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, barão João Batista Viana Drummond? Eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D. Andrelina, uma senhora que trabalhou por anos na casa de minha família, interpretava meus sonhos e saía correndo para a banca de Jogo de Bicho a uns 15 minutos de caminhada rápida só para apostar. Incontáveis vezes, ganhava uma graninha, mas nunca, segundo ela, em função dos meus sonhos. Acho que não era muito boa de interpretação, mas, por outro lado, tinha uma sorte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredita-se ser por causa do Jogo do Bicho que o número 24 é associado à homossexualidade masculina. Como assim? Bem, adivinhe à que animal este algarismo de dois dígitos pares, divisível por 1, 2, 3, 4, 6, 8, 12 e 24, é relacionado? Já a relação entre ser gay e o veado, não tenho a mínima idéia. Talvez por causa de Bambi, que andava, apesar de órfão, alegre e saltitante pela floresta? Se foi pela singeleza, deveriam ter escolhido um canário, afinal de contas, o Piu-Piu, objeto de desejo do gato Frajola, era canário. Para quem achava que aquele doce e sádico passarinho era fêmea, peço perdão por desconstruir o mito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que Tweety, como é chamado originalmente, tem tudo para ser veado. Afinal, o que pode ser mais veado do que aquela vozinha em falsete dizendo: “Eu acho que vi um gatinho. Eu vi, eu vi um gatinho!”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É imprescindível, porém, fazer uma distinção antes que a patrulha do politicamente correto me processe por homofobia. Coisa de veado não tem uma relação direta com a orientação sexual do cabra. Lembra de Gabriel, O Pensador? Ele dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E não se esqueça que o problema não está no cabelo, está na cabeça&lt;br /&gt;Nem todas são sócias da farmáciaTem muita loira burra de cabelo preto e castanho por aí E loira burra morena, ruiva, preta, loira burra careca”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, é a mesmíssima situação. “Coisa de veado” independe do gênero que o cara escolha para compartilhar as lascívias da alcova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirar a cutícula, colecionar perfumes, depilar, dar um corte no cabelo mensalmente... coisas de veado; fazer a sobrancelha, usar calça jeans coladinha, tênis branco-pérola... coisas de veado; ouvir ABBA, Gloria Gaynor, George Michael, ser fã de Madonna... coisas de veado; estudar Letras, ensinar inglês, fazer aula de dança... coisas de veado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi justamente sobre a expressão chula referente ao ato sexual entre dois homens, veados ou não, e, na verdade, sobre diversas outras ofensas de baixo calão, que, certa vez na sala do Diretório Acadêmico do Instituto de Letras da UFBA, alguns alunos filosofaram a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos relaxando entre uma aula e outra, naquele estilo bem baiano que todos falam ou mesmo tempo, aos berros, sabe? Até que se ouviu um: “Porra nenhuma! Vá tomar no cu!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marina, uma daquelas pessoas que são excessivamente inteligentes mas não por isso chatas, aproveitando o gancho – ela que adorava trocar idéias só pela discussão em si – fez o seguinte questionamento: “Vocês já repararam que nossos xingamentos estão quase sempre ligados às genitálias ou ao ato sexual?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão seguiu por esta tortuosa vereda. Pica, caralho, buceta, porra, vá se fudê. Mesmo o bom e velho feladaputa, como se diz por aqui, foi analisado. Só assim percebemos o quanto é ofensivo ser gerado, parido e criado por uma progenitora emancipada e profissional do sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa seguia ora suave, ora mais acirrada. Foi quando alguém lembrou que toda aquela balburdia tinha começado por causa de um singelo “vá tomar no cu”. Foi logo retrucado por um colega:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas aí, também, é foda. Tomar no cu ninguém gosta, né?&lt;br /&gt;– Huuum... frase polêmica esta, hein? Principalmente aqui em Letras, onde há uma grande probabilidade de esta prática ser apreciada por ambos os sexos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de alguma ponderação entre os mais engajados e os mais escrachados, fez-se silêncio – coisa raríssima naquele local e entre aquelas pessoas. Estávamos refletindo verdadeiramente até que, vindo do sofá, ouviu-se a voz de trovão de Rômulo, aquele cara vindo de um interior brabo qualquer, provavelmente Aratuípe, terra de cabra-macho, para estudar, com bom coração, mas tosco e rude que metade bastava. Andava se modernizando após a chegada à capital, mas a falta de parâmetro o levava a usar, por exemplo, uma bandana vermelha no cabelo no estilo Axl Rose, então band leader do Guns and Roses. Ampliou seu repertório, já que tocava violão razoavelmente bem, com a adição de canções do Aerosmith, Poison, Europe, além de Whitesnake e Bon Jovi. Puta que pariu! Como assim, mermão?! Com a quantidade de batom usado por essas bandas em um show, dava pra maquiar todas as manequins do São Paulo Fashion Week durante todos os dias do evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, ele disse:&lt;br /&gt;– Se tu acha que pode ser bom, então vá tomar no cu com brita!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Este texto foi revisado por Paula Berbert.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-8899738266145759390?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/8899738266145759390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=8899738266145759390' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/8899738266145759390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/8899738266145759390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/06/jogo-do-bicho.html' title='JOGO DO BICHO'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sjhm4mn41eI/AAAAAAAAAXQ/kfd0q51qm2U/s72-c/axl.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-662390219795402322</id><published>2009-06-03T05:43:00.001-07:00</published><updated>2009-06-03T06:00:00.257-07:00</updated><title type='text'>VIZINHANÇA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SiZwfMbhaEI/AAAAAAAAAXI/T_hWm9T7AaA/s1600-h/incenso2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343081689136588866" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 162px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SiZwfMbhaEI/AAAAAAAAAXI/T_hWm9T7AaA/s200/incenso2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Oitenta decibéis é o limite de intensidade sonora que o ouvido humano é capaz de suportar sem risco de lesão do aparelho auditivo. A partir daí, os danos variam desde um ligeiro desconforto até perda da audição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já faz um tempo que ando com um protetor auricular a tiracolo. Cansei de voltar de shows e festas com o ouvido apitando. Mesmo chegando em casa exausto, aquele zunido agudo e intermitente me impedia de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, na verdade, o que me levou mesmo a tomar esta atitude profilática não foram os enxames de abelhas dentro da minha cabeça enquanto eu rolava na cama, mas uma aluna que tive. Como parte do processo avaliativo do curso de inglês, onde ela fora minha pupila, os alunos, no final do semestre, preparavam uma apresentação oral sobre um tema de sua preferência. Ela, fonoaudióloga e dona de uma loja especializada em aparelhos auditivos, discorreu sobre os riscos da exposição prolongada a altos volumes e possíveis medidas preventivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da apresentação que lhe rendeu a nota máxima, mencionei o zumbido pós-show que me acometia todos os sábados e domingos. Após algumas perguntas mais específicas, Julia disse que eu deveria ser submetido a um teste audiométrico a fim de diagnosticar algum sinistro no meu equipamento receptor de impulsos sonoros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, fiz a avaliação e, para a minha tranquilidade, nenhuma perda foi detectada. Entretanto, fui alertado que deveria tomar cuidados especiais, pois com a alta frequência em shows de rock, os próximos resultados poderiam ser bem diferentes. Como forma de me estimular a adquirir um novo hábito, ganhei gratuitamente um protetor auricular sob medida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, fico impressionado com o volume que algumas pessoas escutam som no carro. Parecem trios elétricos. É surreal! Na segunda-feira de carnaval, parei na loja de conveniências de um posto de gasolina para comprar sorvete de chocolate e Coca Zero, pois tinha alugado quatro filmes e estava decidido a assisti-los até a hora de ir buscar Paula, minha namorada, que estava trabalhando na festa momesca. Estacionado bem na frente da entrada principal da lojinha, um automóvel com o porta-malas aberto. Dentro deste compartimento traseiro projetado para carregar volumes, havia caixas de som que ocupavam todo o espaço. Era ensurdecedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses tipos se proliferam como erva daninha. São, em sua larga maioria, homens que supervalorizam seus carros, vivem frequentando as delicatessens de postos de gasolina expondo seus bíceps musculosos, exibindo pesadas correntes no estilo gangster rapper no pescoço, dançando pagode, arrocha e forró, enquanto empunham uma latinha de cerveja, falando alto, ignorando o aviso que proíbe o som naquele estabelecimento e, pior de tudo, impondo o seu gosto musical aos transeuntes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que há uma relação inversamente proporcional entre a potência do som e a potência dos seus donos. Mas é só uma teoria... Essa questão, porém, só diz respeito a estes ditadores musicais e suas parceiras, ou parceiros. O mais irritante de tudo é a incapacidade de compreender a importância de não invadir os espaços alheios quando se vive em comunidade. Por mim, eles podem acabar completamente surdos, desde que as sessões de audição ocorram no meio do deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso beirar a paranoia no quesito “não quero invadir o seu espaço”. Ainda assim, cometo deslizes. Certa feita, comprei dois brinquedos que imitam osso para Sofia e Helga. Tinha sido aconselhado por uma veterinária. Aparentemente, ao tentar roer aqueles pesados pedaços de osso processado, elas estariam prevenindo o acúmulo de placa bacteriana nos dentes. Adoraram!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do dia, ao chegar em casa, havia um recado me pedindo para entrar em contato a vizinha do apartamento logo abaixo do meu, D. Maria Joana (nome fictício). Nem troquei de roupa e fui lá pessoalmente. A referida senhora, não muito cordialmente, preciso ressaltar, reclamou do barulho oriundo do impacto dos novos brinquedos e o piso de lajotas do meu lar. Antes que eu pudesse tentar argumentar, um trovão ecoou na sala de jantar dela... e vinha lá de cima, da minha casa. Pedi desculpas e garanti que não aconteceria mais. Subi correndo e confisquei a nova diversão das cãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos meses subsequentes, pelos menos três vezes por semana, ao retornar do trabalho à noite, encontrava o meu quarto completamente incensado com o característico aroma da erva maldita. E, cá entre nós, não gosto do cheiro. Chegar em casa e sentir o barrunfo impregnado no lençol, no cobertor e na fronha era foda! Irritante demais. Tudo indicava ser proveniente da janela do terceiro andar, um a menos que o meu. Entretanto, não tinha como provar. Nada contra a tia queimar unzinho. Muito pelo contrário. Mas eu odeio o cheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só tive certeza quando, numa madrugada, acometido pela minha inseparável insônia, resolvi sentar ao lado da janela enquanto tocava violão e fumava um cigarro. Depois do segundo acorde, eis que sobe a fumacinha característica e impregna minhas narinas. Debrucei-me no parapeito, olhei para baixo e me deparei com uma mão feminina, apoiada na janela de baixo, segurando um baseado. A coroa do terceiro andar era maconheira. Ela que sempre entrava sisuda no elevador e mal cumprimentava as pessoas era uma chincheira profissional. Mas por que somente agora, após quase 10 anos de vizinhança, a fumaça começou a invadir meu quarto? A princípio cheguei a cogitar que ela adquirira o hábito tardiamente. Acabei descobrindo por vias transversas, contudo, que a mãe de D. Maria Joana se mudara e havia deixado o apartamento para a filha. Quando os gatos saem, os ratos fazem a festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro instinto foi o de reclamar. Fazer exatamente como ela fizera. Resolvi, entretanto, depois de refletir um pouquinho, que eu, dentro dos meus princípios de bom convívio social, poderia ser mais tolerante e flexibilizar um pouco. Afinal, fumar maconha ainda é estigmatizante nesse país e ela, uma respeitável cinquentona, estava tendo a rara oportunidade de fazer isso no conforto e segurança do próprio lar. Daquela noite em diante, então, toda vez que saía de casa, eu fechava a janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo seguia normalmente até eu comprar duas almofadonas para Sofia e Helga. Com esta aquisição, resolvi ensiná-las a somente roer os brinquedinhos confiscados quando estivessem em cima das almofadas. Elas adoravam passar horas afiando as presas e combatendo as placas. Tive o cuidado de adestrá-las no horário do almoço, pois sabia que a senhora do andar de baixo não retornava antes das 18 horas. Não foi necessário muito tempo. Fiquei surpreendido com a velocidade em que se habituaram ao novo comando. Em três dias, estavam educadas. Ainda assim, tinha o cuidado de deixá-las brincar somente sob minha observação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num fim de semana qualquer, enquanto eu assistia a alguma besteira televisiva, Sofia deixou o osso escapulir da boca. Este escorregou pela beirada da almofadona e tocou a lajota. Em menos de dez segundos, o interfone tocou. D. Maria Joana estava irritadíssima com a barulheira interminável que minhas cachorras faziam, segundo a própria, arrastando um maldito osso por toda a casa. Aí pirei o cabeção! Putaquepariu! A porra do osso resvalou na lajota e a coroa aloprou! Como assim, D. Cinquentona Maconheira Descarada?! Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirei fundo, contei até cinco mil, mantive a calma e tentei ponderar, assumindo a responsabilidade do primeiro ocorrido, mas ressaltando que desde aquela época nada mais tinha acontecido, dos cuidados tomados, inclusive do adestramento nos horários em que ela não estava. Ainda desproporcionalmente nervosa, quiçá pela ausência de THC na corrente sanguínea, disse que eu deveria aprender a ser menos egoísta e um pouco como viver em comunidade, respeitando o espaço alheio. Foi a deixa que eu precisava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Justamente, D. Maria Joana. Também acho de suma importância as pessoas aprenderem a viver coletivamente, serem mais flexíveis e tolerantes para que se conviva mais facilmente com as diferenças.&lt;br /&gt;– Então!&lt;br /&gt;– Então, não é? Há alguns meses, o meu quarto tem sido impregnado por uma fumaça vinda do seu apartamento, pelo menos três vezes na semana. E a senhora recebeu alguma reclamação? Ao invés de reclamar, fechei a minha janela.&lt;br /&gt;– Erm... Veja bem... É que eu gosto de incenso.&lt;br /&gt;– Incenso?&lt;br /&gt;– É... é incenso.&lt;br /&gt;– Sei, sei... pois quando eu era mais jovem também fumei muito desse incenso.&lt;br /&gt;– ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Este texto foi revisado por Paula Berbert&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-662390219795402322?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/662390219795402322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=662390219795402322' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/662390219795402322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/662390219795402322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/06/vizinhanca.html' title='VIZINHANÇA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SiZwfMbhaEI/AAAAAAAAAXI/T_hWm9T7AaA/s72-c/incenso2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-2685647173172811616</id><published>2009-05-15T14:17:00.000-07:00</published><updated>2009-05-15T14:47:15.806-07:00</updated><title type='text'>ANÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sg3dRVBjFLI/AAAAAAAAAW4/elEcqPP--qM/s1600-h/an%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336164423275058354" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sg3dRVBjFLI/AAAAAAAAAW4/elEcqPP--qM/s200/an%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Há um conceito equivocado, muito comum entre leigos e alguns linguistas incompententes, de que não se aprende uma língua depois de adulto. Bobagem! Além de diversos estudos sérios atestando o contrário, eu sou a prova viva que refuta esta asneira. Comecei a estudar inglês aos 21 anos e aos 25 já ensinava. Não por ser um gênio, mas por me dedicar com afinco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudei na Cultura Inglesa e tornei-me professor de lá em 1999, após ter feito o TTC (Teachers Training Course) com Jackie Sabback que, além de ter sido a minha primeira mestra, foi quem acreditou no meu potencial. Jamais esquecerei as palavras dela ao me comunicar que a escola tinha interesse de que eu fizesse parte do corpo docente. Disse: “Lubis, alguns se esforçam para dar aula. Você já nasceu professor. Isso é uma grande responsabilidade. Abrace essa carreira e aproveite!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste 10 anos de casa, muitos professores chegaram, tantos outros foram e, no geral, conseguimos manter um bom clima de trabalho. Obviamente, há os atritos típicos de um ambiente em que 90% dos indivíduos ciclam e sofrem de TPM. Mas nada que distoe do normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vez ou outra, surgia um professor chato de galocha, mas que, para a nossa sorte, não durava muito. Lembro de um idiota antitabagista de carteirinha. Odeio esta patrulha panfletária! Se tem uma coisa que me tira do sério (e há incontáveis) é gente que vive importunando a paz dos outros com sua idéias copiadas de livros de autoajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre fui um fumante relativamente educado, se é que isso existe. Segurava o cigarro com a mão esquerda, pois uso a direita pra cumprimentar; se fumava antes da aula, lavava bem o rosto, as mãos e ainda mascava chiclete em respeito aos alunos; jamais fumava em frente a crianças e, no trabalho, ia até o jardim para não importunar ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, ao chegar na sala dos professores, percebi que havia um recado escrito em letras garrafais numa folha A4, pendurado na porta no meu armário, dizendo: “NÃO FUME, ESTOU RESPIRANDO!” Arte de quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase enlouqueci de raiva. Como assim?! Aquele merdinha que só vestia camisa pólo por dentro da calça e não devia comer ninguém querendo me dar lição de moral. Vê se tem cabimento! Não contei dois, peguei uma folha A3 no almoxarifado, escrevi com piloto vermelho “NÃO RESPIRE, ESTOU FUMANDO!” e, com cola cascolar – aquela bem gosmenta que dá um trabalho retado para ser removida – afixei meu singelo cartaz na “mochila fashion que acabei de comprar em SP” do fedelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PUTAQUEPARIU, mermão! Se não quer fumar, ótimo. Mas, por favor, deixe eu me matar à vontade! Que fumar é nocivo à saúde, todo fumante está careca de saber. Os não-fumantes é que não entendem o quanto fumar é gostoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Come to where the flavor is. Come to Marlboro country” é o lema do cigarro mais famoso produzido pela antiga Phillip Morris, fabricante londrina que criou, em 1902, sua primeira subsidiária em Nova Iorque para vender suas marcas, entre elas, Marlboro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fumei compulsivamente mas fui fiel a este cigarro forte e encorpado de filtro amarelo por 16 anos. Era daqueles que fumam aproveitando o instante, quase como um ritual. Só quem fuma assim consegue dimensionar o que representa um trago no meio da noite quando a solidão bate à porta. Um cigarro bem fumado pode ser uma excelente companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo mantendo uma média de quatro a cinco cigarros por dia, largar o vício foi uma tarefa árdua. Se por um lado tenho um paladar mais apurado agora, por outro, ganhei 15 quilos! Tenho ganas de voltar. Repito, diariamente, que não sou ex-fumante, mas sim um fumante que não fuma. É somente uma estratégia para evitar deslizes. Por experiência própria, sei que um tragozinho de nada é o suficiente para jogar todo meu esforço no lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é: fumar é bom pra caralho. Por isso, sucumbir à tentação da nicotina também não é o fim do mundo. Afinal, parar de fumar é fácil, basta apagar o cigarro. Foda mesmo é não voltar! Conheço, a propósito, várias pessoas que voltam para o tabaco depois de já, aparentemente, estarem lidando bem com a maldita abstinência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma querida amiga míope foi assim. Abandonamos o cigarro, coincidentemente, na mesma época. Poucos meses depois, entretanto, me surpreendi ao vê-la acendendo um mata-cachorro qualquer! Senti-me traído!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há de se fazer justiça, porém. O motivo da recaída foi, indubitavelmente, o mais legítimo de todos no mundo mundial! Veja se você não concorda comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Porra, babes, não acredito! Achei que estivéssemos no mesmo barco! Puta que pariu! Como assim, você voltou a fumar? Como assim?!&lt;br /&gt;(Na moral, ex-fumante só perde em chatice para ex-mulher!)&lt;br /&gt;– Foi mais forte que eu e...&lt;br /&gt;– Não me venha com desculpa esfarrapada do tipo “ai, mainha, meu pé ta doendo, meu pé ta doendo!”&lt;br /&gt;– Queria ver se você estivesse no meu lugar, se não voltava a fumar também.&lt;br /&gt;– Nêga, só queria te lembrar que minha namorada fuma. Eu passo por provações todo santo dia! Nada pode ser pior que isso!&lt;br /&gt;– É mesmo? Então se ligue: eu tava trabalhando como produtora de um filme. Meu chefe andava a mil por hora à base de café e cigarro. E eu, na minha, segurando a onda. Não houve um dia sequer que tenha trabalhado por menos de 10 horas. Já tava um caco... nas últimas mesmo. Foi quando num domingo de manhã cedo, tipo umas 7 horas, após ter ido dormir às quatro da matina, meu celular tocou e adivinhe quem era? Meu amado chefinho. Ninguém merece o chefe ligando no único dia de folga! Ainda sonolenta, coloquei os óculos para escutar melhor e tive que ouvir o seguinte: “desculpe, querida, talvez seja um pouco cedo, mas mudei alguns planos da filmagem e preciso que você me consiga, para hoje antes do meio dia, um anão”.&lt;br /&gt;– Como assim, um anão, amiga?! Como assim?!&lt;br /&gt;– Pois é. Daí acendi um cigarro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Este texto foi revisado por Paula Berbert &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-2685647173172811616?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/2685647173172811616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=2685647173172811616' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2685647173172811616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2685647173172811616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/05/anao.html' title='ANÃO'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sg3dRVBjFLI/AAAAAAAAAW4/elEcqPP--qM/s72-c/an%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-6383693652419191728</id><published>2009-04-20T08:03:00.000-07:00</published><updated>2009-04-20T08:10:04.227-07:00</updated><title type='text'>CINZA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SeyQFFkko5I/AAAAAAAAAWw/3Qv8sGbaFYg/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326790876341773202" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 134px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SeyQFFkko5I/AAAAAAAAAWw/3Qv8sGbaFYg/s200/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Somente a brancura da tua pele&lt;br /&gt;ilumina este domingo chuvoso&lt;br /&gt;com gosto de sorriso melancólico...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-6383693652419191728?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/6383693652419191728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=6383693652419191728' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/6383693652419191728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/6383693652419191728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/04/cinza.html' title='CINZA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SeyQFFkko5I/AAAAAAAAAWw/3Qv8sGbaFYg/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-171003579578014790</id><published>2009-04-16T14:10:00.000-07:00</published><updated>2009-04-16T14:16:14.551-07:00</updated><title type='text'>I SEE DEAD PEOPLE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Seee7hIxasI/AAAAAAAAAWc/TT4P-R2cEEY/s1600-h/bremer_stadtmusikanten.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 197px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325399829733534402" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Seee7hIxasI/AAAAAAAAAWc/TT4P-R2cEEY/s200/bremer_stadtmusikanten.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Morar na Alemanha é coisa para profissional. Amador não entra. Minha amiga Cris, já muito bem adaptada, tanto à língua quanto ao &lt;em&gt;modus vivendi&lt;/em&gt;, que o diga. Suou a camisa até conseguir o equilíbrio entre a baianidade nagô e a germanice de Bremen. Houve um elemento fundamental para o encaixe de duas culturas tão distintas, entretanto: &lt;em&gt;Das Bier&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive menos sorte, não bebo. Hoje me arrependo profundamente de ter me privado de aprender alemão. Foi a minha maneira de resistir a uma suposta imposição cultural etnocêntrica. Mesmo tendo vivido por quase um ano e meio naquele iceberg germânico, compreendo quase nada e consigo apenas construir frases muito rupestres. Uma pena, uma pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro professor foi Michal (pronucia-se mirrau), amigo polaco, criado primeiramente em Berlim assim que chegou da terra natal como imigrante e, então, mudou-se para Bremen, onde ainda reside e é casado com Cris. Para falar a verdade, eu os apresentei em meados de 1999, aqui em Salvador. Em função dos imponderáveis rumos que a vida toma, assim que cheguei à cidade dos Saltimbancos (&lt;em&gt;Die Bremer Stadtmusikanten&lt;/em&gt;), Michal foi o primeiro a me dar guarida. Jamais esquecerei a minha chegada, naquela noite, à &lt;em&gt;Hauptbahnof&lt;/em&gt;, estação central de trem. Estava emocionalmente estraçalhado, com saudade de casa e ainda era inverno. Só quem já vivenciou um inverno de verdade sabe como esse senhor gélido influencia o nosso estado de espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ter pouquíssimos euros, peguei o trem lento, por isso mais barato... ou seria o mais barato, por isso mais lento? Após quase sete horas de viagem, ao saltar na plataforma, com a mochila pesada nas costas, logo avistei Renezão, amigo de tantas batalhas que também, por outros motivos, andava perdido nazoropa. Logo em seguida, Michal apareceu e os dois me abraçaram forte. Enquanto eu chorava convulsivamente, o futuro marido de Cris disse: “meu irmão, você acabou de chegar em casa”. Ainda me emociono com essa imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamento tanto tê-lo decepcionado como aluno. Mesmo tendo uma excelente gramática presenteada por meu engajado professor, o aprendiz era relapso. Ele acabou, por seus justos motivos, desistindo de mim. Prematuramente talvez, mas compreendo o quanto é chato acumular as funções de mestre e babá. Acho que jamais o agradeci por ter me ensinado as três coisas mais importantes durante a minha estada por aquelas bandas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Torcer pelo &lt;em&gt;Werder Bremen&lt;/em&gt;;&lt;br /&gt;2. Dizer o meu endereço (&lt;em&gt;Neustadtcontrescarpe neunundzwantig&lt;/em&gt;);&lt;br /&gt;3. A frase Bombril: &lt;em&gt;Ich bin total bekift&lt;/em&gt;, que significa: eu tô chapadão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso viaje para algum país falante de alemão, esta frase, exceto quando abordado/a por policiais, pode te livrar de muitas situações. Se te perguntam as horas, reponda &lt;em&gt;Ich bin total bekift&lt;/em&gt;, que com certeza a pessoa procurará outrem com um relógio no pulso. Se te pedem informação a respeito de onde fica a Mc Donald’s, olhe ao redor para ver se há o tradicional M por perto. Caso esteja à vista, aponte. Se não, &lt;em&gt;Ich bin total bekift&lt;/em&gt; nele! Questionam o seu nome, &lt;em&gt;Ich bin total bekift&lt;/em&gt;. De onde você é? &lt;em&gt;Ich bin total bekift&lt;/em&gt;, mais uma vez. Se bem que, nesse caso, pode-se inferir equivocadamente que você é oriundo da Jamaica ou Holanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de quase dois meses abusando da boa vontade de Michal, meu anfitrião, a hora de buscar um lugar para mim já tinha chegado há décadas. Meu desconfiômetro já tinha ultrapassado o limite, apesar de me sentir muito à vontade no cubículo que chamávamos de lar. Comecei, então, a procura por moradia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira que visitei era uma casa de dois andares a duas estações de onde morávamos. Tive a sorte de o proprietário ser um jovem estudante, fluente em inglês, que iria passar uma longa temporada na Argentina estudando tango. Como assim, meu nêgo?! Perdeu o quê na Argentina? Como assim, Argentina?!Enlouqueceu? Lá tá entupido de argentinos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa era bem no meio de uma estreita ruela transversal à avenida principal, onde de um lado havia essa série de 18 casas conjugadas e do outro, um muro de aproximadamente três metros de altura, que se estendia por todo o quarteirão. A calçada entre a porta da entrada das casas e a muralha tinha, com certeza, menos de três metros de largura. Meio claustrofóbico. Imaginei que deveria ser macabro durante a noite, pois consegui ver, após um breve rastreamento, somente um poste de iluminação pública no finalzinho da rua, lá na casa da porra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matze me mostrou a sala de estar, a cozinha e um micro jardim-de-inverno no térreo. No andar de cima, havia um gabinete pequeno, mas confortável, e a suíte com uma varanda surpreendentemente ampla. Foi da varanda que avistei o que estava por trás do muro. O proprietário não parava de explicar alguma coisa que eu já não escutava mais, pois estava vidrado naquilo entre o horizonte e as portas de vidro da varanda. Quando dei por mim, Matze já me pegava pelo braço como se quisesse me tirar de um transe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ativar tecla SAP)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sr. Lubisco, está tudo bem?&lt;br /&gt;- Hã? Sim, sim, está. Desculpe, estava absorto.&lt;br /&gt;- Aconteceu algo, posso ajudá-lo?&lt;br /&gt;- Não, não. Tá tudo ótimo. Erm... me responda uma coisa. O que é isso aí na frente?&lt;br /&gt;- Um muro.&lt;br /&gt;- Eu quis dizer, atrás do muro.&lt;br /&gt;- Ah! Acho que me esqueci de mencionar, né? É um cemitério. Algum problema com isso?&lt;br /&gt;- Não exatamente...&lt;br /&gt;- Ótimo. Como ia dizendo, tenho certeza que o senhor vai adorar. A vizinhança é ótima. São super silenciosos e nunca reclamam do barulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto foi revisado por Paula Berbert&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-171003579578014790?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/171003579578014790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=171003579578014790' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/171003579578014790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/171003579578014790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/04/i-see-dead-people.html' title='I SEE DEAD PEOPLE'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Seee7hIxasI/AAAAAAAAAWc/TT4P-R2cEEY/s72-c/bremer_stadtmusikanten.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-3377382140471133883</id><published>2009-04-14T09:26:00.000-07:00</published><updated>2009-04-14T09:33:21.202-07:00</updated><title type='text'>QUERÊNCIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SeS6XitTliI/AAAAAAAAAWU/GAOfJcFynN4/s1600-h/alfazema.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324585573075359266" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 208px; CURSOR: hand; HEIGHT: 154px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SeS6XitTliI/AAAAAAAAAWU/GAOfJcFynN4/s200/alfazema.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nasci em uma casa de telhavã,&lt;br /&gt;&lt;div&gt;portas entreabertas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e cheiro de alfazema&lt;/div&gt;&lt;div&gt;entrando pela veneziana.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando me visitares&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- não interessa em que cidade,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;estado ou país -&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pela janela do meu quarto&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sempre entrará o mesmo perfume&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que embalava os meus&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sonhos infantis...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-3377382140471133883?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/3377382140471133883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=3377382140471133883' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3377382140471133883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3377382140471133883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/04/querencia.html' title='QUERÊNCIA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SeS6XitTliI/AAAAAAAAAWU/GAOfJcFynN4/s72-c/alfazema.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-2752364512468630880</id><published>2009-03-16T13:36:00.000-07:00</published><updated>2009-03-24T12:01:11.183-07:00</updated><title type='text'>NA JANELA AO LADO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sb64w6AcMFI/AAAAAAAAAWM/uSGOFXRwAh0/s1600-h/JANELA.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313887760688099410" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 172px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sb64w6AcMFI/AAAAAAAAAWM/uSGOFXRwAh0/s200/JANELA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Depois de assistir a um micro festival de rock aqui em Salvador, resolvi escrever sobre a performance pífia de uma das bandas. Comecei a minha crítica fazendo mea culpa, ao afirmar que sou um velho ranzinza. Gostaria de reiterar: eu sou ranzinza para caralho! Insuportavelmente ranzinza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as zilhões de coisas que me irritam, o senso comum aparece nas primeiras posições. Mais especificamente, a incapacidade de reflexão diante dos fatos e a mera reprodução de um discurso massificado. É importante distinguir um do outro, pois muitas vezes, após refletirmos, o nosso posicionamento coincide com o senso comum. Aí, já era. Não faz sentido também se tornar um rebelde sem causa, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de dar calafrio no espinhaço quando me deparo com pessoas que acreditam que Jorge Vercilo é MPB, Capital Inicial é Rock, a VEJA é séria e Diogo Mainardi, legitimador de verdades absolutas. No geral, são os mesmos que vivem me enchendo o saco com argumentos esfarrapados e sem consistência. E muitos ainda se acham revolucionários, messiânicos, quando são, na verdade, papagaios do mainstream às avessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda recordo quando surgiu para o grande público, em 1993, a banda Planet Hemp, liderada por Marcelo D2, com o mega hit Legalize Já (Rafael / Marcelo D2). O refrão simboliza, para mim, a síntese da argumentação vazia e, por isso, tira esse velho ranzinza do sério. Diz assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Legalize já, legalize já&lt;br /&gt;Porque uma erva natural não pode te prejudicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim, não pode te prejudicar? Como assim?! Vá cagar no mato e se limpar com cansanção para ver se uma erva natural não te prejudica. Com certeza, vai deixar a bunda queimadinha e cheia de bolhas em função dos seus efeitos urticantes e vesiculantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto minha pouca inteligência subestimada à enésima potência! É superficial demais. Chega a ser primário. Completamente compreensível se encontrado numa redação de aluno secundarista - repetente. Mas num texto de um adulto? Pelamordedeus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desconheço os valores terapêuticos do THC (delta-9-tetrahidrocannabinol), a substância ativa da maconha. Na luta contra o mal de Alzheimer, por exemplo. Os pesquisadores do Instituto Scripps de Pesquisa, na Califórnia, concluíram que o THC pode ser mais eficaz na preservação do neurotransmissor acetilcolina do que medicamentos vendidos regularmente. Ou ainda para reduzir a pressão intra-ocular em pacientes com Glaucoma. Sei disso tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo meu acredita de pé junto nos poderes milagrosos da ganja para curar gagueira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa feita, houve um encontro aqui em casa para se tocar violão, comer petiscos e, principalmente, jogar conversa fora. Lá pelas tantas, quase todos nós a umas duas doses acima do normal, Zé (nome fictício para preservar a identidade do maconheiro) me consultou a respeito da possibilidade de “queimar unzinho”. Ponderei que não seria legal, pois minha irmã, com quem dividia o apartamento, não lidava bem com isso e já estava dormindo no quarto, cuja janela era semi-conjugada com a varanda da sala, onde estávamos. Sem se dar por rogado, contra argumentou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Man, a ma-ma-maconha curou minha ga-ga-ga-gagueira! Na na na mo-mo-moral, é te-te-terapêutico!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-2752364512468630880?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/2752364512468630880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=2752364512468630880' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2752364512468630880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2752364512468630880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/03/na-janela-ao-lado.html' title='NA JANELA AO LADO'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sb64w6AcMFI/AAAAAAAAAWM/uSGOFXRwAh0/s72-c/JANELA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-1151328895688568351</id><published>2009-03-03T04:50:00.000-08:00</published><updated>2009-03-03T05:06:12.295-08:00</updated><title type='text'>H.E.L.P.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sa0orZSFq4I/AAAAAAAAAWE/qYLTfI0mCB4/s1600-h/JS1566298.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308944261725924226" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 162px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sa0orZSFq4I/AAAAAAAAAWE/qYLTfI0mCB4/s200/JS1566298.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Chegaram a cogitar que minha alcunha fosse uma homenagem aos meus dois avôs. Felizmente, meu pai percebeu que, além de “Humberto Eduardo” soar como protagonista de novela mexicana, o acrônimo do meu nome completo – Humberto Eduardo Lubisco Portella – seria HELP. Acabei sendo batizado só em tributo ao pai de meu pai, o já falecido Vovô Eduardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Vô Humberto era um homem forte e muito elegante. Oftalmologista, operou até os 65 anos e nunca parou de clinicar. Morreu em Porto Alegre, onde nascera e vivera toda a sua vida, aos 76 anos, em 1º de janeiro de 1989. Eu tinha apenas 14 anos e sofri. Sofri por ver minha mãe chorar e por não ter convivido o suficiente com aquele homem de poucas palavras, mas de muito afeto. Divertia-se com a ingenuidade infantil dos netos. Lembro que quando Nana, minha irmã mais velha, estava sendo alfabetizada, ele implicava com o nome da Professora dela: Pró Glades (pronuncia-se “Gleides”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Vô – Qual o nome de sua professora mesmo?&lt;br /&gt;Nana (debruçada sobre o dever de casa) – “Gleides”.&lt;br /&gt;Meu Vô – Não, é Glades.&lt;br /&gt;Nana (já irritada) - Não é nada. É “Glei-des”!&lt;br /&gt;Meu Vô (quase zen budista) - Nada disso. Está escrito aqui, ó: Gla-des!&lt;br /&gt;Nana (aos berros) – “Glei-des”, meu Vô! “Glei-des”!&lt;br /&gt;Meu Vô (em estado de pré-levitação) – Gla-des, minha neta. Gla-des!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa feita, estávamos indo a Villas do Atlântico no Fusca cinza de D. Nídia Lubisco, placa AZ-5877. Minha mãe dirigia, Minha Vó ia ao lado dela e, no banco de trás, eu, Nana, Kika – a caçula – e ele, Dr. Humberto, nos espremíamos. Eu, que estava bem atrás da motorista, tive que sentar meio de banda, com um pedaço da bunda apoiado na lateral do carro. Depois de alguns poucos minutos de estrada, reclamei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu – Pô, mãe!  Tô sentado com a bunda pra cima!&lt;br /&gt;Meu Vô (com sotaque de gaúcho) – Então estás de cabeça para baixo, Guri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E gargalhou alto. Essa foi, com certeza, a única vez que o vi gargalhar sem se conter...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não recordo direito se foi no mesmo dia que, ao ouvir alguém chamar um senhor de velho, retrucou baixinho para si próprio: “velho é o mundo”. Confesso que na época, provavelmente em função da pouca idade, não tinha alcançado a profundidade de tão sábias palavras. Para mim, minha mãe era velha, meu pai era velho, o jardineiro da casa era velho, Olga, a babá de Kika, também era velha. Como assim, velho é o mundo?! Como assim?! Porém nada melhor que o tempo para dar significado ao que aparenta ser, em algum momento da vida, nonsense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já estava praticando boxe há aproximadamente quatro meses, já tinha perdido alguns quilos, recuperado um pouco do fôlego perdido para o cigarro e, aos 34 anos, me sentia um atleta! Numa quarta-feira, substituí um colega no trabalho e acabei não chegando ao treinamento a tempo. Corri para casa, vesti a bermuda, a velha camiseta com mangas cortadas, calcei meu All Star preto de cano alto, peguei minha corda, o som portátil de Kika e desci de escada para o playground saltando os degraus de dois em dois, só para aquecer. Chegando lá embaixo, coloquei o álbum Mutter, da banda alemã Rammstein, para tocar no máximo e, me sentido Rocky Balboa, comecei a pular corda. Não sou exatamente um especialista, mas, literalmente, dou meus pulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estava na função há pelo menos vinte minutos quando apareceu um garoto na faixa etária de uns 13 anos. Pouco depois, chegou seu comparsa aparentando a mesma idade e trazendo uma bola de futebol. Imagino que eu estava tomando o lugar designado por eles para jogar um golzinho, apesar do regimento interno do condomínio proibir terminantemente qualquer jogo com bola nas áreas comuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram ali, quietos, quase hipnotizados me observando saltitar freneticamente ao som de “Nun liebe Kinder gebt fein Acht / ich bin die Stimme aus dem Kissen / ich singe bis der Tag erwacht / ein heller Schein am Firmament / Mein Herz brennt” , que podia ser ouvido num raio de 15km. E eu, vendo aquela cena de canto de olho, me envaideci. “Devem estar impressionados com a minha velocidade. Tô abafando!”, pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe quando você está numa boate com o som ensurdecedor, berrando no ouvido do seu bróder algo sobre a gostosa de minissaia e camiseta transparente dançando bem à sua frente, daí a música pára de vez e todo mundo ouve o seu “GOSTOOOOOOSA AÍ DA FRENTE!”? Sabe? Pois foi o que aconteceu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que Till Lidemann, vocalista do Rammstein, abruptamente parou de vociferar nos alto-falantes do portátil de minha irmã caçula, ouvi os garotos arremessarem o seguinte petardo sem piedade alguma, bem direto na caixa do peito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moleque-Que-Merece-Uma-Surra-de-Cansanção-1 – “Porra! Ó pro coroa! Botando pra fudê!”&lt;br /&gt;Moleque-Que-Merece-Uma-Surra-de-Cansanção-2 – “O coroa tá em cima! Arregaçando!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era sábio Meu Vô Humberto.&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;                                Este texto foi revisado por Paula Berbert&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-1151328895688568351?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/1151328895688568351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=1151328895688568351' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/1151328895688568351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/1151328895688568351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/03/help.html' title='H.E.L.P.'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/Sa0orZSFq4I/AAAAAAAAAWE/qYLTfI0mCB4/s72-c/JS1566298.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-3866414264178340871</id><published>2009-02-16T23:08:00.000-08:00</published><updated>2009-02-19T20:01:27.993-08:00</updated><title type='text'>MUITA ESTRELA PARA POUCA CONSTELAÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SZpil3c0q4I/AAAAAAAAATk/Ams7M4S1hrM/s1600-h/two_flying_swans.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303659913861704578" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SZpil3c0q4I/AAAAAAAAATk/Ams7M4S1hrM/s200/two_flying_swans.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Segundo a Sociedade Internacional de Cefaléia, 78% da população mundial é acometida por este mal, comumente conhecido como dor de cabeça. Por azar, não faço parte dos felizes 22%. Ainda sofro com enxaquecas. Porém nada comparado a um passado quase recente que me proporcionou fazer um tour pelo atendimento de diversas salas de emergência em Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já cheguei ao ponto de, no auge da crise, ingerir quatro comprimidos de Tylenol 750 mg. Loucura total. Absurdo! Só quem sofre com migrâneas pode dimensionar o desespero que é aguardar o remédio dar fim a este tormento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro quando ainda cursava Musicoterapia na Universidade Católica de Salvador e, na segunda semana do terceiro semestre letivo, no final da primeira aula, às 14:40, no Instituto de Música na Av. Carlos Gomes, eu estava prestes a sair correndo até a primeira farmácia com o único objetivo de comprar um medicamento específico para curar-me daquela maldita mazela, quando Michal, uma colega já mais madura e pra lá de esotérica, me pegou pelo braço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michal - Lubisco, o que aconteceu? Você tá com uma cara péssima, menino!&lt;br /&gt;Eu (tentando me desvencilhar) - Minha cabeça tá estourando. Tô indo aqui na farmácia comprar um remédio. Não aguento mais!&lt;br /&gt;Michal - Lubisco, Lubisco... Essa coisa de se intoxicar com essa química toda somente macula sua aura e atrapalha seu karma. Tome um chazinho que é natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra de chá! Eu quero é droga pesada pra acabar com esse martírio, pensei. Respirei fundo, educadamente agradeci, voei até o paraíso dos hipocondríacos, comprei o medicamento e um copo de água mineral, ingeri duas cápsulas de Cefalium, voltei para o pavilhão de aulas, deitei no banco de madeira do corredor e, com o caderno a guisa de veneziana, adormeci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei após o final das aulas do período com um sucesso do carnaval baiano do início dos anos 90 na cabeça, cujos autor e intérprete me fogem à memória e nem o Mr. Google sabe: “O índio me deu um remédio pra dor de cabeça / mas o remédio do índio fez a minha cabeça. / Foi chá, menina foi chá / menina, foi chá / menina, foi chá...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A indústria do carnaval soteropolitano mercantilizou a música local, de forma que bandas e artistas que vivem do axé music se esmeram para lançar um sucesso por verão. São canções descartáveis, esquecidas nos meses que seguem a celebração momesca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, no carnaval de Salvador, há não apenas hits de verão, mas também bandas sazonais com vida útil curtíssima. A lógica é triste. No geral, meia dúzia de empresários da indústria de entretenimento local lançam “o maior talento de todos os tempos que vai dominar a axé music pelas próximas décadas”. Quem será que leva o dinheiro nessa história?Quem? Quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estratégia é de começar com uma banda. Daí, o/a vocalista tem a sua imagem exaustivamente divulgada pela imprensa e, com a influência correta e um pouquinho de sorte, consegue um prêmio qualquer de artista revelação. O resto da banda pouco importa! Quer ver?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem era a guitarrista da banda As Meninas? E a vocalista?&lt;br /&gt;Quem tocava teclado na Rapazzola? E quem cantava?&lt;br /&gt;Qual o nome do percussionista da Banda Beijo? E dos dois vocalistas que passaram por lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que o fato de não me interessar, em absoluto, pelos bastidores do carnaval, contribua para conseguir lembrar os vocalistas, apenas: As Meninas, Carla Cristina; Rapazzola, Tomate; e Beijo, Netinho e Gilmelândia. Entretanto, mesmo o mais ávido consumidor de música carnavalesca contemporânea deve ter dificuldade de acompanhar a ascensão e queda de tantas estrelas numa mesma constelação. E em Salvador, ignorar astronomia pode ser deveras perigoso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana antes de abandonar minhas aulas de boxe, já não aguentava mais pagode e axé music tocando durante os 60 minutos de treino. Como assim treinar boxe ouvindo Guig Gheto, Bel Marques e Durval Lélis? Como assim, mermão?! Só se a intenção é instigar o cara pra sair na pipoca do Chiclete, em plena Praça Castro Alves, rumandoladisgraça em quem passar pela frente. Aí sim, tudo faz sentido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que entrei na sala, percebi que não reconhecia o som que vinha dos alto-falantes. Certamente era axé, mas nenhuma voz conhecida. Enquanto alongava, ouvi aquilo atentamente e notei que uma voz masculina, parecida com a de Tatau (ex-Araketu), e uma feminina, parecida com a de Ivete Sangalo (ex-Eva) ou a de Claudia Leite (ex-Babado Novo) – como preferir –, se revezavam. Antes fosse meia voz, pois as duas juntas eram uma ode à bizarrice. Juro que prefiro minha irmã ouvindo Roupa Nova com headphone e cantando aos berros por não se ouvir. E posso garantir que isso não soa nada legal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelas tantas, quando a tortura auditiva já extrapolara todos os princípios de direitos humanos, fui até o professor, Dói, e perguntei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu - Dói, que porra é essa, man?!&lt;br /&gt;Dói - Oxe, Lubisco. Colé? Curta aí, vá, relaxe!!&lt;br /&gt;Eu - Velho, na moral, eu prefiro um dueto com Bel e Durval cantando. Isso é ruim demais! Qual o nome dessa coisa?&lt;br /&gt;Dói - Uma banda nova. VOA DOIS. Vai dizer que você não gosta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por uma triste infelicidade do destino, naquele exato instante, a vocalista da referida banda adentrou a sala e se prostrou logo atrás desse que aqui escreve, para sua primeira aula. Eu continuei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dói, veja bem. Se eu não tivesse nenhum outro motivo no mundo pra não gostar dessa tal VOA DOIS, seria simplesmente por que eles não foram capazes de fazer uma mera concordância verbal. VOA DOIS... VOA DOIS... Como assim, VOA DOIS?! Humpf!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ps.: Para que o leitor desgoste de coisas apenas por motivos que não estejam relacionados à língua e não cometa o crime que cometi, sugiro a leitura de O PRECONCEITO LINGUÍSTICO, editora Loyola, de Marco Bagno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto foi revisado por Paula Berbert &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-3866414264178340871?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/3866414264178340871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=3866414264178340871' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3866414264178340871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3866414264178340871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/02/muita-estrela-para-pouca-constelacao.html' title='MUITA ESTRELA PARA POUCA CONSTELAÇÃO'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SZpil3c0q4I/AAAAAAAAATk/Ams7M4S1hrM/s72-c/two_flying_swans.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-5904318036739086466</id><published>2009-02-13T05:39:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T16:57:48.675-08:00</updated><title type='text'>NOSTRADAMUS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SZV589LNfXI/AAAAAAAAATc/UyG0fTj-Hzw/s1600-h/1199715197_f.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302278224419323250" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SZV589LNfXI/AAAAAAAAATc/UyG0fTj-Hzw/s200/1199715197_f.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quem diria? Esse post foi originalmente publicado em 07 de janeiro de 2008 no meu fotolog (&lt;a href="http://www.fotolog.com/lubisco"&gt;www.fotolog.com/lubisco&lt;/a&gt;). A sequência, para facilitar a compreensão dos desavisados, é a seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.Texto meu&lt;br /&gt;2. Réplica de D. Paula&lt;br /&gt;3. Tréplica minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sexta-feira à noite, nada interessante pra fazer,&lt;br /&gt;Talvez assistir Globo Repórter Especial na TV.&lt;br /&gt;Dei (lá ele) uma olhada no jornal atrás de novidade,&lt;br /&gt;Algo de novo acontecendo pela cidade.&lt;br /&gt;Mas a impressão é que nada acontecia&lt;br /&gt;Justamente em Salvador, a cidade da magia.&lt;br /&gt;Ok, exagero meu. Se quisesse na jaca meter o pé,&lt;br /&gt;Podia pagar pra ver o show do Parangolé.&lt;br /&gt;Shows desse tipo, entretanto, não vou amiúde&lt;br /&gt;Pois acredito que fazem muito mal a saúde.&lt;br /&gt;Permaneci pensando, então -eterna labuta-&lt;br /&gt;Quase sucumbindo a um tédio filho da ....&lt;br /&gt;Estava disposto a pegar a moto, até ir tomar um vinho&lt;br /&gt;Só pra não ficar em casa me deprimindo sozinho.&lt;br /&gt;Foi quando tocou o telefone e era o meu amigo Xandão&lt;br /&gt;Convidando-me pra aparecer no Balcão.&lt;br /&gt;Justamente onde tinha passado meu reveillon,&lt;br /&gt;A BANDA DE ROCK estaria fazendo um som!&lt;br /&gt;Saltei da poltrona, não contei conversa&lt;br /&gt;E me arrumei em poucos minutos com muita pressa&lt;br /&gt;Pois, incrivelmente, no momento atual&lt;br /&gt;Ainda existe um banda relativamente pontual,&lt;br /&gt;E também eu já estava certo que o meu dia&lt;br /&gt;Necessitava ao menos uma boa melodia&lt;br /&gt;Para que eu fosse, finalmente, dormir em paz&lt;br /&gt;Pois axé, pagode e arrocha eu não aguento mais.&lt;br /&gt;Na mesma mesa: Renaty, Nanda e Xandão...&lt;br /&gt;Uma overdose de amigos pra esse velho coração!&lt;br /&gt;Eu estava emocionado, bobo que sou,&lt;br /&gt;Com as pessoas que amo além do bom e velho rock n roll!&lt;br /&gt;E naquela noite, ainda sentado à mesa&lt;br /&gt;Fiquei feliz com a grata surpresa&lt;br /&gt;De que a melhor banda de rock do mundo (há quem jure!!!)&lt;br /&gt;Teria o retorno de Ricardo Cury.&lt;br /&gt;Foi quando vi chegar, entre todas, a maior Casacadurete:&lt;br /&gt;Ninguém mais ninguém menos que Paula Berbert!&lt;br /&gt;Educadamente falou com todos e sentou ao nosso lado&lt;br /&gt;Chamou o garçom e pediu logo um destilado!&lt;br /&gt;Um drink aqui, outro acolá&lt;br /&gt;E eu pensando: quero ver onde isso vai dar!&lt;br /&gt;De repente, levantou-se como se fosse sair&lt;br /&gt;Mas que nada! Sem qualquer medo de cair&lt;br /&gt;Num rompante, sem eira nem beira,&lt;br /&gt;Suspendeu o vestido e pulou pra cima da cadeira!&lt;br /&gt;Alheia aos amigos que permaneciam se preocupando,&lt;br /&gt;Paula, com passinhos seguros e leves seguia dançando.&lt;br /&gt;Dois rapazes espertos, nada trouxas,&lt;br /&gt;Ficaram boquiabertos com o par de coxas&lt;br /&gt;Aparecendo por baixo daquele vestido&lt;br /&gt;Que com uns 50cm a mais tornar-se-ia apenas semi-comprido!&lt;br /&gt;O mais interessado te todos no ocorrido, entretanto,&lt;br /&gt;Estava ali, sentadinho ao lado, bem no canto&lt;br /&gt;Aproveitando, de forma sucinta e apropriada o grato ensejo&lt;br /&gt;Para expressar, em nome de todos os homens, por Paulinha, desejo!&lt;br /&gt;Vocês, leitores, não acham que diante da deusa, nosso querido Xandão&lt;br /&gt;Mais se assemelha com um fofíssimo cachorro pidão!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RÉPLICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sexta-feira à noite, eu do outro lado da cidade&lt;br /&gt;Doida para ir ao Rio Vermelho matar a saudade&lt;br /&gt;Minha Primoca estaria lá com os amigos&lt;br /&gt;Entre eles o cara que “eu já gosto”, o tal do Lubisco&lt;br /&gt;Cheguei feliz e contente e me aproximei&lt;br /&gt;E uma singela dose de vodka eu solicitei&lt;br /&gt;Uma apenas, umazinha só&lt;br /&gt;Só para aquecer e a festa ficar melhor&lt;br /&gt;E no impulso natural que no meu sangue corre&lt;br /&gt;Levantei-me para dançar – nada a ver com porre!&lt;br /&gt;Querendo manter a honra e a tradição&lt;br /&gt;Subi na cadeira, com meu copo na mão&lt;br /&gt;Apenas uma cena ingênua, como podem notar&lt;br /&gt;Passinhos de danças, risos e poses pra fotografar&lt;br /&gt;O vestido era curto, mas nem era esse exagero!&lt;br /&gt;Estava tudo bem coberto, nao me deixe em desespero&lt;br /&gt;O bom comportamento reinou com maestria&lt;br /&gt;Nada que não fosse simples expressão de alegria!&lt;br /&gt;Xandão, bom ator, criou a cena ao meu lado&lt;br /&gt;Para virar foto engraçadinha, tudo bem montado.&lt;br /&gt;Agora abro a internet e me deparo com a surpresa&lt;br /&gt;Depois da gargalhada, retribuo a gentileza&lt;br /&gt;Cheguei a pensar se me sentia homenageada,&lt;br /&gt;Se morria de vergonha ou se ficava aqui chocada&lt;br /&gt;Mas, na real, caretice não é comigo não&lt;br /&gt;E eu vejo tudo isso com enorme emoção!&lt;br /&gt;Agora que consegui parar de chorar de rir&lt;br /&gt;Venho cheia de orgulho registrar aqui:&lt;br /&gt;Eu sou mesmo uma pessoa muito privilegiada&lt;br /&gt;Por ter ao meu redor tanta gente inspirada&lt;br /&gt;Obrigada pela homenagem, Lubisco e Primoca queridos&lt;br /&gt;Obrigada tambem a Xandão, assistente preferido&lt;br /&gt;Me despeço feliz e emocionada, me sentindo A famosa&lt;br /&gt;Na torcida de que venham muito mais noites deliciosas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TRÉPLICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, ora quem diria!&lt;br /&gt;Disso realmente não sabia!&lt;br /&gt;Além da perna atlética&lt;br /&gt;Paula tem uma veia poética!&lt;br /&gt;Mostrou-se muito hábil&lt;br /&gt;Com rima fluida, divertida e ágil.&lt;br /&gt;Porém, tão ruim como sentir fome&lt;br /&gt;É conseguir rima para o meu nome.&lt;br /&gt;Humildemente, Paulinha, estendo a mão&lt;br /&gt;E deixo aqui uma pequena lição:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fazia sol, caía um leve chuvisco.&lt;br /&gt;E um amigo meu, que rompera o menisco&lt;br /&gt;Ficava em casa fazendo rabisco&lt;br /&gt;Vendo televisão e comento petisco.&lt;br /&gt;De comer tudo e tanto, menos marisco&lt;br /&gt;- Sempre refogado com tempero Arisco -&lt;br /&gt;Ficou grande como um obelisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincadeiras à parte,&lt;br /&gt;Aproveitemos esse pé na arte!&lt;br /&gt;Que se divulgue no ATARDE, ISTOÉ e VEJA&lt;br /&gt;O nascimento de uma dupla nada sertaneja&lt;br /&gt;Pronta pra, sem modéstia alguma, dar aula.&lt;br /&gt;Abram alas, Senhoras e senhores, a Lubisco &amp;amp; Paula.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-5904318036739086466?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/5904318036739086466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=5904318036739086466' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5904318036739086466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5904318036739086466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/02/nostradamus.html' title='NOSTRADAMUS'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SZV589LNfXI/AAAAAAAAATc/UyG0fTj-Hzw/s72-c/1199715197_f.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-2116376280776295260</id><published>2009-02-03T21:14:00.000-08:00</published><updated>2009-02-03T21:48:32.834-08:00</updated><title type='text'>SUBMARINOS E AFINS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SYknyWsubzI/AAAAAAAAATU/mwRbCMcdGBY/s1600-h/drikaII.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298810182618214194" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 190px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SYknyWsubzI/AAAAAAAAATU/mwRbCMcdGBY/s200/drikaII.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Já tinha ouvido de várias pessoas, cujas opiniões respeito, que o seriado Heroes, veiculado pela Universal Channel, era espetacular. Relutei um pouco em acompanhá-lo por basicamente dois motivos: 1. não sou muito afeito a super-heróis; 2. a série já estava na terceira temporada quando cogitei a possibilidade de começar a assisti-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, Paula, certo dia, do nada, surgiu porta adentro, num rompante, dizendo que acabara de achar o DVD com a primeira temporada completa de Heroes, que Zeca havia copiado pra ela. Assisti ao primeiro episódio e, fudeu, fui fisgado imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade seja dita, adoro séries de TV. Assisto de tudo, sem preconceito. Até as produções de qualidade duvidosa, acompanho, no mínimo, alguns capítulos, para formar uma opinião e então decidir se descartarei ou não da minha grade de programação televisiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda ontem, assisti a Monk. PUTAQUEPAIRU, que coisa tétrica. Se melhorar muito, muito mesmo, fica somente ruim! Pelo que entendi, deveria ser uma trama de investigação mesclada com comédia, na qual o detetive, Mr. Monk, consegue resolver os crimes no final, a despeito da sua atrapalhação. Infelizmente, pareceu-me que os roteiristas e o diretor ficaram perdidos e não galgaram sucesso nem como uma série investigativa nem, tampouco, de comédia. O capítulo a que assistimos acontecia dentro de um submarino. A graça deveria girar em torno da claustrofobia do protagonista e das alucinações que o faziam conversar com seu ausente psiquiatra. Mas tudo isso afundou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim também foram vários matrimônios. Meu amigo e padrinho Leo, na porta da igreja, minutos antes de o meu casamento ter início, pegou-me pelo braço e profetizou, sussurrando no meu ouvido: “casamento é igual a submarino, pode até flutuar, mas foi feito pra afundar”. Na mosca. Precisão cirúrgica!Até hoje, peço a ele as dezenas para a MEGA SENA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fui convidado por Adriana e Julio para “dizer algumas palavrinhas” no casamento deles, confesso ter pensado em parafrasear meu profético padrinho. Entretanto, mesmo sendo um casamento descontraído, numa oficina, achei que não seria apropriada uma brincadeira que desse qualquer tom pessimista à celebração. Sendo assim, aproveitando que tinha sido testemunha ocular dos primeiros minutos deles juntos, resolvi, para não agourar o casal, contar a história da gênese do relacionamento. E foi assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A idade vai chegando, cai o cabelo, falha a memória&lt;br /&gt;Mas vou tentar relembrar o primeiro dia dessa história&lt;br /&gt;Deve-se ter muito claro de antemão&lt;br /&gt;Que essa é somente a minha versão&lt;br /&gt;Outros detalhes aconteceram com certeza&lt;br /&gt;Mas não devem ser colocados, assim, em cima da mesa.&lt;br /&gt;Julio tinha recém se mudado&lt;br /&gt;Para um novo apê, aqui ao lado.&lt;br /&gt;Adriana, menina esperta que não é abestalhada,&lt;br /&gt;Aproveitou para aparecer assim que foi convidada!&lt;br /&gt;É que Julio tinha chamado uns amigos para comemorar&lt;br /&gt;O apartamento novinho em folha que acabara de alugar&lt;br /&gt;E sabido que é&lt;br /&gt;Tratou de chamar um monte de mulher.&lt;br /&gt;Ok, confesso: “um monte” é exagero&lt;br /&gt;Mas uma história que se preze há de ter tempero.&lt;br /&gt;Voltando, então, Julio que não é nenhum banana,&lt;br /&gt;Chamou poucos amigos... entre eles, Adriana!&lt;br /&gt;Eu, da janela, num sofá meio desconfortável&lt;br /&gt;Assistia aos dois levando um papo muito agradável&lt;br /&gt;Julio tinha lido o manual! Fazia tudo no maior capricho:&lt;br /&gt;Um sorriso aqui, uma bebericada ali, um cochicho&lt;br /&gt;A noite avançava, bebia-se vinho, comia-se queijo&lt;br /&gt;E tudo conspirava para o primeiro beijo...&lt;br /&gt;Lá pelas tantas, se dizendo cansada,&lt;br /&gt;Drika anunciou uma passagem marcada.&lt;br /&gt;Deveria ir embora, pois ficar mais não podia&lt;br /&gt;Já que seu vôo era cedo, bem cedinho no outro dia.&lt;br /&gt;Julio, espertíssimo, nada morto&lt;br /&gt;Logo se ofereceu para levá-la ao aeroporto&lt;br /&gt;Propôs, ele: “quer que eu te leve de motocicleta?”&lt;br /&gt;Respondeu, ela: “Na sua garupa, vou até de bicicleta".&lt;br /&gt;Pausa, olhares, mais um gole de vinho&lt;br /&gt;E Drika lançou seu irresistível biquinho!&lt;br /&gt;Eu, de camarote, percebi naquele momento&lt;br /&gt;Que vinho + biquinho = casamento!&lt;br /&gt;Há quem acredite em ciência, simpatia, na lei da atração&lt;br /&gt;Pra explicar o imponderável desejo do coração&lt;br /&gt;Prefiro simplesmente admirar a beleza&lt;br /&gt;Dos encontros promovidos pela natureza:&lt;br /&gt;O primeiro raio de sol anunciando o amanhecer,&lt;br /&gt;Ou o perfume da grama molhada ao chover&lt;br /&gt;Seja da serenidade do rio com a braveza do mar&lt;br /&gt;Ou de duas pessoas que resolvem se amar.&lt;br /&gt;Aproveito, então, o grato ensejo&lt;br /&gt;Para expressar meu mais profundo desejo:&lt;br /&gt;Que essa comemoração de hoje, essa nova realidade&lt;br /&gt;Seja regada diariamente com muita felicidade.&lt;br /&gt;Só uma última palavrinha dedicada a vocês&lt;br /&gt;Para acabar com esse falatório de uma vez:&lt;br /&gt;Meu querido Julio, minha amiga linda Adriana,&lt;br /&gt;Alimentem o espírito, mas não se esqueçam da vida mundana.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Antes tivesse parafraseado o meu padrinho....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Agradecimento especial a Adriana, que não somente autorizou, mas também estimulou a publicação desse texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto foi revisado por Paula Berbert&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-2116376280776295260?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/2116376280776295260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=2116376280776295260' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2116376280776295260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2116376280776295260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/02/quer-casar-case.html' title='SUBMARINOS E AFINS'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SYknyWsubzI/AAAAAAAAATU/mwRbCMcdGBY/s72-c/drikaII.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-8192900297283303045</id><published>2009-01-20T15:58:00.000-08:00</published><updated>2009-01-20T17:04:38.173-08:00</updated><title type='text'>KURT COBAIN x JIMI HENDRIX</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SXZlIO8cxLI/AAAAAAAAAS0/FNji1Q1-Z5g/s1600-h/maquina.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293529604145595570" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 194px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SXZlIO8cxLI/AAAAAAAAAS0/FNji1Q1-Z5g/s200/maquina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Tudo aconteceu muito rápido. Era início da década de 90 do século passado, Seattle apresentava uma alternativa para quem já não agüentava mais aquele rock xurumela do Aerosmith. Alice in Chains e Soundgarden eram minhas bandas favoritas, apesar de ter sido o Nirvana que abriu as portas do grunge para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda lembro quando, em 1991, Irmão Carlos (hoje vocalista da banda Irmão Carlos e o Catado) apareceu em nossa sala, na extinta Escola Teresa de Lisieux, com um LP que estampava na capa a foto de um bebê submerso como se seguisse uma nota de 1 dólar estadunidense presa a um anzol. Ele estendeu o braço empunhando o vinil e, sério como poucas vezes o vi, disse: “você tem que ouvir essa porra! Logo!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo, já estava andando com camisa quadriculada de flanela amarrada na cintura, tênis surrado e patches das bandas prediletas costurados no jeans. O cabelo, obviamente, fugia de tesouras ou qualquer objeto cortante que ameaçasse seu casamento com a lei da gravidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu faria 17 anos em junho daquele mesmo ano e, por não ter tido nenhum contato com rock’n’roll em casa, corria desesperadamente em busca de novas referências musicais, pois já me achava um velho. Talvez por causa dessa sede insaciável, cometi um grave erro que mudou o meu comportamento por anos a fio. Confesso que ainda trago alguns resquícios daqueles dias. Hoje, entretanto, manifestados de maneira bem mais sutil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa semana qualquer de 1991, assisti na casa de Duda – minha namoradinha – ao filme The Doors, com Val Kilmer interpretado Jim Morrison. O queixo caiu! Logo depois, ainda na companhia da minha, então, amada, com uns três dias de intervalo, assisti a uma cópia VHS, feita de fita para fita, do documentário sobre Woodstock. Pirei o cabeção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por um lado conheci Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who, Ritchie Heavens, e Joe Cocker, por outro, o vestuário grunge perdeu espaço para calças de Bali – tão coloridas que poderiam ser usadas por um palhaço em dia de circo –, braceletes, gargantilhas, anéis de prata, sandálias de couro compradas na Barroquinha, ou de pneu compradas em Lençóis, batas, bolsa feita em tear, no estilo carteiro, e, o pior de tudo, o símbolo do PAZ E AMOR tatuado no ombro direito. Sem contar o fato de ter cursado 5 dos 9 semestres de Musicoterapia, além de fumar o cigarrinho do capeta para expandir a mente e alcançar outro nível de percepção da realidade tolhida pelas convenções sociais retrógradas, opressoras e hipócritas. Eu estava pronto para fazer a revolução e, com certeza, não estava sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, continuo ouvindo rock, ainda acredito em princípios de liberdade e igualdade – apesar de entender que as vias podem ser outras –, mas me visto basicamente com calça jeans e camiseta, não expando a mente há pelo menos 5 anos e o PAZ E AMOR do ombro foi coberto por outra tatuagem, como 99,9% dos meus amigos que se tatuaram na adolescência fizeram, os meus cabelos estão curtos e... caindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo de cortar o cabelo não foi tão simples. Na verdade, eu tinha um apego quase doentio às minhas madeixas. Por um bom tempo, achei que a minha beleza se resumia aos meus sedosos e longos fios castanhos. Tinha certeza absoluta de que, se eu os cortasse, ninguém se interessaria por mim. Parecia loucura e, de fato, era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar dos anos, percebi que não precisava agradar a todos nem, tampouco, que os meus atributos físicos seriam responsáveis por atrair pessoas para perto de mim. Foi um alívio entender o quanto boas idéias podem ser mais eficientes do que um abdômen de tanquinho ou um bíceps proeminente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que adoraria ter um físico de Apolo, porém agora já sei que se eu malhar muito e, talvez, com ajuda de uma lipoaspiração consiga entrar no padrão Globo de novos “talentos”. Boas idéias, entretanto, não se conseguem em academias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda lá, na minha recém pós-adolescência, resolvi treinar Jiu-Jitsu. Não tinha a menor pretensão de virar um troglodita de orelha inchada que vive procurando brigas em boates e festas. Treinava para mim. Tanto que, mesmo com a pressão do Sensei, Charles Greice, jamais participei de campeonatos. Só queria ter mais noção corporal, fazer uma atividade física e, em caso de emergência – coisa que nunca aconteceu –, me defender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cabelo abaixo do ombro, quase na altura do peito, atrapalhava. Fiz trança, rabo-de-cavalo, coque e até usei toca de natação para treinar, mas nada dava jeito. A cada treino, chumaços eram impiedosamente arrancados durante os combates. Na época, eu lutava de segunda a sexta, durante três horas por dia. Pelos meus cálculos, em menos de um ano eu estaria completamente careca somente em função dos treinos, já que a calvície, típica da família Lubisco, ainda não se manifestara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, foi durante uma visita à minha família em Porto Alegre que tomei coragem e, sem avisar a ninguém, com o auxilio de meu primo Daniel, irmão de Xande, passei a máquina 4 na cabeça. Foi um corte, sem metáfora alguma, radical. De longos fios que passavam dos ombros para quase careca. Ainda recordo meu choque diante do espelho. Só não chorei desesperado porque Dani, provavelmente, percebendo o meu semblante de horror, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Bah, Negão! Tá tri a-fu! (em Porto, tudo é abreviado. Fim de semana é finde; churrasco é churras; chimarrão é chimas e “a fuder” é a-fu.)&lt;br /&gt;– Vo-vo-você a-a-acha?&lt;br /&gt;– Tu vai ver, Negão. Sucesso garantido. Deixou de parecer pelotense e tá com cara de macho da fronteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não muito convencido, fui me submeter ao primeiro teste: minha vó Ilka, mãe de minha mãe, viúva de meu vô Humberto. Ela morava, e ainda mora, num pequeno e confortável apartamento na Anita, perto da Praça da Encol, a uns 100 metros da casa de Tia Hedy, mãe do auxiliar de cabeleireiro e motivador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação da brisa no couro cabeludo foi a minha diversão durante o trajeto. Ao chegar, pedi para o porteiro interfonar me anunciando, peguei o elevador e, até chegar ao 9º andar, não consegui desgrudar os olhos do espelho, encarando aquele estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toquei a campainha e ouvi a voz rouca de minha vó dizendo que já vinha. Ouvi também Êda, a fiel escudeira, perguntado se não era melhor que ela, Êda, abrisse a porta, pois Dona Ilka, com a dificuldade de locomoção devido ao sobrepeso e aos dois joelhos operados, demoraria muito para se levantar do sofá e alcançar a porta. Minha Véa Vó, com a chamo carinhosamente, meio impaciente, insistiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É o meu neto, eu abro. Ele não vai se importar de esperar.&lt;br /&gt;Estava certíssima. Esperaria séculos para vê-la, se preciso fosse. Minha vozinha, querida.&lt;br /&gt;Alguns poucos minutos se passaram até eu ouvir a chave girando na fechadura e, vagarosamente, a porta de abrir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tcharam! Gostou?&lt;br /&gt;– Ai, meu Deus do céu! Você está tão... tão... tão limpo!&lt;br /&gt;– ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim “tão limpo”, minha Vó?! Como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Texto revisado por Paula Berbert &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-8192900297283303045?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/8192900297283303045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=8192900297283303045' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/8192900297283303045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/8192900297283303045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/01/kurt-coubain-x-jimi-hendrix.html' title='KURT COBAIN x JIMI HENDRIX'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SXZlIO8cxLI/AAAAAAAAAS0/FNji1Q1-Z5g/s72-c/maquina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-1335033764861673367</id><published>2009-01-02T11:39:00.000-08:00</published><updated>2009-01-02T11:50:23.712-08:00</updated><title type='text'>FÉ</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SV5t6rMfOqI/AAAAAAAAASk/Zm0BMGHuJUA/s1600-h/cavalo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286783867374484130" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 157px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SV5t6rMfOqI/AAAAAAAAASk/Zm0BMGHuJUA/s200/cavalo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Na sexta-feira passada, fui ao Póstudo – talvez o único bar realmente tradicional da capital baiana – com Paula e, por acaso, encontramos dois grandes músicos nascidos na República da Cidade Baixa: Alexandre, baterista de uma influente banda local de surf music (com grande influência do carnaval russo), e Silvano, baixista que hoje mora em São Paulo e toca com o maior expoente do rock soteropolitano, em nível nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversamos longamente, aproveitando cada minuto daquele encontro fortuito. Discorremos sobre filhos, casamento, divórcio, pais separados, fusca, a vida na Paulicéia, rock e, para o meu deleite, sobre o depoimento de Silvano no ainda inédito DVD do Cascadura (Efeito Bogary).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há poucos meses, me dedicara à tarefa de traduzir para inglês todos os depoimentos e trechos de música desse registro audiovisual que fecha o ciclo de quase três anos do álbum Bogary. Foram mais de dez horas ininterruptas de trabalho para vencer os 50 minutos do documentário. Tarefa árdua, mas muito prazerosa por me permitir, em primeira mão, ver os grandes nomes da minha geração fazendo história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ali estava Silvano, bem na minha frente. Ele, que era protagonista de um dos trechos que mais me emocionaram, bem ao meu alcance para contar os detalhes do dia da gravação, dos sentimentos, o que foi cortado pela edição, entre outras curiosidades. Ele contou. Respondeu minhas perguntas. Divertiu-se revivendo as próprias histórias e me fez rir. Ri muito mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando já estava se despedindo, Silvano pediu o número do meu celular:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me dê seu celular aí, vá.&lt;br /&gt;- Quero deixar bem claro que posso até fornecer o número do celular, mas dar, jamais. Eis um verbo que não conjugo na 1ª pessoa em nenhum tempo verbal.&lt;br /&gt;- Verdade. Certíssimo! Forneça aí, então, vá!&lt;br /&gt;- Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá.&lt;br /&gt;- Ô, Lubisco, você tem nome?&lt;br /&gt;- Lubisco já é um nome, porra!&lt;br /&gt;- Entenda, velho: um nome... nome de verdade. Pra colocar na agenda.&lt;br /&gt;- Eduardo. Eduardo Lubisco.&lt;br /&gt;- Acho melhor Lubisco. Nunca saberei quem é Eduardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nomes incomuns sempre chamaram a minha atenção, principalmente por não compreender como alguns pais, diante da recém-parida cria, eram capazes de escolher coisas tipo Ubatan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era aluno de Professora Helena, da 4ª série C, tive um colega batizado com esta alcunha. O coitado sofria por causa do nome, viu? Como crianças podem ser cruéis. Chamávamo-lo de Cubatão, fazendo referência à cidade paulista que, na época, era considerada a mais poluída do mundo. Além de os nomes soarem, de alguma forma, parecidos, Cubatão, ou melhor, Ubatan, não era muito chegado a banhos. Diversas vezes um odor meio estranho emanava daquela pele branco-encardida. Se tivesse cor, aquele cheiro seria cinza, igual aos joelhos dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar do tempo, percebi que os pais de meu encardido coleguinha não foram dos piores em matéria de escolher nome. Tive, ao longo da vida, contato com pessoas cujos nomes poderiam ser, facilmente, confundidos com malogro de magia negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lista é interminável e pode ser subclassificada em categorias distintas, como, por exemplo, nomes de inspiração hippie. Tenho uma prima distante chamada Flor, namorei com Manhã, troquei idéia com Sereno e vi uma colega de colégio, após ter se mudado para o Vale do Capão, batizar o próprio filho de Raio. Perceba que sonoramente muitos deles são agradáveis, mas, pelamordedeus, chamar um recém-nascido assim é sacanagem. O pobrezinho sequer pode se posicionar contra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra categoria muito comum é a junção de dois nomes para formar um terceiro. A lista a seguir não se trata de ficção. Todas estas pessoas existem e, com certeza, já passaram por algum tipo de terapia para superar tamanho trauma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raimundo + Wanilda = Rayvani&lt;br /&gt;Hildete + Mário = Hildemar (é uma mulher!)&lt;br /&gt;Francisco + Alba = Franalba&lt;br /&gt;E as duas irmãs que, por terem um pai que amava o próprio nome e uma mãe que idolatrava nomes “estrangeiros”, ficaram assim:&lt;br /&gt;Fernanshirley e Fernancheise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem os que, não contentes com a própria miséria, eternizam poluições sonoras ao alcunhar o herdeiro com um nome que já passa há gerações através de Filhos, Juniores, Netos e até Bisnetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga Martinha namorou um Gorgônio Filho. Nana, minha irmã mais velha, foi colega de Próculo Junior. Na moral, se eu fosse juiz e chegasse às minhas mãos um caso com qualquer um desses dois sendo acusado de abrir fogo contra inocentes numa sala de aula, eu procuraria um atenuante. Puta que pariu, mermão. Um cara que cresce sendo chamado assim tem o direito de perder o controle e atentar contra a vida de qualquer um, estando previamente justificado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem, claro, aqueles nomes que são meros frutos do gosto duvidoso. A mãe de Próculo, que foi minha professora de geografia da sexta série, chama-se Zoraide; a cunhada de minha avó paterna é Zenóbia; uma das grandes amigas de Tia Zenóbia é Zínia; o ex-porteiro do condomínio Pedras da Colina, Eisenhauer Motta; e o campeão do mundo mundial, o professor de geofísica da UFBA, Telésforo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome, entretanto, que até hoje me causa arrepio no espinhaço é o de uma das quatro irmãs de minha Vó Diva. Não pela sonoridade em si, Tia Armida, mas basicamente por dois motivos: 1) a inexistência da capacidade de abstração nas criaturazinhas humanas durante a primeira infância; 2) a inabilidade de Tia Armida em expressar seu bem-querer por mim. A única recordação que tenho dela é quando ia para a casa da minha Vó Diva e ela, sorridente, dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diva, pega um saco de Paes Mendonça que eu vou levar esse menino pra morar comigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tremia ao imaginá-la me colocando dentro daquele típico saco de supermercado, ainda em papel pardo com letras azuis-marinho. Tadinha! Mesmo agora, já falecida há mais de duas décadas, quando lembro, tenho calafrios. Não recordo de sua fisionomia, mas a sensação de pavor ainda me surpreende de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tia Armida nunca teve netos, talvez por isso amasse tanto os três da irmã mais nova. Assim também era Dona Lúcia. Sonhara com uma neta que jamais veio, mas conseguiu realizar-se com Paula, a filha mais nova de sua sobrinha. Paula, por sua vez, de bom grado, aceitou aquela terceira avó. A amava de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Invariavelmente no caminho da escola para casa, pedia para ficar na “casa de Vó Lucia”. Desafortunadamente, nem sempre era possível, mas, quando o era, Paula e Lúcia ganhavam o dia. Brincavam horas a fio como se na sala houvesse não uma, mas duas crianças com cinco anos incompletos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na fazenda de Tio Rogério e Vó Lucia (somente na cabeça de uma criança tios e avós são casados), havia uma casa de boneca construída só para Paula. Não era uma casa daquelas de madeira que se coloca dentro de uma caixa e se esquece dentro do maleiro quando as bonecas são deixadas de lado pela pré-adolescente. Era uma casa erguida com tijolos, cimento, telhas e mobiliada na proporção perfeita para uma pessoinha viver ali. E Paula, nas férias, mudava-se para lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no início de uma noite de outono que Liliana, com olhos mareados, interrompeu a brincadeira dos filhos com um sério pedido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Paulinha, Pêu, parem aí um pouco. Acabei de receber um telefonema avisando que Vovó Lucia sofeu um acidente na fazenda e está muito dodói. Vamos rezar porque ela tá precisando muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paula largou os brinquedos na sala, voou para o quarto e pôs-se de joelhos a rezar. Rezou, rezou, rezou e, quando já estava exausta, rezou mais uma vez pedindo ao Papai do Céu que ajudasse Vó Lucia. Caiu no sono com as palmas das mãos juntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, Liliana não a acordou com o beijo na testa de sempre. Foi uma lágrima materna que, ao tocar sua tez alva, a despertou. Vó Lucia não resistira mais aos ferimentos internos causados pela queda do cavalo e, de madrugada, enquanto Paula sonhava com a casa de bonecas, se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela manhã, Dona Lucia morreu para família e amigos; Deus, para Paula... e para mim também.&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Este texto foi revisado por Paula Berbert&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-1335033764861673367?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/1335033764861673367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=1335033764861673367' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/1335033764861673367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/1335033764861673367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2009/01/f.html' title='FÉ'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SV5t6rMfOqI/AAAAAAAAASk/Zm0BMGHuJUA/s72-c/cavalo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-1152985045735619135</id><published>2008-12-01T06:00:00.000-08:00</published><updated>2008-12-25T18:57:17.225-08:00</updated><title type='text'>CRIATURA HORRIPILANTE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/STPt9hMVm8I/AAAAAAAAASc/DFYPiSWlZQc/s1600-h/bela_lugosi.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274821229718903746" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right; width: 164px; height: 200px;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/STPt9hMVm8I/AAAAAAAAASc/DFYPiSWlZQc/s200/bela_lugosi.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tem certos dias em que não deveríamos, sequer, cogitar a possibilidade de levantar da cama. Por que não há uma lei regulamentando isso? Ontem foi assim. Acordei tarde (6:40 a.m.), tomei banho gelado, pois o chuveiro queimou assim que girei a torneira, fiquei sem café da manhã para não deixar meus alunos esperando muito – àquela altura já estava, de fato, atrasado. Quando cheguei à garagem, percebi que tinha esquecido parte do material. Subi correndo os 10 lances de escada que separam a garagem do meu apartamento, notei que esquecera a chave de casa na ignição da moto. De raiva, quase bati a cabeça na parede. Desci correndo os 10 lances de escada que separam o meu apartamento da garagem, peguei a bendita chave, subi os 10 lances de escada que separam a garagem do meu apartamento, peguei o material, chequei para não esquecer mais nada, desci correndo os 10 lances de... você já sabe, guardei o material no baú da moto, coloquei o capacete, ajustei os óculos escuros, botei a chave na ignição e... quem disse que consegui girar a chave pra fazer o motor funcionar? O miolo da ignição travou por causa da chuva do dia anterior! Como assim, uma chuvinha de merda acaba com uma peça que custa mais do que a soma dos meus salários dos três estabelecimentos em que ensino. Como assim, mermão!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei o material no baú, pus o capacete lá, corri para um ponto de táxi que tem aqui, na rua debaixo, liguei para o celular de um aluno avisando que chegaria atrasado. Tentei relaxar durante o trajeto, pois o dia ainda seria longo! Chegando à UFBA, paguei pela corrida o mesmo valor de uma promoção da Mc Donald's. Corri até o PAF III, esperei o elevador descer do último andar e, finalmente, agora sim, finalmente mesmo, cheguei à sala 310, onde meus queridos alunos se aglomeravam na porta. Coloquei meu material na mesa, sentei na minha quase-confortável cadeira, respirei fundo e quando, por acaso, olhei para o chão, percebi que o pé esquerdo da minha bota de trekking – comprada há menos de um ano – tinha rasgado, deixando a meia branca, na altura do mindinho, exposta para quem quisesse ver. Putaquepariu!!!!! Sapato furado é foda! Sapato furado é roteiro de filme trash com pretensão de ser cult!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após as duas primeiras aulas do dia, fui ao Departamento de Germânicas, no segundo andar do Instituto de Letras, logo ao lado do PAF III, para filar o café de Glenda, a secretária mais eficiente do mundo. Além da competência incontestável na sua área de atuação – não reconhecida por alguns membros da aristocracia germânica –, Glenda prepara o café mais saboroso de Salvador e região metropolitana. Chegando lá, encontrei também Claudia Mesquita, minha eterna professora de Sintaxe, que me perguntou como eu estava. Desconsiderando o fato de ter sido uma pergunta meramente formal, relatei todos os acontecimentos daquela tenebrosa manhã de quarta-feira. Juro que eu esperava uma reação de solidariedade. Porém, não foi o que aconteceu. Voltando-se para mim e para Glenda, retrucou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claudia – Pior foi o meu dia ontem.&lt;br /&gt;Glenda – E isso lá é possivel? Pior que isso?!&lt;br /&gt;Claudia – Dei aula das 7:00 às 11:00 com uma exaqueca daquelas. À tarde, não agüentei mais e fui para o hospital. Fiquei sob observação, fazendo exames e sendo medicada até o comecinho da noite. Se não bastasse a zonzeira dos remédios, quando cheguei em casa ainda tive que enfrentar uma barata.&lt;br /&gt;Glenda – Afe! A pior parte foi a da barata! Parece filme de terror!&lt;br /&gt;Eu (pensando) – Como assim, a barata foi a pior parte?! Como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei imaginando os testes que José Mojica, o Zé do Caixão, aplicava na seleção de atores para seus filmes. Como os orçamentos eram reduzidíssimos e não havia grana para efeitos especias, ele utilizava bichinhos tipo morcegos, cobras, aranhas e baratas de verdade. Então, o ator que conseguisse tocá-los ou tolerá-los passeando pelo seu corpo estava aprovado! Filme Trash com T maiúsculo! Sem subterfúgio. Tipo Ed Wood (1924-1978), diretor e produtor estadunidense que ganhou notoriedade pelas soluções pouco convencionais ante problemas orçamentários dos seus filmes de terror e ficção científica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa feita, convidou Bela Lugosi (1882-1956), o famoso Drácula dos anos 30 – esquecido com a decadência dos filmes de terror nas décadas seguintes –, para estrelar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Plan 9 From Outer Space&lt;/span&gt;. Lugosi, infelizmente, morreu após a primeira semana de gravação. Para aproveitar o que já havia sido filmado, Ed Wood encontrou um outro ator que tinha os olhos parecidos com os de Lugosi e terminou o filme com a personagem usando uma capa que, apoiada no antebraço diante do rosto, deixava apenas os olhos de fora. Inacreditável. Um filme inteiro com apenas os olhos do protagonista à mostra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi justamente essa forma de empunhar a capa diante do rosto que me salvou durante um terrível embate contra um determinado tipo de inseto cosmopolita, cujo principal problema que pode causar à espécie humana é a atuação como vetor mecânico de diversos patógenos, tais como bactérias, fungos, protozoários, vermes e vírus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma noite sem lua e de vento frio. As primeiras horas da madrugada já avançavam no antigo relógio de parede e minhas pálpebras não suportavam mais o peso do cansaço. Fui até meu quarto, enfiei-me debaixo das cobertas, apaguei o abajur e fiquei esperando o sono me tomar de vez. Foi quando, envolto no manto escuro da madrugada, ouvi aquele ruído característico de asas e das anteninhas que riem sadicamente do nosso pavor. Acendi a luz e lá estava, acintosamente pousado na janela do meu quarto, um baratossauro. Insitintivamente lancei mão do pé direito da minha bota de trekking recém-comprada e fiz menção de arremessá-lo contra o monstro cascudo. Refuguei ao lembrar que a janela era de vidro. Resolvi, então, com o lençol a tiracolo, correr até a área de serviço e pegar o Baygon!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei pé ante pé, usando o lençol à guisa de “capa de Bela Lugosi” para me proteger de um possível rompante de fúria do inimigo que me espreitava. Naquela época, meu quarto tinha poucos móveis: apenas a cama, o armário e três almofadas enormes no chão, encostadas na parede, bem em frente à cama. A primeira coisa que notei no campo de batalha foi que a miserável não estava mais na janela. Feladaputa, pensei. Vasculhei o ambiente com os olhos e não consegui nenhum contato visual. A única possibilidade então eram as almofadas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o braço esquerdo segurando o lençol a la Ed Wood e o braço direito estendido à frente do corpo, empunhei o spray letal. Chutei longe a primeira almofada e despejei sem piedade o líquido mortífero. Assim que a pequena névoa sufocante se desfez, vi que o ser infecto não estava lá! Putaquepariu, putaquepariu, putaquepariu, quase berrei. A tensão aumentou. Tinha que ser agora! Proferi um certeiro golpe com meu pé canhoto na segunda almofada e novamente atentei contra a vida do enviado das trevas! A nuvem se dissipou e nada! Como assim? Quem é o roteirista dessa merda?, questionei. Era a útima almofada! Quase debruçado sobre ela, mão suando e olhos fixos no que poderia sair dali, pontapé, almofada voando, spray aniquilante, nuvem que se desfaz e... nada! Fiz aquela velha cara de interrogação e quando retornei à posição ereta percebi, com a minha visão periférica, um vulto na parede, bem na altura da minha cabeça! Virei e me deparei com a encarnação do capeta balançando as anteninhas para mim, a menos de 30 cm do meu rosto. Argh!!!!! Dei um salto pra trás no estilo Matrix e, ainda no ar, alvejei a escória do esgoto com uma sprayzada certeira. A desgraçada caiu no chão e, mesmo cambaleante, fugiu na tentativa de salvar sua mísera vida! Com o tubo cilíndrico de veneno a 10 cm de distância, impiedosamente fui despejando todo seu contéudo sobre o troço nojento que pelejava para escapar. Atravessou meu quarto, cruzou a porta, arrastou-se pelo corredor, entrou no quarto de minha irmã e foi aí que parei. Afinal, jamais acordaria minha amada irmãzinha no meio da noite com jatos de veneno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, quando acordei, minha mãe e minha irmã já estavam tomando o café da manhã. Juntei-me a elas e travamos o seguinte diálogo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe – Kika tava aqui me contanto que quando acordou achou uma barata morta ao lado da cama.&lt;br /&gt;Eu – Que coisa, hein?&lt;br /&gt;Kika – Deve ter entrado pela janela. Só vou dormir com ela bem fechada a partir de agora.&lt;br /&gt;Eu – Que nada, Kika, relaxe. Isso não vai acontecer de novo.&lt;br /&gt;Kika - Como você pode ter tanta certeza?&lt;br /&gt;Eu – Intuição, Kika. Intuição...&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;Texto revisado por Nídia Lubisco&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-1152985045735619135?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/1152985045735619135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=1152985045735619135' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/1152985045735619135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/1152985045735619135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/12/criatura-horripilante.html' title='CRIATURA HORRIPILANTE'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/STPt9hMVm8I/AAAAAAAAASc/DFYPiSWlZQc/s72-c/bela_lugosi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-4143993807768322059</id><published>2008-10-30T19:49:00.000-07:00</published><updated>2008-10-31T08:38:14.168-07:00</updated><title type='text'>E AÍ, DUDA?</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SQp3fnbMibI/AAAAAAAAASU/_RyZlLlIYNQ/s1600-h/jeans.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263150499578546610" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SQp3fnbMibI/AAAAAAAAASU/_RyZlLlIYNQ/s200/jeans.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;/a&gt;Supertrunfo começou a ser produzido no Brasil nos anos 70 pela Grow, mas só ganhou popularidade na década seguinte. Podia ser jogado por qualquer pessoa alfabetizada e consistia em tomar todas as cartas dos outros participantes. Originalmente com automóveis e outros veículos automotores, cada uma das 32 cartas trazia uma foto com os detalhes da máquina em questão e suas características, tais como velocidade, HP e 0/100 km/h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo criado entre duas irmãs, nunca encontrei um oponente em casa. Meus vizinhos do Condomínio Caminho das Árvores, na Av. Paulo VI, onde morei até meus treze, quatorze anos, eram parceiros e rivais. Geralmente jogávamos no comecinho da tarde, enquanto esperávamos “o sol esfriar” um pouco para então bater o baba, brincar de siga-o-mestre, polícia-e-ladrão, andar de patins ou partir em nossa aventura predileta: pegar as bicicletas e explorar todas as ruas da Pituba, Itaigara e Caminho das Árvores... sem a autorização dos pais, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas excursões começaram, na realidade, com o aprimoramento da brincadeira siga-o-mestre, que, originalmente, acontecia só no playground. Percebemos, então, que seria mais excitante se fosse de bicicleta, entre o gramado e a garagem. Até que um dia, Túlio – conhecido pelas traquinagens e merecedor de uma reunião extra entre moradores do Ébano e do Álamo para deliberarem sobre a punição ideal pelo esvaziamento de todos os extintores de todos os 8 andares dos dois prédios que formavam o condomínio – passou pelo portão da garagem, tomou a rua como se estivesse entrando na própria sala de estar e ganhou o mundo. Nós, fiéis escudeiros, seguimos o mestre. Desta tarde de quinta-feira em diante, todas as incursões ciclísticas visavam à expansão de fronteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das melhores aventuras foi quando pedalamos por toda a Paulo VI no sentido Caminho das Árvores – Correio Central, viramos à direita, avançamos por aquela transversal em direção à ASBAC, quando vimos surgir à esquerda, para o nosso regozijo, o estacionamento do Paes Mendonça (atual Bompreço). Era descomunal. Um verdadeiro parque de diversões cheio de obstáculos, além da verdadeira emoção de automóveis vindo em todas as direções. Era uma bagunça maravilhosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe só fazia compras lá, até a construção do Hiper Paes Mendonça, ao lado do Shopping Iguatemi. Adorava ir com ela, apesar das horas de espera na fila das caixas registradoras e do atendimento tosco. As funcionárias pareciam fazer favor, e com muita má vontade. Eram extremamente grosseiras e não tinham idéia do significado da expressão “tratar bem”. Se hoje reclamamos dos serviços tradicionalmente ruins na capital baiana, imagine naquela época em que nem se sonhava em atendimento de excelência! Toda vez que nos deparávamos com alguma grosseria por parte de vendedores ou prestadores de serviços em geral, ouvia D. Nídia Lubisco dizer: “até parece caixa de Paes Mendonça”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre digo aos meus alunos: “melhor não é bom. Se você tirou 1,0 na primeira avaliação e 2,0 na segunda, melhorou 100%, mas ainda continua uma porcaria”. Nos últimos 20 anos, o atendimento ao público deixou de ser horrendo e é somente muito ruim. Algumas empresas, entretanto, têm a cara de pau de utilizar o bom-trato como diferencial. Como assim, diferencial?! Isso não é pré-requisito? Tratar bem o cliente não deveria ser algo extraordinário, mas sim corriqueiro, da mesma maneira que devemos cumprimentar o porteiro do nosso prédio, dar bom dia ao entrar no elevador ou ceder o assento aos mais velhos. E, além do mais, se eles querem mesmo vender, me convençam a voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa vontade, entretanto, não é o suficiente para garantir sucesso no que concerne a um bom relacionamento entre funcionários e clientes. Treinamento é imprescindível. Excesso de zelo pode ser desastroso. Quantas vezes entramos numa loja e o/a promotor(a) de vendas (não há mais vendedores nesse país, pois é politicamente incorreto, assim como não há mais contínuo, apenas auxiliar de escritório) nos chama de “meu bem” ou “querido”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de uma vez em que fui comprar jeans. Ao entrar na loja, a sorridente vended... ops, promotora de vendas, que diga, me cumprimentou e logo perguntou meu nome. Para evitar a típica cara de interrogação das pessoas que ouvem Lubisco pela primeira vez, resolvi simplificar e disse, a contragosto: Eduardo. Escolhi um par de tom claro, daqueles que já parecem velhos, sabe? Adoro. Fui ao trocador experimentar enquanto Márcia (esse era o nome dela – lembrei) ia à busca de um número maior, caso a cintura apertasse muito meus pneus. Passados alguns minutos, ela bateu na porta da cabine onde eu pelejava pra fechar o zíper e perguntou: “ficou boa, Duda?”. Duda?! Duda?! Puta que pariu, mermão! Como assim, Duda?! Como assim?! Comprei uma calça em outra loja por quase o dobro do preço, mas com o prazer de ser tratado como um cliente e não como o &lt;i&gt;brother&lt;/i&gt; que senta à mesa do boteco pra comer água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1992, um colega de 2º ano colegial perdeu o pai inesperadamente. Infarto fulminante. Toda a turma se solidarizou diante da tragédia. Acho que, de certa forma, o pai dele – pensávamos – podia ser o nosso. Os mais próximos acompanharam tudo de perto. Inclusive a contratação do serviço funerário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por uma infeliz coincidência, tanto a viúva quanto o irmão mais novo do falecido contataram lojas especializadas no assunto. Quando perceberam o ocorrido, compararam os preços e decidiram contratar o serviço providenciado pelo tio do meu colega. A viúva, após inúmeras tentativas frustradas por telefone, resolveu ir pessoalmente cancelar a reserva, para não deixar na mão o rapaz que a tinha atendido magistralmente. Como a funerária era bem ao lado do hospital, ela queria aproveitar a oportunidade para andar um pouco e desanuviar as idéias. Com um pouco de insistência, a convenci de que seria prudente acompanhá-la, pois ainda estava muito recente, blá, blá, blá, blá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando lá, Minha Tia (como todos os amigos a chamavam) explicou a situação ao funcionário, que se mostrou muito compreensivo e até ensaiou algumas palavras reconfortantes. Depois de tudo resolvido, Sr. Washington (lembrei também) educadamente nos conduziu à saída, apertou a minha mão firmemente – devia pensar que eu era filho do morto –, olhou nos olhos de Minha Tia e, passando a mão no ombro dela, disse:&lt;br /&gt;- Muito obrigado pelo cuidado da senhora mesmo num momento tão difícil. Não foi dessa vez, mas fica pra próxima...&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;Nos viramos ainda estupefatos e, após uns três ou quatro passos, ouvimos:&lt;br /&gt;- Voltem sempre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Texto revisado por Paula Berbert&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-4143993807768322059?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/4143993807768322059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=4143993807768322059' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/4143993807768322059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/4143993807768322059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/10/e-duda.html' title='E AÍ, DUDA?'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SQp3fnbMibI/AAAAAAAAASU/_RyZlLlIYNQ/s72-c/jeans.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-6712937708605163048</id><published>2008-09-15T13:33:00.000-07:00</published><updated>2008-09-18T17:14:08.090-07:00</updated><title type='text'>CHOQUE DE GERAÇÕES</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SM7G1sKsziI/AAAAAAAAALI/EvYejRLok0k/s1600-h/ruteraquel.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5246349241624612386" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 177px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px" height="264" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SM7G1sKsziI/AAAAAAAAALI/EvYejRLok0k/s320/ruteraquel.jpg" width="154" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;A melhor coisa que Nelson Motta já fez, de longe, foi comer Marisa Monte. E olhe que ele já escreveu livros (Nova York é Aqui: Manhattan de Cabo a Rabo; Noites Tropicais: Solos, Improvisações e Memórias; Canto da Sereia), tem parcerias memoráveis com Lulu Santos (Zen-surfismo, aquela que diz “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, blá, blá, blá”...), além de ter idealizado e produzido as vovós dos Menudos: As Frenéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Originalmente, elas eram garçonetes que, com suas roupas coladas no corpo e maquiagem carregada, trabalhavam na discoteca Frenetic Dancing Days, do próprio Motta. No meio da noite, elas subiam de surpresa ao palco, cantavam três ou quatro músicas e voltavam a servir. O sucesso foi tão grande que o sexteto, formado por Sandra, Regina, Leiloca, Lidoka, Nega Dudu e Edir, deixou o serviço de garçonete para trás e se dedicou somente ao espetáculo musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1978, no auge do &lt;i&gt;disco&lt;/i&gt;, as afilhadas de Nelson Motta emplacaram a música &lt;i&gt;Dancing Days&lt;/i&gt; na novela homônima da Rede Globo. No ano seguinte, conseguiram a façanha de emplacar outra música de abertura em mais uma novela Global. Coincidentemente, esse folhetim televisivo é a minha primeira memória de programa não-infantil (&lt;i&gt;Vila Sésamo&lt;/i&gt;, com Armando Bogus, Sonia Braga, Garibaldo e Gugu, e o &lt;i&gt;Sítio do Pica-Pau Amarelo&lt;/i&gt; nunca saíram de minha lembrança... Ai, que medo da Cuca!). Eu amava a abertura de &lt;i&gt;Feijão Maravilha&lt;/i&gt; e, segundo minha mãe, vivia cantarolando, mesmo aos 5 anos de idade, “Dez entre dez brasileiros preferem feijão...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui um grande noveleiro. Diversas vezes me senti excluído de conversas por ser incapaz de opinar sobre a malfeitoria de fulano da novela das seis ou sobre o novo corte de cabelo da protagonista da última de Manoel Carlos. Por outro lado, rio das pessoas que, desdenhosamente, olham de soslaio para os noveleiros, como se assistir a novelas fosse um crime contra a cultura, afinal “isso é, na realidade, subcultura”, como ouvi certa feita em uma mesa no Pós – repleta de gente inteligente que só tem conversa inteligente, só conta piada inteligente, só tira foto inteligente, só come comida inteligente e só anda com gente inteligente. Esses mesmos que olham de canto de olho esquecem – ou simplesmente ignoram – que os romances românticos também eram publicados em estrutura de folhetim, capítulo a capítulo, podendo ter sua trama modificada de acordo com a reação do público. A essência continua a mesma, somente a mídia foi transferida das cordas vocais dos poucos alfabetizados que liam em voz alta – muitas vezes ainda no porto, assim que recebiam mais um capítulo – para as telas de LCD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos Cyro Serpa e Ronei Jorge e minha irmã, Kika, são os maiores noveleiros do mundo mundial. Kika e Ronei têm a mesma característica: lembram que ator interpretou o papel X na novela Y no ano tal. Impressionante. E se, por acaso, alguém menciona o nome de uma atriz e ninguém mais recorda quem ela é, prontamente eles, com a naturalidade de quem bebe um copo d’água, nos (lá ele profilático) enchem de referências: “na novela blá, blá, blá, ela era Cicraninha, casada com Sr. Fulano, interpretado por... como é nome dele mesmo? Aquele cara que em 1986 teve uma breve aparição na novela tal, em que a protagonista era atropelada por ele no capítulo vinte e oito... ah, o nome dele é Beltrano Silva, lembra?” Como assim “lembra?”, como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Cyro consegue não somente recordar das músicas de abertura como também dos temas de cada personagem. E pior: muitos desses temas ele toca no violão. Inacreditável. Não entendo por que eles não se associam e abrem uma consultoria para participantes de &lt;i&gt;quizes&lt;/i&gt;. Ganhariam uma grana preparando esse povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São poucas as lembranças novelísticas que tenho. Quem matou Odete Roitman? Foi a pergunta que paralisou o país em 1988/89. Ainda parte da trama de Vale Tudo, escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, Heleninha Roitman, uma bebum que vivia pendurada num copo de uísque, foi eternizada por Renata Sorrah. Em 1993, Mulheres de Areia, de Ivani Ribeiro, fomentou inflamadas discussões sobre as irmãs gêmeas – idênticas na aparência, mas opostas no comportamento – interpretadas de maneira magistral por Glória Pires.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, percebi que as novelas têm as mais diversas funções, além de entreter os telespectadores ávidos por fatos humanos fictícios, porém verossímeis. Uma delas é fazer a clara distinção de gerações. Explico: a depender da referência que se faça a determinada novela, o seu ouvinte pode ou não compreender sua fala em função da idade que tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivenciei isso na minha aula de Inglês em Nível Intermediário da UFBA, que acontece às segundas, quartas e sextas, das 7:00 às 9:00. Na moral, uma quebra de raciocínio para propor uma reflexão: quem, em sã consciência, no perfeito funcionamento das funções mentais, opta por um horário de corno desse?! E são 43 alunos matriculados, com uma média de 36 por aula. Tem gente que mora a 150 km de Salvador e nunca se atrasa! PELAMORDEDEUS!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, voltando. Justamente nessa turma, no primeiríssimo dia de aula, durante a chamada, me deparo com uma daquelas piadas prontas, perfeitas para você ser agraciado com o Nobel da Piada...&lt;br /&gt;- Paloooma.&lt;br /&gt;- Preeeeesent!&lt;br /&gt;- Paulo Josééé.&lt;br /&gt;- Heeeeere, teacher.&lt;br /&gt;- Raqueeel.&lt;br /&gt;- It’s me.&lt;br /&gt;- Ruuute.&lt;br /&gt;(Silêncio)&lt;br /&gt;- Tonho da Luuua.&lt;br /&gt;(ah...... ah... ah... eh, eh... ah, eh)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só meia dúzia de gatos pingados daquela sala infestada de calouros foi capaz de reconhecer a minha genialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor, entretanto, estava por vir após um mês das aulas iniciadas. Durante a chamada – sou do tipo que faz chamada, pois acredito que os alunos de universidade pública carregam a responsabilidade de os contribuintes pagarem para que eles possam usufruir desse privilégio –, percebi que Rute jamais tinha dado o ar da graça. Dirigi-me, então, a Raquel e, sorrindo, disse: “Poxa, Raquel, sua irmã gêmea nunca aparece!”... E ela respondeu: “É que eu faço o papel das duas, né, Lubisco?!”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Texto revisado por Paula Berbert&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-6712937708605163048?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/6712937708605163048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=6712937708605163048' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/6712937708605163048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/6712937708605163048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/09/choque-de-geraes.html' title='CHOQUE DE GERAÇÕES'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SM7G1sKsziI/AAAAAAAAALI/EvYejRLok0k/s72-c/ruteraquel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-1222137970674535310</id><published>2008-08-31T19:54:00.000-07:00</published><updated>2008-09-01T11:48:59.479-07:00</updated><title type='text'>JOGOS INFANTIS</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SLtaYUjGvAI/AAAAAAAAAKo/qVE409yHFZE/s1600-h/IMG_0018.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5240881965255015426" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right; width: 219px; height: 147px;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SLtaYUjGvAI/AAAAAAAAAKo/qVE409yHFZE/s320/IMG_0018.JPG" width="238" border="0" height="161" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Estudei na Escola Teresa de Lisieux da alfabetização ao 3º ano colegial, ou melhor, até a metade do 3º ano, quando tive uma séria discordância com a coordenação do 2º grau e resolvi, mesmo sob o protesto da turma que eu oficialmente representava e com o apoio de todas as outras do 1º e do 2º anos, terminar meus estudos em outro colégio. O fato foi que, mesmo tendo fracassado na tentativa de fundar o grêmio estudantil, acabei me tornando, informalmente, uma espécie de conselheiro dos outros líderes de sala. Recorrentemente, minhas aulas eram interrompidas com um “com licença, professora, poderíamos falar com Lubisco?”. E lá ia eu, feliz da vida por sair da sala e com o ego inflado, aconselhar meus pares. Para um garoto de 17 anos, isso era fantástico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu ingresso no Teresa não foi exatamente um passeio no parque. Eu estudara na pré-escola 123 Jardim de Infância, que funcionava em uma ampla casa construída para a função na Rua Guillard Muniz, mesma rua em que morava minha Vó Diva. Sair deste aconchego para uma escola com aproximadamente três mil alunos foi assustador. Chorei durante as primeiras semanas de aula, toda vez que minha mãe me deixava lá. Imagino a firmeza que Dona Nídia precisou ter para não fraquejar e deixar o filho esperneando nos braços da Tia Terezinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tia Terezinha foi minha alfabetizadora. Pequenina – talvez por isso nos sentíssemos tão confortáveis com ela –, nunca levantava a voz. Pacientemente, todos os dias, fazia a lista da merenda, chamando um a um, anotando os pedidos e recolhendo o dinheiro. O recordista mundial entre os pedidos era o “sonho com guaraná”. Havia o time da “banana real com Coca-Cola”, mas era minoria. Se algum partidário do combo nº 1 ousasse pedir outra coisa, logo vinham os olhares de “como assim, banana real?! Como assim?!”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre um lanche e outro, nos alfabetizávamos! Lembro claramente do livro A Casinha Feliz. Toda a minha geração conheceu Vavá, Vevé, Vovô, neném, a vaquinha Mumu e o galo Cocó. O método se baseava no reconhecimento das letras, a união delas formando sílabas e, finalmente, a justaposição dessas forjando o milagre da palavra. Aprendíamos, então, a ler assim: m-m-ma, m-m-mãe, mamãe. Era massa. E, por fim, orações completas eram introduzidas (lá ele): Vavá leva neném? Neném leva Vavá? Surreal! Surreal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo de aprender a ler é fascinante. Escraviza-nos. Só percebi isso quando, assim que voltei da Alemanha, fui morar em um quarto e sala com Lua, ali no Itaigara. Por coincidência, o nosso vizinho de porta era um velho conhecido da minha, na época, cônjuge. Em pouquíssimo tempo, Edinho e eu já éramos amigos e as duas famílias viviam de portas abertas, transformando os “apertamentos” em um confortável dois quartos. Edinho já era casado com Mima e tinham, há seis anos, uma filhinha chamada Julia – para nós, Jujuba. Hoje, Jujuba tem 10 anos e um irmãozinho de 5 meses, Vitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O almoço de domingo, mais que uma tradição, transformara-se num momento de lazer. Apesar do convívio diário, sentar à mesa, um servir ao outro, discutir questões que nos afligiam ou simplesmente jogar conversa fora sempre pareciam novidade. Mima, vez por outra, fazia uma macarronada com um molho de queijo provolone, gorgonzola, prato e parmesão. Uma delícia. O único problema era que, após a ingestão dessa bomba, ninguém conseguia fazer nada mais. Afundávamos no sofá e, prostrados, assistíamos a alguma coisa na TV até algum de nós recuperar o mínimo das funções vitais e conseguir balbuciar algumas quase ininteligíveis palavras e, assim, retomar a conversa que começara antes da primeira garfada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um desses encontros dominicais, já estávamos almoçando quando Mima lembrou: “poxa, Lubis, não é light, mas tem Coca na geladeira. Quer?”. Ponderei por milésimos de segundos e, baseado no fato de que, excepcionalmente, não estávamos comendo a bomba, aceitei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mima se levantou, deu a volta no balcão que separava a cozinha da sala, abriu a geladeira, pegou a Coca-Cola, fechou a geladeira e trouxe-a até a mesa. Lua e Edinho, que conversavam animadamente, continuaram se entretendo. Eu, por acaso, percebi Jujuba assistindo, como se tudo acontecesse em câmera lenta, à chegada da garrafa pet na mesa. Olhar vidrado, mal piscava... Seguia com os olhos aquele totem de plástico à medida que Mima, educadamente, servia a todos. Juntei-me à conversa e, segundos depois, aqueles segundos que parecem eternidade, percebi que Ju permanecia hipnotizada. Parecia estar em uma dimensão paralela onde só havia ela e o rótulo vermelho-sangue da garrafa. Foi então que, repentinamente, interrompeu os adultos:&lt;br /&gt;- “O que indústria brasileira?”&lt;br /&gt;Como assim, o que é indústria brasileira?! Ela estava lendo! L-l-len, d-d-do, lendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de ler, desenhar assustadoramente bem e, já aos seis anos, saber distinguir música ternária de quaternária, Juju tinha um passatempo que eu, particularmente, adorava. Vez por outra, batia lá em casa e “Lubis, posso passar o aspirador de pó?”. Obviamente, eu jamais negaria aquele pedido, apesar da frase “trabalho infantil é crime” permanecer martelando a minha cabeça! Alguns minutos e zapt!, criança feliz e sala limpa! Maravilha! Nada como unir o útil ao agradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as outras milhares de histórias que lembro, uma das minhas prediletas é justamente a que todos os meus amigos que têm filhos fazem aquela cara de “hum... sei exatamente como é isso” ou de “porra, como nunca pensei nisso antes!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lua, que sempre teve um jeito incrível para lidar com criança – acho que está no gene, pois Anni, minha ex-sogra (se é lá que ex-sogra existe) tem um ímã de pimpolhos –, adorava, quando tinha tempo, ficar brincado com Ju. Era impressionante a maneira com que elas se conectavam. Se não fosse pela diferença de altura e pelos rompantes de adultez, era impossível saber qual das duas tinha 6 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era comecinho da noite de um domingo, provavelmente, e as duas já brincavam há horas. Eu, no desconfortável-sofá-cama-que-a-nossa-grana-permitiu-comprar, olhava a TV, quando fui surpreendido pelo seguinte diálogo que vinha da rede na varanda:&lt;br /&gt;- E então, Juju, quer brincar de quê agora?&lt;br /&gt;- Vamos brincar de descansar?&lt;br /&gt;- Oxe, e como é que brinca disso?&lt;br /&gt;- Assim, ó: a gente fica aqui deitada e descansa.&lt;br /&gt;- Uhum... Sei, sei... (Pausa...) E quem te ensinou essa brincadeira, Juju?&lt;br /&gt;- Meu pai!&lt;br /&gt;Como assim, Edinho?! Como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto revisado por Paula Berbert.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-1222137970674535310?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/1222137970674535310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=1222137970674535310' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/1222137970674535310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/1222137970674535310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/08/alfabetizaao.html' title='JOGOS INFANTIS'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SLtaYUjGvAI/AAAAAAAAAKo/qVE409yHFZE/s72-c/IMG_0018.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-4253398051072417959</id><published>2008-08-10T15:55:00.000-07:00</published><updated>2008-08-12T11:55:36.164-07:00</updated><title type='text'>RUA GUILLARD MUNIZ</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SJ9yA0w6a7I/AAAAAAAAAKg/Udrx_gSWd5k/s1600-h/sapatinhos.jpg"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233026650517171122" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SJ9yA0w6a7I/AAAAAAAAAKg/Udrx_gSWd5k/s320/sapatinhos.jpg" border="0" height="190" width="196" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Minha vó Diva foi vó com “V” &lt;span style="font-style: italic;"&gt;maiusculoso&lt;/span&gt;. Nos levava à pracinha e passávamos a tarde brincando na areia. Lembro dela com os nossos pares de sapatinhos pendurados nos dedos quando andávamos de volta para a casa dela, na Rua Guillard Muniz, Edifício Cerejeira, apartamento 101. Hoje, ela mora com o filho em função da fragilidade de sua saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao apartamento, tomávamos banho e íamos direto para o quarto da TV, enquanto minha vó preparava nossa janta. Cada um tinha seu próprio pratinho. Eram todos de sopa, para evitar catástrofes no sofá, já que jantávamos lá, acomodadinhos, assistindo, provavelmente, à novela das seis. O meu, recordo, tinha uns detalhes em cor de abóbora e amarelo que talvez, caso minha memória não esteja tão ruim quanto a situação do Galícia, fossem florezinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo sabe que comida de vó é a melhor do mundo. A da minha era a melhor do universo universal. Quando tive hepatite e sofria com as inúmeras restrições alimentares, somente ela dava um jeito de, mesmo sem utilizar uma gota de gordura, tornar a comida saborosa. Fazia bolos “de comer rezando” e, para a nossa diversão, nos deixava lamber a tigela da batedeira, pegar as sobras da massa de pastel caseiro e brincar com a máquina de fazer macarrão. Sim, ela tinha uma máquina de fazer macarrão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não sei se a viúva de vovô Eduardo era mágica ou alquimista. Corajosa, com certeza, era. Após o falecimento do meu avô – que não chegou a conhecer nenhum dos netos –, mesmo contra os bons costumes e as expectativas em relação a uma senhora viúva, contraiu segundas núpcias... e com um homem mais novo. Como assim, com um homem mais novo?! – devem ter pensado as mais recatadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, percebo que D. Diva, além de fazer doces, costurar, pintar, cuidar dos netos e ser corajosa, tinha uma paciência de Jó. Não devia ser nada fácil administrar três diabos da Tasmânia brigando. E, além do mais, toda vez que pedíamos, repetia a mesma história &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nonsense &lt;/span&gt;como se fosse inédita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nana: Vó, conta aquela história?!&lt;br /&gt;Eu: É, é, conta!&lt;br /&gt;Kika (com pouco mais de um ano): anskznchbdhaoenshabnxckabdjfidba.&lt;br /&gt;Diva: Era uma vez três: um polaco e um francês. O polaco puxou a espada e o francês se arrepiou. Quer que eu te conte outra vez?&lt;br /&gt;Nana e eu: Quero!&lt;br /&gt;Kika: ushnkaiolanueo!&lt;br /&gt;Diva: Era uma vez três: um polaco e um francês. O polaco puxou a espada e o francês se arrepiou. Quer que eu te conte outra vez?&lt;br /&gt;Nana e eu: Quero!&lt;br /&gt;Kika: kaniolhnajksoueam!&lt;br /&gt;Diva: Era uma vez três: um polaco e um francês. O polaco puxou a espada e o francês se arrepiou. Quer que eu te conte outra vez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, ai, vó Diva!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;Texto revisado por Paula Berbert&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-4253398051072417959?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/4253398051072417959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=4253398051072417959' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/4253398051072417959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/4253398051072417959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/08/rua-guillard-muniz.html' title='RUA GUILLARD MUNIZ'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SJ9yA0w6a7I/AAAAAAAAAKg/Udrx_gSWd5k/s72-c/sapatinhos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-7025964937215937782</id><published>2008-07-24T19:57:00.000-07:00</published><updated>2008-12-12T21:39:12.616-08:00</updated><title type='text'>EROS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SIlBcGzrgzI/AAAAAAAAAFI/JYDt6bSAhZs/s1600-h/eros.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226780793659687730" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="191" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SIlBcGzrgzI/AAAAAAAAAFI/JYDt6bSAhZs/s320/eros.bmp" width="169" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Ontem à noite, quase hoje, Déa entrou, do nada, no msn e sumiu como o Mestre dos Magos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andrea diz:&lt;br /&gt;lubis.... &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;lubisco diz:&lt;br /&gt;oi, déa... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Andrea diz:&lt;br /&gt;como se diz "eu te amo" em alemão? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;lubisco diz:&lt;br /&gt;Ich liebe dich &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Andrea diz:&lt;br /&gt;acho que daria um beijinho no rosto, um abraço apertado e desenharia um coração no ar com as mãos... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;lubisco diz:&lt;br /&gt;... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Andrea diz:&lt;br /&gt;que difícil amar em alemão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;lubisco diz:&lt;br /&gt;é difícil amar em qualquer língua, déa, em qualquer língua!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-7025964937215937782?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/7025964937215937782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=7025964937215937782' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/7025964937215937782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/7025964937215937782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/07/eros.html' title='EROS'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SIlBcGzrgzI/AAAAAAAAAFI/JYDt6bSAhZs/s72-c/eros.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-5453490936184571586</id><published>2008-07-16T20:19:00.000-07:00</published><updated>2009-08-24T10:07:08.792-07:00</updated><title type='text'>CONCORDÂNCIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SH66jizpdZI/AAAAAAAAAFA/-qfX4WRC8v0/s1600-h/bahiaXgremio.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 186px; FLOAT: right; HEIGHT: 188px" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223817737597973906" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SH66jizpdZI/AAAAAAAAAFA/-qfX4WRC8v0/s320/bahiaXgremio.jpg" width="225" height="204" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;A formação dos Estados Unidos da América, “aquele pedaço de terra compreendido entre o México e o Canadá que deveria ser oceano”, como diria meu amigo Cyro, está intimamente ligada à perseguição religiosa sofrida pelos peregrinos, ainda na Inglaterra. Por isso, provavelmente, como sugerem diversos estudos, os estadunidenses acreditam ser uma nação predestinada, um povo escolhido por Deus, o que lhes confere o divino direito de intervir onde e quando for necessário em nome dos valores elevados que julgam defender. Tem sido assim no Iraque e no Afeganistão, hoje, assim como foi apoiando as sangrentas ditaduras na América Latina nos anos 60 e 70, majoritariamente. Sabemos dos casos de tortura e morte, aqui no Brasil, de pessoas que simplesmente desapareceram ou foram “suicidadas”, como o jornalista Vladimir Herzog, o Vado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa brutalidade patrocinada pelo Uncle Sam ganhou proporções ainda maiores na Argentina e no Chile. Na terra de Maradona, o último golpe militar – 1976/1983 – deixou um saldo de 9 a 10 mil mortos e desaparecidos, segundo os dados oficiais. Porém, as organizações de direitos humanos, inclusive as Mães da Praça de Maio, contestam, afirmando que esse número pode chegar a 30 mil. No Chile, onde Salvador Allende fora eleito o primeiro presidente sul-americano socialista por voto direto, o General Augusto Pinochet, com a bênção da Estátua da Liberdade, assumiu o poder em 1973 e, até 1990, garantiu que 3.197 pessoas sumissem ou desaparecessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma que diversos brasileiros deixaram a pátria para morar em outras terras, chilenos e argentinos também o fizeram, como é muito comum em ditaduras violentas como as que assolaram o hemisfério sul do nosso continente americano. Conheço um rapaz de trinta e poucos anos que, em meados dos 80, se mudou para Salvador com a mãe e a irmã caçula para esperar pelo pai, também chileno, mas que por um motivo ou outro viria mais tarde. Nunca chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir dos anos 90, houve uma nova leva de “hermanos latinos” chegando ao Brasil por um motivo bem mais leve: o futebol. Na realidade, ainda nas décadas anteriores já havia jogadores de outros países sul-americanos fazendo história por aqui: o argentino Ramon Rafanelli comandou a zaga do Bangu nos idos de 1949; o paraguaio Romerito foi campeão brasileiro pelo Fluminense em 1984; o goleiro uruguaio Rodolfo Rodriguez jogou no Santos e, no final da carreira, no Baêa minha porra, quando protagonizou, em 1993, uma cena patética na derrota de 6X0 contra o Cruzeiro, do então magro Ronaldinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi exatamente um estrangeiro que me fez retornar ao estádio Octávio Mangabeira, mais conhecido como Fonte Nova, após anos apenas assistindo futebol pela televisão. Arce, lateral direito paraguaio, fez história na seleção do seu país ao lado do zagueiro Gamarra, considerado por muitos um dos melhores na sua posição em todos os tempos, chegando a passar a Copa do Mundo de 1998, quando foram eliminados pela França na prorrogação, sem fazer uma falta sequer! Infelizmente, Gamarra defendia também o Inter de Porto Alegre, maior rival do meu Grêmio – duas vezes campeão brasileiro, três da Copa do Brasil, duas da Libertadores e uma do mundial interclubes. Arce, por sua vez, sob o comando de Felipão, dominou a lateral direita por anos, até ser contratato pelo Palmeiras, onde continuou sua carreira de sucesso. Pois bem, eu queria ver Arce jogar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu batia baba no campo de barro do Clariana, um edifício aqui do Candeal onde Pedro Pererê e Mistério, da extinta Inkoma – banda de que Pitty também fazia parte –, moravam. Já joguei nos mais diversos lugares: asfalto, corredor de colégio, garagem, ladeira... mas esse campo deve ser o único do planeta que não tem nenhum lado paralelo. À primeira vista, parece um trapézio, por isso o time vencedor sempre escolhe atacar para a linha de fundo mais estreita. Dá um sufoco na defesa adversária. Entretanto, com um olhar mais apurado, percebe-se que as linhas laterais se encontram antes do infinito. Surreal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandão, pai do melhor volante que já vi jogar, Emílio, marcava presença todos os sábados, estando sempre entre os primeiros a chegar, o que lhe conferia o direito de participar do primeiro baba. Este durava 20 minutos e não tinha limite de gols, enquanto os seguintes eram no esquema 15 minutos ou dois gols. Estas regras foram estipuladas para evitar confusões, pelo nosso COB, Comitê Organizador do Baba, presidido por Glauco e assessorado pelo próprio Brandão e por Doutor Valter, um boliviano que, no auge de seus quase 70 anos, jogava conosco e corria mais que muito garotão. E, já no final da tarde, na resenha na frente da barraquinha tomando água, desculpava-se: “poxa, Lubisco, naquele gol do último baba, não consegui acompanhar Jean (na época com 18 anos). É que joguei tênis pela manhã e já tava cansado.” Como assim, Doutor Valter, como assim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi Brandão, fervoroso torcedor do Bahia, sabendo da minha ausência nos estádios por tantos anos, quem me convidou para assistir BahiaXGrêmio pelo Campeonato Brasileiro de 1996. Mesmo tendo que ficar à paisana na torcida do rival, eu veria Arce. Disse sim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vesti uma bermuda azul, uma camisa branca e, por baixo das meias azuis, outras com o símbolo do tricolor gaúcho, time com história nefasta de racismo que, na sua origem, não contratava negros. Um nojo! Já tentei, mas não consigo desamar meu time! Como assim, Lubisco?! Como assim, me pergunto! Idiossincrasias, me respondo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Fonte Nova com seus aproximadamente 30 mil torcedores calou-se com o primeiro gol do Grêmio, assinalado por Carlos Miguel, antes dos 10 minutos do primeiro tempo. O silêncio nas arquibancadas contrastava com os berros de euforia ecoando dentro de mim (lá ele). No último minuto da primeira etapa, ainda, emudeci diante daquela massa sonora que comemorava o gol de empate. Como assim, Danrlei!? Que frango, porra. “Até minha avó com todo o reumatismo dela pegava essa bola”, resmunguei quase calado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo tempo, o Esquadrão de Aço parecia ter 22 jogadores. Eles atacavam por todos os lados o tempo todo. Só não marcaram duzentos gols porque a pontaria dos atacantes era sofrível e porque Danrlei, finalmente, fez jus à camisa número 1 e se redimiu praticando defesas indescritíveis. Àquela altura, eu torcia mais para o árbitro dar o derradeiro apito do que para o meu time. Foi quando, faltando dois minutos para o final do jogo, da intermediária, Arce acertou um petardo no ângulo esquerdo de Jean. “É goooooool!!!! Putaquepariu, golaço! É Grêmio, minha porra!”, gritei calado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio dos torcedores durou somente até o término da partida. Depois disso, eu presenciei uma catarse coletiva. Gerações e mais gerações do técnico foram ofendidas. Jogadores tiveram sua masculinidade colocada em xeque, assim como foram jurados de morte pelos meus companheiros de arquibancada mais exaltados. Eis que surge, no meio da multidão, um senhor grisalho com ar apaziguador balançando levemente os braços abertos, com as mãos espalmadas para baixo e gritando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pessoal, CALMAM, pessoal. CALMAM!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,102,255)"&gt;Texto revisado por Paula Berbert&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-5453490936184571586?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/5453490936184571586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=5453490936184571586' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5453490936184571586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5453490936184571586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/07/concordncia.html' title='CONCORDÂNCIA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SH66jizpdZI/AAAAAAAAAFA/-qfX4WRC8v0/s72-c/bahiaXgremio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-2151907757284966044</id><published>2008-07-08T14:54:00.000-07:00</published><updated>2008-12-12T21:39:12.907-08:00</updated><title type='text'>CARIOCAS x MINEIROS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SHPiFJHmYZI/AAAAAAAAAE4/s1Yu1IvG1YI/s1600-h/estatistica.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220764971027554706" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="157" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SHPiFJHmYZI/AAAAAAAAAE4/s1Yu1IvG1YI/s320/estatistica.gif" width="254" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;A minha primeira leitura marcante foi O Equilibrista, de Fernanda Lopes de Almeida e Fernando de Castro Lopes, ainda durante a infância. Em fevereiro de 2005, Guacira Cavalcanti – contadora de estórias e cúmplice de poesia – presenteou-me com este livro. Reler foi uma experiência brutal. Sabe aquele papo furado de “ler é viajar, blá, blá, blá...”? Pois bem, fez todo sentido! Praticamente senti o cheiro do jardim da casa onde morávamos, na Rua das Acácias. Fui dormi com as sensações infantis resgatadas através daquelas 33 páginas coloridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, acordei certo de que O Equilibrista fora escrito para adultos. Era profundo demais para crianças. Como assim, para crianças?! Conversando com D. Nídia, minha progenitora, durante o café da manhã, ela citou Cecília Meireles, que dizia: “livro infantil é livro que criança também pode ler”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mantive o hábito de leitura. Hoje sou bem mais seletivo, mas já li de tudo e não acredito em subliteratura como os intelectualóides de plantão. Não sou do time que odeia Paulo Coelho sem ter lido sequer uma linha. Li O Alquimista, Diário de um Mago e Brida. Tenho meus motivos. Mas desgostar não significa em absoluto desconsiderar o mérito. Desconfio tanto de quem só lê Paulo Coelho quanto de quem apenas lê Machado de Assis. No Instituto de Letras da Universidade Federal da Baêa minha porra, reduto dos academicistas-com-ar-blasè-não-tô-nem-aí-pra-você-mocréia, alguém que assume gostar de ler Paulo Coelho corre o sério risco de ser apedrejado ou atropelado por um caminhão carregado de purpurina. Perigosíssimo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou da geração que ainda não se adaptou aos novos paradigmas da leitura como, por exemplo, ler na tela do computador. Se o texto tiver umas duas laudas, massa. Mais do que isso, entretanto, preciso imprimir. Sou um dinossauro da leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tempos já não tenho paciência para estes periódicos semanais. Tenho verdadeiro asco da Veja. Não concebo como um órgão de imprensa, em pleno século XXI, ainda tem uma orientação tão fascista assim. Diogo Mainardi é o Darth Vader tupiquinim com complexo de inferioridade disfarçada de arrogância etnocêntrica americanófila. Evito conversar com pessoas que citam esse verme para legitimar um argumento, como se a opinião desse filhote abortado de Paulo Francis endossasse alguma merda. Aqui em casa, temos a assinatura da Istoé. Recentemente, contrataram um novo time de colunistas, pois estavam perdendo mercado para a supracitada arqui-rival. Num passado longínquo, essas publicações seguiam linha editorias muito distintas. Hoje, contudo, talvez a maior diferença seja que a Istoé reserva uma única página para as citações da semana de famosos, enquanto a Veja, duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistir ao Esporte Espetacular no Domingo não é simplesmente um programa. É qualidade de vida. Geralmente faço isso folheando a Istoé, assim me distraio e a azia não ataca. No último domingo, enquanto via Dani Monteiro (ai, Dani!) se embrenhando na floresta amazônica com o destacamento do exército brasileiro especializado neste ambiente, o artigo da página 74, da seção Comportamento, da Istoé de 02 de julho/2008, nº 2017, ano 31, me prendeu a atenção. Dizia o título: “O BRASILEIRO É FELIZ NA CAMA: Pesquisa mundial mostra que a população tem elevada auto-estima sexual”. Eu, que só passo o olho, tive de ler tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era menos de uma página, pois havia uma foto de um casal sorridente na cama que mais parecia propaganda de lençol. À medida que avançava na leitura, ia me convencendo de que o melhor era mesmo a fotografia do lençol de percal 300 fios da Buddemeyer. Foi quando me deparei com os números concernentes à freqüência com que determinados povos do mundo iam para cama. De acordo com a pesquisa realizada pela Pfizer, os cariocas têm uma média de 3,3 relações sexuais por semana, enquanto que as cariocas, 2,7. A primeira coisa a me intrigar foi esses três e sete décimos dos 3,3 e 2,7, respectivamente. (Sempre quis usar respectivamente. Acho chique pra caralho.) Como assim 3,3 vezes por semana, negão?! Significa o quê, exatamente? Talvez três intercursos completos e uma punhetinha? Os setes décimos, então, melhor deixar de lado (ops).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coincidentemente, logo após essa leitura, ainda incomodado, entrei no MSN e encontrei a revisora dos textos desse blog, minha amiga Paula Berbert. Comentei dos resultados das pesquisas e ela, para piorar a minha situação, apontou para outra questão que iria me atormentar trocentas vezes mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lubisco diz:&lt;br /&gt;Babes, como assim 0,3? Estatística é uma farsa! É o que isso? Uma punhetinha, uma chupadinha no peito?&lt;br /&gt;Paula Berbert diz:&lt;br /&gt;Euaehuaheuahe. E essa diferença de 0,6 entre os homens e mulheres?&lt;br /&gt;Lubisco diz:&lt;br /&gt;Uia! Não tinha pensado nisso! Agora fudeu! Vai ver os cariocas tão se comendo entre eles pq tem muito viado lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paula diz:&lt;br /&gt;Kkkkk. Vai ver OS cariocas viajam mais que AS cariocas e essa diferença é justamente de quando eles estão fora.&lt;br /&gt;Lubisco diz:&lt;br /&gt;Ok&lt;br /&gt;Paula diz:&lt;br /&gt;?&lt;br /&gt;Lubisco diz:&lt;br /&gt;Vou nessa. Ainda não terminei o artigo. Adios, babes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para minha leitura e percebi que tinha deixado escapar um dado importantíssimo que, na realidade, comprova que tanto Paula quanto eu estávamos certos nas nossas teorias. Em Belo Horizonte, os mineiros mantêm uma freqüência de 3,8 vezes de relações sexuais por semana, enquanto que as mineiras, 2,4... é, de fato os cariocas viajam muito para Belo Horizonte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Texto revisado  por Paula Berbert&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-2151907757284966044?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/2151907757284966044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=2151907757284966044' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2151907757284966044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2151907757284966044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/07/cariocas-x-mineiros.html' title='CARIOCAS x MINEIROS'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SHPiFJHmYZI/AAAAAAAAAE4/s1Yu1IvG1YI/s72-c/estatistica.gif' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-3381230972289885164</id><published>2008-06-26T21:29:00.000-07:00</published><updated>2008-12-12T21:39:13.307-08:00</updated><title type='text'>O COLECIONADOR DE SELOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SGRswKkZbhI/AAAAAAAAAEw/44xBhMR2brs/s1600-h/beijo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5216413843128413714" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="145" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SGRswKkZbhI/AAAAAAAAAEw/44xBhMR2brs/s320/beijo.jpg" width="217" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Lembro-me de um teste vocacional que fiz ainda durante o segundo grau. Surgiram tantas opções que saí do atendimento pedagógico mais confuso que antes. Tive quase a certeza de que era um gênio das Humanas, pois todos os caminhos me arremessavam no sentido contrário dos números. Em 1994, entrei no curso de Musicoterapia na UCSAL, mas não terminei. Em 1997, ingressei em Letras (Língua Estrangeira/Inglês) na Universidade Federal da Bahia, onde hoje leciono como professor substituto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado que nenhuma das minhas opções apareceu no resultado do teste cuidadosamente feito por Leli, então estagiária do NOE (Núcleo de Orientação Educacional) do Teresa de Lisieux. Também segundo a pedagoga oficial, Maria Helena Krushealgumacoisaquenãomelembrocomotermina, que me proveu com as possibilidades de caminhos profissionais a serem seguidos, Musicoterapia e Letras não estavam na lista. Ela tinha a certeza de que eu seria um “brilhante advogado ou, quem sabe, um publicitário de sucesso. Jornalista também podia ser uma boa, mas não dá tanto retorno financeiro assim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre tive a impressão de que os testes vocacionais dos cirurgiões oferecem duas únicas possibilidades: cirurgião ou açougueiro. Comentei isso com minha amiga Drika, Terapeuta Ocupacional por profissão, que me afirmou que ambas carreiras buscam, de certa forma, uma sublimação da violência. Não é que eu estava certo? E nem li Freud! Devo ser, de fato, um gênio das Humanas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada, o meu terceiro molar inferior esquerdo sofreu de um processo infeccioso pela dificuldade de higienização, pois, por estar semi-ocluso, se formou uma cápsula que acumulava resíduos alimentares e transformou a área numa colônia de férias de bactérias. Lutamos contra a fase aguda – doía pra caralho –, mesmo sem eu poder parar de trabalhar, para, por fim, quando aliviada a crise, cortar o mal pela mandioca, como diria o Analista de Bagé (Luis Fernando Veríssimo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo Leandro Eloy tem um critério assaz curioso para experimentar – ou não – esses drinques exóticos que vêm com miniaturas de guarda-sol, pedaços de fruta, chamas coloridas etc. e tal: jamais beba algo cuja cor inexista in natura ou que o nome não possa ser pronunciado depois da segunda dose. Todo mundo tem seu leque de critérios para os mais peculiares assuntos. Hoje de manhã, presenciei duas alunas minhas, de Língua Inglesa em Nível Avançado do curso de Letras, conversando sobre o que supus ter sido o término do relacionamento de uma delas. Eram muitas as reclamações contra o pobre rapaz. Caio devia ser o capeta personificado. Após um ligeiro silêncio, a que aconselhava me saiu com esta: “Também, com esse nome! Caio! Só tem uma consoante. Nunca daria certo. Tanta vogal assim não tem ponto de oclusão. Aí, ó, o cara é todo esquivo, escorregadio. Olha, Tânia, nunca namore um cara com tantos encontros vocálicos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No geral, desconfio de profissões que necessitam de todo nosso fôlego para serem ditas. Naquela sexta-feira, porém, eu tinha um horário marcado com Dr. André, cirurgião bucomaxilofacial (ufa!) para extração do maldito siso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as pessoas do mundo já tiraram pelo menos um dos cisos e sempre têm algo a acrescentar diante de alguém prestes a vivenciar isso, nem que seja somente aquela cara de “ihhh, se fudeu!”. Nunca tive medo de dentista, até porque meu pai, Dr. Raphael Portella, é um exemplar dessa espécie de sádico. Entretanto, confesso que, ao deitar na cadeira para o exame clínico que precederia o procedimento cirúrgico, estava um pouquinhozinho impressionado com tantas histórias e casos. Dr. André, com um topete irretocável, deu uma olhada no dente em questão e atirou: “Huuummm... Esse é dos bons!” Como assim, esse é dos bons!? Como assim, negão!?, pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia um cenário de Kubrick: de baixo pra cima, só conseguia ver os olhos do dentista e de sua auxiliar, Cris, já que usavam aquelas máscaras cirúrgicas brancas. Via também um pedaço do teto branco e a luz do refletor, branca. Minha única distração era tentar acompanhar a carnificina através do reflexo nos óculos de proteção de Cris. Mas a remelinha no seu olho direito me incomodou mais que a minha curiosidade e resolvi permanecer de olhos bem fechados.&lt;br /&gt;- Huum...&lt;br /&gt;- (Falando com as sobrancelhas) Ai, meu Deus!&lt;br /&gt;- Terei que utilizar a broca adiamantada para seccioná-lo ao meio. É maior do que pensava.&lt;br /&gt;- (Com olhos semicerrados) Parou! Licenciado, não quero mais jogar isso, não.&lt;br /&gt;...Zzzzzz... dddddrrrrrr... tuiiiiiinnnnnn...&lt;br /&gt;- Ahá! Saiu... Olha aqui, essas raízes parecem postes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí do consultório quarenta minutos após o início da sessão de tortura com um “esperado sangramento”, um leve desconforto em função da anestesia, além de uma lista com trezentos itens para uma melhor recuperação. Entre todos, um me hipnotizou: alimentação líquida/pastosa e gelada. Em outras palavras: sorvete. Extrair um dentezinho não podia ser tão ruim assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois, eu já não suportava a idéia de tomar sorvete. Queria mastigar, mastigar, mastigar. Estava quase depressivo. É muito triste ficar limitado em suas ações por causa de um... um... um dente! Tenho 1,80m. Quanto por cento da minha massa corporal corresponde o terceiro molar? E era justamente esse percentual irrisório que me proibia de tantas coisas. Cheguei ao ponto de ir a um churrasco na casa de Pat e Gabriel, naquele estilo cada um leva alguma coisa, e levei polpa de fruta. Como assim?! Os amigos comendo coração de galinha, picanha, calabresa, e eu levantando para bater um suquinho na cozinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversando com Xandão, quando voltávamos do churrasco com suco, ele me fez uma pergunta que não soube responder e julguei ser relevante para o meu processo recuperatório. Lancei mão do último item da interminável lista de Dr. André, que dizia: em caso de dúvidas e/ou emergência, entre em contato. O meu celular está ligado 24h/dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô.&lt;br /&gt;- Dr. André, aqui é Lubisco. O senhor extraiu o meu terceiro molar inferior esquerdo na última sexta-feira.&lt;br /&gt;- Hum...&lt;br /&gt;- Aquele que teve que ser seccionado ao meio com uma broca adiamantada senão ficaríamos lá até após o São João, cujas raízes mais pareciam postes!&lt;br /&gt;- Ah, claro! Olá, Lubisco. Algum problema? Aconteceu algo?&lt;br /&gt;- Não, não. Na realidade, queria pedir desculpas antecipadamente por ligar às 22:00h da véspera de um feriado só para tirar uma dúvida...&lt;br /&gt;- Que é isso, pode perguntar.&lt;br /&gt;- Bem, veja só... erm... eu posso beijar na boca?&lt;br /&gt;- Huum... Como tinha dito, foi um dente muito volumoso e precisamos que se forme um grande coágulo de cicatrização aí...&lt;br /&gt;- Lembro disso.&lt;br /&gt;- Por isso, tantos cuidados. O antibiótico que você tá tomando vem lutando contra as bactérias da sua própria boca, certo? Não precisamos de outras bactérias aí... e uma outra língua é um corpo estranho, né?&lt;br /&gt;- É?&lt;br /&gt;- Até próxima sexta, então, só selinho!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Texto revisado por Paula Berbert.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-3381230972289885164?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/3381230972289885164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=3381230972289885164' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3381230972289885164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/3381230972289885164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/06/o-colecionador-de-selos.html' title='O COLECIONADOR DE SELOS'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SGRswKkZbhI/AAAAAAAAAEw/44xBhMR2brs/s72-c/beijo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-5443207547231059853</id><published>2008-06-24T13:34:00.000-07:00</published><updated>2008-12-12T21:39:13.450-08:00</updated><title type='text'>SEMINARSTRASSE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SGFac-lsoUI/AAAAAAAAAD4/Wz8yqdtl0bA/s1600-h/termica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215549297355694402" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="244" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SGFac-lsoUI/AAAAAAAAAD4/Wz8yqdtl0bA/s320/termica.jpg" width="167" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Quero escrever um livro que tenha o cheiro da grama molhada de certa casa. As portas são de madeira maciça, mas estão sempre abertas. As janelas, amplas e não menos de duas por cômodo, deixam o mundo entrar sem ser anunciado. O jardim é pequeno, mas nada econômico nas cores. No quintal, vêem-se árvores cujos nomes ainda sequer foram inventados. Rodeando a casa, estipulando limites, um muro desenhado a giz, erguido no ar na mais irretocável perspectiva.&lt;br /&gt;Não há vizinhos. É a única casa da rua. Já ao longe, assim que se dobra a esquina para entrar na Seminarstrasse, pode-se avistá-la. Nem grande nem pequena e sem maiores pompas. As paredes de tijolo vermelho parecem brotar do gramado verde feito esperança. No outono, o reflexo do sol às 3:00 desenha um feixe furtacor que bate bem nos olhos de que estiver no portão da frente, voltado para a janela maior da sala. No início da noite, um cheiro de café incensa a casa por alguns instantes. É só o tempo de ficar pronto e então ser aprisionado na garrafa térmica da vovó - a cor de laranja, pois a florida quebrou na mudança!&lt;br /&gt;O gabinete é um velho cisudo que sabe de muitas coisas. Seus livros, que não são poucos, sorriem iludidos sempre que algum visitante desavisado se aventura por lá.&lt;br /&gt;Quem passa pela frente mal percebe a casa, exceto pelo fato de sofrer solitária na rua. Não tem nada que a diferencie de qualquer outra... somente esse cheiro que me nina nas noites mais longas e que dá vida ao meu livro.&lt;br /&gt;O cheiro, Nina! O cheiro!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-5443207547231059853?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/5443207547231059853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=5443207547231059853' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5443207547231059853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5443207547231059853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/06/seminarstrasse.html' title='SEMINARSTRASSE'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SGFac-lsoUI/AAAAAAAAAD4/Wz8yqdtl0bA/s72-c/termica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-2190609935180885933</id><published>2008-06-14T14:50:00.000-07:00</published><updated>2008-12-12T21:39:13.613-08:00</updated><title type='text'>ERA UMA CASA PORTUGUESA COM CERTEZA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SFRApSB16NI/AAAAAAAAADY/-QYTNgHDnu4/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5211861746732886226" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 182px; CURSOR: hand; HEIGHT: 132px" height="158" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SFRApSB16NI/AAAAAAAAADY/-QYTNgHDnu4/s320/sem+t%C3%ADtulo.bmp" width="148" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Estudar língua numa sala multicultural é uma experiência única. Nas minhas aulas de alemão patrocinadas pela igreja católica para imigrantes sem condições de pagar os cursos tradicionais, deliciava-me com tantas diferenças de olhar sobre um mesmo fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive colegas do México, Bolívia, Colômbia, Grécia (um cozinheiro que já morava em Bremen há quase 5 anos, mas nunca necessitou aprender o idioma por praticamente viver entre seus conterrâneos, dentro do restaurante onde trabalhava), Filipinas, Brasil – minha amiga-irmã Cris – e até uma jovem mãe da Macedônia, que largou tudo na terra natal para trabalhar na Alemanha, juntar uma grana e garantir o futuro da filhinha que a levava às lágrimas toda vez que surgia na conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi, de fato, uma experiência indescritível. A cada momento me surpreendia com uma opinião inimaginável. Caminhos inusitados, opiniões por vezes horrendas, por outras apaixonantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lua, que estudava na mesma escola, mas numa turma 247 semestres mais adiantada, foi premiada com uma portuguesa chamada Isabel em sua sala. Chegaram a trabalhar juntas no depósito da H&amp;amp;M, colocando dispositivos de segurança eletrônicos nas roupas. O que, no princípio, era um agente motivador para Lua sair antes das 6:00 da manhã, num dos invernos mais rigorosos que a Alemanha já teve, e encarar uma hora e tanto de viagem antes de começar a extenuante jornada de 6 horas repetindo o mesmo movimento, tornou-se um fardo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isabel era turrona demais. Só se convenceu que a minissérie OS MAIAS não era uma produção da TV portuguesa com participação de atores brasileiros quando visitou o site da Rede Globo – após Lua tê-la enviado o link por e-mail – e pôde conferir toda a ficha técnica. Contudo, não houve maneiras de ser convencida que Roberto Leal não era brasileiro, mas, sim, português!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por iniciativa de nossa irmã lisboeta (lá ele), a turma de alemão avançado da Koplinhaus foi ao Centro de Cultura Portuguesa em Bremen para comer Sardinhas com Batatas ao Murro. Soube por ela que esta era uma especialidade maravilhosa que iria “fisgar todos pela boca” (com sotaque de Manoel). Interessado em culinária mediterrânea que sou, pedi a receita:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Sem descascar as batatas, lave-as bem sob água corrente.&lt;br /&gt;2. Numa panela grande, coloque as batatas com a casca e 2 litros de água. Leve ao fogo médio e deixe cozinhar por 45 minutos. Transfira as batatas escorridas para um pano de prato limpo. (Ainda bem que é limpo. Ufa!)&lt;br /&gt;3. Salpique um pouco de sal e regue com azeite.&lt;br /&gt;4. Preaqueça o forno a 180ºC (temperatura média).&lt;br /&gt;5. Cubra com papel-alumínio e leve ao forno preaquecido para assar por 15 minutos.&lt;br /&gt;6. Quando esfriar, dê um murro em cada batata. (Como assim “dê um murro em cada batata”?! Como assim?!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, éramos 20 pessoas das mais diversas nacionalidades, e a única possibilidade de comunicação era falando alemão! Ainda em casa, tive um mau pressentimento sobre o jantar daquela ensolarada noite de verão. Resolvi deixar para lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos muito bem recebidos por senhores e senhoras sorridentes, vestidos como se estivessem assistindo novela esparramados no sofá. Os primeiros minutos foram de apresentações e elucubrações a respeito de como nos acomodar confortavelmente. Foram muito delicados e atenciosos, de fato. Sentimo-nos em casa, sem exceção, da francesa ao iraniano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente, como se tivessem brotado das oliveiras que cresciam no jardim e podiam ser vistas pelas amplas janelas, jovens bigodudos surgiram carregando pesadas mesas de madeira maciça e as dispuseram de maneira que se formou um quadrado que cabiam cinco de nós em cada lado. Genial! Nada daquelas mesas que uma cabeceira só se comunica com a outra por megafone. Senti-me culpado por ter sucumbido aos estereótipos e subestimado nossos atenciosos patrícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre sentarmos e Seu Antônio Carlos – robusto senhor que fazia as vezes de garçom – chegar para “tirar o pedido das bebidas”, não se passaram mais do que 3 minutos. A demora ficou por conta dos clientes. Apenas Lua, que logo tomou a frente para organizar quem queria o quê, em alemão, e passar as informações em português, não era suficiente. Tentei ajudar, mas como organização e alemão nunca foram meu forte, acabei atrapalhando, e o que poderia ser resolvido rapidamente durou quase quinze minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fazia sentido algum Portugal jamais ter tido um campeão de F-1. Mais uma vez fui surpreendido pela velocidade do serviço. Em um piscar de olhos, rapazes munidos de bandejas prateadas, cheias de bebidas dos mais diversos sabores, aromas e cores, chegaram à nossa mesa. Aí se deu início ao mais longo capítulo da novela: Ai, meu Deus! O quê é de quem? Desta vez com o auxílio (?) de Isabel, Lua conseguiu, entre resmungos, gargalhadas, gotas na roupa e muita desordem, garantir que todos recebessem seus respectivos pedidos em aproximadamente 25 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente o brinde! Como de costume na Alemanha, olhamos uns nos olhos dos outros (tem que se olhar no olho mesmo!) e nos saudamos com copos em riste dizendo prost.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estávamos sentados, conversando animadamente com nossos copos, garrafas e cotovelos devidamente repousados sobre mesa de madeira escura e verniz manchado, quando Seu Antônio Carlos, acompanhado de três auxiliares, nos pediu para levantarmos tudo, pois iriam, então, estender a toalha de mesa...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-2190609935180885933?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/2190609935180885933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=2190609935180885933' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2190609935180885933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2190609935180885933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/06/entre-drinks-e-toalhas.html' title='ERA UMA CASA PORTUGUESA COM CERTEZA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SFRApSB16NI/AAAAAAAAADY/-QYTNgHDnu4/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-596562274977646001</id><published>2008-06-10T05:46:00.000-07:00</published><updated>2008-12-12T21:39:13.994-08:00</updated><title type='text'>Capiscum Annum</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SE54KlyMkUI/AAAAAAAAABc/7go0bgnd5ow/s1600-h/pimentoes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210233942250918210" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SE54KlyMkUI/AAAAAAAAABc/7go0bgnd5ow/s320/pimentoes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;É muito comum as pessoas acreditarem que para falar uma língua estrangeira é necessário morar fora e que morar fora é sinônimo de aprender uma nova língua. Bem, jamais morei em nenhum dos 58 países falantes de língua inglesa e, entretanto, este é o idioma que ensino. On the other hand, morei um ano, três meses e 23 três dias na Alemanha e o máximo que consigo, além de contar e xingar, é cantar parabéns pra você.&lt;br /&gt;Sorte minha que eles não têm também a versão longa-metragem com direito a “chegou a hora de apagar a velinha... que Deus lhe dê muita saúde e paz” (ad infinitum), sempre terminando com “é pique, é pique... rá, tim, bum! Fulano, fulano, fulano... aêêêê. Oxe, já pensou: rá, tim, bum! Friederisch, Friederisch, Friederisch! Como assim!?&lt;br /&gt;Cantar parabéns na Alemanha era uma das poucas coisas simples de serem feitas, por isso aproveitei todas as oportunidades e cantei a plenos pulmões: Zum Geburtstag viel Glück, zum Geburtstag viel Glück, viel Glück zum Geburtstag, Zum Geburtstag viel Glück (Pelo dia de nascimento boa sorte, pelo dia de nascimento boa sorte, boa sorte pelo dia de nascimento, pelo dia de nascimento boa sorte).&lt;br /&gt;Toda a minha geração ouviu a versão de Chico Buarque para Os Saltimbancos - musical infantil de Sergio Bardotti e Luis Enríquez Balacov. Pois bem, essa era uma adaptação da história dos Irmãos Grimm chamada Os Músicos de Bremen (Die Bremer Stadtmusikanten). Morei em Bremen.Quando cheguei, numa quinta-feira de inverno, fui recepcionado na Hauptbanhonf, após quase 6 horas sentado num vagão de trem que partira de Frankfurt, por Michal e René. De lá, fomos direto pra casa de Michal, onde os amigos dele nos esperavam para uma festinha... Coincidentemente, acabei morando durante toda a minha estada no segundo andar daquele mesmo prédio de três andares, que ficava bem atrás de uma pequena praça arborizada, na rua Neustadtcontrescarpe, 28.&lt;br /&gt;No apartamento de dois quartos, cozinha, banheiro e nenhuma sala, nos aguardava o que parecia ser um time de rugby formado por junkies desbotados. Estavam fechados no quarto ocupado por Heiner, próximo à cozinha, incensando o ambiente. Deviam estar se dedicando à nobre tarefa com muito afinco, pois, ao tentar entrar, quase sofri traumatismo craniano com o impacto da fumaça.Vencida a etapa de apresentações (This is Micha, Toby, Timo, Hejar, Heiner und Matze), eles continuaram confeccionando origames transgênicos e produzindo fumaça suficiente para aumentar o aquecimento global em pelo menos 5ºC /dia.&lt;br /&gt;Acomodei-me e, observando a situação, percebi que há uma diferença fundamental entre rituais maconheirísticos alemão e brasileiro: enquanto aqui o povo dá uns paus no baseado (lá ele gigantesco) e passa, lá o cabra fuma o quanto quiser e, quando estiver satisfeito, passa a parada. Quem for ansioso rói as unhas até o toco! Que angústia!&lt;br /&gt;Esperei pacientemente chegar a minha vez. Dois tragos foram suficientes para nivelar o meu Q.I. ao de uma ameba. Cheguei a solicitar um band-aid cerebral, mas, surpreendentemente, não fui compreendido por aquele bando de albinos, apesar da minha mímica perfeita.&lt;br /&gt;Ainda não sei como não há nenhum estudo sério sobre entorpecentes e aquisição de segunda língua. Com os resultados que imagino, haverá um grande fluxo de estudantes procurando cursos não mais nos EUA, Canadá ou Reino Unido, mas, sim, na Jamaica: Welcome to Marley's School of English. Que lindo!&lt;br /&gt;Com o passar das horas, inexplicavelmente, eu e René já compreendíamos todos os diálogos travados no quarto. Proporcionalmente à nossa compreensão, aumentou a fome de todos. E cabe ressaltar que todos, aqui, significam nove homens de larica!Por talvez ser o que estava em pior estado, já que não havia ingerido nada durante a viagem de trem, perguntei a Michal se tinha algo para comer. A resposta dele me preocupou: “Acho que sim. Veja se tem alguma coisa na geladeira”. Como assim?! Cadê o famoso planejamento alemão?! Nove marmanjos se entupindo de THC e ele achava que tinha algo?! Como assim?! Rezei até a Salve Rainha na esperança de encontrar qualquer coisa maior e mais doce do que uma barra de chocolate ao leite Nestlé.&lt;br /&gt;Reinando solitário na prateleira do meio, entretanto, cercado por absolutamente nada, um pimentão amarelo. UMPIMENTÃOAMARELO. AI-MEU-DEUS-COMO-ASSIM-SÓ-TEM-ESSE-PIMENTÃO-AMARELO?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o desespero da idéia de sair quase às duas da matina, num frio de -3ºC, para bater um rango no Kiosk dos turcos na rua de trás e a resignação de dormir faminto, voltei para o quarto e, empunhando o vegetal, perguntei aos donos da casa o que faríamos com aquilo. Heiner, que dividia o apartamento com Michal, levantou-se, pegou o pimentão e dirigiu-se à cozinha. Pensei: na certa, vai fazer uma receita de pimentões recheados, ensinada pela avó, que, por sua vez, aprendera durante a segunda guerra, a fim de reaproveitar sobras de outras refeições.&lt;br /&gt;Poucos minutos após desaparecer na bruma, Heiner adentrou o quarto sob o olhar atento dos outros oito famintos remanescentes e, triunfante, colocou o prato em cima da mesa com o pimentão todo fatiado. Como assim, negão!?(Suspiro) Foi desta maneira que atordoamos a larica! Nove trogloditas se deliciaram com fatias daquele Capiscum Annum de cor-pigmento primária e cor-luz secundária, resultado da sobreposição das cores vermelha e verde que se encontra entre as faixas 565nm e 590nm do espectro de cores visíveis. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-596562274977646001?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/596562274977646001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=596562274977646001' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/596562274977646001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/596562274977646001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/06/capiscum-annum.html' title='Capiscum Annum'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SE54KlyMkUI/AAAAAAAAABc/7go0bgnd5ow/s72-c/pimentoes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-2475692568163683105</id><published>2008-06-01T14:40:00.000-07:00</published><updated>2008-12-12T21:39:14.100-08:00</updated><title type='text'>NEIDE X MAURÍCIO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SEMYIi3W3PI/AAAAAAAAABU/WvLjmru2U0g/s1600-h/tomenota.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207032129247436018" style="FLOAT: right; MARGIN: 0pt 0pt 10px 10px; CURSOR: pointer" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SEMYIi3W3PI/AAAAAAAAABU/WvLjmru2U0g/s320/tomenota.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;No geral, odeio o senso comum. Um dos piores é a lenda de que o terceiro ano colegial é foda! Porra nenhuma! Nunca comi tanta água em minha vida como em 93 – coincidentemente, o meu último ano de bebedeiras.&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Isso mesmo, senhoras e senhores, abdiquei no álcool nos idos de 93. E não foi porque encontrei Jesus ou coisa parecida. O mais próximo que estive de Jesus foi um espanhol de Zaragoza que veio a ser padrinho do meu casamento em &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:metricconverter productid="2003. A" st="on"&gt;2003. A&lt;/st1:metricconverter&gt; secretária da paróquia Nossa Senhora da Luz, beata fervorosa, arregalou os olhos e, com aquela cara de “como assim, meu filho?”, quase caiu de costas quando comecei a listar os nomes dos padrinhos e madrinhas. O primeirão, claro, foi Jesus. Por pouco não matei a tia quando completei: “Tô bem de padrinho, hein?”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Há uma grande pressão social para que homens em idade produtiva tenham o hábito de beber, nem que seja socialmente. “Oxe, nem um vinhozinho?” é uma das exclamações que mais ouço, como se vinho fosse suco de uva! Meu próprio pai, o senhor Raphael Britto Portella (assim mesmo, com ph, dois t’s e dois l’s), toda vez que o visito em Lauro de Freitas city, insiste em me oferecer um drink e, invariavelmente diante da minha recusa, com ar decepcionado, replica: “Isso tem cura, meu filho, tem cura”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;As aulas de língua portuguesa, literatura e redação durante o meu terceiro ano colegial, na Escola Teresa de Lisieux, eram responsabilidades de Nilza Carolina, uma senhora de paciência inabalável e voz de algodão-doce rosa, a quem carinhosamente apelidamos de Neide Candolina, em função da música homônima (em Circuladô de Fulô/1992, Universal Music, Caetano Veloso) e das coincidências relativas à profissão, modelo de carro e inicias: “&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;Tem um Gol que ela mesma comprou / Com o dinheiro que juntou / Ensinando português no Central”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;Cris, minha amiga-irmã, talvez a mais competente professora de inglês que conheço, decidiu fazer letras por causa dela. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;Uma das práticas da nossa Neide Candolina era aproveitar trechos dos clássicos da literatura para que fizéssemos análise sintática. Desta maneira, além de contextualizado, o assunto era reiteradamente abordado, facilitando a memorização pelos desesperados pré-vestibulandos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;Ok, verdade seja dita! Alguns não estavam tão desesperados – para o desespero da coordenação pedagógica. Entre estes, ou melhor dizendo, entre nós, figurava Mauricinho, hoje PhD em educação física. Maurício, além de arrebatar os corações das mais cobiçadas garotas com suas longas madeixas, era um exímio jogador de futebol, chegando a ser titular incontestável da seleção da escola. Infelizmente, não apresentava em sala de aula a mesma desenvoltura que tinha dentro da quadra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;Pensando bem, talvez houvesse uma relação inversamente proporcional entre o tempo investido no aperfeiçoamento das nossas técnicas esportivas e a homogeneidade de cores no boletim (sou do tempo em que nota na média era azul e abaixo, vermelha). Fico imaginando se aquelas aulas filadas para bater baba tiveram alguma influência direta no fato de meu boletim lembrar muito a bandeira do Baêa (minha porra!). Sei não, sei não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;Em uma das aulas de português, no final do primeiro semestre, lutávamos pra concluir a análise sintática de uma frase retirada de um daqueles romances românticos tristes de dar dó, que deveriam ser vendidos com uma dose de cianureto, caso o leitor se inspirasse. Árduo trabalho para quem sonhava com os licores típicos dos festejos juninos que se aproximavam ou simplesmente com o baba na hora do intervalo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;Ao final de intermináveis 20 minutos, o silêncio de quase 50 alunos resignados foi quebrado pelo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;algodão-doce rosa&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;-&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;Maurício (olhares de piedade se voltaram para o craque), na primeira frase do segundo parágrafo... (flap, flap, flap) achou?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;-&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;A-a-a-achei, fessora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;- Então, me diga: na frase “Olá, Marquesa, mas que agradabilíssima manhã para um passeio no bosque”...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;- S-s-sim...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;- Qual a função do “olá”?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;- Advérbio de presença, fessora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,255)"&gt;Como assim advérbio de presença!? Como assim!?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-2475692568163683105?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/2475692568163683105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=2475692568163683105' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2475692568163683105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/2475692568163683105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/06/neide-x-maurcio.html' title='NEIDE X MAURÍCIO'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SEMYIi3W3PI/AAAAAAAAABU/WvLjmru2U0g/s72-c/tomenota.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-669879829308535321</id><published>2008-05-26T17:51:00.000-07:00</published><updated>2008-12-12T21:39:14.260-08:00</updated><title type='text'>FABER CASTELL</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SDtcYIV3anI/AAAAAAAAABM/R7Wy7PTERqo/s1600-h/lapis+de+cor.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204855363982551666" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SDtcYIV3anI/AAAAAAAAABM/R7Wy7PTERqo/s400/lapis%2Bde%2Bcor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SDtbW4V3amI/AAAAAAAAABE/f3RWCw6gf1A/s1600-h/lapis+de+cor.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Ocre soava muito estranho entre rosa, amarelo, vermelho, preto etc. Que diabo de cor era aquela? Fui apresentado a ela quando ganhei a minha primeira caixa de lápis-de-cor da Faber Castell, com 24 lápis. Era aluno de pró Robéria e jamais ouvira falar naquela cor, apesar de reconhecer a tonalidade. Era a mesma da casca da noz – sem tirar nem pôr -, mas por que aquele nome? Ocre. Como assim?!&lt;br /&gt;Quando voltei da Alemanha, morei com Lua na casa da sogra – da minha – assim que chegamos. Após alguns meses, alugamos um quarto e sala no segundo andar muito bem localizado, próximo ao fim de linha do Itaigara e bem em frente a um ponto de ônibus. Como era agradável acordar domingo às 5:43 da madrugada com a suave melodia de um motor Mercedes Benz 355/6 arrancando em primeira marcha. Usufruí deste raro prazer por pouco mais de um ano, quando concordamos que pagar aluguel era jogar dinheiro fora e deveríamos comprar o nosso próprio apê.&lt;br /&gt;Naquela época, Lua trabalhava lá na casa do estopô, em Sauípe, e tinha os horários mais loucos possíveis. Como eu só pegava duas matérias na universidade e tinha poucas turmas na Cultura Inglesa, fiquei responsável em procurar possíveis apartamentos, contatar o corretor, ver os imóveis, blá, blá, blá e, depois da minha triagem, visitaríamos os candidatos conjuntamente.&lt;br /&gt;Com duas semanas de convívio intenso com trilhões de corretores, já estava me convencendo que aluguel era um bom investimento e acordar cedo aos domingos me possibilitaria aproveitar mais o dia. Corretores são Gremilins hi-tec programados para dizer “essa é uma oportunidade única” e “é exatamente o perfil do casal” trezentas vezes por minuto. Surreal!&lt;br /&gt;Coincidentemente, o apartamento que compramos foi por intermédio de um corretor amigo da família - se é que isso existe. Foi de fato uma barganha, mas teve que passar por uma reforma total. Derrubamos paredes, reconstruímos banheiros, trocamos todas as portas e algumas janelas em pouco mais de três meses. Loucura absoluta. Concluí, então, que se um casal consegue sobreviver à escolha de um apartamento e a uma reforma, o casamento está garantido. Estava errado.&lt;br /&gt;Meses antes da intervenção desse corretor camarada, porém, fiquei de visitar um apartamento no Rio Vermelho, pertinho da famosa Rua Alagoinhas, onde os finados Jorge e Zélia moravam, para ver “a maior oportunidade imobiliária a nível de Salvador” que solucionaria meus problemas de uma vez por todas. Já ciente do modus operandi - afinal, àquela altura do campeonato, eu era quase um profissional -, marquei o encontro estabelecendo horário e local, e ainda fornecendo características para que o corretor me identificasse facilmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, Sr. Lubisco, como fazemos?&lt;br /&gt;- Hum... que tal na frente do prédio às três?&lt;br /&gt;- Três, três e meia, né?&lt;br /&gt;- Veja bem, Sr. Régis, para mim só é possível se for às três. Eu trabalho.&lt;br /&gt;- (Meio impaciente) Como o senhor preferir, então.&lt;br /&gt;- Ótimo. Eu vou chegar numa moto preta, com capacete preto, tô de calça jeans e vestindo uma camiseta azul-marinho.&lt;br /&gt;- De moto vai ser fácil te identificar.&lt;br /&gt;- E o senhor, Sr. Régis? Como é que vai tá?&lt;br /&gt;- Calça jeans escura e uma camisa de botão... rosa ...&lt;br /&gt;- (Silêncio.)&lt;br /&gt;- Mas é rosa macho, viu?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-669879829308535321?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/669879829308535321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=669879829308535321' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/669879829308535321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/669879829308535321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/05/faber-castell.html' title='FABER CASTELL'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SDtcYIV3anI/AAAAAAAAABM/R7Wy7PTERqo/s72-c/lapis%2Bde%2Bcor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-7727389082962250086</id><published>2008-05-19T07:29:00.000-07:00</published><updated>2008-05-19T13:53:30.151-07:00</updated><title type='text'>COMO ASSIM SOL? COMO ASSIM?!</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Se há uma coisa que adoro&lt;br /&gt;É espaguetti com molho pomodoro!&lt;br /&gt;Essa rima infame&lt;br /&gt;(que por sinal vai bem com inhame)&lt;br /&gt;Veio assim, sem nenhum porquê,&lt;br /&gt;Surgiu do nada. - não consegui antever.&lt;br /&gt;Mas tenho uma política interna&lt;br /&gt;Só para dar ordem a minha baderna:&lt;br /&gt;Uma vez a rima estabelecida,&lt;br /&gt;- Seja maravilhosa, insossa ou &lt;em&gt;fudida&lt;/em&gt;;&lt;br /&gt;Tenha sustança ou seja raquítica;&lt;br /&gt;Soe sublime ou atente contra a estilística –&lt;br /&gt;Não se deve cometer a atrocidade&lt;br /&gt;De removê-la por pura vaidade.&lt;br /&gt;É inimaginável o exercício,&lt;br /&gt;(Seria melhor se dissesse “o sacrifício”)&lt;br /&gt;De ter temperança, controlar a voracidade&lt;br /&gt;E ainda assim não tolher a criatividade.&lt;br /&gt;Um seleto número de privilegiados&lt;br /&gt;(bem poderia rimar isso aqui com viados)&lt;br /&gt;Têm um repertório impressionante:&lt;br /&gt;Nada é pouco, é tudo tão abundante!&lt;br /&gt;Parecem nunca estar à míngua,&lt;br /&gt;Mesmo que para isso agridam a nossa língua.&lt;br /&gt;Sei que o meu próximo argumento&lt;br /&gt;Trazer-me-á muito tormento.&lt;br /&gt;O mulherio vai achar que é engano&lt;br /&gt;Ou que esse que vos escreve é um insano.&lt;br /&gt;Isso porque sempre há conflito&lt;br /&gt;Quando se mexe com o nome de um mito.&lt;br /&gt;Desde a primeira linha, bem lá em cima&lt;br /&gt;Venho pensando qual seria a melhor rima.&lt;br /&gt;Não pode ser uma rimazinha qualquer&lt;br /&gt;Pois se trata de um ídolo de toda mulher.&lt;br /&gt;Ai, ai, ai! Melhor ter muito cuidado&lt;br /&gt;Senão posso amanhecer todo esfolado&lt;br /&gt;Por um bando de mulheres ensandecidas&lt;br /&gt;Felizes em bater, puxar cabelo e dar umas mordidas&lt;br /&gt;Somente porque – Oh, meu Santo Expedito-&lt;br /&gt;Resolvi citar o nome de um mito.&lt;br /&gt;Preciso relaxar, abstrair e respirar fundo,&lt;br /&gt;Pois só de pensar na histeria das fãs fico nauseabundo.&lt;br /&gt;Trincando os dentes, fingindo-me feroz,&lt;br /&gt;Digo, então, lá vamos nós:&lt;br /&gt;Tão insuportavelmente salgado quanto charque&lt;br /&gt;É aquela rima infame de Chico Buarque&lt;br /&gt;Que a golpes de marreta rimou Sol&lt;br /&gt;Com o nosso bom e velho Rock n’Roll.&lt;br /&gt;Assim não vale! Puta que pariu!&lt;br /&gt;Sofro eu, você e a língua oficial do Brasil.&lt;br /&gt;Seu eu fizesse isso, seria primário, no máximo colegial...&lt;br /&gt;Mas como foi Chico Buarque, todos acham genial!&lt;br /&gt;Sendo breve, sem maiores delongas&lt;br /&gt;Pois cansei de falar no rei dos songamongas,&lt;br /&gt;Um último comentário&lt;br /&gt;A respeito desse abuso literário.&lt;br /&gt;Se fosse eu, rimaria Sol&lt;br /&gt;Com Paracetamol...&lt;br /&gt;Se fosse Sindey Magal,&lt;br /&gt;(sua mão em meu p ...)&lt;br /&gt;Rimaria Rock n’Roll&lt;br /&gt;Com “me chama que eu vou”.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-7727389082962250086?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/7727389082962250086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=7727389082962250086' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/7727389082962250086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/7727389082962250086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/05/como-assim-sol-como-assim.html' title='COMO ASSIM SOL? COMO ASSIM?!'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-5434130555944679376</id><published>2008-05-11T20:13:00.000-07:00</published><updated>2008-05-12T04:19:09.792-07:00</updated><title type='text'>LABORATÓRIO HOMEOPÁTICO IRMÃOS SOARES DA CUNHA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Se há uma coisa que me mata de tédio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;É ficar em casa refém de remédio, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Trancado feito bicho, sem poder sair,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Tolhido no meu direito de ir e vir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Na última sexa-feira,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Chegou assim, sem eira nem beira,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Uma tosse daquelas, sem dó, desgraçada,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Típica de quem teve uma inesquecível noitada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Mas nesse caso, só levei mesmo a fama&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Sem o gostinho de ter “deitado na cama”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Ela chega do nada, discreta, nem se sente...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Quando se percebe, scataploft, derrubou a gente!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Já tentei quase tudo, so não mesmo magia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Pra dar um fim nessa interminável agonia:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Melzinho, gargarejo, repouso, pastilha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Ou até um remedio que na água efervilha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Nada que eu tente parece dar jeito &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Nessa tosse que faz doer o peito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Até chá de mel, limão, gengibre e alho,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;que peloamordedeus, é ruim pra caralho! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Sem mencionar aquela insuportável demora&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;De tomar homeopatia de hora em hora!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Dizem que colo de mãe é medicinal:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Cura manha, mau olhado, até ataque viral!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Sendo assim, a única solução que me resta,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Não sei se em outra situação, mas certamente nesta,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;É encabeçar a emocionante campanha:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Mãe, volta logo da Espanha&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/434885611294344641-5434130555944679376?l=www.lubisco.com.br' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.lubisco.com.br/feeds/5434130555944679376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=434885611294344641&amp;postID=5434130555944679376' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5434130555944679376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/434885611294344641/posts/default/5434130555944679376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.lubisco.com.br/2008/05/se-h-uma-coisa-que-me-mata-de-tdio.html' title='LABORATÓRIO HOMEOPÁTICO IRMÃOS SOARES DA CUNHA'/><author><name>lubisco</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10106251435143982713</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_Dl-4argIhcs/SNUcBK6oHkI/AAAAAAAAALU/0TJ_Yx0APIU/S220/DSC_0168.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-434885611294344641.post-2587565376659261391</id><published>2008-05-09T14:39:00.000-07:00</published><updated>2008-05-10T10:07:12.965-07:00</updated><title type='text'>D. Diva</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Mario Quintana dizia que o poeta sofre duas vezes: quando escreve e quando recitam os seus poemas. D. Diva, mãe de meu pai - avó e madrinha, como ela adorava ressaltar – era uma exceção. Lembro-me dela sentada na cadeira de balanço entre a cama e a penteadeira (toda casa de avó que se preze tem uma penteadeira), recitando diversas poesias que sabia decor. Eu me deliciava com cada sílaba. Tudo estava no lugar certo: as pausas, a entonação... recordo dela se inclinando para frente, baixando o tom da voz olhando direto nos meus olhos, sem me dar chances de escapar da poesia.&lt;br /&gt;Minha Vó Diva, toda vez que recitava, construia um novo poema.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-p
