NATAL

Não tenho fé no divino.

Acredito que o Homem criou deus à sua imagem e semelhança, não o inverso. Justamente por isso, acredito no Ser Humano. Este poder de forjar uma fonte que tudo sabe, que tudo pode e está ao redor, pode ser transformado na capacidade de mudança que tanto nos é necessária.

Atribui-se a Jesus divindade e, portanto, infalibilidade. Por quê? Qual o mérito em não errar? Foi esta a lição perversa que teria nos deixado? Sinceramente, desacredito. Perfeição é para o deus que inventamos.

Jesus, o filho de Maria e José, foi capaz de fazer milhões escutarem, olharem ao redor, questionarem e fazerem a revolução. Ensinou que as diferenças devem ser aceitas, as coisas – tangíveis ou etéreas – compartilhadas, que o outro, mesmo quando errado, deve ser perdoado. Entretanto, perdoar não significa omitir-se. Afinal, não foi Jesus que, num momento de ira, expulsou os vendilhões do templo?
Ele enxergou seu lado sombrio, caiu em tentação, refletiu, refez-se, pôs-se de pé e seguiu adiante, amando a todos como a si próprio.

Andamos nos embrutecendo. Sucumbimos diante do ideal de acúmulo e exploração. Somos culturalmente programados para reter, manter e disputar. Deixamos para trás, em algum momento, lições básicas ensinadas por Jesus.

Há, contudo, a meu ver, possibilidades. Não criamos deus? Ora, pois, aprendamos com o filho da nossa cria: questionemos, amemos, perdoemos, sejamos mais humanos, pois ser mais humano é tornar-se mais divino...

Revisado por Nídia Lubisco

6 Response to "NATAL"

  1. Christianne Heiligen Says:

    Texto bala viu? Disse tudo. Beijocas

  2. Daniel castelani Says:

    Perfeito Du, é isso que eu queria ter dito

  3. Feizi Says:

    Você pediu o meu comentário! E ler seus textos é sempre um prazer!

    Tirando os trechos que falam da pretensão criação de Deus pelo homem, concordo com tudo, meu amigo!

    Para mim, você é uma daquelas pessoas de profunda espiritualidade que, ao perderem a fé nas instituições religiosas, imaginaram estar desacreditando também em Deus. Vejo essas duas coisas como bem distintas - a Fonte Divina, Origem da criação, e aquilo que os homens fizeram com Seus ensinamentos e em nome Dele.

    No fundo, você acredita no humano porque percebe que há, em cada pessoa, um reflexo do Divino, que é a nossa verdadeira essência!!!!

    Um abração repleto de carinho! Espero que em 2012 você abra espaço em sua agenda (e coração) para sentarmos e conversarmos sobre esses assuntos. Afinal, sou contra todo e qualquer tabu - inclusive esse, o de que não se deve conversar sobre religião. Deve-se, mas sem o objetivo de persuadir, mas sim de compartilhar visões de mundo.

  4. Mariana Paiva Says:

    Lindo.
    Adoro isso de humanizar o relato.
    ;)

    beijo

  5. Janela da Cuca Says:

    Lubis, meu querido, concordo em gênero, número e grau! Como c tava inspirado, hein! Adorei! bjs

  6. Dona do Caos Says:

    Bem aventurados aqueles que perdoam...
    Se inventei um Deus para adorar, não sei. Mas adquirir a capacidade de perdoar me fez alguém bem melhor.
    ... Espero que isso conte na balança quando eu tiver que depositar num dos seus pratos os meus pecados!