Como minha memória anda me traindo, resolvi contar essa história antes que caia no esquecimento.
Moro no mesmo endereço há 23 anos. Se bem que há uma lacuna referente à época que fui casado. Mas, com o divórcio, filho pródigo que sou, retornei ao lar.
Nilton, que exerce a função de coordenar os porteiros e funcionários responsáveis pela limpeza do prédio de 12 andares com quatro apartamentos de três quarto por piso, me conhece desde que me mudei pra cá ainda meninote. Nestes anos todos, desenvolvemos uma relação de afeto e confiança.
Os outros funcionários - Alan, O Perguntador; Firmino, O Tá-Tudo-beleza; Raimundo, O Filósofo; Chico, O Fênix e Timóteo, O Dialeto - são espetaculares e nos adoramos mutuamente. Um dos meus passatempos prediletos é, nas minhas horas vagas, descer e conversar com quem estiver na portaria no momento. Sempre aprendo algo com a sabedoria popular – aquela que não se aprende na escola – ou me divirto muito com as histórias da vizinhança, afinal, todo mundo tem seu lado Dona Fifi.
Bem verdade que muitas destas conversas são momentos de terapia para eles que me contam as agruras do serviço cotidiano. Sempre, sempre mesmo, solidarizo-me com toda a sinceridade que tenho. Talvez por isso, gostem tanto de mim ao ponto de, ao invés de me chamarem de Lubisco, usem Duda. E, deixo claro que, somente eles têm esta permissão.
Hoje, desci para fumar um cigarro e prosear um pouquinho. Chegando ao playground, encontrei Nilton na guarita enquanto Firmino e Alan, o mais jovem de todos, lavavam o piso do térreo. É um trabalho brutal, pois a área é enorme.
Vendo aquilo, lembrei-me, milagrosamente - devido a minha condição atual, já referida lá em cima – de uma cena que testemunhei há duas semanas: Nilton estava na portaria quando uma moradora louca, mãe de um garoto de uns 10 anos e já atormentado pelas insanidades maternas, chegou esbravejando, com sua grosseria peculiar, pois seu amado rebento só chegava em casa com “os pés pretos de sujeira”.
Nilton tentou argumentar, ponderadamente , que o pátio era varrido todos os dias e lavado uma vez por semana. Mas a louca, como é chamada por todos os condôminos que sabem da existência daquele ser desequilibrado, não se deu por satisfeita. Prometeu fazer uma reclamação formal ao síndico pedindo o desligamento de todos os empregados imediatamente, bateu a porta e andou, pisando fime seu sapato com estampa de oncinha, até o elevador.
A teoria unânime que corre à boca pequena – bem, não tão pequena assim – é que, a ela, falta uma boa trepada. Ok, concordo que seja uma teoria levemente machista, mas garanto que, neste caso específico, concordo plenamente.
Há poucos minutos, quando ainda estava lá em baixo divertindo três deles com algumas histórias engraçadas - modéstia à parte, sou bom nisso - relembramos o rompante da psicopata. Foi, então, que recebi uma de trabalho. A primeira relativa a um tipo de serviço ao qual não estou acostumado a prestar, visto que minha escolha profissional foi de ser pobre, digo, professor de inglês.
- Duda, você tem algum tempinho livre?
- Hum... não exatamente. Mas diga aí o que é pra ver se posso ajudar.
- Man, se puder vai ser bala!
- Massa.
- Tá a fim de ganhar uma grana extra?
- Oxe, claro! Na hora. Manda.
- Você cobraria quando pra dar uma madeirada na doida?
- Uma o quê?
- Madeirada, porra.
- Madeirada? Tá Louco, véi!?
- Não, man! Passar a pica.
- Ah! Um milhão... acho.
Este texto não foi revisado


25 de agosto de 2011 08:42
hahahahaha, muito bom... e aí, os porteiros estão fazendo a vaquinha?
25 de agosto de 2011 09:10
Meu maxilar está doendo de tanto rir...
Aqui na minha terra esse termo “dar uma madeirada” não é reconhecido. Risos
E eu que pensava que todos os loucos do mundo moravam no meu condomínio...
26 de agosto de 2011 03:29
hahahahaha adorei!!! E nao acho essa teoria da madeira nada sexista. Se todo mundo gozasse regularmente o mundo nao seria esse caos. Beijos
26 de agosto de 2011 04:29
Não é mais fácil comprar um par de tênis pro guri?
26 de agosto de 2011 06:34
não, eu não vou dizer nenhuma gracinha. juro. :x
26 de agosto de 2011 06:40
Hahahahhahaa... O condomínio vai fazer a vaquinha... hahahahaha.
Concordo com Cris. É mais uma teoria biológica que sexista... rss
Boa Sorte, meu caro!
29 de agosto de 2011 08:17
Comentando os comentários: faço minhas as palavras de Cris e Andrea é gênia.hahahahaha
Tá massa!
Beijos
30 de agosto de 2011 09:16
Tô com Cris!
7 de setembro de 2011 06:07
Vai encarar?
7 de novembro de 2011 18:05
hahahahaha... não tinha lido esse... curti. :)
30 de novembro de 2011 10:27
Ri litros hoje de manhã lembrando esta história. Tive o “prazer” de ficar trancada no elevador aqui do prédio por quase 20min com uma senhora de meia idade (histérica) que gritava que ia morrer, pois além de cardíaca ela alegava ser claustrofóbica. Ô situação viu, e pensar que já estive em situações semelhantes em melhor companhia. Risos
Ai lembrei a incrível ideia do seu porteiro e pensei: vou apelar... Então, se tiver um tempinho, acalma a veia pelo amor de Deus porque hoje eu quase cometi um assassinato. rs
18 de fevereiro de 2012 11:20
hahahah
Curto muito ler seus textos! Viajo, rio, reflito. Posso te imaginar narrando essas histórias!
Beijos!
Diana