MANIFESTO CARNAVALESCO


Aos mais desavisados
– esses que se acham muito bem informados –
Vão soar como esquizofrenia
Minhas palavras sobre o carnaval da Bahia.
Contudo, aviso aos navegantes:
Não estou só. Tenho amigos nada ignorantes
Que não se iludem com dogmas, com o mítico
E, sempre, mantêm afiado o senso crítico.
Em Salvador, diz o governo (não é ilusão):
Brincam o carnaval menos de 22% da população.
Quem aproveita mesmo é a turistada
Que usa, abusa e deixa nossa Soterópolis acabada.
O folião pipoca, com seu minguado dinheiro
Se espreme entre a polícia e o “cordeiro”.
Os blocos – condomínios particulares ambulantes –
Usurpam o direito de ir e vir do casal de amantes
Que não quer pagar por um abadá cretino
Para não se tornar, das oligarquias momescas, inquilino.
Como disseram em Ondina, num improvisado letreiro:
“Todo bloco de corda tem um pouco de navio negreiro”.
Basta uma breve passada pela avenida
Para sentir o queimar da velha ferida:
Dentro, “gente bonita”, selecionada, se diverte;
Fora, o povo é enxotado como se fosse a Peste.
Só de lembrar me ataca a azia!
Wanda Chase dizendo que o carnaval é uma democracia.
A Luiz, Moraes, Gerônimo e todos que tiveram opinião
Lhes foi negado um decente quinhão.
Presentearam com trios esquisitos, não deram o verdadeiro valor
A estes caras que inventaram o Carnaval de Salvador.
E pra deixar minha úlcera ruim, pior,
Durval Lélis diz que devia haver um circuito privado, indoor.
Talvez, assim, ele não tenha a incomensurável agrura
De ver, em seu bloco de gente bonita, feiura.
A feiura do povo, do pobre, do preto
Quem não vem de bairro nobre, mas, sim, do gueto.
Daniela, a Rainha Decadente,
Com sorriso bonito, mas veneno de serpente,
Sugeriu que os trios independentes acelerassem
Para que o povo dos camarotes, por mais tempo, a ela admirassem.
Sobre Bell, já me disseram: “Rapaz, deixe lá, não se meta
Porque o cara é enviado direto do capeta”.
Não duvido, pois o jeito que leva seus devotos na mão,
Só se tiver feito um pacto com o Cramunhão.
Mas entendo que (entre tantos) Dani, Durval, Ivete e Bell
Já caíram alguns degraus daquele lugarzinho no imaginário céu.
A repetição é tanta e ostracismo tão iminente
Que tem até compositor reclamando de “excesso de contingente”.
Aproveitando uma das poucas vantagens da mais avançada idade
Não incorrerei no erro de discutir, da música, a qualidade:
O que é bom pra mim pode ser ruim pra você.
Vai que eu amo rádio e você é louco por TV?
A diferença em si é bela, assaz salutar
Desde que haja espaço para TODO MUNDO brincar.
Para mim, em suma, isto chamado, em Salvador, de Carnaval
É a institucionalização oficial da segregação racial.

60 Response to "MANIFESTO CARNAVALESCO"

  1. paulinha Says:

    clap clap clap!

    meus aplausos por ter conseguido descrever poeticamente uma realidade onde não se vê poesia alguma. não fui pra Salvador nesse carnaval exatamente por não querer me sentir cúmplice desse processo de exclusão social e racial (sempre fui frequentadora da pipoca, o que talvez me isente um pouco de certa culpa; mas ver a coisa toda acontecendo e não falar nada, não denunciar - não se indignar, no mínimo... pra mim isso tb torna cúmplice quem ajuda a escrever a história dos carnavais sabendo o que rola nas entrelinhas do evento - que não chamo mais de festa, aquilo não pode ser festa).

    vendo uns trechos pela tv, fiquei angustiada. em determinado momento me deu mesmo vontade de ir pra Salvador e abraçar a cidade, beijar seu chão (sério, a vontade era essa), colocar as ruas no colo, varrer dali os camarotes e blocos e expulsar toda essa gente "we are carnaval, we are folia"... sabe sensação de ver uma pessoa querida sendo maltratada e não poder defender?

    enfim, Lubis. fico triste daqui de longe, triste mesmo. e há quem não entenda, mas essa tristeza é a minha verdade mais sincera com relação ao carnaval.

  2. Luise Reis Says:

    Suas palavras tiveram uma precisão cirurgica. Uma vergonha todas as afirmações dos artistas, dos apresentadores e demais indivíduos da mídia durante este carnaval. Para mim, o ponto alto da ironia foi a família Magalhães cantando que é PERIFERIA durante a passagem do PSIRICO do povão, diga-se de passagem, alvo de racismo.
    Podem continuar vendendo a ilusão do carnaval democrático, mas essa maquiagem não vai resistir mais muito tempo.

  3. Francine Says:

    Velhão, vc me emocionou com esta prosa em forma de poesia, se eu tivesse que escrever um manifesto carnavalesco, gostaria de escrever exatamente este texto.

    Como diria James, Sad But True.

  4. Irena Says:

    Gostei muito do seu manifesto. O único senão para mim é que, em realidade, um circuito indoor, me agradaria muito. Liberaria as ruas para um carnaval - efetivamente - popular (e olha que eu nem sou assim chegada do carnaval), mas que todo bloco de corda tem um muito de navio negreiro, ah! isso tem.

  5. sidneycards Says:

    refletir e importante, agir e necessario!!! vamos gritar mais alto minha gente, divulguem esse manifesto!!! parabens lubisco, meus pesames Brasil!!!!

  6. Irena Says:

    Se o comentário for repetido, peço desculpas, pois não fiquei certa de ter conseguido postar.
    Muito bacana o seu lamento, melhor dizendo, a sua forma de lamentar. Minha única dissonância é com relação ao que foi dito sobre o circuito indoor. Francamente, o que chamam de carnaval de rua de Salvador foi totalmente apropriado pela iniciativa privada. Preferiria um circuito indoor (de preferência longe, bem longe da Barra/Campo Grande) e que as ruas, em número de dias menor (ninguém precisa de 1 semana de carnaval), seja tomada por aqueles que dão sentido à expressão "manifestação popular". Abraços, Irena

  7. Francine Says:

    O comentário de Francine foi de Daniel, essa porra de usar um micro pra duas pessoas dá nisso. :-)

  8. Teacher Hostil Says:

    Simplesmente resumiu esse lixo DEMOcrático que eles chamam de Carnaval.
    Com todos os meus preconceitos sobre essa música a parte, é horrível o que se faz ao folião que de verdade quer curtir esses seis dias em que ele não está atolado nas suas atividades trabalhistas ou do mesmo gênero de desgaste.
    Isso nunca vai mudar. A festa é para o turista e para o rico. Eles praticamente não vêem esse defeito de dentro de um camarote luxuoso ou de um bloco.
    É pífio. Minhas palmas para o folião pipoca que mesmo enfrentando tudo isso, nunca desiste de ir ao Carnaval.

  9. Teacher Hostil Says:

    Simplesmente resumiu esse lixo DEMOcrático que eles chamam de Carnaval.
    Com todos os meus preconceitos sobre essa música a parte, é horrível o que se faz ao folião que de verdade quer curtir esses seis dias em que ele não está atolado nas suas atividades trabalhistas ou do mesmo gênero de desgaste.
    Isso nunca vai mudar. A festa é para o turista e para o rico. Eles praticamente não vêem esse defeito de dentro de um camarote luxuoso ou de um bloco.
    É pífio. Minhas palmas para o folião pipoca que mesmo enfrentando tudo isso, nunca desiste de ir ao Carnaval.

  10. duda lima Says:

    Talvez fosse bom ter um circuito in door, quem sabe assim o povo conseguiria um espacinho na rua e o carnaval voltaria a ser como antes...quem sabe!

  11. Lucas Says:

    "Carnaval é uma festa para turistas?"

    Eu não vejo problemas nisso, desde que seja benéfico para a cidade. Traga investimento, melhorias, empregos. E não é o que acontece.

    Primeiro de tudo: tem que ser rediscutido isso, o que o carnaval traz de benefícios e como se reverte para a cidade. Não da maneira desgovernada que é hoje, o poder público jogando números de turistas como se estivessemos comemorando esse crescimento, que, como disse bem lubisco, aumenta a segregação do (nosso?) caranval.


    "Durval Lélis diz que devia haver um circuito privado, indoor. Talvez, assim, ele não tenha a incomensurável agrura. De ver, em seu bloco de gente bonita, feiura."

    Sobre isso do circuito indoor, após ter tido ótimas experiências este na pipoca de Moraes e Armadinho, eu sou a cada dia mais a favor.

    Afinal, quem é de bloco, tá atrás da pegação, dos artistas da axé como ivete, chiclete. O que continuaria acontecendo lá.

    Pronto, cria-se este local , e deixa-se espaço para o carnaval realmente democrático. Até acho que, com o tempo, estes mesmos iriam descer um dia "sem cordas", no circuito aberto, para mostrar que gostam do povo (ação de marketing, em sua maioria, mas que funcionaria).

    Só acho que nesse debate o carnaval precisa também ser tratado como negócio, um negócio inclusive que os empresários ligados a Axé Music apredenram a negociar muito bem.

    Agora, fica a pergunta: será que as pessoas que vão ao carnaval topariam "perder as atrações principais" em prol de mais espaço na rua?

    Também achar que eles não sabem de nada e que com o tempo eles vão é gostar é uma visão elitista.

    Acho que isso poderia ser feito aos poucos, até porque o circuito já não comporta tantos trios. Isso daria a chance de muita gente que sai em horários bizarros ter um horário mais decente de saída.

  12. Lucas Says:

    "Carnaval é uma festa para turistas?"
    Eu não vejo problemas nisso, desde que seja benéfico para a cidade. Traga investimento, melhorias, empregos. E não é o que acontece. Primeiro de tudo: tem que ser rediscutido isso, o que o carnaval traz de benefícios e como se reverte para a cidade. Não da maneira desgovernada que é hoje, o poder público jogando números de turistas como se estivessemos comemorando esse crescimento, que, como disse bem lubisco, aumenta a segregação do (nosso?) caranval.


    "Durval Lélis diz que devia haver um circuito privado, indoor. Talvez, assim, ele não tenha a incomensurável agrura. De ver, em seu bloco de gente bonita, feiura."
    Sobre isso do circuito indoor, após ter tido ótimas experiências este na pipoca de Moraes e Armadinho, eu sou a cada dia mais a favor.
    Afinal, quem é de bloco, tá atrás da pegação, dos artistas da axé como ivete, chiclete.
    Pronto, cria-se o local deles, e deixa-se espaço para o carnaval realmente democrático. Até acho que, com o tempo, estes mesmos iriam descer um dia "sem cordas", no circuito aberto, para mostrar que gostam do povo (ação de marketing, em sua maioria, mas que funcionaria).
    Só acho que nesse debate o carnaval precisa também ser tratado como negócio, um negócio inclusive que os empresários ligados a Axé Music apredenram a negociar muito bem.
    Agora, fica a pergunta: será que as pessoas que vão ao carnaval topariam ""perder as atrações principais" em prol de mais espaço na rua? Também achar que eles não sabem de nada e que com o tempo eles vão é gostar é uma visão elitista. Acho que isso poderia ser feito aos poucos, até porque o circuito já não comporta tantos trios. Isso daria a chance de muita gente que sai em horários bizarros ter um horário mais decente de saída.

  13. Surabhi Says:

    Lindo texto.

  14. Paula Says:

    Esquizofrenia é o discurso da “terra da alegria” e da “festa da democracia”: baiano é carnaval, baiano é feliz. Como bem disse Ana, tem sido importante e visível a frequência do questionamento destas máximas. Destes modelos. E você foi perfeito na síntese. Sem perder o bom humor, o que é ainda melhor. Ainda que isto não tenha a menor graça.

    Neste ano, mais que nunca, com tudo que vimos e discutimos, percebo que o carnaval de Salvador realiza, alegoricamente, todas as representações das mazelas das desigualdades. Do que é “centro” e do que é “periférico”.

    As cordas são o ponto alto desta simbologia. A rua, pública, de todos, de repente ganha limites, só atravessáveis por quem dá pequenas fortunas para vestir fardas iguais. Sob sol, sob chuva, expostos de forma similar, eles pagam pelo “conforto” de estar separados da “massa”. Não me pegue, não me toque, negão, segure a corda que não me misturo com a ralé. A corda só serve para garantir que as hierarquias sejam mantidas. Que a divisão dos bairros, da elite e do proletariado, não se perca em meia à “festa popular”, a “festa de todos”. É quase uma mostra científica de como a sociedade funciona. Algo como: se é preciso o desgosto de dividir o mesmo mundo, ao menos que se certifique que o espaço de privilégio seja meu. E que você me sirva: Negão, querido, tome um gole da minha cerveja, fume o resto do meu cigarro e segure a corda com força! E o Asa arrêa, sem nenhum constrangimento.

    (Perguntas retóricas: por que mesmo não se pode atravessar a corda? Quem determinou que é proibido entrar lá? Quem oficializou este direito? Se eu quiser entrar sem abadá, qual lei me proíbe disso? Desde quando uma corda torna o espaço público em espaço privado?)

    Sabemos que há um esforço do Governo do Estado em promover programas de incentivo a entidades menos favorecidas, e oferecer opções para foliões menos abastados (e como foi bonito o que se fez este ano no Carnaval do Pelourinho, hein?). Mas a briga é com peixes grandes demais... Endeusados demais! Fantasiados de reis e rainhas por eles próprios, por contratos publicitários milionários e pela grande imprensa. É um sistema de penetração ardilosa. Ninguém vai largar o osso.

    Assim, teremos de ver Wandas Chases dançando em frente às câmeras, sorrindo com a passagem das estrelas, contando a fofoca da vez, vibrando com a democracia e a diversidade da maior festa de rua do planeta! Que beleza!

    Assim, teremos de ver personagens como Durval Lélis defenderem que quem os quiser ver tem de pagar. Negócio mais sem sentido tocar pra pipocada, pros camarotes, pras arquibancadas, pras varandas de prédios sem ganhar rios de cédulas a mais por isso! (Óbvio, ele traveste isso de boa índole, diz que é só uma forma justa de cada um ter o que quiser: quem gosta de carnaval de rua que corra atrás de fanfarra.)

    Assim, teremos de assistir a Danielas incorporando o poder. Tudo fica tão desajustado que parece ter sentido: deixem os grandes aparecerem mais!

    Assim, teremos de ver Bells raspando barbas e virando notícia, enquanto fazem de um jingle publicitário, música carnavalesca.

    Angústia na veia!

  15. Breno Marques Says:

    wow my brother ! :D

  16. Pedro P. Says:

    Tirou as palavras das nossas bocas, ou melhor.. das nossas gargantas.
    Se você não faz isso a gente morre sufocado.
    Valeu !!!

  17. Chris Brayner Says:

    PERFEITO

  18. Pedro P. Says:

    Tirou as palavras das nossas bocas, ou melhor... Das nossas gargantas.
    Se você não fizesse isso, capaz de morrermos todos engasgados.

    Massa, véi!

  19. mariana Says:

    Lubis....adoro ler coisas que me fazem refletir. Hoje nao foi diferente. E apesar de amar o carnaval de SSA, de ficar contagiada com a alegria que emana dessa festa...hoje, paro, penso e concordo absolutamente com tudo!
    Fico com o coração apertado, triste,com tanta desigualdade, com a exclusão da maior parte da populacao local que nao tem acesso a camarotes, blocos...

    Parabens! E obrigada por nos fazer refletir!

  20. debora_cruz Says:

    Parabéns pelo texto. Muito bom! Nos faz refletir sobre um, entre vários problemas do nosso país. Pois onde mais se vê uma festa particular na rua? So no Brasil.

  21. Gal Says:

    Amigo, parabéns pelos pensamentos. Vale a pena ler a Carta Capital desta semana. Acho que pode encontrar um complemento para o que escreveu! Bjs

  22. Alan Says:

    Lubis, meu caro, eu concordo que a decadência é iminente. Uma hora o povo se revolta e exige reparação. Tá começando, mas hoje ainda é quarta-feira de cinzas e o povão tá com uma preguiiiiiça... rs

  23. Paula Says:

    e agora falando da questão de apoiar o carnaval indoor... vou adaptar aqui uma resposta que usei numa conversa:

    na teoria, pensando de forma descontextualizada, seria mesmo um alívio que estes artistas e todos os seus seguidores se enfiassem num buraco escondido em que não os pudéssemos ver.

    mas na nossa realidade, dentro da estrutura social, política, midiática, econômica, no que é Salvador, não creio que seja eficiente.

    por mais podre que seja tudo, não vejo como isto solucionaria as questões básicas da segregação que existe de forma clara dentro da folia - ok, que é parte de um todo muito maior, mas que não pode ser ignorada. porque não é só "limpar as ruas" desta "merda", mas dar acessibilidade a quem quer participar. fato é que quem não tem dinheiro, o soteropolitano médio, quer sim ver o Chiclete, Ivete e companhia limitada passar. este é também o nosso carnaval, de trios elétricos e axé music. de gente pobre que gosta de ir atrás das estrelas. não temos como fugir disso, acho eu.

    no mais, de forma prática, como seria mantida a festa sem o investimento de patrocinadores, e da mídia? caso é que a indústria cultural se reflete no carnaval, e penso que podem haver maneiras de conciliar as coisas sem precisar oficializar a separação.

    os reis e rainhas não têm de sair da festa, só devem perder a majestade.

    há muito a pensar e discutir, e espero que consigamos testemunhar ainda uma festa que seja de fato minimamente democrática.

  24. Gica Rodrigues - designer. Says:

    Perfeito, perfeito!!
    Disse tudo, com tamanha sabedoria na escolha das palavras!
    Carnaval é isso aí, e talvez muito menos do que se grita tanto aos quatro ventos...
    Passei depois de muitos anos pela Carlos Gomes na madrugada de domingo e enxerguei a cor da segregação verdadeira!

    PArabéns! Vou compartilhar!
    Bjos

  25. Teacher Natali Says:

    Vc estava inspirado ao escrever esse texto, hein!?

    :)

  26. Maria Judith. Says:

    Concordo com você plenamente.
    Pelo que temos visto, deviam mudar o nome disso que antes se chamava carnaval. Não é mais.

  27. Christiano Bomfim Says:

    Tudo lindo e coerente com o tema, mas o que não entendo é que todo mundo reclama e nada faz. o Ministério público esta ai e bem atuante, mas niguém vai lá expor seu ponto de vista ou protocolar um quaixa contra os camarotes ou outros atos viciosos que imperam no carnaval, ou até pedir a punição do prefeito por compactuar com a usura dessa gente. Uma simples ação assegurada pela nossa legislação brasileira. A praia da barra deve estar nesse momento agonizando e pedindo a ajuda de um tsuname para limpar a sugeira da população, enquanto a petrobrás colocou cereja no bolo sem gosto (ação com dos bonecos infláveis). Seria perfeito que vcs todos assinassem a representação publica para evitar isso, se isso acontecer eu já assumo o compromisso de ser o primeiro. quem topa? adorei o texto e os comentários mas falar é facil. Abraços

  28. Irmão Says:

    Velho! Passei o carnaval em recife, e me senti pirado, por td isso q a gente ja sabe q é o carnaval de salvador, e feliz só em saber q a industria da monocultura ainda não invadiu aquelas bandas... aquilo sim é carnaval democrático. Velhos, crianças, doidos, caretas, td mundo curtindo em varios ambientes, varios tipos de musica, de graça!

    será q um dia a gente cosegue chegar lá?

    bração, véio! muito bom!

  29. Ted Simões Says:

    lubisco meu chapa, belas palavras. quando eu começo a falar mal dessa cidade e desse carnaval as pessoas nao me entendem, acham q eu sou um rockeirinho de merda metido a chato... eu concordo com quase tudo q vc falou. por ironia, so discordo com o que vc achou de durval. pra mim essa foi a unica ideia genial em toda a vida dele. um momento unico iluminado. ele ta certissimo, man. tem que criar mesmo um "carnavódromo", fechado, tipo a sapucaí, pra acabar com essa vergonha em nossas ruas. coitado de quem mora no meio da "folia". atrapalha a cidade toda, atrapalha a quem odeia essa festa e quer andar pela cidade, seja por lazer ou por trabalho. tudo para por causa dessa merda. tem que criar e tem que ser bem longe daqui, bota essa merda la em praia do forte, sauipe, qualquer porra a pelo menos 50 kms daqui. eu acho essa ideia dele sensacional. abração!

  30. Lali Souza Says:

    Concordo absolutamente com suas palavras e reflexão. A democracia já se perdeu e a situação está cada vez pior.

    Estive ausente nos dois últimos carnavais. No ano passado, fiz parte das estatísticas dos baianos que aproveitaram o período não para curtir, mas para ganhar um dinheiro extra. Enquanto os turistas se divertem, a gente trabalha, não é isso? Mas, enfim, se isso gera emprego e renda para nós, baianos, acho é muito bom.

    Já estive nos três lados da folia: no camarote, dentro e fora da corda. É incrível como o espaço é dominado por aqueles que pagam pela rua que deveria ser de todos.

    Há alguns anos presenciei uma cena, no mínimo, contraditória. Cordeiros empurrando, chutando, agredindo a pipoca para, então, conceder mais espaço aos foliões pagantes. É o povo contra o povo. Porque este, quando não segura a corda, vai pro lado de fora dela ser empurrado, mal tratado e agredido.

    Se é otimismo demais, não sei, mas espero viver pra ver essa festa de rua "da democracia, da paz, alegria e igualdade" voltar a fazer juz a essas palavras.

    Sobre o texto, muito bem escrito, como sempre.
    Parabéns pela discussão que gerou. Sensacional.

    Bjos

  31. Taisa Ferreira Says:

    Mtooooooo bom seu texto. Após passar o carnaval em Olinda/ Recife passei a renegar o carnaval de SSa, se antes já achava que nosso carnaval era um exemplo de marionete da industria cultural, da expressão mais absurda da desigualdade, aquela que discrimina e ainda te faz crer que estas sendo beneficiado amplamente com isso, como falou alguem nos coments, aquele carnaval sim, expressa a cultura popular da forma mais gostosa e plural que na sociedade de hoje podemos pensar, a diversidade está expressa e fomentada, dos bairros mais nobres aos mais perifericos atrações fantasticas.

    Quando falam que aqui temos o melhor carnaval do mundo, eu sempre pergunto para quem? Porque para a maioria esmagadora ele de fato não é.

    Parabéns pela sensibilidade.

  32. Adriano Says:

    Esse carnaval da bahia está em franca decadência, a própria elite AA se instalou onde nem o trio qse nem toca mais (camarote salvador) e onde impera música elerrônica.. Só deviam ter migrado pra mais longe ainda ...

  33. Brunï Says:

    Muito bom. Mas sobre essa opinião de Durval Lélis, eu concordo muito com ele! Que ele faça um circuito privado na casa da mãe dele e leve toda essa gente que acha justo ocupar minha avenida pagando centenas de reais por um abadá. Deixem a rua pra quem quer brincar na rua, porque a rua é o lugar do povo - e que eu saiba o povo nunca concordou em entregar a rua pros endinheirados camarotes e blocos de corda.

  34. Célio Says:

    Parabéns Lubisco pelo texto primoroso, e parabéns também aos comentaristas de plantão que aqui expuseram suas opiniões valiosas e algumas dignas de discussão prolongada. Luagres de debate como este são importantíssimos, mas perdem a validade na medida em que ficam apenas restritos a este espaço, perdendo a oportunidade de assumir um aspecto mais prático e real. Precisamos agir, precisamos fazer circular estas ideias nas universidades, nas ruas, nos bares etc etc...Vem gente!

  35. Chico Gomes Says:

    Demorou! Perfeito!!!!

  36. Ana Marta Says:

    Eu gostaria de ler e reler todos os comentários que, até onde pude ler, fizeram jus ao elogiar esse texto mais que oportuno.

    Concordo em genero, numero e grau e lamentavelmente! Odeio isso que chamam de Carnaval. Meu carro quebrou e fiquei dentro (literalmente, ja que moro no circuito) do Carnaval e pude ver de perto o quao degradante eh essa coisa toda que chamam "festa popular". Vi Claudinha-Café-Com Leite ser vaiada por uns vinte minutos porque passou no trio e só se virou pro Camarote da Skol, vi Daniella esculhambar a prefeitura com vocábulos chulos dizendo que deveriam tirar os cabos de aço para os trios passarem, assiti ao cantor do Pisirico sofrer agressao por racismo...

    Enfim, depois de muitos anos sem "brincar", fiquei esse ano numa pipoca testemunhando tudo, tudo e mais um pouquinho do que falou Lubisco. Pq nao manda esse texto ao jornal (impresso, televisionado), ao youtube (para ser narrado)pra TODO MUNDO ver que já nao dá mais???

    Cansei! E seu texto foi, como disse alguem, a unica coisa poetica de um carnaval que ja nao sabe o que é poesia há tempos...

  37. Gastroutopia no dia a dia Says:

    Geeente!!!!!!!!
    Que coisa mais bonita!

  38. Lua Says:

    Tudo o que eu queria era ver juventude baiana ler e entender esse texto... é por essas e outras que eu não vou ao circuito.. não vejo graça no carnaval desse jeito..

  39. deboraaranha Says:

    Vamos nos inspirar no carnaval de Recife e Olinda, carnaval de tradição, sem cordas, sem segregação, com fantasias, com shows e blocos no centro e na periferia, carnaval multicultural sem segregação racial.

  40. Aneri Maciel Pinto Says:

    Puxa Lubisco obrigada, muito obrigada dedico essa crônica poética a cada morador do subúrbio ferroviário de salvador especialmente de Fazenda Coutos que são pipocas ou com certeza a maioria cordeiros. Estes cordeiros iguais aos escravos que reimavam, nos navios negreiros para levar seus compatriotas para submissão e desgraça, sem opção, para estarem apenas vivos, e mal vivos, ou melhor mortos sem saber.
    Carnaval momento de palhaçadas, mal palhaçadas, desculpem os bons palhaços não os quero ofender...
    Continue com boa vista , boa cabeça e bom coração querido Lu

  41. Claudinha Says:

    Parabéns Lubisco!!! O Texto está excelente!!! Muito verdadeiro!!!

  42. A.F. Says:

    1) Não gosto de corda, acho constrangedor, porém, por mais que veja com simpatia a ideia de elas acabarem, não as condeno de maneira absoluta, como se fossem totalmente inaceitáveis. Elas são reflexo de uma desigualdade que há o ano todo, em todas as searas. Devemos discutir se e até que ponto é válido estender isso até pro carnaval, festa com certo ideário (recente, né?) de mistura, de inversão da ordem, de bagunça democrática, popular. E tb pensar: quem bancaria esse tanto de trio sem o dinheiro dos abadás? A solução do circuito indoor me parece até uma boa soluçao, mas será isso que a maioria das pessoas querem?;



    2) O que acho indiscutível é: o carnaval deve dar mais espaço, relevância e visibilidade pros trios sem cordas e foliões sem abadá. Deve haver essa regulamentação;



    3) O clima de paz de trios como o de Armandinho não são argumento forte pra dizer que a corda é desnecessária, inútil. Não vamos nos enganar, o povão não segue Armandinho, não segue Moraes, não segue Luiz Caldas. A maioria fica meio indiferente. A tensão que haveria numa pipoca de Psirico, Chiclete ou Ivete etc não há nesses trios e é ela que, em parte, move as pessoas a quererem estar nas cordas. Por outro lado, a existência das cordas em si é um fator de tensão, tanto simbólico, quanto físico (espreme as pessoas nas calçadas em vários pontos);



    4) A comparação com o carnaval de Pernambuco não deve desconsiderar o fato de que o carnaval de lá é muito descentralizado, sendo os pólos principais (Recife Antigo e Olinda) muito mais "classe média" do que a mistura total de Salvador. No mais, é feito por bandinhas tb descentralizadas e de som leve nas ruas ou por artistas de "bom gosto" e sem tanta pegada carnavalesca, nos palcos. O dia mais pesado, com trios e tudo, que é o Galo da Madrugada, é o que a classe média mais gosta de ir pra Olinda (PS: nunca fui pro carnaval de Pernambuco, falo baseado no que amigos me disseram).

  43. Paty Michele Says:

    Excelente. Eles enriquecem e rejeitam o povo que ouve a música pobre deles no rádio.

    O carnaval acabou e por aqui ficaram os engarrafamentos causados pela desarrumação dos camarotes e um fedor insuportável no bairro.

  44. Cláudia Says:

    Lubisco,

    falei hoje em sala de aula deste texto para que meus alunos leiam e reflitam.

    Soube que agora dentro dos camarotes tem o "espaço vip".
    Isso é esquizofrênico!

    Também soube que no mercado livre os preços estavam, em sua maioria, inferiores aos anteriores ao carnaval, ou seja, uma hora a bolha vai estourar.

    Eu como sou amante do carnaval, do chão, da rua, da pipoca, desejo imensamente que não termine.

    Parabéns pelo texto!

  45. Roberto Says:

    Ok!!! concordo com vcs o carnaval é excludente. Mais o sistema que nós vivemos é includente? Vcs pergutaram ao povo que vai pra rua se eles querem que o carnaval acabe, ou mude de forma? E se o carnaval indoor acontecer quem vai bancar o de rua? o Governo como? se um projeto de Luiz Caldas de R$ 200 mil o Estado não tem condições de arcar. O Trio de Armandinho passou pela avenida com uma qualidade 90% inferior aos blocos. Enfim o circuito indoor, vai fazer com que todos os patrocinadores do carnaval migrem pra lá, e as ruas de Salvador ficará um imenso deserto, pq o povo vai pra porta do indoor ouvi as músicas de fora. A prefeitura de Salvador com pires nas mãos não vai ter dinheiro nem pra colocar minitrio na rua. O que tem que ser feito é uma maior fiscalização dos espaços públicos durante o carnaval e uma tributação progresiva, e aprtir daí gerar receita pra propiciar ao povo atrações sem cordas. A discussão é bem mais profunda.
    Abs a todos

  46. Bruno Says:

    Muito bom!... tudo que queremos dizer... adoro carnaval e fico sim entre o policial e o cordeiro, ou melhor, o boleiro, já que acompanho os trios sem corda. Mas um um movimento está se formando e ganhando força, os trios sem corda. Alguns artistas declararam. Só não sei o que de interesse tem por trás de tais decisões...

  47. Adriana Says:

    Belíssimo!!! Toda a realidade de nossa gente famigerada, todos esses cidadãos de segunda classe, toda essa massa excluída, preterida de ser e de estar... a gente sabe de tudo isso... e ainda me sinto muito mal, muitas vezes, por ter a certeza de que contribuo para que esse estado caótico perdure. A gente sabe de tudo isso, sim, mas o seu muito bem escrito texto traz à tona essas imagens e discursos que incomodam e nos inquietam de uma maneira jocosa, irônica e perfeitamente sagaz. Tenho orgulho de ser sua amiga e poder dizer a todo o mundo que você é um cara retado! Parabéns. Drika.

  48. Adriana Says:

    Belíssimo!!! Toda a realidade de nossa gente famigerada, todos esses cidadãos de segunda classe, toda essa massa excluída, preterida de ser e de estar... a gente sabe de tudo isso... e ainda me sinto muito mal, muitas vezes, por ter a certeza de que contribuo para que esse estado caótico perdure. A gente sabe de tudo isso, sim, mas o seu muito bem escrito texto traz à tona essas imagens e discursos que incomodam e nos inquietam de uma maneira jocosa, irônica e perfeitamente sagaz. Tenho orgulho de ser sua amiga e poder dizer a todo o mundo que você é um cara retado! Parabéns. Drika.

  49. Daniele Canedo Says:

    Qualquer coisa que eu possa escrever agora poderá parecer repetitivo, tendo em vista os tantos elogios já declarados. De todos os modos, gostaria de dizer que o texto é lindo.
    Amo Salvador, amo o carnaval e como estou morando longe, o banzo deixa tudo aind mais bonito. Todavia, foi só começar a assistir às coberturas do carnaval via internet que senti o velho embrulho no estômago. Para não faalr de tudo o que você já falou no texto: segregação racial e social, estrelas sem noção, etc, vou chamar a atenção para apenas uma coisa: ninguém merce estas semi-celebridades globais que montam barraca em Salvador durante os festejos para falar do que não sabem. Odeio esta cobertura cafona com bonitinhos e bonitinhas crestinos e superficiais que pensam que Salvador é uma cidade que vai do Campo Grande a Ondina.
    Quem me dera que o povo que assiste à transmissão pela TV ou pela internet exigisse pessoas mais talentosas e com mais conhecimento para falar da festa.

  50. debora_cruz Says:

    http://www.youtube.com/watch?v=oLmFQxsMbN4

  51. Garotinha Jê Says:

    Seu manifesto expôs o sentimento de quem tem vergonha do Carnaval vendido nessa cidade.
    Meus parabéns, concordo em gênero, número e grau.

  52. Taisa Sganzerla Says:

    Bote faith, Lubis. É isso aí. E toda essa estapafurdia começa com essa doença social de todo mundo querer ser VIP.

    Pra mim, não tem nem lero-lero: Fosse eu a dona do carnaval, bloco de corda estaria sumariamente proibido. E camarote, só se não ocupar um milímetro sequer da calçada ou qualquer espaço público. E ponto final.

  53. Alex Says:

    Muito legal, Lubisco! é isso aí. infelizmente há quem confunda senso crítico com falta de amor à cidade. às vezes tenho a sensação de ser um desertor, porque desisti de viver minha cidade nessa época, eu moro no 2 de Julho e não consigo viver 24 horas em festa. acho muito bacana o cuidado de sua parte de não entrar nesse esquema de ficar desqualificando a música que se escuta na festa. O problema é o volume ensurdecedor e os privilégios dados a meia dúzia de artistas/blocos num esquema falsamente democrático. cada um que escute o que quiser, mas que respeite o direito de os outros poderem escutar o que quiserem também, o que inclui um pouco de silêncio, de vez em quando.
    Poeta é foda, né? eles dizem o que a gente queria mas não sabia como. Obrigado.

  54. Nova Empresa de Consultoria em TI Says:

    Não concordo. Vocês todos, precisam ir para a rua para conhecer o carnaval. Poucas afirmações do texto são verdadeiras.

  55. Nova Empresa de Consultoria em TI Says:

    Não concordo. Vocês todos, precisam ir para a rua para conhecer o carnaval. Poucas afirmações do texto são verdadeiras.

  56. MaKeDa Says:

    Deveras interessante... para mim uma doce surpresa!
    O texto é leve, entretanto traz uma reflexão profunda do verdadeiro significado dessa festa nada democratica e indiscutivelmente capitalista.
    Eu poderia redigir varias e varias linhas ratifinado a critica que fizestes, mas nao me atreveria.

    sempre bom saber que nao estamos sós [...] enfim, reafirmo: essas palavras vindo de voce foi para mim uma doce surpresa!

  57. Elvis Nazaré Says:

    Parabéns pelo seu blogger, Lubisco... Adorei!

    Elvira Nazaré

  58. Clô Gonzaga Says:

    Oi Lubis!

    Perfeito o seu comentário. Adoro carnaval e curtir muito, este ano, desfilar na avenida acompanhando a mudança do Garcia sem ter que me protejer das cordas do Chiclete com Banana. Ainda fico indignada com a postura das "celebridades baianas". este ano, Bel, para fazer o carnaval dos camarotes na Barra, deixou os seus seguidores pipoca a ver navios na segunda da avenida. Acho que tá mais do que na hora do povo perceber que da mesma forma que se faz os ídolos, os coloca de volta num anonimato.
    Vamos divulgar!!

  59. Cícero Gabriel Says:

    Ainda bem que houve os comentários sóbrios de A.F. e Roberto, pouco notados, mas que são não apenas aplausos românticos, mas lógico aprofundamento da questão.

  60. Cícero Gabriel Says:

    Engraçado é que vi Luis Caldas passar com trio no sábado no elitizado Barra-Ondina - sem corda - e não tinha ninguém! Nem os intelectuais! Parece que às vezes queremos salvar a plebe ignara sem que ela nos tenha pedido isso... ou será que eles é que estão satisfeitos e a gente não tá sabendo?